• O Saci e o Proifes lulensis

 
Bem que o título deste texto podia ser algo alusivo à visita que o Saci fez à EXPO BICHOS, num desses shoppings de meu-deus. Mas não foi.

Também podia ter sido uma referência à nova amiga do Sacia, uma simpática e desligada vaquinha, que atende pelo nome de Vacatatá. Preferi não destacá-la em um título, assim de primeira. Um título tem que criar impacto, ou curiosidade. Por exemplo, Proifhes Lulensis, no mínimo, cria expectativa. Principalmente se vem junto do léxico literário “Saci”. Os inimigos do rei (e seus amigos, por que não?) já vão sabendo do que se trata. É o que os teóricos da aprendizagem significativa, inclusive Ausubel, denominam de ancoragem. Ou isso não tem nada ver? Bem, se não tem, pouco importa. O que quero ressaltar é que não tive o propósito de ser indelicado com a vaquinha amiga do Saci, e agora minha amiga também. Alguém pode até ponderar que o nome dela merecia constar no título, pois ela surge pela primeira vez na minha escrita. Isso lá é verdade. Podia tê-lo feito, mas não o fiz e pronto. Mea culpa! Faço-o agora. Vacatatá existe e pode ser conhecida e estudada ontologicamente. Existe como ser simbólico-categorial, passivo de conceituação, sujeita a humores sinápticos. Falar mais do que isso é menosprezar a inteligência do leitor.   

Não me perguntem o porquê desse nome. Há quem diga que ela tem parentesco próximo com o Boitatá, do folclore brasileiro, mas há, por outro lado, quem afirme que o estranho nome decorre do fato de ela manifestar-se, quase sempre, com um recorrente “tá, tá!”, quando alguém lhe explica alguma coisa que ignora. Aliás, o que não é raro. Não que ela não seja capaz de compreender as múltiplas ontologias cósmicas. O problema é que ela é extremamente vaidosa e se recusa a usar óculos. Como nenhum fabricante ainda pensou em fazer lentes de contato de grande magnitude, ela acaba necessitando pegar carona nas visões alheias, principalmente dos amigos mais chegados, como é o caso do Saci.

Ao me apresentar a sua amiga bovina – imagine a cena de uma vaca em meu apartamento, abanando o rabo e derrubando meus pincéis e lápis de cor – o Sacia também mencionou, de forma discreta, da sua boa-fé sobre tudo que ouve e vê, principalmente se sai no jornal ou na TV. Logo fui sugerindo que ele podia, pacientemente, alfabetizá-la sobre o mundo dos homens e das mulheres, politizá-la etc. Já pensou: Um ente bovino politizado? E o melhor é que ele aceitou o desafio numa boa. Nem foi preciso insistir.

Saquei logo que a coisa não seria simples para ele e a prova disso não demorou de surgir. Uma simples visita que fizeram à EXPO BICHOS, quase o deixou pirado. Ele fez questão de me contar toda a sua epopéia. Ulisses para chegar a Ítaca, na volta de Tóia, penou muitíssimo menos. Pelo menos foi o que ele disse.

De cara, o Saci tentou ser espirituoso, mas logo desistiu. A vaca voou, voou e não entendeu bulhufas. Como Vacatatá não conhecia muita coisa de História, ele teve que explicar tudo tim-tim-por-tim-tim. Falou da genialidade de Henfil, falou da resistência do movimento docente desde 1979, falou da contribuição do ANDES-SN na redação do art. 207 da Constituição Brasileira de 1988 e do art. 63 do Projeto de Lei de LDB, da atuação de parlamentares, explicou a razão dos ataques à autonomia das IFES, do que consiste a autonomia didático-científica, o exercício da autonomia administrativa e como se deve compreender a autonomia da gestão financeira e patrimonial, do que vem a ser autarquia de regime especial e os motivos que levaram os últimos governos neoliberais a cooptarem reitores e sindicatos, e falou ainda de uma porção de coisas. A cada explicação dada, Vacatatá manifestava-se com um indefectível bordão:  

– Ahhhh!!! Tá, tá! Foi como eu desconfiava!

Diante da foto do Proifhes Lulensis ela ficou encantada com aquele troço esquisito, achou-o fofinho, fez elogios pela iniciativa da criação do monstrengo e outros tantos rapapés.

Só quando o Saci esclareceu quem estava por trás daquilo tudo, da mão que segurava a corrente (a tal mão invisível que não aparecia na foto), – e após explicar o conceito de “dirigente-laranja” é que ela pôde exclamar, por fim:

– Ahhhh!!! Tá, tá! Foi como eu desconfiava!

Acho que agora o leitor compreende o porquê da ênfase dada à coisa-estranha e não à meiga Vacatatá.

Como me alonguei mais do que devia, deixarei para outra oportunidade a história de uma fábula reescrita, intitulada de “O Saci e o notebook”.

Certamente, Vacatatá logo sacaria que o Sacia não ia deixar passar uma oportunidade dessas, para teorizar sobre o famoso S-R, e repetir com ar inteligente:

– Ahhhh!!! Tá, tá! Foi como eu desconfiava!
Proifes lulensis

Proifes lulensis

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