– Chuvas, chuvas!

Chuvas: ontem e hoje

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Impossibilitado, no momento, de usar o meu computador, que ficou gripadinho (gripe cibernética) por conta do tempo chuvoso, segundo suponho, o Saci recorreu ao meu alfarrábio eletrônico. Lá estava uma velha charge dos idos de 1980, quando eu ainda trabalhava no Jornal A Tarde. Na verdade, o origial era em preto e branco. A cor só veio muito tempo depois, com as ferramentas digitais..

Como no passado, as cenas calamitosas se repetem: destruição, alagamento, perdas materiais e humanas, enfim, muita dor e  lágrimas.

De um lado, a solidariedade da população desassitida, que se arrisca nos escombros, ao lado dos bombeiros,  para contribuir, de alguma forma, com os desafortunados; do outro, os administradores políticos que banham de luz alguns locais da Soterópolis e esquecem de prover noutros os mais elementares recursos de urbanização para que se tenha uma vida digna. Enquanto isso, a água vai levando, encosta abaixo, a grana do Ministério da Integração Nacional, que, dizem, veio para as bandas de cá qual chuva forte, – um verdadeiro oceano de dinheiro -, como nunca dantes…

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Uma resposta to “– Chuvas, chuvas!”

  1. Cecília de Paula Says:

    Chuva, chuvas! Inundações…

    Estamos em Salvador.
    Em 14,
    23 horas de agonia,
    Sete dias,
    Oito noites
    De águas transportantes.

    Dos céus para a terra,
    Das terras para o céu…

    Águas que molham pessoas,
    Lágrimas que inundam a vida.

    Aqui a cidade chora.
    Os dias e as noites passam
    Derramando fúcsias do céu.

    Nem o rio e nem o mar
    Dão conta de escoar.

    O cinza cobre o Nordeste.
    A cidade fica silenciosa.

    Por um minuto!

    Homenagem aos que se vão
    … Com as águas
    Árvores, bambuzais, crianças…

    O futuro que se foi
    No presente de uma torrente.

    Assim,
    Os dias se vão
    Pelos bueiros lotados
    Que explodem
    No meio da rua,
    Feito um chafariz.

    À meia noite
    A cidade brilha
    Com os pingos refletidos de luz.

    Ao meio-dia
    Do seguinte dia
    A cidade fica sem energia.

    Bancos parados,
    Portas fechadas,
    Sinais apagados.

    O rio corre por entre as ruas,
    Onde, outrora,
    Passeavam transeuntes
    Em carruagens modernas.

    Hoje, tudo espera.
    A noite anuncia outro desmoronamento.

    E a cidade,
    Perplexa,
    Enxuga as lágrimas secas
    Por outra vida que se vai.

    Adiante,
    Crianças brincam nas poças.
    Outras
    Correm por entre a lama,

    Abandonam pegadas
    No chão.
    [de barro.]

    Mas a cidade não para.
    Arqueja com o minar das águas
    Pelas paredes,
    Águas que envolvem móveis, objetos,
    Tijolos, por fim.

    E removem
    Alguns sonhos encostados
    no canto da casa,
    Agora inundada.

    É noite,
    Faz um mormaço lá fora.

    Por dentro,
    O abafado da umidade externa
    Infiltra-se por todos os poros
    Das janelas fechadas.

    Carros parados pedem socorro.
    Não querem se afogar.
    Uns,
    tentam nadar no leito do rio.
    Mas a corrente é forte
    E
    Os cavalos do motor
    Logo se cansam.
    Um,
    Mais um,
    Alguns…
    Se vão.

    Trocam a estrada pelas margens dos rios
    Chegam no mar…
    No fundo do mar…

    [Extremo desconforto para os peixes
    Que se desviam
    Nesta nova versão de estrada].

    E o calor que teima em ficar
    Atropela o vento frio
    Que sopra do sul.

    É outono, mês de abril.
    Aos 15 dias,
    Nuvens
    [sem ser de anil].
    Bem nos 10 anos de 2000.

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