1175 – Piadas e palavrões na lista da UFBA

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PIADA

 

Menandro Ramos
FACED/UFBA

 

N.

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ão quero entrar na seara do juízo de valor. Quero apenas fazer um exercício de futurismo, e perguntar como a lista “debates-l” será vista daqui a cinquenta anos, caso os nossos irmãos do norte não quiserem explodir o Planeta Terra.

Algumas produções audiovisuais da contemporaneidade, que hoje são vistas com mais naturalidade, ainda que o preconceito não tenha sido de todo vencido, muito ao contrário, no passado não teriam a menor chance de serem vistas pelo grande público, a exemplo do beijo gay da novela. Nisso a Globo ousou. Não entremos no mérito se foi por uma compreensão mais larga do comportamento e do desejo humano, ou se teve como motor um determinado nicho de mercado consumidor. Não importa. Creio que esse é um primeiro passo para trazermos à baila a questão do respeito pelo outro, diria mesmo pelos Direitos Humanos.

Poderia citar diversas situações da trivialidade do nosso cotidiano atual, que em outra época, certamente,  provocaria severos castigos, como um caso que me foi relatado por uma colega, vivenciado por ela mesma em sala de aula de alunos das séries iniciais: “Licença Pro! Eu quero sair da sala para dar um pum”. Se a criança deveria ou não detalhar suas necessidades fisiológicas são outros quinhentos. O que quero é mostrar que a nova geração pode estar sendo muito mais autêntica e sincera do que a minha foi, cheia de pudores descabidos, tidos como “politicamente corretos”.

Recentemente, ouvi de uma mãe de uma filha adolescente o seguinte: “Prefiro que minha filha fique no quarto com seu namoradinho do que vê-la atracada em vias públicas e se sujeitando a tomar um tiro a qualquer momento.

Para não cansar o público, ficaria apenas com esses dois exemplos que apontam o quanto o real e tudo nele contido está em permanente movimento…

O que me suscitou esta postagem foi a reação “sensibilizada” de um colega, diante de uma piada contada na “debates-l” por outro colega. Tenho dúvida se foi por conta de ser um escracho contra a candidata Dilma Rousseff ou se foi pelo uso do verbo que na sua forma original tem a ver com a degustação de algum alimento. Coisa feita pelo ser humano desde a sua origem mais remota, quer tenha sido a maçã ou outro fruto proibido qualquer…

Ninguém pode me acusar de não ter tentado alertar, de alguma forma, o veiculador da piada, com um significativo (e lacônico) “Pega leve, Professor”. Rss. Sei o quanto algumas brincadeiras “quase inocentes” podem ganhar proporções astronômicas. A UFBA já foi palco disso… Principalmente, num segundo turno de eleições presidenciais em que tudo é motivo para Moções de Desagravo, justas ou marquetadas/marqueteiras. Sinceramente, não sei dizer se a piada fosse com Aécio Neves algum tucano desgarrado da UFBA também se manifestaria. Digo isso porque tucano na UFBA, hoje, é ave rara, visto que estamos sob o jugo das estrelas, agora escancaradamente capitaneado pelo seu dirigente maior.

Tempos atrás, na mesma “debates-l”, da UFBA, um professor, irritado com algo que o incomodava, postou um palavrão ou algo do gênero como desabafo. Não me lembro de ter lido, na ocasião, outros protestos a não ser de um único professor. Fora da lista, não ouvi nenhuma censura ao colega. Dessa última vez, em off, ouvi duras críticas ao docente piadista. Talvez, por conta disso, o dito cujo tenha prometido não mais contar piadas na pudica “debates-l”. Quem tem juízo, tem medo. Depois de pensar muito no assunto, concluí que talvez a tolerância com o professor que proferiu o palavrão tenha sido maior, pelo fato de ele tê-lo feito em inglês. Desta maneira, mais do que um palavrão, soa como erudição e expertise na língua de Shakespeare. Portanto, com tudo a ver com as filigranas acadêmicas.

Ah! Já ia me esquecendo. Logo depois, o professor pediu desculpas – em português -, na própria lista, por ter postado a expressão chula, ainda que em língua inglesa.

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Em 18/10/09, Marcos Palacios <palacios@ufba.br> escreveu:

Fucking Hell !!!!!!! ainda isso??????  Já não deu? Pelo amor de Deus, falemos de outras (quaisquer!) coisas.

Não dá para sentir que é assunto largante superado??????….

Saudações,

marcos palácios

Veja a fonte: AQUI

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Lamentável que um professor universitário de uma instituição pública utilize uma lista de debates que envolve toda a comunidade para nos expor a considerações de nível tão baixo! Uma mensagem deste tipo depõe mais contra o emissor do que contra o alvo da agressão.

Embora tenha dúvidas sobre se tal canal (a lista debates) se presta a discussão eleitoral, o mínimo que se esperaria, num ambiente acadêmico, é que o emissor da mensagem destacasse os planos e projetos do seu candidato para a melhoria da universidade pública brasileira. Que defendesse o voto nele a partir de sua história de compromissos com a educação pública de qualidade. Que mostrasse exemplos de como, no poder, tratou de forma apropriada a educação e os professores.

Sugiro que o moderador da lista não aceite mensagens tão grosseiras. Este tipo de mensagem é responsável por tantas retiradas de nome da lista.

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Em 13 de outubro de 2014 08:44, Telesforo <martinez@ufba.br> escreveu:

Tem muitos simpatizantes dos petralhas dizendo: “olha a cara de Aécio; não dá para votar no cara que tem esta cara”. Aí me lembrei do caso da professora que pediu aos alunos uma redação que envolvesse politica, sexo, coragem, mistério e religião. Em dois minutos  Joaozinho terminou a tarefa escrevendo:  meu Deus, comeram Dilma, quem foi?    Telésforo

Antonio Virgilio Bastos

Instituto de Psicologia / Superintendência de Avaliação e Desenvolvimento Institucional – SUPAD

UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA

Tel: (71) 3283-6477

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