– O Sistema de Avaliação Automática

 

Já faz algum tempo que passei a distiguir os militantes petistas orgânicos dos militantes mercenários oportunistas. Os primeiros são sérios e se estribucham a cada barrigada que as estrelas do partido promovem. Quanto aos segundos, também do mesmo partido,  a História falará melhor sobre o caráter que envergam e do que são capazes…

Recebi uma mensagem de uma professora, ainda petista, preocupada com os rumos da educação baiana, mas temerosa de manifestar-se. Segundo ela, há um patrulhamento e permanente ameaça sobre a cabeça dos que ousam ter ideias próprias, e, sobretudo, discordar das estultices de plantão.

Ao indagar-lhe, também por e-mail, sobre a possibilidade de fazer constar o seu nome no texto, ele me retornou o seguinte:

Talvez seja melhor omitir meu nome, pois há hoje uma “caça às bruxas” dentro do PT, e se meu nome aparece, com certeza a turma do […] vai querer dizer que eu estou falando para fora do partido e tentar justificar uma perseguição dentro do PT e na própria secretaria, me tirando de sala de aula e a gratificação por regência.

Para proteger a professora missivista, removi algumas indicações no texto que pudessem identificá-la. Também removi alguns números de telefones celulares fornecidos por ela para “fontes de entrevista”.

Abaixo, a mensagem recebida, praticamente na íntegra.

 

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Prezado diretor de redação,

Enquanto professora da rede pública da Bahia […] quero sugerir a seguinte pauta para uma matéria ou reportagem desse respeitável veículo de comunicação: BAHIA IMPLANTA O SISTEMA DE APROVAÇÃO AUTOMÁTICA  QUE DEGRADOU A EDUCAÇÃO DE SÃO PAULO NA GESTÃO DO PSDB.

Como já era de praxe nos governos de direita temos agora que identificar infelizmente no governo do PT também medidas equivocadas que são lançadas em véspera de Carnaval, no nosso caso na Educação. Em primeiro lugar vamos ver o seguinte decreto abaixo, publicado no Diário oficial do estado da Bahia em 3 de março de 2011:

 

DECRETO Nº 12.664 DE 02 DE MARÇO DE 2011

Altera dispositivos do Decreto nº 12.007, de 15 de março de 2010, que regulamenta a promoção nos graus da carreira do Magistério Público do Ensino Fundamental e Médio do Estado da Bahia, e dá outras providências.

O GOVERNADOR DO ESTADO DA BAHIA, no uso de suas atribuições, e à vista do disposto nos arts. 8º e 9º da Lei nº 10.963, de 16 de abril de 2008,

 

D E C R E T A

Art. 1º – Os dispositivos do Decreto nº 12.007, de 15 de março de 2010, a seguir indicados, passam a vigorar com a seguinte redação:

?Art. 1º – ……………………………………………………………………………………

Parágrafo único – ……………………………………………………………………….

II – ……………………………………………………………………………………………..

b) Avaliação de Desenvolvimento da Rede Pública Estadual de Educação Básica e Profissional adotada pela Secretaria da Educação do Estado da Bahia.?

?Art. 3º – A promoção de que trata o art. 2º deste Decreto, ocorrerá mediante requerimento do interessado e após a comprovação de estar o servidor no efetivo exercício das atividades correspondentes às atribuições do cargo que ocupa e ao cumprimento dos requisitos previstos no art. 9º da Lei nº 10.963, de 16 de abril de 2008.

…………………………………………………………………………………………………..

§ 3º – Para o servidor com acumulação legal de 02 (dois) cargos de magistério, o processo de avaliação será aplicado a cada um deles, isoladamente, ressalvada a Prova de Conhecimentos Específicos e Pedagógicos, a qual será única para ambos os cargos, segundo a opção feita pelo servidor quanto à área de conhecimento, que poderá ter como referência a área de formação profissional ou a área de atuação, considerando o desempenho de um dos cargos de que é titular.?

?Art. 6º – O processo de Avaliação Institucional consiste em analisar o desempenho da instituição de ensino em relação aos indicadores de permanência e desempenho dos alunos com base nos parâmetros nacionais, assim como em avaliar aspectos da Rede Pública Estadual de Educação Básica e Profissional em todas as suas dimensões, mediante a representação da Comunidade Escolar:?

?Art. 13 – No processo de avaliação de desempenho referente ao ano de 2009 e 2010 o critério de assiduidade da Avaliação Individual não será componente de pontuação, e sim de desempate.?

?Art. 14 – No processo de avaliação de desempenho referente aos períodos de 2009 e 2010, na Avaliação Institucional será considerado o indicador de permanência e sucesso escolar, estabelecido por meio da verificação das taxas de aprovação nos anos de 2008 e 2009, respectivamente.?

Art. 2º – Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

PALÁCIO DO GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA, em 02 de março de 2011.

JAQUES WAGNER

Governador

Eva Maria Cella Dal Chiavon

Secretária da Casa Civil

Osvaldo Barreto Filho

Secretário da Educação

Manoel Vitório da Silva Filho

Secretário da Administração

(Fonte: Clique AQUI)

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Todos nós nos lembramos do decreto anterior, o 12.007 de 2010, quando a secretaria da Educação da Bahia COPIOU o modelo de avaliação do PSDB de José Serra de São Paulo, fazendo uma avaliação PUNITIVA e premiando aqueles professores que tem no momento o melhor desempenho nas provas. O correto, segundo todos os educadores e o PT em época de campanha seria: investir na formação de professores, dar condições de trabalho nas escolas, garantir professores em sala de aula, consertar os prédios escolares e depois se pensar na avaliação do nosso trabalho.  

Esse modelo foi tão mal sucedido em São Paulo que até o secretário de Educação anterior do PSDB, o Gabriel Chalita, fez duras críticas durante a campanha e rompeu com o PSDB para ingressar no PSB, e o atual secretário de Geraldo Alckmim também criticou esse sistema. Mas o secretário da Bahia, indicado pelo PT e pelo governador Wagner, que não é da área de Educação e está seguindo tudo que é de errado no receituário conservador, insiste em dizer que é a melhor política do Brasil.

A única defesa que o secretário Barreto dá é que a APLB ( associação dos professores) aprovou a proposta. Ele não entra no debate do mérito! Ele não tem argumentos, apenas diz que a representação dos professores aprovou a proposta que ele e seus consultores do PSDB fizeram na calada da noite. Mas nós todos sabemos o porquê da aprovação da APLB, não é mesmo? Nós todos sabemos que em 2010 foi a ano em que a APLB voltou a receber o imposto sindical. São mais de 6 milhões de reais por ano…

Mas esse outro decreto que está logo acima também, o Nº 12.664 DE 02 DE MARÇO DE 2011, acaba de vez de desmascarar qual é o projeto de Educação na Bahia hoje, que contraria o projeto nacional e o projeto do PT. Observem o artigo 14º: No processo de avaliação de desempenho referente aos períodos de 2009 e 2010, na Avaliação Institucional será considerado o indicador de permanência e sucesso escolar, estabelecido por meio da verificação das taxas de aprovação nos anos de 2008 e 2009, respectivamente.?

Isso é a reedição da política de Paulo Souto do DEM na Bahia e do PSDB em São Paulo , quando os professores eram estimulados a passar todos os alunos sem conhecimento! Essa é a política que não se importa com salário de professor, nem condições de ensino, nem formação de professores, ou melhores prédios escolares, eles apenas querem maquiar números, passar todo mundo de qualquer maneira, apenas para tentar aumentar o IDEB sem condições.

A questão é que o IDEB é fundamental, e defendo esse instrumento. Mas não é o IDEB que é levado em consideração no artigo 14º que é sublinhado acima, é na verdade  “o indicador de permanência e sucesso escolar, estabelecido por meio da verificação das taxas de aprovação nos anos de 2008 e 2009”, sem levar em consideração o IDEB, que se compõe também da nota da Prova Brasil. Não é desempenho na avaliação de aprendizagem, é apenas aprovação e pronto!

Por isso é que esse decreto é uma excrescência, porque não avalia a qualidade da Educação. Avalia apenas a aprovação dos professores, reeditando a APROVAÇÃO AUTOMÁTICA DE JOSÉ SERRA E DO PSDB EM SÃO PAULO. Trata-se do PT repetindo a mesma fábrica de ignorantes que deu errado em São Paulo e que foi muito atacada por toda a imprensa.

Outro ponto fundamental: será que devemos vincular PROGRESSÃO DE PROFESSORES À APROVAÇÃO DE ALUNOS? Essa é a questão. Prestem atenção. Vamos ser realistas. O professor chega na escola estadual, ele ou ela vê a escola degradada, faltam professores nas salas do lado, as condições de trabalho não são boas. E o salário não é bom! O estudo da CNTE sobre a remuneração de professores dão conta de que a Bahia  está entre os últimos colocados, apesar do discurso do PT em época de campanha ser a favor do professores. Então os gestores dizem para ele, pelo Diário oficial, que  o indicador de permanência e sucesso escolar, estabelecido por meio da verificação das taxas de aprovação nos anos de 2008 e 2009 será o critério para ele subir na carreira… Me digam, o que vai acontecer? Ele vai aprovar todo mundo, para ganhar a gratificação que está no decreto do governador Wagner do PT

Além desse desastre, a liberação de professores para formação foi proibida , com o decreto nº 12.583, de 9 de fevereiro de 2011, em que Wagner e o secretário da educação Barreto simplesmente matam a formação de professores, ao proibir a participação de quem quer que seja em qualquer curso.

Sugestões de fontes para entrevistas:

Verônica Silva (professora da rede estadual que pode criticar todo esse sistema)

Marilene Betros (presidente da APLB)

Cesar Carneiro (líder dos professores contrário a essa política)

Osvaldo Barreto (secretário da Educação)

Claudemir (liderança dos professores)

Nilza (liderança dos professores e do PT contrária à essa política)

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Uma resposta to “– O Sistema de Avaliação Automática”

  1. Francisco Santana Says:

    Assistam o filme MEU CORONEL, onde um coronel nazista francês, usava métodos de manipulação e coação para forçar subordinados a serem torturadoras e praticarem atos ilegais para reprimir os argelinos, contra as suas consciências (dos soldados e oficiais subordinados).

    Esse decreto de Wagner quer justamente obrigar os professores a praticarem atos contra as suas consciências.

    Essa lei deveria passar a se chamar, LEI MEU CORONEL.

    O uso correto do conceito de aprovação automática.

    Nos CIEPS de Brizola, com um ensino de alta qualidade, comprovado inclusive em exames comparativos entre seus alunos e alunos de escolas da classe alta, havia também alunos com rendimento insuficiente, poucos relativamente mas havia. Esses alunos eram aprovados, pois pedagogos e psicólogos afirmavam que sua reprovação era prejudicial à sua evolução, mas passavam a ter um tratamento especial. Nos horários destinados às atividades lúdicas, esportivas etc., eles tinham aulas suplementares com reforço principalmente em português e matemática. Parece que havia também aulas nas férias para eles. As classes especiais para esses alunos tinham metade de alunos que as classses comuns. Se não me engano baixava de 25 para 12 alunos e até para 6 alunos apenas. Havia nos CIEPS três categorias de alunos: os aprovados com rendimento suficiente, os repetentes e os renitentes. Todos com tratamentos diferenciados.

    Francisco Santana.

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