1214 – Posse ou tapetão? Verdade ou mentira?

.JOVINIANO-NETO-2014

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Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

F.

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oi inútil a tentativa da diretoria da APUB em querer legitimar a posse de ontem, dia 12/12/2014, com a presença de ilustres figuras. O vexame se consumou e a fragilidade do ato se tornou pública. A coisa feia que buscaram mergulhar em águas turvas, veio à tona, boiou como um cadáver que se tenta desesperadamente fazer sumir. Conforme anunciamos neste Blog, os dirigentes governistas da diretoria da APUB tinham pressa em simular uma solenidade de sua própria posse. Mesmo que “no tapetão”, conforme aconteceu. Em fazendo a posse acontecer, o desapossar fica mais difícil. Ainda que pela via da juridicialização, a morosidade da justiça vence num fôlego o biênio regimental.

Dias atrás, na Faculdade de Arquitetura da UFBA, enquanto aguardávamos o início do debate entre as Chapas 1 e 2, ouvíamos encantados o que dizia o colendo Prof. Prof. Joviniano Neto sobre a sua inserção em movimentos humanitários respeitáveis como o que resultou no livro “Brasil: Nunca Mais”, do reverendo Jaime Wright, na Comissão Verdade do Estado da Bahia e de tantas outras participações que o tornaram admirado no meio acadêmico e até fora dele.

Vendo-o, ontem, como um dos protagonistas do que se tornou um patético tapetão da posse, não pude deixar de pensar no quão é contraditório o ser humano.

É sabido que a Profa. Cláudia Miranda, em situações menos usuais, tem dificuldades para tomar decisão. O simples observar do vídeo em que ela aparece confirma isso. Dá um enorme desconforto observar sua aflição com as palavras e a insegurança nos gestos e atitudes. Ontem não foi diferente. Diante da ponderação feita pela Profa. Bete Malin sobre a inadequação de se iniciar uma Assembleia sem quórum regimental, ela era a imagem do desespero. E é aí que o ilustre Prof. Joviniano Neto entra em ação. Quem observar atentamente o registro em vídeo (veja AQUI) que disponibilizamos sobre a posse, vai encontrá-lo à direita da presidente, discretamente “soprando” instruções, as quais ela segue religiosamente.

A indagação que ora fazemos é exatamente essa: homem de tantos envolvimentos com questões ligadasbox-JN
aos direitos humanos, à cidadania, à democracia e quejandos, por que teria o Prof. Joviniano Neto se declinado a orientar a presidente da APUB, no sentido de acolher o pleito da Chapa 2 que também queria se pronunciar naquela ocasião? Homem de tanta acuidade cognitiva, o que temeu o ínclito sociólogo daquelas delicadas e gentis docentes da oposição? Teria imaginado que elas, de forma grosseira, quebrariam o microfone, que bradariam xingamentos cabeludos contra os presentes, que destruiriam os arranjos florais da festa? Certamente, não! O Prof. Joviniano Neto, simplesmente, temia a verdade. A mesma verdade que ele supostamente perseguiu enquanto membro de uma Comissão da Verdade, numa flagrante contradição do ser humano, pois a verdade é uma só. Temeu ele  a verdade que parte das componentes da Chapa 2 poderia escancarar ao público? Acaso temeu a verdade que mostraria que parte da Comissão Eleitoral, ligada à Chapa 1, se recusou a cumprir o seu papel de examinar um recurso demandado pela Chapa 2, ao se sentir injustiçada? Temeu, por acaso, o Prof. Joviniano e seus coligados governistas, que algumas verdades poderiam  espirrar no calor da emoção, como as denúncias de cooptação e uso da máquina sindical, de “simbioses” com parlamentares governistas, de tratamento diferenciado a mesários da subseção APUB – aquela mesma que lida com os aposentados? Temeu que pudessem dizer que nem o designer da entidade escapou de emprestar sua competência profissional à chapa que se autoproclamou vencedora, sem passar pelos “trâmites recursais”?

Seja qual tenha sido o temor do Prof. Joviniano Neto e o do seu grupo, o fato é que faltaram com a verdade, com a ética, com o respeito pelo outro, tolheram a liberdade de expressão.

Conversando com um professor aposentado que o conheceu do tempo da Juventude Universitária Católica (JUC), ele lembrou que o ilustre sociólogo era sempre “pra mais” no que dizia respeito às informações. Qual o cantador ou bardo de odes em Asterix, imortalizado na obra genial de Goscinny e Uderzo.  “A ponto de seus colegas serem obrigados a esconder nove laudas de seus longos discursos e deixá-lo apenas com uma única”. Lamentavelmente, hoje, o Prof. Joviniano tornou-se “pra menos”. Principalmente, quando se trata das informações que seus adversários precisam fazer chegar a público e em benefício da verdade.

Guru e consultor jurídico da presidente “eleita” da APUB, e ainda por cima membro da notória Comissão da Verdade do Estado da Bahia, o Prof. Joviniano Neto acabou sendo cúmplice da mentira quando permitiu que a presidente da APUB ludibriasse docentes da Chapa 2 com a promessa de uso do microfone, como o franqueou, além de outros componentes da mesa, para a representante da CUT local e para a deputada Alice Portugal, do PCdoB, que, aliás, nem docente é, embora seja licenciada, há décadas, dos quadros da UFBA… Talvez pelo expediente de tentar legitimar o evento através da presença de pessoas notáveis, como a própria parlamentar presente e o Dr. José Carvalho, coordenador do Programa de Proteção aos Direitos Humanos. Parece que esse é o modus operandi dos dirigentes das APUB dos últimos dez anos. O mesmo testemunhal usado nas propagandas de sabonete.

Homem de tantos dotes intelectuais e morais, a verdade é que o Prof. Joviniano não fez jus à verdade que tanto insinua perseguir…

Oxalá o ato de ontem não risque de forma indelével a taça de cristal do seu currículo.

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comissão-da-verdade-2014.


 

EPÍLOGO

Tão logo a Prof. Cláudia Miranda, agora presidente da APUB pela terceira vez, dissolveu abruptamente a mesa, os participantes da Chapa 2, de forma silenciosa, se retiraram do recinto festivo. Nem uma só palavra ou gesto agressivo. Saíram do cenário como entraram: com as mãos limpas e as cabeças erguidas. E, claro, os corações confiantes na construção de uma seção sindical e de uma Universidade dignas. Os votos espontâneos que obtiveram na UFBA foram uma prova disso. No fundo, retiravam-se da sede da entidade com o gostinho da vitória, pois nada paga a honradez.

Enquanto isso, os comensais na nova diretoria se deliciavam com os petiscos e bebidas pagos pelas contribuições de todos os associados da APUB, independente de colorações partidárias ou ideológicas. A bem da verdade, comensais esses mais amigos e parentes da nova diretoria “empossada” do que mesmo professores da UFBA, cuja presença foi das mais baixas dos últimos tempos em eventos similares. Vide fotos e vídeos da “cerimônia”.

Diria o ex-presidente Lula nas suas proverbiais tiradas: nunca, na história da APUB, uma diretoria foi tão desprestigiada!…

E é vero.


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2 Respostas to “1214 – Posse ou tapetão? Verdade ou mentira?”

  1. Beth Borges Says:

    APUB de tristes fins!
    Boa conclusão: companheiros de mãos limpas e cabeças erguidas… não temos nada a ver com isso. A Luta continua!
    Penso que devemos tomar a decisão digna: retomemos ou fundemos (a seção) sindical que nos represente de verdade. Chega de farsa! Penso que não é mais possível gastar a nossa energia com uma entidade que virou “pó”.
    E parabéns Menandro, pelo espírito de repórter! Agradeço as notícias e a ótima análise, com direito a epílogo. Você tem razão: os fatos falam por si só. Vergonhoso, até mesmo para os próprios.
    Saudações democráticas.
    Beth

  2. altino Says:

    OLÁ,
    pode-se utilizar diversos adejtivos para o descalabro ocorrido nessa eleição em que mais uma vez usou-se estratagemas para asseguar a continuidade da atual direção.
    Findo o pleito e constatada irregularidades, a Chapa 2 entrou com recurso regimental, no prazo hábil: como chegou-se a impasse na Comissão Eleitoral o assunto deveria voltar a ser analisado e, caso persistisse o impasse, ser objeto de análise em Assembléia.
    Rasgando as normas, a CE foi dissiolvida e a diretoria atual impediu que o assunto fosse apreciado em Assembléia.
    Pior: convocou assembléia para proclamar-se eleita na sexta-feira dia 12. Dá pra entender como age esse grupo? Sem respeito a nenhuma norma para manter o aparelho Apub sob controle.
    Desde o inicio do evento membros da Chapa 2 tentaram argumentar solicitando que o assunto fosse apreciado.
    Aberta a assembléia assisti estupefato o proclama acontecer em um minuto sem dar tempo aos membros da Chapa 2 sequer respirarem.
    Ato ilegal e imoral que aconteceu frente a dezenas de professores e de deputada que também disse amém!
    Essa é a UFBA; essa é a APUB mas que podemos falar das instituições quando membros externos, do poder legislativo legitimam agressão desse tipo as normas que deveria defender?
    Pelo visto o vale-tudo, a crise ética e moral que atinge as instituições é bem mais amplo! E imaginem que isso acontece em instituição educativa!
    Claro está que: dado as decisões judiciais a APUB não existe como sindicato estadual, não tem vínculo formal com o pelego proifes e continua sendo SEÇÃO DO ANDES.
    A retomada da entidade orientando-a políticamente com autonomia e independencia frente a Governos continua sendo o objetivo de todos os professores da UFBA que entendem a necessidade de uma entidade de luta.
    Cabe a oposição adotar outras medidas para além das solicitações não respeitadas de recontagem de votos, impugnação de urnas e da carta-denuncia divulgada.
    O surrado slogan – “a luta continua” – continua mais atual que nunca!
    altino

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