• Morte prematura – ou não!

Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA
(vivo –  ou morto qual Brás Cubas)

 

A despeito do prestigioso jornal local, fundado pelo Dr. Ernesto Simões Filho, ter divulgado ontem, dia 18/08/2009, na página 3 do seu Segundo Caderno, que “Um dia, um colega me avisou que Menandro Ramos, que era chargista de A TARDE, havia morrido”, quero em alto e bom som dizer – para o gáudio dos meus muitos credores –  que continuo vivinho da silva. Pelo menos até o presente momento, em que redijo estas mal traçadas linhas! O que houve, foi um equívoco do repórter Chico Castro Jr., ao entrevistar o chargista Reinaldo Gonzaga, recentemente aposentado daquela Empresa. Nada mais. Equívocos acontecem. Nem por isso vou pedir direito de resposta ou processar o Jornal por danos morais (ou mortais).

O Saci me chegou com os olhos marejados, tristinhos que davam pena. Depois de me tocar, para conferir se eu estava mesmo vivo, falou-me com voz desolada:

‘Guenta as pontas, chefe. Não morra agora não. Se você morrer eu morro também. Deixe, pelo menos, terminar este reitorado…

Fiquei comovido em ver o bichinho todo fragilizado. Prometi a ele que, ainda que eu morresse antes do tempo pretendido, ele continuaria sacizando através, quem sabe, dos meus filhos ou dos meus amigos. Sem teto é que ele não ficaria.

Já mais tranquilo, ele comentou:

– Incrível, chefe. Isso não é pra todo mundo, não. Você teve o privilégio de ler no jornal sobre sua própria morte. Ainda que tenha sido um rebate falso…

– Pois, é Saci! Mas você pensa, tenho certeza que meus desafetos – que felizmente não são muitos – estão dizendo por aí que o Jornal não errou, não. Para eles eu morri há muito tempo e não sei…

– E é verdade, chefe. A propósito, tem certeza que vivo mesmo?

E dizendo isso, o pilantra se mandou, com medo de minhas bordunadas.

Mas acabou, intencionalmente ou não, semeando a dúvida, o maldito pilantra. Neste momento, estou inseguro, quase em pânico. Se sair n’ A TARDE é ser verdade, ferrado. Será que morrer é assim mesmo? Será que a gente lê a notícia da própria morte, como se ainda estivesse vivo? Será que não já estou morto?

6 Respostas to “• Morte prematura – ou não!”

  1. Maria Inês Marques Says:

    Mena,

    Sei é que tem gente querendo te ver morto…
    Para eles responderemos com muita vida!

    Beijo
    MI

    P.S.: Pensar dói… ficou ótimo no texto e na charge.

  2. Reinaldo Says:

    Bicho, ficou muito bom, dei boas risadas. Pela sua criatividade, prova que você está vivinho da silva.

    Reinaldo

  3. Antonio Batista Says:

    Querido Menandro (vivo ou morto)!

    Ter Você como amigo é um grande privilégio meu. A aprendizagem do que emana de Você é por minha conta. Tenha certeza que eu tento aproveitar o mais remoto dos cantinhos do que você nos ensina.

    De uma coisa Você teve prova: o Saci tem um grande sentimento por Você. Fiquei imaginando a carinha dele ao ler a terrível notícia no grande jornal A Tarde.
    Como não sou um pintor, não posso pintá-lo mas posso “poetizá-lo” (perdoe o meu neologísmo), através de um ACRÓSTICO..

    M eu inestimável amigo.
    É com alegria que
    N utro-me com o nécta da vida que
    A natureza faz circular em você!
    N unca estamos preparados para a
    D emanda da morte, uma vez que, ninguém dela
    R etorna, muito menos, assim como Você:
    O nisciente, Onipotente e Onipresente nas nossas almas!

    Querido amigo, eu sinceramente lhe prefiro vivo, o máximo possível, até porque precisamos enfrentar os “vivos” (de outra etiologia).

    Abraço Amigo
    do Amigo
    Batista

  4. Menandro Ramos Says:

    Caríssim@s Amig@s

    Desde muito que eu desconfio que morrer não é essa coisa toda que dizem por aí.

    Sempre tive muita dúvida da autenticidade da “mercadoria” que as religiões, de uma forma ou de outra, tentavam (e tentam) nos vender. Ainda jovem, eu me perguntava se a idéia de “Deus” não era meio paradona, engessada, estática e até meio sádica… Isso para não dizer coisa menos angelical, em respeito à fé alheia… Mas deixo para outro dia esse papo metafísico. Só uma provocaçãozinha: imagine essa coisa de fogo eterno, e o pobre pecador queimando pela eternidade, ouvindo choro – além de berrar muito – e ranger de dentes! Cruz credo! Isola! Quem criou essa metáfora, certamente, afanou muita batata em fogueiras juninas alheias…

    Desde tempos longevos, preferi pensar na possibilidade de ser construído – aqui mesmo na terra e longe do céu – se não um paraíso, mas algo pelo menos melhor do que isso aqui sempre foi, ou suspeitamos que tenha sido… E, de quebra, que mulheres e homens podiam ser seus artífices, se assim o quisessem. Até mesmo para deixar Deus, para os que creem, descansar depois da trabalheira por ter criado esse mundão todo… Se tudo em Deus é grande – como devem pensar os crentes – até o cochilo Dele será eterno! Não seria essa a lógica?

    Não sei desde que data, mas há muito imaginei a morte de cada pessoa como uma espécie de “dormir sem sonho”, exatamente como era antes de termos o que chamamos de consciência…

    O Saci, entretanto, tem a incrível capacidade de me provocar dúvidas, onde antes eu só tinha certezas. Pode uma coisa dessa?

    No presente momento, ainda tenho questionamentos se estou ou não vivo. E se morrer for assim mesmo, ou seja, não ter a convicção de ser, e muito menos de não ser?

    Mas o bom disso tudo é poder ver a manifestação de amizade por mim, e me emocionar com carinho dos amigos, neste e noutros espaços menos virtuais. Isso não tem preço. Até acróstico eu ganhei! Pode isso?

    Sinceramente, se eu soubesse que morrer fosse isso, há muito que eu já havia batido as botas!

    Claro que antes, beijando o coração de tod@s Vocês!

  5. Jose Roque Says:

    Quase Ex-Menandro:

    Seria ponto facultativo, três dias de luto na UFBA. CAIXÃO NO SALÃO NOBRE DA UFBA PARA VISITAÇÃO PÚBLICA. Prof. Israel e todos da APUB em total consternação. Para dramatizar mais ainda, a cena, carpideiras seriam contratadas. Traslado em avião especial para Caetité. Caixão na Câmara de vereadores. Discurso arrebatadores e emocionantes.

    Emprestaria o nome para a Praça Principal. Criaria o maior problema para a Câmara, pois teria que substituir o nome de Anísio Teixeira em vários logradouros. Por enquanto segure firme, não foi dessa vez. POR FALAR EM CAETITÉ, O SR. ESTÁ DEVENDO UM TRIBUTO A WALDICK SORIANO.

    Abraços, Menandro. Nós agradecemos por você continuar V I V O.

  6. osaciperere Says:

    E eu, prezado Prof. Roque, me apropriando da idéia do Saci para a inscrição lapidar futura, já que a vida é breve:

    https://osaciperere.files.wordpress.com/2009/02/aqui-jaz-o-saci.jpg?w=450&h=237
    Hic jacet: hoc caverat mens provida Saci (Aqui jaz: a mente previdente do Saci previra isto).

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