– O Depto. de Sociologia/UFBA e a neocarga-horária

 

 

Meio jururu com os rumos da política do país, o Saci se diverte com sua coleção de soldadinhos de chumbo - os mesmos de sempre! -, inserindo-a em cenários diversos, tão-somente com propósitos de fruição estética. (Clique na arte para ampliá-la).

 

Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas
Departamento de Sociologia

 

Posição dos professores do Departamento de Sociologia sobre as propostas elaboradas para definição da carga-horária dos docentes.

Após se reunirem e apreciarem a proposta apresentada pelo Prof. Dante E. Lucchesi R., os professores do Departamento de Sociologia deliberaram efetuar as seguintes colocações a respeito da referida proposta, de modo a contribuírem para os debates que devem ocorrer em relação ao assunto em pauta:

1.   A proposta aceita passivamente a alteração realizada pelo Conselho Universitário sem consulta à comunidade acadêmica. Observe-se que a UFBA foi a única Universidade que, para cumprir com as metas do REUNI, fez alterações no seu regimento prevendo aumento de carga-horária docente.

2.  Logo, a primeira medida do Conselho deveria ser a de ouvir a comunidade sobre a alteração do regimento e, após isso, propor alterações ou a manutenção de suas disposições de acordo com a posição majoritária. Isto seria importante por nos encontrarmos no início de um novo reitorado.

3.  A atribuição, avaliação e fiscalização da atividade de pesquisa, cabem no regimento da UFBA aos Departamentos. Estes têm perdido bastante o seu papel e autonomia em função das alterações estatutárias promovidas pelo reitorado. O que esse documento propõe é o esvaziamento completo dos Departamentos, pois transfere para o Conselho todas as suas prerrogativas. Aumenta-se, assim, a centralização e a burocratização universitária, colocando os docentes em uma situação de dependência de um pequeno número de colegas que, em grande parte, decidem por conta própria nos Conselhos Superiores, sem promover nenhum processo de discussão sobre questões que afetam profundamente a vida acadêmica.

4.  A careira docente é regida por um plano de cargos e salários onde não constam professores seniores ou plenos. Criar essas figuras é uma violação da carreira existente. Torna-se absurdo, portanto, a criação de critérios, comissões externas e mais burocracia para a vida docente.

5. Nos últimos anos, a Universidade cada vez mais tem desistido da auto-avaliação e aceitado imposições de outros órgãos estatais. Assim tem agido em relação a CAPES, ao CNPq, às avaliações do ENAD, do ENEM, aos rankings, etc. Reconhece-se a importância do CNPq, embora seja inadmissível que a decisão sobre as atribuições de carga-horária seja definida a partir de uma avaliação externa, com critérios distintos daqueles que regem a vida docente, de modo que todos os pesquisadores CNPq sejam previamente isentos de cumprir carga horária superior ao mínimo (e um mínimo criado especificamente para eles). Essa proposta é mais uma violação da autonomia universitária.

6.    Esta proposta também supervaloriza a pesquisa, em especial a que é desenvolvida com base na captação de recursos externos, criando um direcionamento para esta atividade.

7. Por outro lado, desvaloriza-se os projetos de pesquisa de perfil temporal alongado, aprovados nos Departamentos, que se constituem no suporte para novos cursos, orientações, palestras, participação em grupos de trabalho, bem como não leva em conta outras atividades exercidas pelos docentes, como as de extensão, de representação, etc.

8. A existência dos Departamentos só faz sentido com a preservação de sua autonomia. Desse modo, caberia a essas unidades arbitrar a alocação de sua força de trabalho nas atividades de aula, como sempre o fez, considerando o conjunto das atividades desenvolvidas. Não faz sentido estipular, ainda que indiretamente, um perfil mais valorizado de docente, a ser potencialmente seguido por todos, como se todos fossem iguais ou devessem sê-lo. Os trabalhos desenvolvidos pelos docentes deveriam estar articulados em um projeto pedagógico que mostrasse a face do Departamento, sua diversidade dentro de uma unidade.

9.  Por fim, não se vê como propor mudanças pontuais, e sim propor a reabertura da discussão na comunidade universitária, com os Departamentos e unidades pronunciando-se quanto à manutenção ou revogação das novas cargas-horárias. Não é admissível que mecanismos de segregação possam resolver o problema dos docentes que se dedicam menos à pesquisa. Isto só pode  e só deve ser resolvido no âmbito dos Departamentos. O princípio que deveria ser restabelecido é o da discussão plena, franca e solidária no âmbito dos Departamentos. A variação das cargas horárias semestrais (partindo-se do mínimo que deveria ser de oito horas) deve ser examinada em função das necessidades dos Departamentos, da colaboração entre os colegas e, sobretudo, da necessidade dos estudantes.

Salvador, 25 de agosto de 2010.

Uma resposta to “– O Depto. de Sociologia/UFBA e a neocarga-horária”

  1. Menandro Ramos Says:

    Meio jururu nos últimos tempos com os rumos tomados pela política do país, o meu amigo Saci-Pererê da UFBA, como ele faz questão de ser identificado, refugiou-se em práticas artísticas e de entretenimento. Apenas por simples prazer e gozo estético. Nada mais. Com desenvoltura vem construindo cenários fictícios, quase surreais. Ele é de opinião que a Arte deva servir para alguma coisa além de decorar apartamentos e mansões de grã-finos…

    O meu debochado amigo tem estado meio amargo, cáustico. Passa horas e horas perdido nos seus próprios pensamentos, “autisticamente” incomunicável.

    Hoje, porém, eu vi seus olhinhos traquinas sorrirem. Isso mesmo: um largo sorriso oftálmico, se posso assim me expressar. Ao acompanhar a direção do seu olhar, vi que ele lia algo. Aproximei-me do monitor e percebi logo o que o tirou daquele estado quase catatônico em que se encontrava. Era uma Nota do Departamento de Sociologia da UFBA sobre o “presentinho” greco-baiano deixado pela administração anterior e seus colaborativos cardeais…

    Em uma fração ínfima de tempo, esqueceu tudo que o apoquentava. Os pensamentos sombrios a respeito dos institutos de pesquisa, que, a seu juízo, induziam o eleitor a votar em certos candidatos; a suspeita em relação às urnas eletrônicas – sempre lembrando no que a malandragem de alguns políticos pôde transformar o painel eletrônico do senado, e todos os fantasmas e monstros que ultimamente ocupavam seus pensamentos como inquilinos assustadores. Tudo passou a ter importância secundária. Vi o sorriso cindir-lhe a cabeça em duas partes: os olhos e o nariz eram o Norte, separado do Sul do queixo pelo Equador que os dentes afiados e cortantes formavam.

    – Caramba, chefia! E eu que já me preparava para o sepultamento da UFBA!…

    Fingi não perceber sua exagerada ironia. Até porque eu acreditava que existiam UFBAs, e não apenas a UFBA dos cardeais que virava as costas às discussões sobre a precarização do trabalho docente. Minha convicção de que não haviam conseguido matar a plantinha do inconformismo era cada vez mais firme. Em algum recanto ela estaria florescendo…

    Como que adivinhando os meus pensamentos, o Saci ponderou meditabundo:

    – Acredito, chefia, que um dos piores frutos deixados para a atual administração da UFBA descascar é esse enorme abacaxi da neocarga-horária! Prazam os céus que seja o Calcanhar de Aquiles do Reuni e que aconteça a retomada da discussão de um marco regulatório democrático para a Universidade Federal da Bahia…

    Embora eu tenha notícia da insurgência de outros Departamentos contra esse escancarado ataque ao trabalho docente, em fina sintonia com os propósitos do Reuni, ao que me consta, é a primeira manifestação por escrito e com o aval de um coletivo. SMJ.

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