– O Carnaval burguês da Bahia

 

Circula na internet que a Revista Metrópole divulgou esses valores faturados, no último Carnaval soteropolitano, pelas principais empresas de blocos e camarotes (clique na arte para ampliá-la).

 

Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

O Saci papeou a noite inteira com a Vaca-Tatá. Vez ou outra, eu acordava e ouvia o zum-zum-zum dos dois. Ainda que interessado em ouvir o que ele falava, o sono que eu sentia era maior. Conversaram sobre uma mensagem que está circulando na internet, atribuída à Revista Metrópole, daqui de Salvador.

Agora acordado, posso dizer que fico meio reticente em relação ao que circula na rede. Sempre que posso confiro a autenticidade do circulado, mas nesse caso ainda não me foi possível investigar. Não importa. De qualquer modo, ninguém de sã consciência – independente do levantamento pela aludida Revista ter sido feito ou não -, desconhece o quanto Carnaval da Bahia precisa ser discutido. Talvez dois pontos que deverão ser tratados como prioritários sejam os referentes à privatização do espaço  público e à destinação de recursos públicos para as contas privadas. E na mira estão os empresários (midiáticos, não midiáticos etc) e artistas-empresários que faturam rios de dinheiro sob o manto protetor do Estado e do Município. Estes investem, segundo a matéria mencionada, “R$ 30 milhões para colocar polícia na rua, realizar limpeza, montar e desmontar toda a infra-estrutura, pagar equipes de saúde, etc, etc, etc.”

Mesmo que não se assuma a autenticidade dos números, é o caso dos representantes estaduais e municipais –  seja quem for o pai da criança -, apresentarem as reais cifras da festa momesca com transparência. É o caso de indagar se os 76% dos moradores de Salvador que não participam do Carnaval estão dispostos a pagar essa alta fatura…

Além do faturamento dos blocos e camarotes  apresentado acima pela arte do Saci, o texto que circula na rede também fala da ira sagrada da cantora Daniela Mercury ao  lhe ser negado o pedido de elevação dos cabos da rede elétrica, para que seu novo trio trafegasse com mais segurança. Para acolher o seu pleito, segundo a referida Revista Metrópole, só no circuito Barra, seria gasto a bagatela de R$ 3 milhões de reais. O leitor que não é nada bobo, já sacou que pagaria a extravagância da autora de “O Canto dessa Cidade”…

Meio sonolento, ainda pude  ouvir pedaços de conversa do Saci com a Vaca-Tatá. Ele, didaticamente, explicava à sua amiga broquinha que a palavra “burguês” vem de “burgos” ou cidades originárias da Idade Média. Que os burgueses, naquela época, lutavam para acabar com os privilégios da nobreza e do clero, e que portanto, eram progressistas… Mas que hoje eram os que detinham os meios de produção, os que gozavam de privilégios, os que exploravam o trabalho alheio, enfim, os que detinham o capital, portanto, os chamados capitalistas…

Nem precisa dizer a reação da Vaca-Tatá, depois de um oceano de explicações do Saci, sobre o papel desses artistas-empresários na sociedade de consumo contemporânea. Ficou indignadíssima.

O que me fez pensar que, quando a coisa é bem explicada, até a Vaca-Tatá, que é meio broquinha, ou quem sabe de boa-fé!, pode entender como funciona a sociedade atual.

Ora, se ninguém pode transformar adequadamente o que não entende, pensei com os meus botões, está na hora de explicar tudo bonitinho à população baiana!… Ou, pelo menos, através de um Blog sem maiores pretensões, plantar uma sementinha…

 

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