857 – A vitória da diretoria da APUB

APUB-PROIFES

Para o Saci, a vitória foi, inquestionavelmente, da diretoria APUB proifense. A tal “oposição” legitimou-a ao participar da eleição de representantes nos conselhos superiores da UFBA.

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E (3).

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u já havia decidido que não me ocuparia mais com as atrapalhadas da APUB. A desinformação dos professores da UFBA sobre as questões sindicais é gritante, e a diretoria governista deita e rola. A competência de muitos colegas é restrita a seus objetos de pesquisa. Para muitos, sindicato é coisa de sem-que-fazer. Enquanto isso, a categoria é massacrada.

– A UFBA vive um clima de total acriticismo – lembra-me o meu amigo de gorro vermelho e pito.

Corri a vista nos nomes que compuseram as quatro chapas. Tentei levantar a ligação partidária de cada um.  Alguns eu conhecia bem. Outros, não fazia a menor ideia em que banda apitavam. Percebi o Saci se aproximar.

– E aí, chefia, contemplando os nomes dos vitoriosos oposicionistas entre aspas?

– É. Contemplando, sim!

– E aí? O que você diz de tudo isso? Algum desses aqui está de olho mesmo na cadeira central do Salão Nobre da Reitoria da UFBA, como estão comentando a meia boca?

Impassível, fiz expressão de indiferença. Ele insistiu.

– Não é possível que você não tenha nada a dizer…

Aproximando o seu cachimbo fedorento de minha boca, ele simulou um microfone.

– Diga aqui para o Saci, repórter por um dia, qual a avaliação que o Sr. faz sobre o resultados das urnas da APUB.

Já amolado com aquelas bestagens, empurrei o cachimbo para o lado, e levantei-me sem nada dizer. Bati a porta com vigor. A vontade era de gritar machadianamente para toda a UFBA ouvir: ao vencedor, as batatas!

————————————–

A diretoria da APUB fez circular:

Conselhos superiores da UFBA têm novos representantes

Encerrou-se nesta quarta-feira (30/10) a eleição para representação docente no Conselho Universitário e no Conselho de Curadores da UFBA para o biênio 2013/2015. Em uma disputa acirrada, concorreram oito chapas – quatro para cada conselho. Para o Consuni, venceram a Chapa 4, com 215 votos, e a Chapa 1, com 198 votos. Assim, os novos representantes dos docentes são os professores Arthur Matos Neto (FISICA) e Silvia Leite (FACED), com os respectivos suplentes, José Roberto Severino (FACOM) e Penildon Silva Filho (ICS). Para o de Curadores, foram eleitas a Chapa 4 (226 votos) e a Chapa 3 (204 votos).  Os titulares são Gilca Garcia (ECON) e Marco Antônio Fernandes (MAT), com Lana Bleicher (ODONTO) e Elza Peixoto (FACED) como suplentes. A Apub, responsável por organizar a eleição, de acordo com o Estatuto da UFBA, encaminhará os resultados à Reitoria, para imediata implantação, assim que forem apresentados formalmente pela Comissão Eleitoral.

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4 Respostas to “857 – A vitória da diretoria da APUB”

  1. osaciperere Says:

    Circulou nas listas da UFBA:
    —————————————

    Prezada Prof. Patrícia,

    Não sei de a Colega quis dizer “oposição” ou “composição”.

    Creio que tenha sido o último termo, pois, se não estou enganado, no meio dos “vitoriosos”, pelo menos 1 ou 2 eu identifiquei como sendo mais para a diretoria da APUB do que para a dita “oposição”.

    Sinceramente, já não sei se posso mais dizer “Oposição APUB” uma vez que participar dessa eleição, não foi, senão, legitimar essa diretoria que está aí, e, consequentemente, o Proifes. O ANDES-SN não encampa essa tal representação. A esperança que tenho é que parte da “oposição” não se deixou contaminar.

    Fiz um cálculo rápido e estimo que os votantes chegaram a cerca de um quarto do total (dois mil e poucos professores associados – não sei com exatidão o número). Tenho dúvida se os que votaram estavam devidamente esclarecido, uma vez que não houve nenhum debate, ou votaram na boa-fé. Também tenho dúvida se os que não compareceram o fizeram de forma consciente ou porque não mais dão créditos aos chamamentos da APUB.

    De fato, as coisas da nossa UFBA e da APUB estão cada vez mais confusas. Como observou o meu amigo Saci, a permanência dos quadros governistas na nossa entidade sindical, puxando a brasa para a sardinha deles (ou tubarão!), contribui enormemente para não sabermos se podemos confiar ou não naquele com quem almoçamos ontem, e papeamos tão fraternalmente…

    Enquanto isso, a precarização a que todos os docentes foram submetidos avança a todo vapor.

    Atenciosamente,

    Menandro Ramos
    FACED/UFBA

    ——————-

    Caros da oposição,

    Parabéns pela vitória na votação nos conselhos! Agora é tornar essa representação como instrumento de democratizar as informações e de mobilizar os docentes com olho na eleição para Reitor!

    Bjs a todos,

    Patrícia

  2. altino Says:

    OLÁ, OLÁ,
    temos de avançar das aparências e utilizar o instrumental que a universidade nos propicia para analisarmos, com acuidade, a critica e complexa situação relativa especificamente á APUB PELEGA PROIFICISTA e a relação do sindicato com a politica tanto na universidade e quanto na sociedade, dado que estão intimamente imbricadas (ah! A tão cara idéia de Totalidade!!).
    1) a greve recente desnudou o peleguismo e a submissão do grupo proifes encastelado na APUB que não tem pejo de usar todo tipo de práticas para continuar manipulando o aparelho político-ideológico APUB sindicato;
    2) na greve constituiu-se maravilhoso grupo de batalhadores pela causa da universidade pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada e por um sindicato autônomo, democrático e DE LUTA;
    3) na greve a diretoria fez e aconteceu chegando ao limite de levar seguranças para as assembléias, denunciar judicialmente vários companheiros de luta; não cumprir deliberações entre outros descalabros;
    4) ao longo da greve e até o presente vimos acompanhando as causas ganhas pelo CHICO e a chicana, medidas protelatorias e gastos de nosso dinheiro com advogados feito pela diretoria;
    5) constatamos que as eleições que os pelegos ganharam tão somente por ter utilizado instrumento conhecido – o voto controlado de parte dos aposentados – pratica este “instituída” no sindicato desde meados dos anos 1990 por conhecido ex-presidente (uma das irregularidades foi não fornecer a LISTA para a oposição que fez ouvidos moucos dos avisos);
    5) após toda essa trajetória de luta, dissabores lamenta-se, politicamente, o descompromisso ideológico de parte da oposição que abandonou a luta direta e, pior, alguns aliaram-se á atual diretoria;
    6) no calor dos conflitos, dissenções, eis que pinta as eleições para os conselhos em outubro/13. Essas eleições colocaram e colocam:
    – a visão DUAL de que existe o INSTITUCIONAL e o SINDICAL, considerando-os como esferas, espaços, campos diferentes e, com isso, justificando a inação na luta politica global que se realiza através da via sindical;
    – professores que não se mobilizam para a luta diuturna e direta mas que se mobilizam quando se destaca o institucional e o poder por trás dele;
    – OCORRE que nesse momento eleições de conselho colocam em CENA AS PROXIMAS ELEIÇÕES PARA REITOR;
    – nas eleições passada identifica-se, pelo menos, 03 grupos:
    > dos “sindicalistas” renitentes que se associaram pressionados e/ou sem alternativas;
    > dos pelegos/proificistas que “perderam” agora de forma oficializada;
    > de “sindicalistas travestidos” que acendem vela a ações sindicais flertando com a oposição ao mesmo tempo que com a situação mas que, em realidade, QUEREM APENAS O PODER, seja do sindicato ou em instancias institucionais.
    7) Refletindo sobre as eleições recentes observa-se que o limitado número de votantes não anula os fatos CENTRAIS:
    – os proificistas “da gema” perderam feio para “novo” grupo, em principio representando a oposição (qual hein?)
    – os que ganharam representam grupos/segmentos da UFBA
    – se credenciam para as eleições de REITOR seja como candidatos ou apenas como cabos eleitorais
    – oportunizou-se condições para que candidatos aparecessem.
    8) SINTESE:
    – os pelegos da APUB vinham se aproveitando do aparelho para realizaram todo tipo de ação continuísta. Buscaram repetir a surrada fórmula de realizarem eleições a toque de caixa, no corre-corre, sem debates. Como têm a maquina na mão esperavam mais uma ganharem e continuarem mascarando/manipulando a ilegítima situação da APUB. A perda na eleição presente, associado com o ganho minguado com voto dos aposentados para direção do sindicato, reafirmam o “não” da categoria a esse grupo;
    – esse grupo no sindicato era e é cria e massa de ex-reitor agora em outras plagas testando seus projetos. A orfandade com a saída do mentor político/intelectual se reflete no esvaziamento do apoio e, evidente, na dificuldade de se cacifarem ou manterem espaços. Onde e de quem buscarão o suvaco, o ombro, os direcionamentos, a orientação e OS VOTOS?
    – no presente há um vazio político na UFBA, ou seja: a liderança política na universidade não repete o perfil uniformizante e centralizador e verticalizado anterior, constituindo-se em sua composição politica e abrindo espaços para surgimento de lideranças;
    – as lideranças existentes estão dispersas sem que haja, no presente, A liderança. Com a multiplicidade de professores buscando ocupar o espaço e se cacifar pode-se afirmar que: há oportunidades para todos; está aberta a temporada eleitoral assim como ocorre para governador e presidente.
    – a APUB, enquanto instrumento/aparelho político-ideológico se coloca como de grande importância no tabuleiro dado sua estrutura (grana, jornal, telefone, correio etc) e condição concreta de influenciar no processo assim como as entidades de professores e funcionários;
    – nesse quadro a OPOSIÇÃO que adentrou a cena na greve e se qualificou frente à categoria docente é a GRANDE CONVIDADA a exemplo do ocorrido para a eleição dos conselhos. A questão é: convidada para quê? que papel, principal ou coadjuvante? sujeito passivo ou ativo? Votar para que? que resolve o VOTO?
    A oposição existe e se organiza ideologicamente e por princípios ou é apenas carreirista/oportunista? oposição que objetiva o quê? O poder? por quê e para quê? separa institucional de sindical? os ganhos e avanços na UFBA e nas IFES decorreram por quê e devido a quem?
    Concluo convidando a oposição autêntica e os professores que defendem – não apenas no discurso – a universidade publica, gratuita, democrática, de qualidade e referenciada socialmente, que tem e defende principios, ressaltando alertas do MENANDRO E CHICO, a refletir e discutir urgente sobre a situação global sob pena de, mais uma vez, serem convidadas para SEREM OS PORTEIROS E LAVAREM OS PRATOS DA FESTA!!!
    ME COLOCO À DISPOSIÇÃO:
     PARA PARTICIPAR DE URGENTE MOVIMENTO E PRESSÃO TOTAL PELA REGULARIZAÇÃO DA SITUAÇÃO DA APUB COMO SINDICATO VINCULADO AO ANDES, RECONHECIDO N VEZES PELA JUSTIÇA (vide decisão da semana passada);
     PELA CONVOCAÇÃO DE IMEDIATAS ELEIÇÕES PARA COLOCAR NA DIREÇÃO GRUPO QUE DIRIJA O SINDICATO COM BASE NAS DELIBERAÇÕES CONGRESSUAIS, SUBSTITUINDO ESSE GRUPO QUE COMETEU DIVERSOS ILICITOS PARA SUSTENTAR O ILEGITIMO E NÃO REPRESENTATIVO PROIFES;
     PELA IMEDIATA ABERTURA DE DEBATE SOBRE AS ELEIÇÕES PARA CARGOS INSTITUCIONAIS – EM ESPECIAL DE REITOR –
     PELA CONVOCAÇÃO DE ESTATUINTE UNIVERSITÁRIA ONDE POSSAMOS DISCUTIR A UFBA E A “PAUTA LOCAL” CONSTRUIDA NA GREVE!!!.
     Saudações politicas,
     Altino

  3. ANCA Says:

    Excelentes colocações. Sinto em tudo um tremendo oportunismo dos que pongaram na esquerda para se dar bem. Vamos levar muito tempo para recuperar a credibilidade da esquerda. É preciso urgentemente desinfeta-la. Mas como fazer isso?

    No cenário que vai se configurando para a escolha do próximo reitor da UFBA arrisco dizer que os eternos candidatos já se mobilizam: Roberto Paulo, João Augusto… Não sei se Caio, Jailson ou Filgueiras botarão a cara na tela. Talvez um deles, sim. Já Dirceu e Artur eu tenho quase certeza. Ah! A atual reitora, de ultima hora, pode resolver tentar a recondução. Também o carinha de Direito, que não me lembro o nome, pode se aventurar…

    O certo é que tem muitos egos insatisfeitos com a simples vidinha de professor. Nas campanhas, muitos prometerão até as própria ceroulas. Se cumprirão, é uma outra história. Enquanto isso, o rebanho da UFBA vai pastando e ruminando passivamente.

    O que a UFBA tem feito de concreto para a sociedade baiana, além de formar alguns profissionais serviçais da burguesia e do grande capital? Me diga queem descobrir!

  4. ANCA Says:

    Excelentes colocações, Altino!

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