1041 – “Troco meu voto por 30 computadores”

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REI-TOR

De acordo com o Saci, não custa nada fazer um afago ao candidato que é unanimidade entre os petistas e coligados de esquerda. Vá que ele se eleja…

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Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

C.

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oncordei que o Saci fizesse sua média com o candidato da Chapa 1, mas repeli com veemência o que ele cinicamente me sugeriu, no final da noite deste domingo, a dois dias para a escolha dos próximos dirigentes da UFBA.

– A vida é assim mesmo, chefia. Em época de eleição, os mais vivos procuram fazer seu pé de meia. Faça o seu também! Sei do caso de um camarada que trocou o seu voto, que já estava comprometido com uma candidata, por outro reitorável que lhe ofertou 14 computadores… Sujeito bom de barganha. Como isso já faz algum tempo, e considerando a inflação que suavemente tem avançado, eu lhe sugiro procurar algum candidato bem abonado e lhe falar francamente: “Negócio seguinte, cara: troco o meu voto por trinta computadores. É pegar ou largar!…

Diante daquela proposta escatológica, saí do sério:

– Por quem me tomas, ô pilantra! Se pique daqui, picareta de uma figa, filhote de mensaleiro!

– Perainda, chefia! só brincando! Na verdade, o que queria mesmo era lhe pedir para publicar uma pequena homenagem ao candidato que está sendo apoiado em massa pela tchurma petista e coligados. Como esse pessoal  controlando  tudo… Vá que o candidato leve a melhor e resolva censurar a “debates-l”, o que será do nosso Blog?

***

Já mais calmo após ter ouvido suas explicações e de ter-lhe repreendido duramente pela brincadeira de mau gosto, aproveitei que o meu amigo de gorro vermelho e pito estava de bobeira e sentei com ele para conversarmos sobre a “carta” de uma docente do Instituto de Letras da UFBA. Conversamos longamente e relemos juntos o que a ilustre docente escrevera.  Para o  Saci, se a Profa. Mirella, missivista da mensagem abaixo, de apoio à Chapa 1, elegeu um inimigo invisível o qual ataca qual perigoso moinho de vento, em compensação, reafirma de forma quase comovente sua devoção por um amigo cuja amizade – uma belezura para se apreciar -, foi construída e carinhosamente regada nas lides universitários. Ninguém discorda da nobreza do testemunho. Já cantava o poeta em mil tons que “amigo é coisa para se guardar no fundo do peito”.

O “porém” levantado pelo pestinha, entretanto, era que, nem sempre a emoção efusiva  descontrolada ajuda a ler a realidade adequadamente. De acordo com as ponderações do meu amigo, se a douta Prof. Mirella se limitasse à sua investida apenas laudatória em favor do seu candidato para reitor da UFBA, talvez não se afastasse tanto da realidade – como se afastou – ao falar sobre um assunto que lhe é estranho, ao que parece. Como experiente pesquisadora que certamente é, talvez não devesse confiar tão cegamente na fonte que se embasou, por razões que não cabe aqui aprofundar: “Em acordo com comissão formada por representantes do MEC, da Associação de reitores, da UNE e da ANPG, o processo de expansão promovido pelo Reuni deve continuar, até que sejam atingidas metas estabelecidas no Plano Nacional de Educação.” A insigne docente deve conhecer o termo “figurinhas carimbadas”… Mesmo para os leigos em comunicação governamental, está na cara a generalidade brilhante do que é enunciado sem nada dizer. Meio sabão de coada (soda cáustica, sebo e cinza) para encher linguiça, conforme observou o debochado Saci.

É  o próprio Saci que vai sugerir amavelmente à preclara Profa. Mirella algumas pertinentes leituras  acerca dos temas que ela ensaiou explanar, sem o devido cuidado de se inteirar previamente do assunto. Talvez pela vida assoberbada que levamos todos. O mesmo pode ser dito sobre os entusiastas docentes que lhe seguiram as pegadas laudatórias, uma vez que preferiram o caminho fácil da simples citação ao labor do estudo denso e da reflexão desapaixonada. Comprova-se facilmente o perigo da “cascata bibliográfica” apropriada sem os devidos cuidados,  pois funcionam qual parasitas renitentes, e a cada vez mais presentes nas exuberantes florestas acadêmicas…

Para facilitar a vida da colenda docente e de seus sequiosos seguidores da Chapa 1, o Saci selecionou alguns textos básicos que podem fazer a diferença nas suas próximas avaliações ou leituras acerca da tão enganadora expansão do “parque  universitário brasileiro”.

 

Leituras Recomendadas:

 

Reforma Universitária

Proposta do ANDES-SN para a Universidade Brasileira

REUNI: heteronomia e precarização da universidade e do trabalho docente

O Reuni na UFF

O Reuni no campus e Palotina da UFPR

A contra-reforma universitária do governo Lula

Morte anunciada: educação superior pública – Celi Zulke Taffarel (apoiadora da Chapa 1).

 

Agradeço ao Prof. Caio por ter compartilhado a mensagem da Profa. Mirella a quem agradeço também, sobremodo. A mensagem dela reitera para mim a razão de continuar lendo as mensagens “Debates”; para ter a oportunidade de conhecer pensamentos lúcidos e estimulantes da lide acadêmica e da manifestação cidadã.

Creio que liderança é o que se destaca pelo que João e Miguez construíram, pelo que são como profissionais e pela proposição que fazem para exercer a Reitoria da UFBA. Liderança que demonstram transparentemente e com alegria, importante.

Com quase o mesmo tanto de idade e de trabalho em dedicação exclusiva à nossa Universidade que tem Caio, eu percebo mais facilmente os requisitos de quem pode conduzir produtivamente processos complexos que envolvem pessoas e suas divergências. Durante os quatro anos que participei do Consuni como diretor do ISC vi João Salles exercer mais de uma vez a condução de entendimentos tensos, atuando com firmeza e suavidade, demonstrando solidariedade e respeito e com criatividade para encontrar soluções. E como diz ele, falando de apoios, penso agora sobre o que nos move e sobre o que precisamos para nos mover.

Abraços
Eduardo Mota
Prof. ISC

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Prezados Colegas,

Aos 67 anos de vida, quase a completar 39 anos de serviço na Universidade Federal da Bahia, constato que esta Universidade dispõe ainda de um significativo número de docentes brilhantes. Assim, não me surpreende a erudita inteligência, prenhe de serenidade e impregnada de lucidez, vir a manifestar-se publicamente.

A mensagem de Mirella, que segue abaixo, com a sua usual suave eloquência, a meu ver deve ser compartilhada com os colegas, independentemente de quem se está a apoiar mas, essencialmente, porque se está a apoiar. No que coincidimos, ou seja, a quem apoiamos e o que nos move neste sentido.

 

Cordialmente,
Caio Castilho.

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APOIO A JOÃO CARLOS SALLES E A PAULO MIGUEZ

Na próxima semana, ocorrerá consulta à comunidade acadêmica, para escolha do reitor e do vice-reitor da UFBA. Tendo que permanecer em São Paulo, não vou votar. Para compensar isso, declaro aqui o meu apoio à Chapa 1, lastreando minha escolha em algumas reflexões.

As transformações que sentimos na UFBA integram um amplo contexto. Elas surgiram a partir de política pública gerada, sobretudo, pela força cada vez maior dos agentes sociais. Assim, após um longo período sem perspecvas de expansão, o sistema federal de ensino superior teve, entre 2003 e 2011, um aumento acima dos 100% na oferta de vagas na graduação. A lembrança é feita para diluir alguns equívocos. Primeiro: a UFBA não se transformou única nem primordialmente, por posicionamento político dos seus dirigentes. Segundo: não pode haver, entre as propostas apresentadas pelas chapas que concorrem na próxima consulta, um projeto com poder de garantir, men ainda de ameaçar a continuidade do processo vivido pela UFBA, nos últimos anos. Colocar a diferença das propostas a partir desses parâmetros – continuidade ou não continuidade das conquistas- é, no mínimo, ingenuidade; no máximo, é má fé.  No mesmo caminho, explorar o falso dilema entre qualidade acadêmica e compromisso social é emprestar à discussão um tom emocional e tentar transformar tudo em diferenças ideológicas que a realidade não confirma. Seja qual for o governo, as vozes sociais continuarão ecoando, como é próprio ao sistema democrático. Em busca dos seus direitos, as parcelas recentemente favorecidas ou ainda não incluídas irão clamar por um ensino superior público, gratuito, integrado com pesquisa e cada vez mais próximo da excelência.

Em acordo com comissão formada por representantes do MEC, da Associação de reitores, da UNE e da ANPG, o processo de expansão promovido pelo Reuni deve continuar, até que sejam atingidas metas estabelecidas no Plano Nacional de Educação. No entanto, debruçada sobre os resultados já obtidos, a comissão concluiu que as próximas etapas devem estar alicerçadas em “princípios que contribuam fortemente para a qualidade das ações das Instituições Federais – ensino, pesquisa e extensão- e para o desenvolvimento do país.”  Vê-se que, desejando consolidar o Reuni e preservar o processo que ele iniciou,  os analistas dos seus resultados preocupam-se com  aspectos qualitativos.

Complexo, o desafio de inserir-se nesse quadro – que sugere conjunção entre expansão e necessidade de garantir estrutura que integre as diversas partes do corpo que aceleradamente se expandiu – irá exigir dos novos dirigentes muito mais do que a habilidade de gritar palavras de ordem nos palanques.  Nosso reitor deverá ter propostas e sua voz deverá ser audível, na UFBA, nas outras instituições de ensino, na Andifes, na imprensa, na sociedade. Precisamos de lideranças acadêmicas consolidadas. Os integrantes da Chapa 1 são homens acostumados a traçar projetos e a lutar por eles, na cena pública. Um participou entusiasticamente dos debates em torno da inserção da filosofia no ensino médio. O candidato a vice defendeu, aqui, em Brasília, Nova York e em Moçambique, o estreitamento das relações entre os países de língua portuguesa. Não podemos desperdiçar essas bagagens.

Autor de livros e de ensaios, João Carlos Salles tem o reconhecimento de seus pares. Presidiu a Associação Nacional de Pós-graduação em Filosofia e preside a Associação Interamericana de Filosofia. Ocupando tais lugares estratégicos, João trouxe, para a Bahia, congressos internacionais que organizou com pleno êxito. Tais dados já evidenciam, à saciedade, sua liderança acadêmica. Sua sensibilidade política e sua atenção à situação atual da UFBA tornam-se nítidas na própria escolha do seu vice. Afinal, em sua adesão ao Reuni, a UFBA centrou-se nos bacharelados interdisciplinares e na criação do Instituto de Humanidades. Resultando do processo de expansão, essas criações recentes precisam de ações estruturantes e de condições adequadas. Atento ao problema, João Carlos Salles convidou Paulo Miguez, professor completamente comprometido com os Bacharelados e com o seu Instituto, para ajudá-lo. Considerar que justamente a Chapa 1 ameaça as conquistas do Reuni parece um tipo qualquer de cegueira. Ou então é dogma.

Ensino na UFBA há mais de 30 anos. Estive em quatro (4) comandos de greve; durante 6 anos, integrei o Conselho da Apub. Posso testemunhar que João Carlos Salles sempre participou dos debates. Nas assembleias e nos vários espaços de discussão política, ele foi sempre uma figura destacada por sua independência de pensamento e por sua capacidade de conciliação. Estreitamos relações, quando eu estava no antigo Consepe. No meio de um debate inflamado, nós tínhamos posturas opostas. Não o convenci, nem ele me convenceu, embora tenha conquistado ali, com o respeito que devotou às minhas opiniões, minha amizade e minha admiração.

A candidatura de João Carlos entusiasmou indivíduos. Aos poucos, foram arrastados os grupos que esses indivíduos das mais variadas posturas políticas integram. Estou convicta de que – tendo agido com independência, sem representar um grupo que faz negociações-  João e Miguez estarão livres para compor uma equipe que efetivamente lhes confira suporte. Podendo trazer riqueza de perspectivas nascida da multiplicidade pulsante na UFBA, essa equipe terá, no reitor e no vice, pontes para o diálogo e pontos de confluência.

Diante de candidatos com trajetórias tão completas, alguns detratores tentam a prática da desqualificação, acionando rótulos vazios. Palavras são escritas levianamente, sem o peso semântico que, de fato, têm. Fulano é apontado como conservador, elitista. Beltrano é de esquerda ou de direita. Rogo aos colegas que meditem sobre tais pronunciamentos formulados em tom de denúncia.

Por último, destaco, nas personalidades dos meus candidatos, a feliz convivência entre maturidade e persistência de vigor juvenil. Firmes, João e Miguez têm bom humor. Espero que possamos ter uma UFBA contaminada por esse ânimo positivo. E é também por isso que eu apoio a Chapa 1.

São Paulo, 17 de maio de 2014.

MIRELLA MÁRCIA LONGO VIEIRA LIMA
Professora do Instituto de Letras.

6 Respostas to “1041 – “Troco meu voto por 30 computadores””

  1. Zé Veneno da Linha Verde Says:

    Tantas letras pra nada. Melhor, para dizer apenas uma coisa: vote, sem pensar, no meu candidato:

    “Diante de candidatos com trajetórias tão completas, alguns detratores tentam a prática da desqualificação, acionando rótulos vazios. Palavras são escritas levianamente, sem o peso semântico que, de fato, têm. Fulano é apontado como conservador, elitista. Beltrano é de esquerda ou de direita. Rogo aos colegas que meditem sobre tais pronunciamentos formulados em tom de denúncia”.

    Triste o destino de uma universidade falsamente letrada!!

  2. Zé Veneno da Linha Verde Says:

    Continue rogando dona Mirela! Taçvez suas preces serão atendidas…

  3. Zé Veneno da Linha Verde Says:

    As vezes o caminho é LONGO só formalmente…

  4. osaciperere Says:

    Circulou na “debates-l”:
    ———————————-

    Colegas,

    É realmente admirável a onda de alegria, entusiasmo e vivacidade que a campanha à reitoria, com os nomes de João Carlos Salles e Paulo Miguez à frente da Chapa 1 – UFBA: Uma Construção Coletiva, imprimiram à nossa universidade nestes últimos tempos!

    Uma UFBA rediviva levanta-se de um torpor de anos e parece disposta a recuperar todo o tempo perdido com o marasmo intelectual que a soporizou neste longo período. É certo que todo despertar traz consigo ainda alguma indolência, mas certamente a UFBA está se espreguiçando!

    Em todos os cantos, percebo pessoas comentando sobre as próximas eleições para a reitoria, sejam estudantes sejam técnicos ou professores; os debates entre os candidatos estão sendo acompanhados, ao vivo ou nos vídeos gravados, e as intervenções de João Carlos e Paulo Miguez têm encantado e até arrebatado muitos que os assistem.
    Um colega me disse que João Carlos e Paulo Miguez nos devolveram a certeza de que ainda existe vida, entusiasmo e inteligência na UFBA!
    Concordo: nestas últimas semanas, participei do esforço desta campanha e pude conhecer muitos estudantes com uma impressionante capacidade de análise e crítica, técnicos realmente devotados ao que realizam nesta instituição e professores que sinceramente crêem na possibilidade de transformação positiva da sociedade e do mundo por meio de suas atividades; todos apaixonadamente envolvidos nesta Construção Coletiva.

    Em várias de suas falas, João Carlos tem se referido à necessidade de “oxigenação” da UFBA; é como se estivéssemos, há muito, com o fôlego preso e, finalmente, pudéssemos voltar a respirar livremente o ar novo e fresco.

    Esta lista de debates é um dos muitos exemplos desta retomada de vida: ela deveria ser um importante e ativo fórum de discussão de ideias, propostas, análises acerca das questões que nos movem ou nos afetam a todos na UFBA; todavia, muitos dela se afastaram ou não lhe prestam mais atenção, certamente enfarados por um sem número de mensagens tolas, insignificantes, sectárias ou simplesmente sem sentido que a invadiram nos últimos tempos.
    Faço um preito àqueles mui bravos, porém poucos, que aqui permaneceram a defender estoicamente um resto de inteligência e sensatez nesta lista de debates; demonstrando que este fórum pode, também ele, voltar a respirar o oxigênio que começa a se espraiar na UFBA.

    Um exemplo disto é a mensagem de Mirella, em apoio à candidatura de João Carlos e Paulo Miguez, que foi gentilmente compartilhada por Caio nesta lista de debates.
    Agradeço a Caio pelo ato de generosidade e, particularmente, a Mirella, que nos demonstrou sobejamente que há, sim, inteligência na UFBA! E mais: que profundidade, sofisticação de análise e requinte intelectual podem e devem naturalmente conciliar-se.

    É esta a excelência que buscamos!
    E confesso que em muitos dos estudantes, técnicos e professores que citei acima, já a encontrei!

    (Excelência, cujo significado alguns, infelizmente, desconhecem: do Latim, deriva do verbo excello, elevar-se, ultrapassar, superar; de ex, designando para fora, acrescido a cello, proveniente de cella: pequeno compartimento, cela, lugar em que se encerra ou oculta algo.
    Assim, excelência também pode se opor ao oculto, ao enclausurado.
    Daí provém também o adjetivo excelsus: elevado, alto, sublime)

    Salve!

    Thierry Petit Lobao

  5. Marco Antonio Says:

    Já assistimos o filme da “semântica midiática” contaminar uma nação, por que ela não iria faze-lo na UFBA?
    A pregação final esconde o todo e que a gestão irá demonstrar.
    No mais é ver e ler as contra/verdades nos documentos já públicos.
    Att

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