• A quadrilha do Proifes

 

 

Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

 

– “Junho é o mês das quadrilhas” – ouvimos alguém falar num programa de TV. E isso foi o suficiente para o Saci me perguntar se os proifenses iriam participar dos festejos juninos com o mesmo espírito festivo costumeiro.

– Eu sei lá, Saci! O que é que me interessa a vida desses caras?

Diante da minha resposta um tanto ríspida, da qual logo me arrependi, uma vez que ele só queria puxar conversa, o bom amigo compreendeu o meu estresse e ele próprio acabou tentando responder à pergunta que fizera sem nenhuma malícia:

– Sim, vão participar com certeza, porque festa é com eles. Pra lutar, entretanto… ai,  ai, morrendo de dor nas costas, ai, ai, ai! – gracejou com espalhafato.

Os caras eram mesmo festivos de carteirinha. E assumiam “sem medo de ser feliz”, à maneira deles… De qualquer forma, certeza ninguém tinha de que estavam participando de alguma quadrilha. Mas se tivessem – bateu aquela curiosidade – como seus membros iriam se trajar? O Saci apostou que usariam seda nas blusas e vestidos longos, em tecido liso, assinados por algum estilista famoso do grand monde da moda, e as calças de veludo não teriam o costumeiro remendo, para eles, coisa meio brega. Os chapéus não seriam de palha, mas talvez de um feltro especial (de lã ou de pelo de coelho), iguais aos de Indiana Jones, saídos daquela célebre fábrica localizada em Campinas (SP), ou mesmo do tipo “cowboy” semelhantes aos que Búfalo Bill usava nas suas lendárias matanças dos animais homônimos, sem o Bill, claro…

Quanto às bebidas, possivelmente iriam dispensar os tradicionais licor de jenipapo e quentão e, em troca, tomariam, whisky importado da Escócia, vinho produzido na região de Cotes du Rhône, na França, da safra de 1940, e champanhe também de origem francesa, bebidas essas acompanhadas de caviar, salmão e outras iguarias sofisticadas, em lugar da pamonha, da canjica, do amendoim cozido e do bolo de aipim com coco.

Outra curiosidade era quanto ao figurão que iria fazer o papel do noivo. Talvez fosse loiro, do tipo ariano. Quanto ao padre e à noiva, eu e o Saci tínhamos um palpite de quem poderia ser cada um, mas que não vem ao caso aqui. Até porque, era só um palpite.

Todavia, se para isso tudo exercitávamos o nosso achômetro ou chutômetro, de uma coisa não tínhamos dúvida: as bandeirolas não seriam confeccionadas com as manjadas folhas coloridas de papel de seda, mas com notas de cem reais ou até mesmo com as verdinhas dos dólares americanos. Afinal, pela alta taxa de corretagem (R$ 370 mil) que uns e outros estavam cobrando, conforme informação (ou seria denúncia?) do jornal O ESTADO DE S. PAULO, de 15/06/09, confeccionar bandeirinhas com material tradicional era fazer economia de palito de fósforo. Até porque, ninguém mais prudente podia garantir que aquelas 370 mil pratas não eram apenas a ponta de um iceberg, como taxa de “corretagem sindical” ou qualquer outro termo técnico mais apropriado, que aqui não me ocorre lembrar.

3 Respostas to “• A quadrilha do Proifes”

  1. Janete Says:

    Meu querido companheiro Menandro,
    A vida acadêmica a que estamos submetidos está muito mais fácil de levar depois que o seu Saci entrou com suas tiradas absolutamente pertinentes e de uma ironia fina que dá gosto. Acompanho tudo.
    Bjs

  2. Ramanita Mayer Varela Says:

    Caro e destemido companheiro Menandro. Faço minhas as palavras de Janete. A luta continua.Perdemos na véspera do anuncio do resgate da carta sindical do ANDES as eleições para a Diretoria da ADUFEPE por mais um ano.Tivemos 47% dos votos em somente uma semana de campanha.Digo aos companheiros de chapa que não me sinto derrotada, daí ter pedido autorização a você para remter a todos os sindicalizados a apresentação de Ciro.
    Esse artigo sobre a quadrilha Proifes é sensacional e dei as gargalhadas que estava precisando dar com a fina ironia como diz Janet em que você é um mestre.
    Atenciosamente,
    Ramanita Mayer Varela

  3. Menandro Ramos Says:

    Prezada Ramanita

    Tem um propaganda, salvo engano do Green Peace, da qual gosto muito: uma minúscula plantinha vai nascendo, tenra, porém verde, numa fresta entre a tampa de ferro de uma boca-de-lobo ou de algo que o valha e o asfalto, portanto, num ambiente estéril, árido, quase impossível de sobreviver, mas ainda assim sobrevive.

    Em que pese a indiferença de alguns, o alheiamento de outros e a astúcia interesseira de mais outros, a plantinha continuará florescendo. Se a destruírem aqui, certamente, outras florescerão onde menos for esperada, porque esse é caminho inexorável da semente, até o Sol deixar de existir.

    Transmita o meu abraço e a minha solidariedade aos valentes companheiros que não se deixaram cooptar pelas promessas enganosas ou pela dinheirama das taxas de “pedágio” ou “corretagem sindical” desse neo-mensalão acadêmico.

    Continuaremos lutando, apesar das deserções!

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