– Lattes: registro ímpar ou marketing pilantra?

Com uma só cenoura, o Saci alimentou dois coelhos: falou das 34 mil visitas que já recebeu no seu blog, e elencou algumas questões que a academia precisa responder com muita urgência, segundo seu entendimento. (Clique na arte para ampliá-la).

 

 Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

Lendo o comentário de um professor da UNICAMP sobre a vitória do SIM na Universidade Federal Fluminense (saiba mais AQUI), o Saci se inspirou todo e começou a me crivar de perguntas. Diga-se de passagem, cada uma mais cabeluda do que a outra. Diante da minha incompetência para responder a esse verdadeiro tsunami de indagações, aconselhei o pilantrinha de gorro vermelho e pito a ampliar o universo de respondentes – deveras qualificados -, postando algo a respeito neste blog.

Ele não pensou duas vezes para fazer uma ilustração sobre o que eu lhe havia sugerido e, de forma oportunista, aproveitou para divulgar o número de visitas que recebeu até o presente momento, que, aliás, já passa de 34.000! De quebra, ainda me pediu para obter do autor do texto mencionado, o Prof. Itamar Ferreira, uma autorização para publicá-lo no seu blog. Ei-lo, pois, com a autorização em dia:

Grande Juarez,

 De fato, foi uma grande vitória. Parabéns!

 Essa vitória favorece, e muito, a nossa luta contra a “privatização interna da universidade pública”. Na realidade não são apenas os cursos caça níqueis. A universidade pública não tem dado importância à EXTENSÃO propriamente dita no sentido de favorecimento da sociedade. Os organismos de avaliação (e financiamento) das atividades acadêmicas, como CAPES, CNPq, FAPESP etc., tem valorizado, de maneira exacerbada, as atividades de pesquisa, em detrimento do ensino e da extensão. Pelo menos na minha área de atuação (Engenharias Mecânica e de Materiais), há um verdadeiro “endeusamento” de publicações em revistas indexadas. É incrível! Revistas brasileiras importantíssimas dessa minha área, com mais de 50 anos de vida, não são indexadas no Scopus e Science Direct e outros “importantes” indexadores!

Interessantíssimo lembrar, que as revistas da Editora Elsevier, por exemplo, com apenas três aninhos já ficam automaticamente indexadas! O mais interessante de tudo é a Plataforma Lattes do CNPq. Ela disponibiliza o currículo com as possibilidades de apresentação das publicações com indexação no Scopus, ISI e SciELO. É uma gracinha. A propósito, não sei se todos sabem, a Plataforma Lattes é genuinamente brasileira (as más línguas dizem tupiniquim!). Não há, no mundo desenvolvido, como França, Inglaterra, Alemanha etc, algo similar.

Ah! isso me faz lembrar, no contexto Brasil, das nossas “eleições eletrônicas”. Na grande maioria dos países desenvolvidos também não há similaridade. Vejam que incrível! Lá, nos países desenvolvidos, eles são atrasados; contam e recontam votos! Aqui, sabe-se lá o que de fato acontece. Acreditar que as nossas urnas e eleições eletrônicas são invioláveis é o mesmo que acreditar em papai noel.

Além disso, o custo dessas nossas eleições eletrônicas são, pelo menos, mil vezes maior do que nos países desenvolvidos. Enfim, a Plataforma Lattes, as avalizações docentes nas universidades públicas e as eleições eletrônicas, são, sem sombra de dúvida, obras de brilhantes! E, interessante, nós, que carregamos os pianos, não dizemos nada!

Um grande abraço a todos e todas.

Itamar 

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2 Respostas to “– Lattes: registro ímpar ou marketing pilantra?”

  1. Menandro Ramos Says:

    Recebi do Prof. Itamar Ferreira:
    ——————–
    Caro Menandro, sim, você pode publicá-lo no Blog do Saci-Pererê. Aliás, isso será uma satisfação para mim.

    Lógico, o meu comentário é curto. Infelizmente, por uma série de razões pessoais, não tenho tido tempo de me debruçar sobre um problema de grande envergadura que se refere à atual política acadêmica no Brasil:

    (a) a exacerbada valorização acadêmica de publicações em revista indexadas, que na esmagadora maioria são estrangeiras;

    (b) o custo de se manter disponível a assinatura eletrônica dessas revistas (a Capes etc. pagam uma fortuna de anuidades dessas revistas!);

    (c) os critérios de avaliação acadêmica com base quase que exclusi-vamente nessas publicações indexadas.

    A não valorização das atividades de ensino e extensão, nas universi-dades brasileiras, está levando a uma situação complicada. Como o ensino não é valorizado, os docentes não se dedicam a ele. Como resultado, a motivação dos nossos estudantes, pelo menos nos cursos que atuo, está absurdamente baixa!

    Ou seja, a atual política acadêmica no Brasil está direcionada para “inglês ver”. Acredito que isso é tudo o que os países desenvolvidos mais querem. Ou seja, não estamos preocupados com os nossos problemas (que poderiam e deveriam ser estudados no contexto da “extensão universitária”) e estamos preparando muito mal os nossos futuros profissionais!

    O tripé ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO e meramente figurativo! Urge levantarmos uma discussão séria sobre esse assunto. O Andes-SN poderia suscitar essa discussão.
    Um grande abraço.

    Itamar

  2. Menandro Ramos Says:

    De fato, Prof. Itamar, acho extremamente relevantes as questões que levanta. Precisamos discuti-las, sim! Sem negar a contribuição de muitos pesquisadores sérios, é importante também chamar a atenção sobre a “energia física” que muitos professores despendem para carregar os pianos do cotidiano e a “energia mental” que alguns pesquisadores vivaldinos investem para justificar ou legitimar seus notórios privilégios. Quem na academia não conhece, pelo menos, meia dúzia deles?

    Bobo é quem pensa que os “espertos” só florescem na arena dos “políticos profissionais”…

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