– Quem é Búfalo Bill?

Diante da veemência do Pica-Pau, o Saci se limitou apenas a me pedir para publicar uma foto que havia pegado na internet e feito pequenos retoques... (Clique na arte para ampliá-la).

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Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

Eu gargalho por dentro quando vejo o Pica-Pau discutindo com o Saci. Claro que não me meto, pois não sou besta, mas, discretamente, vou acompanhando o entusiasmo dos dois. Dessa vez o Pica-Pau pegou no pé do Saci. Não literalmente, claro.

A coisa mais branda que falou foi que o Saci, por osmose, assimilou o modo complicado da academia se comunicar. Onde já se viu um pedantismo desse? Perguntou ele indignado, dando logo em seguida a resposta da sua própria indagação:

– A academia adora parecer sábia. Adora dizer que leu, sem ler; adora pensar que os pobres coitados que não frequentaram os bancos ensebados do pretenso saber único são menos inteligentes por isso…

Eu me divertia com a ira santa do Pica-Pau. E o que me impressionava mais ainda era a fleuma do Saci. Pense aí, leitor(a), num lord inglês de fraque, cartola, de uma perna só e pitando cachimbo. Pensou? Pois é. Era a imagem do Saci-Pererê. Só que, evidentemente, sem a indumentária do lord inglês.  O pilandrinha de gorro vermelho era só sorriso discreto de canto de boca. Não se abalou. Minto. Depois de algum tempo de escuta em postura absolutamente sóbria, dirigiu-se ao meu computador e começou a dar vazão às suas habilidades com o mouse.

A ira toda do Pica-Pau se deu pelo fato de, segundo o seu juízo, o Saci fazer postagens de coisas herméticas e inacessíveis ao grande público.

– Veja só! – esbravejava ele – quem é Búfalo Bill? Se o professor que é parte interessada está por fora das lutas de seu próprio sindicato, imagine o povão? Como você vai querer aliados de outros segmentos da sociedade, se não é claro nas suas comunicações?

O Saci, a princípio, tentou dizer que a coisa não era bem assim, mas diante do estresse do Pica-Pau, acabou se limitanto a sorrir.

– Isso é um grandecíssimo erro. Esse negócio de parábolas é pra pregador religioso. Aqui tem que ser o preto no branco. Não basta dizer que o Proifes é o braço direito do governo para neoliberalizar a Universidade Pública e precarizar o trabalho docente. Isso tudo é muito vago. Tem que explicar tudinho e muito bem explicado. Ainda mais que a onda produtivista já tsunamiou o ânimo de luta dos docentes. Esse negócio de trazer um matador estadunidense de búfalos, como metáfora, não sensibiliza nem mais os antigos leitores de Gibi…

Diante do movimento que fiz para livrar a garganta de um incômodo pigarro, talvez imaginando que eu fosse contestar, o Pica-Pau dirigiu-se a mim e perguntou colérico:

– Me diga, quem é esse tal Búfalo Bill no atual contexto? Você sabe?

Mais que depressa, fui logo tirando o corpo.

– É. Esse negócio de consultor como “caçar búfalos” é meio confuso…

– Meio? Você diz meio?…

Por felicidade o telefone tocou e eu corri como um raio – se é que raio corre – para atender.

Só uns quarenta, quarenta e cinco minutos depois é que percebi que ambos os amigos já tinham se mandado do apartamento em que moro. E que o Saci havia deixado uma caricatura para eu publicar neste seu Blog, com um delicado bilhete:

Chefinho,

Em primeiro lugar, um feliz, muito feliz Dia dos Pais. Em segundo, se possível, e se não a achar inadequada, publique a caricatura que se encontra no  desktop de sua carroça.

Seu quase filho,

 Saci

***

Confesso que fiquei tentado a ligar para a Profa. Mary Arapiraca agradecendo-lhe a oportuna ligação que ela fizera, e também para falar-lhe por mais quarenta e cinco minutos de como o sentimento de pai (e avó como ela) é algo sublime. (Leia o que ela escreveu sobre o seu neto. Clique AQUI).

Contive-me, pois meus filhos já deviam estar chegando. Marcamos que iríamos almoçar no Armazém de Dona Zizi e de Seu Zé Chaves, na Saúde. Ainda que engendrado pela esperteza capitalista, o Dia dos Pais é sempre uma bela desculpa para eu estar com meus rebentos e para comer a melhor comida de Salvador. De Salvador, vírgula, de Caetité, pois os donos do restaurante só fazem ocupar o espaço soteropolitano, uma vez que todos os ingredientes, ou a maioria deles, e mais as receitas dos quitutes são oriundos da terra de Paulo Jackson, Anísio Teixeira e Valdick Soriano – só para falar de alguns dos mais conhecidos de lá.

***

OBS.: Depois de todo esse papo de Búfalo Bill, de Proifes, de precarização do trabalho docente e outros bichos, talvez  o leitor ou leitora pouco familiarizado (a) com o contexto de tais palavras necessite de explicações mais detalhadas. Para isso, sugerimos a leitura dos textos abaixo, todos publicados neste Blog:

Bill do $Proibes

A Lupa Continua

Repasse ao Proifes

A APUB e o ”Fico”

A Quadrilha do Proifes

Charge falada (ou descrita)

A Velhinha da Praça da Alegria

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