1129 – UFBA: Subserviência à Capes?

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ostracismo-docente

Para o Saci, a pena do ostracismo utilizada na Grécia antiga, para punir políticos que pisavam fora da linha, foi restaurada para excluir docentes sem “publicação qualis”…

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Degredo de Professores

Menandro Ramos
FACED/UFBA

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U.

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m professor da FACED/UFBA está impedido de continuar orientando alunos do Mestrado e Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE). O infortunado docente, já com idade de se aposentar por tempo de serviço, após orientar mais de 150 alunos de Mestrado, Doutorado e Pós-doutorado em toda sua vida acadêmica, vê-se agora impedido de continuar orientando, uma vez que, nos últimos três anos, não tem publicações consideradas “de padrão qualis“.

Esse não é o primeiro caso, aqui e alhures. Outros professores também já foram “rebaixados” ou estão em vias de rebaixamento, por não atenderem aos cânones produtivistas de última geração que vêm sendo assumidos como verdades sacralizadas pelos coordenadores desses programas. Pelo visto, se nada for feito, esses “degredos” vão constituir a regra daqui para a frente.

Não faz muito tempo, durante um dos debates de campanha, o reitor que hoje assume a condução da UFBA, no  quadriênio em curso, mencionou um dos programas de pós-graduação do Nordeste que “de tanto se abaixar” para atender as exigências da Capes, acabou sendo descredenciado…

É sabido que  a demanda por mestrado e doutorado em Educação cada vez aumenta mais. Enquanto isso, o nosso PPGE se dá ao luxo de dispensar mais de duas dezenas de docentes por ele mesmo formados, e à custa dos cofres públicos. A razão de tamanho despautério? Perguntem ao bispo! – sugere o meu amigo Saci…

Oxalá o reitor João Salles, que hoje será empossado com cerimônia, estimule a proatividade responsável, ou inclua na sua agenda e dos seus auxiliares, em nível de UFBA, a discussão de soluções  mais criativas, mais ousadas e mais includentes do que as que até agora foram propostas por tímidos e solícitos coordenadores de PPGs.

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Abaixo, uma mensagem que um dos professores “degredados”, segundo suas próprias palavras, encaminhou à Comunidase da FACED.

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Prezada comunidade da Faced,

A linha de Educação e Diversidade do Programa de Pós-Graduação nesta próxima quinta feira , dia 11 de setembro, no Auditório II, das 14  as 17 horas estará iniciando um ciclo de reflexões ampliadas para toda a comunidade da FACED sobre demandas, crescimento e desenvolvimento  por entender que pode ser do interesse do nosso coletivo, de nossa comunidade da Pós-Graduação e da Graduação como um todo  e não apenas de uma linha ou grupo. Entendemos que o nosso Colegiado da Pós-Graduação vêm envidando esforços para atender as ausências e emergências,  mas urge pensar também que é um momento, mais do que oportuno e necessário para ampliar a reflexão para a nossa comunidade diante dos paradoxos de uma grande e crescente demanda internacional, nacional e regional, junto com as instituições públicas que nos procuram, por um lado, e o encolhimento e diminuição também crescente do nosso quadro docente, por  outro lado. O nosso Programa de Pós-Graduação é um dos mais procurados na nossa Universidade Federal da Bahia.

Estas questões, junto com outras sugerem novas leituras e interpretações das orientações oficiais com uma metaconsciência fértil e fecunda capaz de trazer e abrir espaços de desenvolvimento a curto, médio e longo prazo compatíveis com nossas expectativas.

 

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Salvador, 4 de setembro de 2014

Ao Colegiado do Programa de Pós-Graduação em Educação

FACED-UFBA

Exposição de motivos

Considerando a análise do documento Resolução n.º 1 de 17-05-2013, aprovado naquela data e alterado em 9 de junho de 2014;

Considerando que a informação referente à definição de vagas data de 26-08 (a 1ª comunicação por email) e que a reunião subsequente se deu em 01-09-2014;

Considerando que o relatório de avaliação da produtividade docente do Programa realizado por Comissão externa trouxe informações diferentes sobre perfil de credenciamento e possibilidades de orientação no PPGE em relação ao que consta da Resolução n. 1 17-05-2013;

Considerando que a única forma de comunicação da coordenação com o corpo docente da pós-graduação tem se restringido à emissão de mensagens via email, denotando a necessidade de comunicação coletiva de caráter mais abrangente e democrático (como reuniões, circulação de material escrito de forma ampla, etc);

Nós, professores da Linha de pesquisa – Educação e diversidade – manifestamos nossa insatisfação face aos critérios adotados para avaliar a produtividade dos docentes e propomos:

  1. Ampliar prazo para análise, revisão da Resolução n. 1 (17-05-2013);
  2. Rever os indicadores de produção que no momento restringem a validação das produções em periódicos de A até B2. Propomos estender essa produção para publicação em periódicos B3, B4;
  3. Incluir capítulos de livros e livros mesmo sem pontuação L3, L4;
  4. Considerar a trajetória de docentes com tradição na instituição (há professores que orientam Pós-doutorado e que segundo esta regra da Resolução 1, não estão cadastrados a orientar nem ao menos no Mestrado na seleção de 2015);
  5. Discutir e analisar as exigências da CAPES a fim de que se proponha flexibilidade e contextualização aos critérios impostos.

 

Concluímos que a Linha de Pesquisa se manifesta pois em desacordo à nova Resolução que dispõe sobre credenciamento e recredenciamento no PPGE e encaminha suas proposições à Coordenação do Programa, solicitando uma

reunião específica para tratar deste tema, com pauta única, com ampla divulgação, com toda a comunidade de professores de linhas e núcleos da pós-graduação.

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3 Respostas to “1129 – UFBA: Subserviência à Capes?”

  1. osaciperere Says:

    Como perguntar não ofende, alguém tem dados substantivos do quanto as tais publicações “com qualis” estão afetando, de fato, a vida no Planeta de forma positiva?

  2. Menandro Ramos Says:

    Na linha do Saci, a Vaca Tatá indaga se é possível mensurar se uma pesquisa em “Epistemologia e linguagem” vale mais do que uma outra em “Biodiesel”? Se não, qual o critério de dotação de recursos para ambas se a grana está cada vez mais escassa?

  3. Francisco Santana Says:

    Como dizia Chacrinha: …nada se perde, nada se cria, tudo se copia. Essas técnicas produtivistas são bumerangues que foram lançados das universidades, principalmente das faculdades de administração para demitir ou aumentar a super exploração de mais valia no setor privado. Como bumerangues que são, hoje voltam para as universidades para super explorar os professores mesmo que essa mais valia não possa absolutamente ser transformada em riqueza para a sociedade, mas apenas justificar ajustes fiscais para sobrar dinheiro para pagar os juros da dívida eterna (não confundir com externa). E assim são criadas várias e várias artimanhas cópias das primeiras. Um exemplo: A OMC proibe os países periféricos de tributar os produtos importados dos países ricos. Mas inventam um tal de ISO 1000 para impedir a importação dos produtos dos países pobres. Quando uma empresa de país pobre obtêm um ISO 1000, eles inventam 2.000, 2002 etc.

    Nem o liberal Roberto Campos acreditava nessas técnicas de exploração. Pois segundo alguns ele dizia: Controle de Qualidade Total (CQT) não funciona no Brasil, pois ela é baseada, no cliente, na parceria e na terceirização e no Brasil, quem tem cliente é puta, quem tem parceiro é viado e quem terceiriza é corno.

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