– O REUNI…

O REUNI é excelente e Papai Noel Existe!
(Publicado no Rascunho Digital da FACED/UFBA)

Prof. Menandro Ramos
FACED/UFBA

 

Minha cabeça era uma zoeira só. Não sabia mais pra que lado olhar, se para direita ou para esquerda. Estava atordoado. Senti que precisava organizar meus pensamentos. Lembrei-me de um livrinho que ensinava ordenar as idéias. Devorei-o em poucos minutos. Estabeleci objetivos, situei meu objeto de trabalho, formulei hipóteses, li e escutei uma cacetada de coisa e o escambau. Não deu outra. De premissa em premissa eu fui enchendo o papo. No final de um exaustivo exercício silogístico e cognitivo, pude concluir triunfante: O REUNI é excelente e Papai Noel Existe!

Senão, vejamos:

Passo nº. 1 – Confronto ideias dos outros

Cogito, logo suo. Com a cabeça ainda aturdida, tentarei mostrar o labiríntico caminho por mim trilhado. De fato, suei, transpirei e não foi pouco. Quase pirei. Vi e ouvi muitos argumentos prós e contras o famigerado REUNI, acrônimo do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, tecido (recuso-me a pensar em alinhavado!) nas oficinas do Governo Lula, mas debuxado, justiça seja feita, de modelos avançados de além-mar, os mais chiques da moda e das passarelas do grand monde. Coube aqui uma indagação inocente, na moral: se a idéia fosse má ela teria guarida na velha e experiente Bolonha? Hum! A Europa sabe das coisas. Anotei isso na minha cadernetinha de campo. Ponto para o REUNI.

Aqui uma dúvida que até agora não consegui esclarecer. Por que alguns afirmam que a cópia original da proposta estava toda lambuzada de azeite de dendê? Sei que esta é uma lacuna imperdoável, mas fazer o que se meus miolos emperrados rangem quando eu os forço? Passo adiante. Ninguém marcou ponto: nem prós, nem contras.

Começo a identificar os simpatizantes do REUNI. Todos muito inteligentes e preparados. Todos bons de papo. Ou quase todos. Afinal, não precisa todo mundo falar ao mesmo tempo. Uma boa educação doméstica cativa. Fica combinado: Quem não estiver falando, aplaude. É o suficiente para ser reconhecido. Também vale assinar uma lista de apoio, ou mesmo esbravejar virtualmente. A contundência inibe o outro e denota poder. Eles são muito fraternos. Coisa bonita de se ver. Ah, outra coisa: eles falam o tempo todo em democracia. Anotomais um ponto para os prós.

Pude observar que o fato de as idéias serem oriundas de alhures, que não do Brasil, mereceram algumas críticas. Os aliados e alinhados do REUNI tiram de letra: “É a globalização meu amor, é a globalização inevitável das idéias e das mercadorias!” E ainda fazem gozação com um sonzinho conhecido: “Rede Gloooobo! Plim, Plim!!!” Os contras atacam prontamente “Pois que seja”! “Globalizemos também as insurgências que não são poucas, tanto nacionais quanto externas”. “Os meninos da USP enfrentaram e venceram os tucanos desbotados. Da mesma forma, os meninos do Brasil, que aprenderam bem a lição, enfrentarão a estrela decadente e outros cometas da abóbada celeste.

Passo adiante. Não entendi nada. Suponho que estejam falando de buracos negros e constelações. Se Hidra e Centauro são nomes astronômicos, Tucano pode ser um também. Mas chega de estrelas. Não posso expandir muito o meu quadro teórico. Até porque Astronomia é uma coisa muito complicada e que toma muito tempo da gente, olhando para o céu. Tenho mais coisas para olhar aqui na terra.

Ainda ouvi no bate-boca, um contra gritar: “Por uma outra globalização – do pensamento único à consciência universal” Achei aquela frase estranha. Até parecia nome de livro. Bateu uma dúvida. O REUNI estaria no rol do pensamento hegemônico? Isso seria bom ou ruim? Se todos tomam Coca-Cola, não é porque é o melhor refrigerante? É isso aí, lógico que é!

Mas ao mesmo tempo me bateu outra dúvida. Lembrei-me que li em algum lugar que “uma besteira dita por mil pessoas continua sendo uma besteira”, “ou que toda unanimidade é burra”. E aí? Como é que vou desatar esse nó? Afinal o pensamento hegemônico é bom ou ruim? Bom, hegemônico quer dizer único, forte, viril, e porque não dizer másculo? Sendo assim que coisinha mais esquisita essa idéia de consciência cósmica universal… coisa mais vaga, mais estratosférica, mais solta… Eu, hem?!… Anotei mais uma vez. Ponto para os prós. Já são quantos, mesmo?

Apesar do REUNI reunir uma já razoável pontuação a seu favor, não podia me deixar impressionar por eventuais contingencialidades. Queria exaurir as possibilidades de análise. Mergulhei de cabeça em leituras.Em cada uma eu batia a cabeças em sólidos argumentos prós e contras. Novamente a polarização. Enquanto para uns o REUNI “é o próprio paraíso na terra”, para outros é o “maior e mais sórdido ataque da história contra o ensino superior público brasileiro”. A luta prometia muitos rounds. Certamente o poeta da praça do carnaval, se estivesse entre nós pobres mortais, perguntaria condoreiramente curioso: “Qual dos gigantes, morto, rolará?”.

Opa! Morto? Eu disso morto? Ai, meu Deus! Fiquei confuso novamente. Eu pélo de medo de defunto! Senti meu cérebro esvair. Já estava misturando tudo. Tentei me acalmar. Não. Bobagem. Ninguém vai morrer. Só se for de velhice. Nem de fome vai mais acontecer. O Bolsa Família garante. Agora, então, que o Brasil vai entrar para OPEP… O nosso presidente não haverá de permitir que ninguém fique sem três refeições diárias. Ninguém. É questão de mais dia, menos dia. Além de ser questão de honra…

Já mais calmo, tento cotejar alguns autores. Impressiono-me com a frase que ouço de uma amiga inflamada: “A Não ser que me convençam do contrário, essa peça reúne os maiores artifícios de esperteza. Seus arquitetos não são nada bobos. Uma leitura apressada vai fazer qualquer um ter dúvida da inexistência de Papai Noel”.

Para minha sorte, li numa das mensagens que circulou na Lista da UFBA, de autoria não identificada, algo que me deixou quase que em transe, tamanha era a minha perplexidade e alegria ao mesmo tempo. Só para o prezado leitor ter uma idéia, transcrevo aqui um pequeno excerto do referido texto:

“VERDADE: O Decreto 6.096, de 24/4/2007, terá 5 bilhões para custeio e 2 bilhões para investimento em 4 anos. Cada universidade federal terá um fundo de recursos extraordinários para investimentos. Somente na UFBA, estima-se financiamento de até 90 milhões de reais para despesas de construção, reformas, instalações e equipamentos, além de um custeio anual adicional de até 69 milhões, a partir de 2008. Esse financiamento é mais que suficiente para a expansão prevista no REUNI/UFBA. *O fundo de investimento da UFBA dará para construir80.000 m2(ou 20 PAFs! Equipados!) e ainda sobra o suficiente para adquirir 10.000 computadores novos (!!!).”

 O título dessa belezura é “MENTIRAS E VERDADES SOBRE O REUNI: irresponsabilidade política ou má fé?” Não é fantástico e alvissareiro?

Depois de ter lido essa verdadeira Ode Digital ao Campus de Canaã e, por contraste, um verdadeiro libelo contra os opositores do REUNI, fiquei pensando se não seria mesmo possível a existência do bom velhinho lá da Lapônia, distribuindo presentes para as crianças do mundo, alegremente deslocando-se pelos continentes, num belo trenó puxados por garbosas renas cor de mel, sem poluir o meio ambiente, contrariando o ceticismo da minha amiga inflamada…

Imediatamente lembrei-me de um filme que vi sobre Física Quântica… Ou seria Magia Quântica? Não me lembro bem… O meu amigo Arthur, professor do Instituto de Física poderá me esclarecer sobre o assunto… Eu devia mesmo era procurá-lo. Como é mesmo o nome do filme? Ah, me lembrei: “Quem somos nós?” Depois de ter visto esse filme, não duvido mais de nada. Tudo é Quântico, meu brother, tudo pode acontecer, acredite ou não.

Mas confesso que ainda estava meio confuso. Até hoje meus braços ainda apresentam manchas roxas de tanto eu me beliscar, louco de júbilo e de felicidade, quando depois de ter lido esse texto maravilhosamente esclarecedor sobre A Verdade, quase tive vergonha do que havia teclado, dia antes, na lista da FACED/UFBA.

Acreditem, eu escrevi isso:

“Aos valorosos colegas cinquentões e sessentões, que não perderam a capacidade de se indignar e que não se deixam seduzir por carguinhos, vantagens financeiras e afagos interesseiros.

Repassando o texto abaixo e aplaudindo o Movimento de Resistência ao bancomudialismo et caterva… Felizmente muitos já perceberam que o REUNI é um pau-de-sebo com um punhado de notas falsas na ponta…

Alio-me aos que acreditam na construção de uma Universidade Pública, no melhor dos sentidos, sem bravata, laboriosa, crítica, democrática de fato, em permanente sintonia com os movimentos sociais, capaz de exercer de forma bem articulada o ensino, a pesquisa e a extensão, com autonomia e solidariedade, com arte, com ciência, enfim, feliz!

Sócio remido do Clube dos Cinquentões, por estranho que pareça, ainda me emociono ao ver esses jovens estudantes das Universidades Públicas, com garra e obstinação, defendendo-as contra a voracidade do capital financeiro.

‘Ah, esses moços, ricos moços,/Se eu soubesse o que eles sabem’… “

Quanta temeridade! Imaginem qual não foi a minha vergonha quando, já arrependido de ter sido tão cruel com um programa tão bem intencionado, recebi a solidariedade do Prof. Luckesi pelas sandices que eu havia escrito:

“Menandro, colegas professores, Nelson Pretto e diretores das unidades da UFBA quem tornaram público uma posição a respeito dos acontecimentos ocorridos na Faculdade de Direito na data em que o magnífico reitor desejou apresentar e aprovar a proposta da Ufba de adesão ao Reuni.

Como Menandro, ao comentar os ganhos da UERJ, que, por força do movimento estudantil, recusa-se a aderir, pura e simplesmente, ao Reuni, acredito mesmo que a juventude tem força.

Lembrei-me dos anos sessenta, quando ainda estudante universitário. Também lá nos opusemos às imposições externas à universidade brasileira; naquele momento, imposições do governo norte-americano através do governo brasileiro à nossa universidade e à educação nacional em geral, pelo chamado convênio Mec-Usaid. Neste momento, as imposições vem do “bancomundialismo” e seus representantes, que, ‘mutatis mutantis’, vai dar na mesma coisa.

Aproprio-me das palavras de Menandro e faço-as minhas também: “Alio-me aos que acreditam na construção de uma Universidade Pública, no melhor dos sentidos, sem bravata, laboriosa, crítica, democrática de fato, em permanente sintonia com os movimentos sociais, capaz de exercer de forma bem articulada o ensino, a pesquisa e a extensão, com autonomia e solidariedade, com arte, com ciência, enfim, feliz!”

Estou aposentado há cinco anos e ainda exerço uma atividade voluntária junto a um grupo de estudos na Pós-Graduação da FACED, orientando mestrandos e doutorandos. Gostaria de ver nossa Universidade grandiosa, atendendo as efetivas necessidades da educação no país, de um modo simples e direto, sem a necessidade de quaisquer modismos da hora. Acredito que a Reforma Universitária deveria caminhar por aí. Com certeza, necessitamos de recursos — e muitos! —, mas sem que, para isso, tenhamos que aderir a caminhos exógenos.

Um abraço a todos
Cipriano Luckesi

 

Envermelhei-me, ruborizei-me! Depois de ter lido sobre “MENTIRAS E VERDADES SOBRE O REUNI” a vontade que eu tinha era de saí por aí gritando: “Esqueçam o que escrevi!”. Algumas daquelas palavras acendiam, literalmente, no meu cérebro, em letras de fogo:

· Como recusar a possibilidade concreta de abrir quase 5 mil novas vagas públicas na UFBA? E o que dizer de contratar quase mil novos professores, em campos de conhecimento atuais e necessários?

· Por que manter o atual modelo de universidade, elitista e excludente, criado pelo regime militar?

· A QUEM INTERESSA MANTER A UFBA PEQUENA? Sem ampliação de vagas, sem turno noturno?

Aquilo tudo me parecia muito bom, muito correto. Quem haveria de negar, quem?

Passo nº. 2 – Ousando tirar idéias da minha própria cachola

Penso, logo existo – Ou, cartesianamente, eu penso que existo? Será isso que Descartes nos quis fazer entender e que muitos não conseguem sacar? Bem, rigorosamente isso não altera muito a ordem do universo, quer eu exista ou não. Tudo isso é carregado de muita Metafísica, uma complicação dos diabos.

O leitor entendeu agora a zoeira na minha cabeça? Enquanto eu tentava me posicionar de forma filosófica e científica em relação ao REUNI, eu sentia uns zumbidos estranhos e uns estalidos dentro da minha cabeça. Era muita caraminhola para um cérebro só, apesar de ter duas bandas ou dois hemisférios.

Talvez até por isso mesmo. Era como se tivesse apenas um único lado com boa vontade, capaz de ver as coisas boas que diziam sobre o REUNI ou sobre o governo Lula. A outra banda só queria refletir e refletir sobre o que falavam de ruim, tivesse ou não fundamento.

E com um agravante. É sabido por todos que o cérebro em si é meio complicado. O crânio, que é uma espécie de capacete, por um lado o protege, mas por ou não o deixa expandir. Moral da história: ele fica confinado num espaço exíguo, uma espécie de kitnet do antigo BNH, tentando crescer para um lado ou para o outro. Ou mesmo para cima. É como o Universo, mas com limites ósseos.

Como não consegue, acaba se enrugando todo. Há estudos cuidadosos de cientistas abnegados que se deram ao trabalho de abri-lo todo e após a heróica façanha, concluiu-se que seu tamanho equivale ao de uma fronha média. Isso mesmo. O que nos leva a concluir que, se não fosse a caixa craniana, ele poderia chegar, naturalmente e sem muito esforço, ao tamanho de um colchão. Crescimento esse que, sem dúvida, liberaria os neurônios, suas células constitutivas, a produzirem mais sinapses. Alguém pode argüir: “E qual a vantagem disso?” Ora, muito simples. Liberaria o pensamento para deambular com mais desenvoltura. Pense, por exemplo, numa cidade cheia de ruas, com muitos acessos, todos livres. Sacou? Claro. É isso mesmo. O usuário do automóvel chegaria ao seu destino em muito menos tempo e sem nenhum engarrafamento.

No cérebro, ou mais especificamente no córtex, também o mesmo ocorre. Analogamente, sem muito espaço para os neurônios, as sinapses emperram. Ora, sem sinapses não há pensamentos. Qualquer criança de hoje já sabe disso. Muito antes de conhecerem como vêm ao mundo. Pois bem, mas voltando ao agravante supra mencionado, obnubilado por deambulações de nenhuma importância, quando o primeiro cérebro foi fabricado, por qualquer cochilo do criador, houve um erro de instalação. Dessa forma, o hemisfério direito do cérebro comanda o lado esquerdo e vice-versa. Isso é uma loucura do ponto de vista ideológico. Às vezes você pensa como esquerda mas age como direita, ou o contrário. Uma loucura!

O mundo não devia ser tão complicado assim. Podia ser uma coisa mais light, como alguns partidos de esquerda outrora radicais estão se comportando hoje, numa inteligente adaptação darwiniana ao meio. E vão sobrevivendo, muito bem obrigado.

Não é à-toa que alguns políticos radicais e pouco apresentáveis no passado trocaram os jeans surrados por Armanis impecáveis e autenticamente “esculpidos” na pátria de Michelangelo Buonarotti. E, talvez por isso mesmo, vão esticando seu tempo no poder, mandato após mandato.

Às vezes, as pessoas também complicam muito o mundo. Não precisava isso. O mundo tem muita informação. Não sei porque tudo tem que ser assim. A cabeça da gente deveria ser do tamanho do mundo para armazenar tanta coisa. Não sei porque não é. Não sei. Será que alguém sabe? Ah, deve saber, claro que sabe! Um reitor de uma universidade, por exemplo, deve saber. Um reitor sabe de muita coisa. Mais do que todo mundo. Claro seu troncho, se ele é reitor é justamente porque sabe mais do que todo mundo. Senão ele não estaria sentado naquela cadeirona trabalhada, toda porreta. A “mais maior” de todas, como as crianças dizem.

Depois de matutar muito sobre essas e outras coisas, senti-me mais aliviado. Tirei um peso da cabeça. Será que é isso que chamam de refletir? Se é assim, qualquer um pode refletir… Mas não é bem assim. Acho que não é. Tem pessoas que não pensam. Só comem e bebem. E descomem e desbebem. Só fazem isso. Mas acho que eu faço mais do que isso. Eu consigo pensar. Pra dizer a verdade, até que não foi muito difícil. Esquentou um pouco o juízo. Talvez seja por falta de prática. Foi só pegar no tranco e consegui pensar um bocado. Mas deve ser porque eu tenho esse dom. Tem gente que não tem. Mas eu acho que tenho. Minha mãe já me dizia isso. Ela repetia sempre que eu era o segundo Rui. Mas mãe é mãe, né? Todas dizem a mesma coisa para os filhos. Mas de uma forma ou de outra até que consigo pensar um pouco. Até consigo fazer contas de cabeça…

Sendo assim, acho que poderei até filosofar. Se bem que não concordo com algumas coisas que dizem os que pensam muito. Acho besteira. Um filósofo tem que saber tudo. Senão, não é filósofo. Acho uma grande bobagem essa coisa de dizer: “Só sei que nada sei!” Onde já se viu? Se todo filósofo não sabe tudo, então um reitor é mais do que um filósofo, porque ele sabe tudo. Claro. Senão ele não chegaria onde chegou. Para mim, um reitor tem que saber tudo. E sabe mesmo. Ou ele não seria reitor. Pode até tentar, mas não consegue. Um reitor sabe até mais do que o presidente da república. Todo presidente só entende de política. Nenhum deles sabe de universidade. Até quem esteve na universidade desaprende tudo quando chega na presidência e na política. É por isso que os presidentes pedem ajuda aos reitores, pois eles sabem tudo. Tudo!

Deve ser por isso que o nome é REI-THOR. Com a letra H, pois é nome estrangeiro. Acho que vem da mitologia nórdica, de Thor, o rei do trovão. Só que lá nas estranjas o Deus tem barba e cabelos vermelhos. Mas nem todos os lugares são iguais. Ainda bem. Pode ser que em alguns, os reitores nem tenham cabelo, ou tenham pouco. Mas não faz diferença. Reitor não é como Sansão cuja a força está no cabelo. A força dos reitores está no nome: REI-THOR. E por isso os reitores podem tudo. Eles são como os reis antigos. Podem dar porrada, de mão ou de porrete, podem arrastar qualquer um pelo cabelo, pode até dar murrão na cara de mulher. Se ele quiser ele pode, mas claro que ele não vai descer a esse nível. Isso seria uma coisa baixa para um reitor.

Não é à-toa que ele é reitor. Ele não vai sujar a mão dando porradas. Mão de reitor tem que ficar sempre limpa. Se quiser ele aciona uma rapaziada esperta para fazer o serviço. Ele pode, né. Oha aí! Saindo um Capitão Nascimento quentinho! Buf! Buf! Buf! Reitor pode tudo. Até ensinar a presidente. No Brasil tem muitos reitores. Se quiser até pode exportar. Mas isso não seria bom para o país, pois estaria exportando cérebros. O Brasil precisa de pessoas inteligentes. Os reitores são inteligentes. É por isso que o Brasil precisa de reitores. Um país sem reitor não é nada. Pode até não ter povo, mas só não pode ficar sem reitores.

Definitivamente, depois dessa tempestade silogística concluí que se os reitores aprovaram o REUNI é porque é bom para o país. Se não fosse assim, eles não o aprovariam. Agora, as universidade vão crescer de verdade. Pensando bem, 18 alunos por professor é algo razoável. Tem pobre que tem quase esse número de filhos. E consegue criar. E a grande maioria nem é formada. Não vejo problema. Dez alunos é muito pouco. O país precisa crescer. Quinhentos anos em cinco. Talvezum pouco mais se o terceiro mandato do presidente Lula emplacar. Certamente vai emplacar. A economia emplacou. Os bancos estão faturando pra caramba. FHC fica p da vida. Lula o superou. É por isso que os banqueiros querem que ele fique. E vai ficar. Deus há de querer. O Banco Mundial e o FMI ganharam a confiança de Lula. Ele é íntimo da Casa Branca. Tenho no meu computador uma foto dele com Bush. Tem avalista melhor. Qualquer cheque sem fundo que Lula passar, os grã finos do primeiro mundo cobrem sem titubear. Afinal, confiança se conquista. São Francisco já dizia: “é dando que se recebe”…

Não vejo problema em se pretender que 90% dos alunos concluam o curso. Acho que o ideal seria 100%. Nenhum a menos! Já pensou a cara de Bush ao saber que Lula conseguiu botar pra fora 90% de canudos? Ia ser humilhante para os míseros 54% dos concluintes americanos. Até a taxa da civilizada Suécia ficaria no chinelo. Lá no máximo atingem 68%.

De repente tudo ficou muito claro pra mim. Agora já entendo o estalo que senti na cabeça. Provavelmente foi o mesmo que Vieira sentiu. Antes era tudo muito confuso. Que diferença agora. Percebo com nitidez como esses contras são criadores de caso. Antes viviam dizendo que a educação precisava se expandir e se democratizar, essas coisas todas. Agora que o presidente Lula assume essa bandeira, ficam botando gosto ruim. Assim é fogo, ? O que querem afinal?

Outra coisa que percebo é que esse negócio da universidade produzir conhecimento já virou chavão desgastado. Quem produz é vaca leiteira. O que precisamos é entupir as universidades de gente. Deve ser como coração de mãe. Buzu de final de tarde não é assim também? Apertadinho aqui, acolá, muito calor humano, e coisa e tal… No final dá tudo certo. Todo mundo chega no seu destino, numa boa, toma aquele banhozinho maneiro, se for chegado, degusta aquela sopinha quente e depois se entrega àquele relax saudável, que ninguém é de ferro. Por falar nisso, a novela Duas Caras ficando quente. Tem aquele estudante chatinho…ô cara insuportável. Essa novela muito real. Na vida tem muita gente assim…

Uma coisa que estive pensando, é que os contras estão criticando Lula por ele meter as caras e ter botado o REUNI na tela, por conta própria. Ora, a ladainha da aprovação da reforma universitária perambulou por quatro vezes no Congresso Nacional e não deuem nada. O tal projeto de Lei 7.200 empacou como um jegue teimoso.

Parece que esses caras de lá não pensam em outra coisa senão em CPIs e, enquanto isso, o país pára. Paciência tem limite. Às vezes, eu fico pensando se ele não deveria fazer o que Napoleão fez na França… Felizmente ele contou com a compreensão de um reitor abnegado. Ninguém pode dizer que ele contratou os serviços de um Valério da vida qualquer. Nem de longe. Ele tem a assessoria de uma pessoa entendida no assunto. Ninguém chega a ser reitor se não tem competência. Isso é impossível de acontecer. Quem quiser que fale!

Passo nº.3 – À guisa de conclusão sumária: impossível é Deus pecar!

Já era tempo de chegar a esse veredicto. Sinto que abusei muito dos meus neurônios hoje. Acho que nem nos finais de cada mês, na ginástica para pagar minhas contas eu pensei tanto. Embora um pouco cansado pelo enorme esforço mental, sinto-me grandemente recompensado. Tirei um peso de uma tonelada da cabeça! Daqui pra frente não me torturarei mais. Sei que poderei confiar em Lula, nos reitores e seus fiéis conselheiros. Eles estão dando o melhor de si. Não tenho porque me preocupar. As reflexões que fiz me ajudaram a compreender coisas outrora obscuras.

Quem sabe se através de uma espécie de exercício transcendental eu não consiga isolar o lado direito do meu cérebro. Ou seria melhor isolar o lado esquerdo. Bem, não importa. Estou sentindo uma paz interior tão grande que não tenho a menor vontade de polemizar. Basta eu crer simplesmente. Nada mais. Crer no presidente do meu país, nos seus auxiliares, nos reitores. Até mesmoem Bush. Quemsabe ele não é nem tão mau assim como dizem… Até porque, ele tem um gracioso cão que corre com ele pelos jardins da Casa Branca. Quem brinca com um cão, não pode ser tão mau. É um raciocínio cristalino. Tautologicamente aristotélico!

Mais um ponto para os prós. O REUNI é vital para a universidade, é excelente para o Brasil. Os reitores sabem das coisas. Os estudantes devem acatar os seus bons conselhos. Tudo ficou rigorosamente argumentado e “reitoricamente” provado aqui nessa minha tese. Talvez a única que eu consiga finalizar em toda a minha vida!

Na esteira do fulgor silogístico, proponho um entimema: “O Natal se aproxima. Logo, Papai Noel existe.

Salvador, Natal de 2007.

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