• A palavra voa, a escrita fica!

Uma explicação:

Acho que não sou muito paranóico. Se o for, creio que sou apenas um pouquinho. Assim, não acredito que o problema no Rascunho Digital da FACED/UFBA tenha sido algo deliberado pelos que dominam a tecnologia web para tirar o meu texto do cibercenário. Até porque eu tenho cópias em outros locais, além das abrigadas no servidor da UFBA.

Com isso quero tranquilizar alguns amigos chegados às teorias conspiratórias: os técnicos do CPD da UFBA são pessoas idôneas. Felizmente. Ainda não corremos esse risco de boicote tecnológico. O que ocorre é que são muitos os problemas dessa natureza para atender e o pessoal da técnica é limitado. Já temos experiências de sites entrarem em pane em momentos cruciais e a instituição não ter a agilidade esperada para sanar o problema.

Não é de hoje que venho advertindo sobre a importância que deve ser dada aos ambientes web das instituições públicas. Independente de eu ser ou não atingindo pelo descuido ou falta de manutenção das páginas, é preciso lembrar que de toda parte dos mundo se recorre aos portais e sites das instituições educacionais quando se que saber algo ligado ao seu universo de atuação. Se essas informações são dificultadas, o ônus vai para a instituição…

O vídeo pode ser visto também no endereço:

http://edukabrasil.wordpress.com/o-saci-e-a-democracia/

 

“A palavra voa, a escrita fica!”

 O meu amigo Saci me incomodou, em plena madrugada, para azoar nos meus ouvidos uma máxima que há muito eu não ouvia. Acordou-me sem a menor cerimônia, todo metido, dedo em riste: “Verba volant, scripta manent”. Ainda meio tonto de sono, reclamei mal-humorado:

Peraí, Saci! Você me acordar às quatro horas da manhã, pra me dizer essa baboseira! Isso já é um abuso. Cara-de-pau como ele é, fingiu-se de ofendido e fez menção de sair.  Acabei caindo no seu truque bobo e fui logo mostrando receio de ele sair e eu não saber a que veio.

Tive a impressão que tinha diante de mim o global “Agostinho”, da Grande Família, com ares ofendidíssimos. Também não fiz por menos, pois logo saquei qual era a dele:

– Ô palhaço, desembucha logo. O que é agora?

– Não é nada, não. Ou, pelo menos, nada de importante. É que tenho lhe visto meio jururu com esse negócio do moderador das listas da UFBA lhe botar na geladeira… Achei que uma idéia, que andei matutando aqui, pudesse lhe devolver o sorriso, mas não imaginei que fosse me tratar dessa maneira. Afinal, você quer repassar para mim, a indiferença que está sofrendo por parte desse tal censor… Ops! Desculpe-me, do moderador?

– Aonde você quer chegar! Fala logo, que quero voltar a dormir. Estou tonto de sono!…

– Tudo bem! Não tem pressa, não! Depois eu falo… Vá dormir!

Num prodigioso rodopio, ameaçou sair pela janela do quarto. De um pulo, fui puxando a cortina com estardalhaço. Craaash! Coloquei-me entre ele e o vão da janela, aos brados:

Daqui você não sai! Agora vai ter que falar. Por bem, ou por mal. Em seguida, ele fez o V com os dedos indicador e médio da mão direita e caricaturando a voz de um hippie dos anos 70, me gozou debochado, com um ar cínico, como só ele sabe fazer numa hora dessa:

– Paz e amor, bicho, paz e amor!

– Paz e amor um catiripapo! Diga logo, seu palhaço! Tentei ameaçá-lo…

– Calminha, ranzinza, calminha! O negócio é o seguinte: sei que na ocasião do debate entre os candidatos a reitor da UFBA, na última eleição, na Faculdade de Direito, (está lembrado?), você andou gravando… Reveja esse material no computador. Talvez lhe sirva para alguma coisa… Tem uma fala de um professor da Faculdade de Medicina, aquele que é também poeta… Como é o nome?… Acho que até você tem um livro dele, um que tem ilustrações feitas por crianças… Um nome que lembra aquele partido mais radical da Revolução Francesa… Poxa, seu esquecimento está me contaminando… Tem até uma cidade baiana com o nome dele… Uma que já teve muito ouro… 

Enquanto eu tentava me situar em relação ao que ele falava, o danado, simplesmente, escafedeu-se. Em vão, tentei ainda achá-lo pelos outros cômodos do apartamento.

– Ah, Saci de uma figa! Provoca e tira o corpo, exclamei contrariado. Em seguida dirigi-me a um dos armários e comecei a tentar decifrar os títulos que havia rabiscado em centenas de mídias de CD e DVD. Depois de alguns minutos, achei o que tanto procurava. Fui correndo para o computador. De cara, localizei um disco que tinha um grifo vermelho em uma letra garranchada. Com dificuldade consegui ler: “A indignação do Poeta – Debate em Direito – Candidatos Reitoria/UFBA”.

– Deve ser este, pensei. Ao conferi-lo no computador, constatei que era aquele mesmo o material imagético que eu procurava. Nele, o Prof. Jacobina fazia uma indagação aos candidatos, e em especial a um deles. Ansioso, minha mão se impacientava com a praga do mouse que não queria responder. Diabo de máquina lenta. É uma verdadeira carroça. E isso assim é um core duo… Processadorzinho de droga, coisinha primitiva! Pra que serve um “Core 2 Duo E8500, 3.16 Ghz 6Mb de Cache, Placa Mãe DG35EC, 2Gb DDR2 800 Mhz e HD 250Gb”, como eles dizem quando querem nos empurrar a carroça, se numa hora dessa a praga empaca e não funciona? Maldito computador, maldito Saci!

– Pra mim, ou funciona à velocidade da luz ou não presta, exclamei furibundo.

Afinal, descobri o que eu queria. Tranqüilizei-me pelo que ouvi de uma das partes. Praticamente, uma aula do que seria a convivência na polis, na ágora ou uma quase peroração sobre a ética. Ufa! Ainda que com a veemência da Universidade Nova (um dia, certamente, ela envelhecerá!) indo ao shopping, a democracia na nossa instituição não correria, então, o risco de andar para trás, de ser um elefante branco. Com o que ouvira a, iríamos além do conceito frio, do mero adorno. Os espaços ou as instâncias de participação estariam garantidos a todo, inclusive a mim, amigo do Saci. Que ótimo!

Se por um lado fiquei apreensivo quando escutei que “Não respeitar o dissentâneo, é matar a universidade, que é o lugar do debate”, por outro, alegrei-me ao ouvir a tese de que “Democracia não é uma eventualidade, mas um processo constante, a ser continuamente cultivado e a ser construído”.

Bendito Saci! Moleque astucioso! A vontade que tinha era de enchê-lo de beijos. Certamente, prevendo a minha reação, tratou logo de se mandar, mais do que depressa!

Então, pensei o quanto eu havia sido paranóico. De cabeça quente, a gente enxerga até fio de cabelo nascendo na palma da mão! Um verdadeiro horror!

De qualquer forma, foi melhor assim. Só então saquei a máxima que o Saci me trouxera:

“A palavra voa, a escrita fica!”

Sofregamente, dei um pique para arrumar as imagens e mandá-las para o Youtube. Bem que eu queria que a UFBA tivesse um ambiente desse, para disponibilizarmos nossa produção audiovisual, e não termos que recorrer a sites desses gringos do mundo afora. (Claro que sem xenofobia! Apenas o espírito verde-amarelo exacerbado, pelas proximidades do Dia da Pátria!) Mas, fazer o que? Um dia a gente chega lá…

Sentei ao computador e tratei logo de dar um formato publicável ao material em vídeo. Claro que sem a famosa edição “tesoura”. Tudo como foi dito e registrado, sem corte. Apenas umas “gracinhas” gráficas para homenagear o meu amigo Pererê. Que fofo que é! Ele penduradinho na tela e um elefantinho branco de enfeite, bem biluzinho, mas sem nada a ver com o paquiderme-símbolo daquele partido americano, ainda que com a popularidade de Obama… Ah, e também a corujinha… Humm! Precisamos fazer voltar essa corujinha, nesses tempos de Proifes, de manobras e trapaças contra o trabalhador, e sobre tudo de muita tapeação… Humm! Saudade da corujinha!

Depois de pensar isso tudo, voltei a me lembrar do Saci e do seu fraseado em latim. Moleque danado esse! Não se furtou em bisbilhotar minhas coisas para me trazer esse alento. Mas valeu! perdoado! Essa máxima é o máximo! Se bem que é um outro tipo de escrita. É uma escrita eletrônica. Mas que é, é. Vou repeti-la aos quatro ventos:

Verba volant, scripta manent”.

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Uma resposta to “• A palavra voa, a escrita fica!”

  1. Lighia Says:

    Menandro,

    eu sempre me divirto muito com seus textos! Leio-os quando pinta um tempinho a mais, nesta vida atribulada que andamos levando. Parabéns para seu amigo Saci.

    Abração,
    Lighia

    PS. eu sou do tempo do latim…

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