• A descoberta arqueológica do Saci

A descoberta arqueológica do Saci

A magnífica descoberta arqueológica do Saci.

Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

Sabe Deus por onde se meteu o Saci. Pegou minha câmara fotográfica digital e saiu para dar uma voltinha. Quando retornou, agradeceu-me pela máquina, e ainda me pediu mais uma favorzinho:

– Chefe, se não tiver muito ocupado, descarregue essas fotos pra mim. Depois eu gravo tudo num DVD.

Era só agora o que me faltava, pensei. Embora não me lembre, quando criança, devo ter jogado pedra na cruz da igreja de São Benedito, em Caetité. Engoli a seco minha impaciência. Contive-me para não parecer mal-educado.

Entretanto, assim que ele saiu, bateu-me uma curiosidade doida. O que o pilantra, agora metido a arqueólogo, andou descobrindo? Corri para o computador. Baixei as fotos que ele fizera por aí. Uma delas me despertou interesse. Para minha surpresa, vi um Rafael Sanzio em azulejo. Ou pelo menos uma réplica magnífica.

Apesar da minha miopia, identifiquei tranquilamente um fragmento vitrificado da famosa Escola de Atenas, pintada pelo célebre  pintor e arquiteto renascentista italiano. Na foto, vi deslumbrado o detalhe de uma arcada emoldurando o grego Sócrates, à esquerda, apontando para o céu, e o estagirita Aristóteles, à direita, indicando a materialidade da terra.

Sempre que vejo essa pintura, me ocorre pensar sobre o que papeavam os famosos filósofos. Estariam conversando sobre a possibilidade de se criar uma Escola Nova, com características de algo alinhavado ou aligeirado, para fazer média com os atenienses, que queriam porque queriam estudar?

Nesse mesmo azulejo, mais à frente, Heráclito olhava, sei lá o que… Talvez o rio que passava, cujas águas nunca eram as mesmas, segundo ele, a despeito de seu colega filósofo e opositor Parmênides dizer-lhe, talvez por pirraça, que aquilo era só a aparência de movimento… Vai dar corda a esses caras! Fujo às léguas dos filósofos… Explicam, explicam, só não transformam!

Mas voltando à vaca fria, sem dúvida, aquilo que o Saci descobrira, iria dar muito o que falar… Agora saquei porque, outro dia, ele me perguntou se havia “vermelejo” e “verdelejo”…

Verdade verdadeira, só não sei onde ele andou fuçando, e em que porão bisbilhotou.

Tempos atrás, em conversa com a Profa. Antonietta d’Aguiar, da FACED, sobre a origem dos azulejos do Palácio da Reitoria, notei que o pilantra se interessou pelo assunto, e percebi quando apurava os ouvidos por trás de uma estante, qual um araponga malijeitoso, para escutar a nossa conversa. Notei que, depois disso, ele ficou dias rondando a casa-grande da UFBA.

Só não me pergunte o leitor com que intuito…

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