– Desmatamento da UFBA é legal…

Ficou assim...

... mas era tudo assim! (clique nas fotos para uma melhor visualização).

 

Foram muitas as denúncias. O telefone do Saci não parou. Quer dizer, o meu. Foram muitos os pedidos para dar recadinhos ao Saci. E eu não sei como vou fazer isso. Vai ser um baque para ele. O local em que as máquinas triunfam agora, Leitor, já foi um bosquezinho bucólico, inclusive com exuberante bambuzal, aliás, de onde veio o meu amigo peralta. Sim, Leitor, foi exatamente daquele local, onde hoje sangra terra vermelha, que saiu o Saci. Assim, já me pergunto, qual será a reação do meu pobre amigo? Claro que a UFBA não é uma fora da lei para fazer construções sem amparo legal. Decididamente, não é. Mas que está dando sua contribuição para remover robustas árvores, isto está. Ainda anteontem foi a “desertificação” do estacionamento da Faculdade de Medicina/ICS.

E amanhã, perguntará o caminheiro do Vale do Canela, onde será?

Se o Saci vai ficar feliz quando vir – se é que não viu ainda – aquela tétrica cicatriz? Não sei dizer. Só ele poderá responder. Precisava fazer o que fizeram? Também não posso dar uma resposta de imediato. Possivelmente, nossos netos ou bisnetos dirão melhor…

No momento, só posso dizer que fico triste e que empresto as minhas belas lembranças da florestinha da FACED ao meu nostálgico amigo para que ele diga comigo:

– Como era verde o meu vale!

Menandro Ramos

 

———————————–

Depois que rabisquei, digitalmente, estas mal traçadas linhas, eis que me deparei com a manifestação [quase] silenciosa e indignada do Saci. Só vendo para crer. ‘Tadinho! Veja seu videopoema de protesto:

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7 Respostas to “– Desmatamento da UFBA é legal…”

  1. osaciperere Says:

    Recebi por e-mail:
    ———————————

    Onde ficará o Saci?

    Está no relatório da reunião do Consuni enviado para a lista.

    Desmatamento atrás da FACED com o inicio das obras da Faculdade de Ciências Contábeis. (O Vice-reitor explicou que as obras estavam autorizadas e que o alvará para erradicação das árvores foi fornecido e, portanto está tudo dentro da lei.).

  2. osaciperere Says:

    Recebi por e-mail, de alguém que prefere não se identificar:
    ——————————————————————-

    Sensibilidade sua a de fazer um protesto tão lindo, dolorido, sentido, por isto choramos.

    A Ufba não se abala mais com nada, a força “democrática” do Consuni, que dita nossos destinos, é fruto da falta de participação, do alijamento de todos do processo decisório. A democracia, que prevê as decisões sejam tomadas de baixo para cima, tomou outra direção no nosso país, de arriba-abajo, como se diz na Língua de D. Quixote, assim foi com a universidade nova, assim foi quando o dito Orgão, ainda que tivéssemos dito que de lá não queríamos sair, nos destinou para o campus da Ondina.

    Sei não amigo, tenho vontade de me retirar e vender esmalte de unha de porta em porta…

  3. José Roque Mota Carvalho Says:

    Menandro: Depois da tragédia do Canela, fale da devastação do Campus de Ondina. Você poderá tirar uma foto do Instituto de Química em direção á Faculdade de Farmácia, e perguntar: Ôchete cade a mata que estava aqui no meio do caminho entre química e farmácia? Venha conhecer o mais novo espidão, que começa a nascer. A “gravidez” foi confirmada no final de janeiro/2011.
    Abraços,
    José Roque.

  4. MARIA INES MARQUES Says:

    MAQUINAS E HOMENS FAZEM UMA NOVA UNIVERSIDADE

    Foi este o título do Jornal Universitário sobre o desmatamento da Ondina nos idos de 1968, que inclui na minha tese: UFBA NA MEMÓRIA, e tive a oportunidade de colocar uma significativa e pequena foto no livro de mesmo título. É rara uma fotografia de destruição, mas com pompas aparecem as fotos do edifício pronto. A foto do terreno de Ondina em processo de desmatamento, os troncos enormes tombados no chão, é impactante, tanto como deve ter sido para Roque, nos dias de hoje.

    Desde 1968, o mundo mudou muito e tem índices para medir muitas coisas, como por exemplo, o nível de qualidade de vida, que está relacionado com o verde que tem uma cidade. Nossa Universidade está no coração da cidade, desmatar uma área tão preciosa é subtrair da população um pedaço de seu pulmão. Mas nada disso conta, indice de desenvolvimento humano aqui, só valem os falaciosos, “produzidos para inglês ver”, a exemplo do número de jovens com curso superior, ainda que a qualidade da formação seja duvidosa.
    Não sei se existe tanta inocência no silêncio de todos nós, ou nas intenções dos que decidiram retirar o pouco verde dos nossos olhos.

    Na democracia, além das decisões da maioria, que ganha carimbo de cumpra-se, existe a necessidade de divulgar projetos e resultados, a chamada transparência. Não sabemos o que é isto, salvo por nossa diretora que, verdade seja dita, nos comunica os feitos das instâncias ditas superiores e por muitas vezes defende nossos interesses discutidos no coletivo.

    Impedidos que estamos de viver a diversidade de idéias, que agora é uma ameaça, de superar no debate as divergências próprias deste lugar chamado universidade, assistimos o triunfo do poder da maioria. representada pelo desejo de um grupo diretor.

    Discutir e defender nossas posições? É prática para dinossauro, as decisões chegam prontas, não digo tomadas, porque também seria demais. O que podemos ensinar aos nossos estudantes? Talvez, só a constatação de que se deve obedecer.

    Ontem como hoje, máquinas e machados fazem a nova universidade. Os homens e mulheres que ficaram sem voz, sem verde, sem vontade, se solidarizam com você, ainda que seja uma voz solitária, tem muitos que esperam por ela e ainda deixam rolar uma lágrima, como fez o Saci.

    Beijo de muito respeito por sua luta travada com palavras, humor, arte e sensibilidade.

    Maria Inês Marques
    Faced

  5. Everaldo Queiroz Says:

    A questão não é de legalidade é de “sentimentilidade”.
    Imagina a lei garante que todo cidadão que matar o outro será considerado réu primário. Logo, nascemos com o direito de matar e assim que passamos a entender a morte, o seu significado, mato um. É legal.
    Ensinamos que o verde confere diversos serviços, um deles – o conforto ambiental, ou, a difusão das ondas sonoras, em tempos de decíbeis trio eletrizados. E, aí, buscamos a lei? Devíamos dar exemplo do que pregamos.
    Verde que nunca será mais o verde de outrora.][

  6. Menandro Ramos Says:

    Recebi por e-mail:
    ———————-

    Bela homenagem à fauna e flora e belo poema visual, Menandro! A natureza
    agradece!
    Infelizmente, pouco restará dela nos nossos campi!

    Abraços,
    Décio

    ——————————
    —–Mensagem original—–
    De: Décio Torres [mailto:deciotc@ufba.br]
    Enviada em: sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011 16:40
    Para: menandro@ufba.br;
    debates-l@listas.ufba.br;
    apubdebates-l@listas.ufba.br
    Assunto: Re: [Debates-l] Desmatamento da UFBA é legal

  7. altino Says:

    Maravilha Menandro! Belo videopoema como registra o Décio!
    Ainda sobrevive a emoção!
    1) quinta-feira, dia 5/3, reunimo-nos 14 h na Escola de Administração com os parceiros do Conselho das Entidades SocioAmbientalistas da Bahia e outras instituições para dialogarmos sobre a programação da IV Semana Socioambiental da UFBA que acontece na primeira semana de junho.
    TODOS OS SENTIMENTAIS ESTÃO CONVIDADOS!
    Na ocasião pode-se dialogar sobre uma UFBA SOCIALMENTE AMBIENTAL;
    2) assumiu a Coordenação de Meio Ambiente da UFBA o ANTONIO LOBO do IGEO cheio de projetos e de dificuldades para implementá-las!
    Em parceria com o Agrorede, a Coord participa da organização da IV Semana.
    Podemos (ou devemos) pautar na Coordenação a exibição do belo poema visual do MenaSaci e dialogar sobre a construção de um Projeto de socioambientalização da UFBA – arquitetos, biólogos, colegas das artes………..”correi, é chegada a hora…”
    Saudações,
    altino

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