• As boas lições da Aula Magna

Faixa reproduzida pelo Saci.

O Saci tentou memorizar uma das faixas do Salão Nobre da Reitoria, quando não me viu com a câmera fotográfica.

Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

Conforme havia anunciado dois dias atrás, entreguei, hoje, dia 1º de março, ao Prof. Renato Janine Ribeiro – pouco antes do início da Aula Magna que ele brilhantemente proferiu -,  um texto fazendo alusão à censura existente na lista da APUB, exercida pela mão firme e inabalável do colendo presidente do sindicatos dos professores universitários.

Escusado falar sobre o brilho do proferidor paulista. Exposição segura, excelente raciocínio, elocução inteligível, erudita, tudo muito bom, excelente. Quem não foi, perdeu. Ganharam os calouros que prestigiaram o evento. Estes foram muitos, a ponto de lotar o Salão Nobre da Reitoria. Salvo engano, não vi muitos veteranos. Parece que logo cedo perdem a curiosidade que embala os novatos…

Quanto aos professores, também não foram muitos os que lá estiveram, considerando o número total da UFBA. Entretanto, os ligados à atual administração compareceram generosamente, mas, ainda assim, nem todos puderam estar presentes, segundo suponho.

Não quero, aqui, tentar descrever o belo e instrutivo evento acadêmico – aliás, o último do atual reitorado -, mas o fato é que, quem não foi, perdeu mesmo boas lições (anotei algumas poucas para não abusar da boa vontade do leitor). Não apenas as lições advindas do brilhante ministrador da Aula Magna, pois, para falar a verdade, todos aprenderam com todos. Inclusive o próprio Saci, que lá esteve o tempo todo, tirou proveito das boas lições acadêmicas e políticas. Quanto a mim, nem falo. Dizer que muito aprendi, é expressar-me sovinamente, tamanho foi o proveito que tirei de tudo.

Abrindo um parêntese, quase morri de vergonha. Do alto de um daqueles janelões da galeria do primeiro andar, do lado esquerdo, próximo ao doutoral, lá estava o desassuntado Saci dos meus pecados, trás da cortina, me dando adeuzinho, todo gaiato. Não sei se alguém mais o notou.

O fato é que, todos saíram de lá diferentes de como entraram e todos aprenderam algo, a começar pelo próprio professor Janine, que atentamente ouviu as colocações do Prof. Francisco Santana sobre a Teoria da Relatividade, numa pequena correção da fala do ilustre expositor, quando o público pôde dialogar e questionar o ilustre filósofo.

Logo após a platéia se emocionar com a execução do Hino Nacional brasileiro, foi a vez de um aluno do  B.I. homenagear, empolgadíssimo, o seu curso. Com voz impecável e violão afinadíssimo – pelo menos para os meus modestos ouvidos -, tocou duas lindas composições musicais, duas espécies de “Hino  ou Ode ao BI”. Já na saída o Saci me segredou:

– O rapaz é muito bom! Tomara que não se deixe transformar num Dom e Ravel dos tempos atuais! –  numa alusão extemporânea e descabida à dupla de autores da canção ufanista “Eu te amo meu Brasil”,  expertamente apropriada pela ditadura militar durante o período de Médici, por ocasião da Copa do Mundo, realizada no México.

Pessoalmente, saí ainda mais convencido  da inteligência, sagacidade e extraorodinária capacidade de jogo de cintura do Magnífico Reitor para conduzir situações que nem sempre lhe são favoráveis. Veja, leitor, por exempo, como ele se saiu diante da faixa ostentada (acima) por estudantes de Química. Simplesmente, pediu licença – educadamente, todo amável como só ele consegue ser -, aos alunos que a portavam, que permitissem que a mencionada faixa fosse fotografada, para cobrar do MEC as devidas providências. O gesto não foi de fato magnífico, leitor? Não fez jus ao acertado tratamento de magnificência que é dado aos reitores?

Não posso deixar de registrar o vexame que deu o presidente da APUB, ao tentar justificar, para os presentes no Salão Nobre da Reitoria, a injustificável ocorrência de censura da lista de discussão por ele moderada, após eu indagar ao Prof. Renato Janine – já que o tema da aula era sobre a LIBERDADE -, como ele analisava o fato de uma lista de discussão de docentes ser censurada pelo presidente do sindicato dos professores.

Num exercício de imaginação, não pude deixar de pensar como seria  se a UFBA fosse administrada pelo atual presidente da APUB e se esta fosse presidida pelo atual mandatário da Reitoria. A julgar pela tranquilidade como se portou o Magnífico Reitor diante das faixas, sem querer ou  ter porque exercer a Arte da Lisonja, o ocupante atual da casinha da Padre Feijó (nenhuma alusão à senzala, por favor), a meu ver, provavelmente não se sairia melhor do que o inquilino atual da Casa Grande tem saído, segundo  o Prof. Felippe Serpa costumava denominar o Palácio da Reitoria. Quanto à lista de discussão da APUB – se mantida a hipotética troca -, por certo, haveria de circular livremente e a interlocução seria por demais amável…

Confirmei o que já suspeitava. A boa educação impedira o expositor de comentar sobre assuntos delicados como os que indaguei (já que ele se encontrava em  casa que lhe era alheia), relativo à censura da lista de discussão,  e o que indagou um servidor técnico-administrativo, concernente a perdas pecuniárias da categoria.

No tocante aos estudantes do BI, a impressão que tive é que já haviam perdido a ingenuidade inicial a respeito do Curso. Talvez tenha sido uma leitura equivocada da minha parte. Talvez. De todo modo, a faixa que alguns alunos portavam, até agora me intriga:

Que liberdade a misteriosa faixa pleiteia?

Pelo exposto, o leitor deve ter sacado que cada um dos participantes da Magna Aula  acabou aprendendo um pouco de tudo e que, independente da excelente exposição do erudito Prof. Renato Janine, ninguém saiu daquele recinto sem ter sua bagagem um pouquinho mais enriquecida. E de artigos variados:

Desde a certeza de que “o atual reitor da UFBA”, nas palavras do ilustre filósofo e professor de Ética, “é um dos maiores reitores que o Brasil já teve em todos os tempos” – se não foi o maior -, até a informação de que o referido filósofo submeteu aos Conselhos da USP um projeto de criar o mesmo BI naomariano lá nas plagas paulistanas.

Mas, infelizmente, não se sabe por que, discutiram, discutiram e o rejeitaram; discutiram, discutiram e o rejeitaram. E até hoje a Terra da Garoa continua sem a extraordinária invenção do magnífico autor baiano.

Claro que, como não poderia deixar de ser, o Saci sempre tem uma ou muitas teses para tudo:

Segundo o pilantra, se a USP virou as costas para essa revolucionária invenção alternativa para a educação superior – que é o BI, sem fazer favor -, ou foi por despeito e inveja por eles não terem tido a ideia antes ou, simplesmente, por prudência, que eles não são nada bobos!

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Ao dirigir-me à Faculdade de Educação, após a aula inaugural, deparei-me com uma faixa por entre as árvores de um dos estacionamentos.

Mais uma vez, lembrei-me da maestria do Prof. Renato Janine e do quanto o silêncio pode ser eloquente… Quem sabe, sabe! Uma coisa é certa: ninguém pode duvidar da amizade sincera que ele parece nutrir pelo reitor da UFBA. E vice-versa. A recíproca é verdadeira também. Não foi à-toa que o seu nome foi lembrado para abrilhantar a abertura deste ano letivo especialíssimo, que é o último do atual magnífico.

Por falar nisso, o tempo ruge. Quem fez, fez; quem não fez, não mais fará. Acabou-se o que era doce.

A propósito, o Saci crivou-me de perguntas: “Que lições poderemos tirar?”, ou “Que defeitos e virtudes devemos almejar ou rejeitar para @ próxim@  magnífic@?” E, ainda, “A manutenção do BI continuaria na agenda?”, “Ainda que tenha outras virtudes, apoiaremos o candidado que assim o fizer?”, “E o Reuni, como fica nessa história toda?”

“Doravante, teremos, pelo menos, uma pequena insurgência?” ou “O espírito do caboclo privatista continuará baixando e minando, aos poucos, a autonomia universitária e os alicerces da Universidade Pública?”

E, a mais avassaladora delas: “Rei morto, rei posto?”

A faixa afixada na FACED/UFBA, remeteu-me à prudência do filósofo. Às vezes, o silêncio vale ouro!...

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