– 10 anos sem Paulo Jackson!

 

Paulo Jackson, na época cohecido como "Tauá", é o número oito da foto. Desde criança, já demonstrava o seu espírito de luta que o caracterizou como parlamentar. (Clique na foto para ampliá-la).

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Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

No último dia 19 de maio, o deputado Paulo Jackson, falecido há 10 anos, foi lembrado com uma celebração pelo Movimento que leva o seu nome: Paulo Jackson – Ética, Justiça, Cidadania.

Desde muito cedo, ainda nos campos improvisados de futebol, como aquele da calçada da igreja de São Benedito, em Caetité, ele já mostrava a sua garra. Na militância sindical e partidária não foi diferente. A coragem e a integridade sempre foram as suas marcas pessoais.

Passamos pelas mesmas instituições de ensino. Primeiro foi o Grupo Escolar Monsenhor Bastos, onde cursamos o Primário; depois, em 1964, fizemos o Ginásio no Instituto de Educação Anísio Teixeira, Caetité; mais tarde, em Salvador, em 1970, estudamos no Colégio Estadual da Bahia – Central; finalmente, ingressamos na UFBA, em cursos diferentes. Ele foi para a Escola Politécnica, onde se formou em Engenharia Civil, em 1976. Até o símbolo vermelho do Estrela Futebol Clube, time da nossa infância, tivemos em comum.

Depois, passamos a “torcer” pelo mesmo partido (PT), onde ele exerceu mandato eletivo. Primeiro, como Suplente de deputado estadual, de 1991-1995; depois, em janeiro de 1993, efetivou-se; em 1995, foi eleito deputado estadual, e, em 1999, reelegeu-se, falecendo pouco tempo depois, no acidente com um ônibus que viajava para o interior baiano. Ele não chegou a ver Lula como presidente da República.

Às vezes, fico pensando no desconforto do amigo Tauá – como ainda hoje é conhecido por seus amigos caetiteenses -, se vivo fosse, com os descaminhos trilhados pelo seu partido e com algumas posições sustentadas pelos seus companheiros do passado… Como ele se posicionaria diante do “Mensalão”, ele que primava pela transparência e correção com a coisa pública? Eu mesmo já participei de encontros que ele promovera, com seus eleitores, para prestar conta do seu mandato. Como reagiria diante da transposição do São Francisco, ele que lutou, ferozmente, contra a privatização da água? E diante da contaminação do precioso líquido pelo urânio, justo na sua querida Caetité?

É longa a lista de indagações que faço, infelizmente sem respostas…

Na celebração de uma década de morte do grande companheiro, é bom relembrar, para a nova geração,  o legado de Paulo Jackson. No partido, ele se destacou como Líder do PT, ALBA, 1994-1997, 1999; líder do Bloco Parlamentar PT/PSB/PC do B, ALBA, 1997-1998; líder do Bloco Parlamentar PT/PC do B, ALBA, 1999; líder da Minoria, ALBA, 1995, 1999; vice-líder da Minoria, ALBA, 1996-1998, ago. /dez. 1999; líder do PT, ALBA, 1999.

Seus principais destaques, como parlamentar, foram: Na Assembleia Legislativa do Estado da Bahia, vice-presidente das Comissões: Proteção ao Meio Ambiente (1994), Constituição e Justiça (1995-jan./maio2000), Fiscalização e Controle (1998); relator da Comissão Especial Sobre Código de Ética e Decoro Parlamentar (1996-1998); titular das Comissões: Proteção ao Meio Ambiente (1993, 1995-1997), Saúde e Saneamento (1993-1994), Especial de Consolidação das Leis (1993-1994), Especial de Divisão Territorial (1995-1996), Fiscalização e Controle (1999), CPI para Investigar Convênios Entre INCRA e Municípios do Estado da Bahia (1999/maio 2000); suplente das Comissões: Constituição e Justiça (1993-1994), Especial de Divisão Territorial (1997-1998), Proteção ao Meio Ambiente (1998-jan./maio 2000), Finanças e Orçamento (1999, jan./maio 2000).

Ainda em vida, foi agraciado com o reconhecimento público por sua ilibada atuação como parlamentar, conforme registro no portal da Assembleia Legislativa da Bahia:

Troféu Destaque em Plenário, pelo Comitê de Imprensa da Assembléia Legislativa, 1993; Prêmio Luís Cabral, destinado ao melhor líder da representação partidária pelo Comitê de Imprensa da Assembléia Legislativa, 1994 e 1995; Troféu Parlamentar, destinado ao melhor deputado, pelo Comitê de Imprensa, 1996. Destaque Parlamentar 2000, homenagem póstuma conferido pelo Comitê de Imprensa da Assembléia Legislativa da Bahia; Prêmio CREA-RJ de Meio Ambiente 2000, concedido pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado do Rio de Janeiro, 2000. Sindicato dos Trabalhadores em Água e Esgoto-SINDAE, homenageado com seu busto na sede do Sindicato nos Barris, 2000. Homenageado com o espaço destinado às galerias do Plenário da Assembléia Legislativa da Bahia, denominada Galeria Deputado Paulo Jackson Vilasboas, 2002. (Veja MAIS).

São dez anos de muita saudade. Em uma década muita coisa mudou, e mudou para pior. Direitos foram surrupiados e sindicatos cooptados; velhas lutas e bandeiras foram esquecidas. Muitas práticas, no seu tempo abominadas, hoje são adotadas em nome da “flexibilização global”. 

Ah! Se o bravo Tauá pudesse ver o que estão fazendo com o trabalhador por quem ele tanto lutou!

2 Respostas to “– 10 anos sem Paulo Jackson!”

  1. Zenira Says:

    Prof. Menandro,
    Quando conhecemos muito bem as premissas, difícil fazer qualquer observação, mas sabemos que elas são necessárias…
    Com grande admiração pelo seu cuidado com o trabalho que desenvolve, deixo aqui um abraço cheio de gratidão.
    Zenira

  2. Edna Rodrigues Says:

    Sabias as palavra do prof. Menandro.
    daremos a resposta a eles nas urnas.
    Como caetiteense, gradeço em nome de toda minha familia esta homenagem e fica a saudade eterna
    Grande abraço.
    Edna Rodrigues

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