• O jornal do plebiscito da APUB

 

Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

 

Segundo o Saci, esse tal plebiscito é armação pura. Para ele, a apatia dos professores da UFBA cada vez mais deixa a diretoria atual da APUB fazendo e acontecendo, e se aliando ao que de pior a intelectualidade (e política) universitária tem produzido nos últimos tempos. Pessoalmente, nem sei o que dizer. Em alguns pontos que costuma elencar, sou obrigado a concordar com ele. Em outros não. Nem de longe.

Aqui na UFBA, por exemplo, conheço inúmeros e valorosos colegas que sempre estão dispostos a fazer importantes contrapontos às leituras de mundo que querem nos fazer enxergar. Claro que alguns são mais envolvidos do que outros. O que não significa dizer que sejam alienados aqueles que não militam na via sindical. Tenho certeza que, na hora certa, saberão fazer análises críticas substanciais e decidir pelo melhor caminho que a universidade brasileira deve trilhar.

Verdade seja dita, alguns são mesmo apáticos, indiferentes, e desacostumados com o pensamente crítico. Mas, felizmente, não são todos. Sobre isso, Milton Santos diz, num documentário de Silvio Tendler: “É difícil ser intelectual [no Brasil] porque não faz parte da cultura nacional ouvir tranquilamente uma palavra crítica”. Muitas vezes a simples objeção é adjetivada de “oposição terrorista”. Frequentemente, confunde-se adversário político com inimigo. Quem se der ao trabalho de passear por algumas das publicações do Weblog do Saci-Pererê, vai entender o que estou querendo dizer.

Sinceramente, não nutro qualquer receio quanto aos efeitos que podem produzir as inverdades escritas no número especial do Jornal da APUB. Acredito que jamais afetarão os docentes minimamente informados quantos às questões sindicais. Para não ser desrespeitoso, afinal, com alguns colegas, diria que alguns textos chegam a ser pueris. Claro que aqui vai pairar sempre a dúvida: será que foram escritos de boa-fé, ainda que com profunda tonalidade da consciência ingênua que alguns abrigam, ou foram redigidos, mesmo, com o propósito de falsear a verdade? Sinceramente, prefiro acreditar na primeira hipótese.

Todos conhecem a história do ANDES-SN. Muita luta, muita garra, muito empenho e muitas conquistas. Não apenas em favor dos professores universitários, mas, certamente, em benefício da educação brasileira como um todo. Lamentavelmente, teve maus momentos no seu corpo, quando à frente dele estiveram pessoas cujo “DNA” entreguista, fez mais tarde florescer um pseudo-sindicato, o tal Proifes.

Felizmente, esses maus sindicalistas, descompromissados com a luta do trabalhador ou apenas olhando para o seu próprio umbigo, foram varridos pelos valorosos companheiros que posteriormente assumiram e recuperaram os rumos combativos do sindicato dos professores universitários. Muitos dos pelegos (eles detestam ser assim chamados) podem ser identificados pela simples forma como designam o ANDES-SN. Para eles é “a ANDES”, uma associaçãozinha de meia-tigela. Mas a realidade está aí para desmenti-los. E o fato de não mais conseguirem tomar de assalto a direção do nosso sindicato, os fez tentar anular a importância do ANDES-SN, criando o Proifes, com o apadrinhamento do governo.

De qualquer forma, os professores interessados poderão contrapor às meias-verdades, ditas na referida publicação, se forem até o site do ANDES-SN (clique aqui), e lerem o documento Memorial do Registro Sindical, ou, se preferirem, solicitar uma cópia do mesmo à secretaria do sindicato (secretaria@andes.org.br).

É bom chamar atenção dos colegas docentes, que o registro do ANDES-SN foi suspenso e não cancelado como apregoam desonestamente. E tudo isso por um ato arbitrário, que certamente maculará a memória de quem o fez e não de quem sofreu com as consequências do arbítrio. A História dirá.

É o próprio presidente do ANDES-SN, o professoro Ciro Teixeira quem diz: “Ganhamos as ações contra a Contee e Cnteec nos anos 90 e não fossem as manobras jurídicas decorrentes da reforma do judiciário em 2004, os questionamentos recentes da Cnteec não teriam tido ensejo… E estamos em negociação em curso no MTE para superar o problema.”

Além de sua importância sobejamente conhecida, pode-se creditar (verdadeiramente!) ao ANDES-SN a: 1) conquista do regime jurídico único; 2) inclusão na Constituição de 1988 da autonomia universitária – que sindicalistas e reitores cooptados insistem em propor/permitir novos conceitos –; 3) gratuidade do ensino em instituições públicas; 4) ações de resistência contra políticas excludentes; 5) acúmulo de reflexões sobre o pensamento neoliberal iniciado na era Thatcher/Reagan, consignadas em sérias e idôneas publicações, portanto, produzindo conhecimento.

Seria fora de propósito trazer para este pequeno texto a luta histórica do ANDES-SN, que, aliás, muitos dos colegas docentes conhecem de sobra. Recomendo, entretanto, aos novos professores, para que não escutem apenas o canto das sereias, um debruçar mais cuidadoso sobre todas essas questões, através do Caderno 2, do nosso sindicato nacional. Mais uma vez, o contato por e-mail, no mesmo endereço acima fornecido, agilizará o acesso a essas informações.

Em contrapartida, pode-se perguntar: “O que de positivo trouxe, até agora, para os professores universitários, o pseudo-sindicato Proifes, criado sob os auspícios do governo, cujo presidente, o Prof. Gil Vicente encontra-se envolvido em escândalos de uso de verba pública?”

Aqui abro um parêntese. Os amigos do tal Proifes, estão nacionalmente tentando criar uma cortina de fumaça para obscurecer o chamado “mensalão do Gil”. Para isso, divulgaram que o “Presidente da ANDES será interpelado na 4ª Vara Criminal de Brasília” Mais uma armação. Na verdade, o que ocorre é que o ANDES-SN pediu, a quem de direito, esclarecimentos sobre a dinheirama recebida pelo presidente do Proifes. E ele vai ter que explicar tudo direitinho. Tim-tim  por tim-tim. Caso contrário as boas e más línguas vão dizer que o mesmo foi “blindado” por ser amigo do MEC e outros. O Saci, gozador que só ele, não perdeu a oportunidade para dizer que era uma sinuca de bico para o Prof. Bill. O que, aliás, concordo em gênero, número e grau. Não só eu. A transparência com a coisa pública também. Fecho o parêntese.

Mais uma vez, o referido Jornal da APUB, edição especial pró-desfiliação, blefou dizendo que a criação da categoria de Professor Associado é de responsabilidade do Proifes. Nada mais falso. Tal responsabilidade é exclusiva da vitória da greve docente de 2005. Como muito bem diz o Saci, sem ela os professores estariam vendo submarinos…

Outra inverdade dita na mencionado publicação é a de que o ANDES-SN pediu que os reajustes decorrentes da MP 431 não fossem pagos. Balela pura! O ANDES-SN lutou, e não foi pouco, para que esses reajustes fossem muito além do proposto.

Quanto à luta pela valorização da titulação na progressão da carreira ela sempre existiu, inclusive, sendo o nosso sindicato duramente criticado por isso.

 Esse plebiscito que o Saci denomina de armação, não tenho dúvida, é um grande desserviço que seus propositores prestam contra a categoria. Pode-se perguntar quem ganhará com isso, caso a indicação da desfiliação do ANDES-SN seja vitoriosa?

 Como se viu pela publicação especial do Jornal da APUB, a “máquina” já começou a ser azeitada. Algumas outras, certamente, serão também acionadas, já que uma simples correia de transmissão as une…

Cabe aos que acreditam na importância do sindicato como instrumento de luta, defender a permanência da APUB ao nosso sindicato nacional. APUB é ANDES – Sindicato – Nacional e deve estar acima dos interesses mesquinhos, pessoais ou de grupos.

Para terminar, queria falar da minha perplexidade, com todo respeito, diante de uma pérola que li no referido Jornal da APUB. Uma das articulistas pró-desfiliação conclui, em outras palavras, que sindicato  não é mais para luta. Segundo ela, “foi”. Lamentavelmente, parece que esse é o entendimento dos que advogam a sintonia fina da APUB com o chapa-branca Proifes.

Pedi ao Saci para me beliscar, quando li tamanho disparate. Ele, gentil que é, me acudiu de outra maneira:

– Esquenta não, mô pai. Cabeça de gelo, véi. Tudo indica que o entendimento dos ditos cujos sobre o significado de luta, está totalmente deturpado. Para eles, só se pode lutar no ringue e com luvas de box… ou objetos mais contundentes! Fazer o quê, ?

2 Respostas to “• O jornal do plebiscito da APUB”

  1. Roberto Bastos Guimarães Says:

    Caro Menandro,

    Enaquanto se discute o plebiscito da APUB a reitoria envia a proposta de estatuto da UFBA na qual são extintos os departamentos, a composição do Conselho Universitário fica nas mãos do reitor e outras coisas mais que alteram profundamente a vida universitária.

    Por exemplo: o professor pode ser demitido após ouvido o conselho universitário. Atualemente uma demissão somente pode haver através de inquérito.

    Atente-se que o único fórum de debates para os professores é o departamento. Os demais funcionam na base da representatividade. A estrutura departamental permite que o professor seja mais ou menos imune aos humores da autotoridade máxima da universidade. A extinção dos departamentos gerará uma sobrecarga de funções gratificadas que não se sabe como serão aplicadas.

    Sugiro ao colega a leitura do email que a reitoria mandaou para todos.

    Abraços para você e ao Saci, quando o encontrar.

    Roberto

  2. O Saci-Pererê Says:

    Valeu, Professor!
    Mas sobre o que o Sr. chama atenção, já falei com mô Men. Tá chuvendo bala de todos os lados. Mal a gente se refaz de um ataque, e já vem outro logo em seguida. Será que só poucos enxergam isso?

    Apareça sempre. Só não lhe garanto um cafezinho, mas a gente pode prosear à vontade.

    Um abraço,
    Saci-Pererê

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