943 – UFBA: listas de apoio aos candidatos

M.-Chaui

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Vaca Tatá
Bovina baiana

Q.

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ual a ilustre filósofa uspiana, quebrarei o meu deliberado silêncio acerca das lides acadêmicas.

Em homenagem a um dos reitoráveis da UFBA, que é da área de Filosofia, vou usar aqui um termo bastante explorado pela “filósofa global” Magda, do extinto programa “Sai de Baixo”, para dizer que qualquer lista de apoio aos candidatos, é uma “faca de dois legumes”.

Tão logo um dos candidatos resolveu assumir a sua candidatura, tive conhecimento de uma tal “lista de apoio”. Parece que é uma prática muito comum na academia para impressionar o eleitorado. Nela, nomes de peso, dão as caras, mas também nomes… nem tão pesados assim! Por exemplo, sem dificuldade identifiquei ilustres professores que tentaram boicotar a greve passada das IFES, tão importante para a saúde futura da categoria dos docentes.

Mas aí é o tal caso de se perguntar: “E o que fazer quando alguém se manifesta disposto a dar o seu apoio espontâneo, interessado ou não numa futura boquinha, caso o apoiado logre êxito no contar dos votos?” Realmente, há certos casos que é uma aperreação ao candidato. Talvez, no máximo o que ele pode fazer é evitar a circulação da lista com o nome dos apoiadores.

Como se vê, o que poderia ser uma ajuda, passa a ser um problema. Pequeno, mas problema.

Há situações, entretanto, em que o candidato, com as próprias mãos, planta a possível encrenca de sua campanha. Como é o caso do apoio da filósofa Marilena Chauí a um dos candidatos a Reitor da UFBA. Possivelmente, a ideia de ter a brilhante intelectual como garota-propaganda, partiu do próprio candidato ou dos seus apoiadores próximos. Para ser justo, é preciso que se investigue de quem partiu a ideia do temerário marketing. Talvez, por uma pontinha de vaidade, demasiadamente humana, em ter relações estreitas com alguém tão ilustre, tão midiática. É a celebridade postiça, adquirida por tabelinha. Que pode funcionr, a depender do contexto, mas pode também soar como uma espécie de “confissão de baixa auto-estima”. É como se o interessado dissesse: eu sou um joão-ninguém, mas tenho uma amiga po-de-ro-sa, ícone da esquerda uspianas, que já foi ao programa de Jô, que já deu entrevistas para os principais jornais do país, inclusive que tripudiou da mídia empresarial, ávida por ouvi-la, fazendo um longo voto de silêncio… Os antigos diriam, certamente, se conhecessem o cyberespace: “Diga-me de quem recebes e-mails, e eu te direi com quem estás conectado… E, isso mesmo, considerando que o virtual não é tudo, como alguns acreditam piamente…

Mas isso não é o mais grave. E aqui não vou desqualificar a notável filósofa, como o fizeram impropriamente os chucros Olavo de Carvalho e Reinaldo Azevedo, conforme se diz, direitistas contumazes. Marilena Chauí é uma grande filósofa, independente do partido que apoia, e muito tem contribuído para a divulgação da Filosofia no país. PT saudações. E aqui não é a simples doxa de uma pobre ruminante como esta que vos escreve. As suas importantes publicações, conferências feitas, inclusive internacionalmente, mimos acadêmicos recebidos aqui e alhures falam por si. O problema é que as contradições do ser humano Marilena Chauí acabam repercutindo nas nervuras do real e, por tabelinha, podem acabar maculando o nome do pleiteante à Reitoria da UFBA, associando-o ao governo Lula/Dilma, ao PT, ao Proifes, à diretoria pelega da APUB, e por aí vai. Indo chegar, sem dificuldade, à perda de autonomia da Universidade, perda essa prescrita e formatada pelo Banco Mundial, FMI, pensamento neoliberal, enfim, pelo capital sem pátria. E aí o ideário da universitas vai para as cucuias.

Amplio um pouco mais esta digressão bovina: possivelmente a eminente filósofa não quis seguir os bons conselhos do seu falecido colega uspiano – e baiano para o nosso orgulho! -, Milton Santos. O respeitável geógrafo falava, com outras palavras, da inconveniência do intelectual estar ligado visceralmente a partidos, a doutrinas, a dogmas políticos e religiosos. O mesmo dizia o Prof. Felippe Serpa, ex-reitor da UFBA. O homem de partido não pode abrir mão das determinações do seu partido. Para o bem ou para o mal. E eis que temos a filósofa petista valendo-se da sua retórica brilhante para responsabilizar o defunto general Golbery do Couto e Silva pelos vacilos dos mensaleiros que enodoaram a credibilidade do seu partido… Ainda mais tendo os seus importantes livros didáticos adquiridos pelo MEC e distribuídos por todo o ensino médio das escolas públicas do país, para o gáudio dos agentes editoriais e da conta bancária da própria autora, uma vez que nem relógio quer trabalhar no 0800… Não era à toa que os romanos bradavam: “Não basta à mulher de César ser honesta, é preciso parecer honesta”. A mesma coisa, e com razão, o movimento feminista da atualidade exigiria em relação a César… Não que a filósofa não seja proba, mas apenas que tripudiou da língua ferina dos seus detratores, a exemplo do citado articulista da Revista Veja e blogueiro Reinaldo Azevedo.

Todo esse bolodoro, na verdade, foi apenas para falar que os candidatos não devem se valer de “muletas testemunhais” de personalidades ilustres da academia ou do grand monde das pós-graduações stricto sensu influentes e hegemônicas do país, ou quejandos, uma vez que o “canhão” pode dar chabu. Cada candidato deve falar por si próprio e a partir do seu projeto para a Universidade, pelas experiências administrativas que teve, pelo respeito nutrido e recebido de seus pares, de seus graduandos, mestrandos, doutorandos, orientandos, dos técnico-administrativos que coordenou, e assim por diante. A vida pregressa de cada candidato deverá ter deixado marcas indeléveis nos que conviveram com cada um deles. Se o candidato foi autoritário, se foi prepotente, se foi um fantoche comandado por “mãos invisíveis”, se tripudiou da res publica em benefício próprio ou apenas do seu grupo – chegou a hora da onça beber água. Se, ao contrário, engajou-se à luta do trabalhador em defesa da justiça social, do progresso da ciência articulado com as demandas sociais, da democracia, da solidariedade humana – entre outros predicados humanistas e emancipatórios -, não tem o que temer. Pelo menos esse é o ponto de vista de uma pobre e sonhadora bovina.

Ou o mundo acadêmico tem mais mumunhas que a vã filosofia de uma simples ruminante pode compreender? Se for assim, então esqueçam o que escrevi, como disse o príncipe da privataria tucana e sociólogo nas horas de tédio…

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