– Comunistas e “comunistas”

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Os historiadores sérios do futuro, que não estiverem comprometidos com o vil metal, haverão de separar alhos de bugalhos, como também irão distinguir os que abraçaram as causas humanitárias de forma sincera, daqueles que se locupletaram das “boquinhas” quando chegaram ao poder.

 Anos atrás, Millôr Fernandes já nos advertia contra aqueles “idealistas” que tiravam partido das suas próprias ideias… Se ele estiver correto, o barbudo Karl Marx está a quilômetros-luz dos oportunistas que se dizem comunistas, uma vez que a defesa do trabalhador custou-lhe enormes sacrifícios durante a vida inteira. Se ele quizesse, teria vendido sua grande inteligência ao sistema capitalista, e teria uma vida cheia de regalias. Mas ele preferiu assumir o lado do trabalhador. Assim como Marx, muitos outros dos seus seguidores souberam honrar-lhe o nome e serão eternamente exemplos dignificantes e referências corajosas para as gerações futuras, que darão, certamente, continuidade à luta em favor de um mundo melhor para todos.

O Prof. Francisco Santana, participando de um debate cibernético sobre o que é ser “Comunista”, fez uma breve incursão pela história  dos partidos comunistas do Brasil. Confira abaixo.

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Prezado Creomar

Na realidade o PCdoB é uma grande mentira.

Ele foi fundado em 1962 com um punhado de militantes, fração minoritária (minúscula) do PCB, o partidão como era conhecido.

A tendência  deles era se extinguir como organização. Quase a totalidade dos grandes intelectuais de esquerda continuou agregada em torno do partidão e de Prestes. Mas o golpe de 64 os salvou.

Com 64 todos os gatos ficaram pardos e qualquer grupelho que tivesse a ousadia de xingar a ditadura ganhava notoriedade, não precisava ter história.

Além disso, como o PCdoB elegeu como seus inimigos principais, a URSS, Luiz Carlos Prestes, Fidel, Agostinho Neto, que eram também os principais inimigos do regime e da CIA, os membros do PCdoB eram tratados com menor fúria, a não ser quando passavam dos limites, pois prestavam um grande serviço à ditadura, decompondo moralmente a URSS e o PARTIDÃO aos olhos da juventude.

Além disso o golpe de 64, propiciou o aumento do tamanho do PCdoB com o ingresso da juventude católica do AP, anticomunistas fanáticos, que ficaram órfãos da CNBB que bandeou para os militares. Como a linha do PCdoB era de ataque à URSS e o PCB, inimigos também do AP, essa massa de católicos órfãos escolheu o PCdoB como refúgio para continuar exercendo seu velho anticomunismo na prática.

Eles denominavam Fidel de títere do imperialismo vermelho. Hoje assumiram golpistamente a Fundação José Martí e se passam por defensores de Cuba.

O verdadeiro partido comunista brasileiro, consensualmente, é o PARTIDÃO. Que embora tenha sido fundado com o nome PCdoB, mudou estrategicamente, no decorrer de sua história o nome para PCB. Nascido em 1922; aceitou em1924 aintervenção sugerida pelo Congresso do Comintern, quando ficou representado em Moscou pelo Partido Comunista Argentino. Depois passou por um período obreirista que o reduziu a um gueto até 1930 quando Prestes ingressa nele imposto pelo Comintern e pelo Partido Comunista Argentino.

A partir de 1930, PCB e Luiz Carlos Prestes são dois nomes inseparáveis na fortuna e no infortúnio. Ser comunista no Brasil significava ser do Partidão e de considerar Prestes como o grande líder. Os fundadores do PCdoB não eram nada em comparação com o nome de Prestes

Em 1980, Prestes recusando ser uma rainha da Inglaterra dentro do PCB, sai do Partidão e lança o manifesto de união das esquerdas e se recusa a fundar qualquer novo partido comunista.

A fração majoritária que assumia o PCB, liderada pelo Armênio Guedes, a partir daí, seguiria o exemplo do Partido Comunista Italiano, copiando inclusive seu exemplo de mudar de nome, tirando a palavra comunista. Passou a se chamar PPS.

Esses rachas no PCB favoreceram a política de fraude do PCdoB de querer se passar pelo PCdoB de 1922.

Essa é a verdadeira história do comunismo principal do Brasil, o que era ligado à 3ª Internacional e Moscou, o famoso PARTIDÃO. Começou com o nome de PCdoB, mudou no meio do caminho para poder se legalizar para PCB e terminou com o nome de PPS.

O PCdoB atual foi fundado em 1962, como uma dissidência anti-soviética por um minúsculo grupo da direção do PCB (PARTIDÃO).

Quem conhece o jargão e a prática dos partidos fundados sob a égide do marxismo leninismo, sabe que isso foi um ato de traição. Sair de um partido com um grupo minoritário é traição, é o chamado fracionismo, crime de traição que favorece os inimigos do comunismo. Tanto que os membros do PCB preferiram o desprezo a combatê-los. Eles é que formaram uma estratégia de histerismo anti-partidão e anti-sovietismo.

Ressalto que não considero traição esse seu gesto simplesmente; considero traição por se dizerem os verdadeiros seguidores do marxismo-leninismo e terem feito esse gesto.

Não sou eu que os qualifica como traidores, mas a leitura que eles adotam do marxismo-leninismo e se dizem seus seguidores é que os qualifica como traidores.

Mas essa não foi a única traição sua.

Durante todo o período da ditadura e até a queda da URSS, aliou-se sempre à CIA, combatendo a URSS, Cuba, Angola, Moçambique e outros países cujos governos eram aliados da URSS.

Chamava Fidel, Agostinho Neto e Samora Machel de títeres do Imperialismo Vermelho.

Apoiava abertamente a guerrilha de Jonas Savimbi que era financiada  e apoiada pela CIA, o regime racista da África do Sul e Israel. Era uma guerrilha suja que visava mais destruir o povo de Angola do que realmente derrubar o governo de Agostinho Neto; fazia política de terra arrasada e tinha apoio da aviação da África do Sul para destruir a infra-estrutura de Angola, causando prejuízos incalculáveis ao povo angolano, sangrando-o. E o PCdoB apoiava tudo isso.

E no Brasil ajudou a colocar no poder o agente da CIA e de Golbery, Lula (até 1988, o PCdoB chamava o PT e Lula de gigolôs do imperialismo e agentes da CIA).

Segue abaixo uma definição tirada do BLOG do PCdoB atual que prova que eles são mentirosos e demagogos até a medula.

“Fundado em 1922, o Partido Comunista do Brasil é o partido mais antigo do país. Viveu 60 anos na clandestinidade. Em 1962, rechaçou o oportunismo de direita, reorganizou-se, adotando a sigla PCdoB, e realçou sua marca revolucionária. Muito perseguido pelo regime militar, dirigiu a Guerrilha do Araguaia em 72-75. Ao fim da ditadura, alcançou a legalidade. Vive hoje uma das suas fases mais ricas.”

A única verdade que ele diz É: “Vive hoje uma das suas fases mais ricas.”

Com o dinheiro da corrupção do governo Lula. O resto é mentira como provamos acima.

Francisco Santana

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Em 15 de novembro de 2011 23:04,
Creomar Baptista <creomarbaptista@yahoo.com> escreveu:

Posso discordar das idéias e de muitas ações de Luís Carlos Prestes mas, com certeza, ele nem de longe seria comparável aos calhordas que estão por aí hoje a roubar dinheiro público.
Boa noite.
Creomar

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Tribuna da Imprensa

domingo, 30 de outubro de 2011 | 13:08

Em meio à corrupção do PCdoB, vale lembrar a honradez de Luiz Carlos Prestes

Anita Leocádia Prestes

“O Cavaleiro da Esperança: Vida de Luiz Carlos Prestes”, obra de Jorge Amado publicada pela primeira vez em espanhol, na Argentina, no ano de 1942, foi dedicada à minha avó Leocadia, mãe do biografado, “la madre heroica”, segundo Pablo Neruda. A dedicatória dizia: “Lejos de su hijo, en tierras que no son las suyas, sufre y lucha doña Leocadia Prestes. Escribi este libro, amiga, para que lo ofrezcas a la madre de Luiz Carlos Prestes como uma dádiva del Brasil”.

Era a primeira biografia do meu pai, da qual Jorge Amado se dizia orgulhoso, ao escrever de próprio punho uma outra dedicatória no exemplar destinado a Leocadia Prestes e enviado ao México, onde então morávamos minha avó, minha tia Lygia e eu. Vivíamos “os anos tormentosos” de nossas vidas, segundo palavras de Leocadia em carta dirigida ao filho, prisioneiro da ditadura Vargas.

Jorge Amado, que havia publicado aos dezenove anos, em 1931, seu primeiro livro, “O país do Carnaval”, participara das lutas contra o fascismo no Brasil e das jornadas promovidas pela Aliança Nacional Libertadora (ANL) durante o ano de 1935. Com a derrota do movimento, foi preso em 1936 e, novamente, em 1937, após o golpe que instaurou o Estado Novo. Seus livros foram proibidos no Brasil, inúmeros exemplares apreendidos pela polícia e queimados em praça públicaem Salvador. Perseguidono país, Jorge Amado exilou-se na Argentina, onde escreveu a biografia de Prestes entre dezembro de 1941 e janeiro de1942. Apublicação em espanhol veio à luz em maio daquele ano pela Editora Claridad, de Buenos Aires. Proibida no Brasil, a obra em espanhol, passou a circular clandestinamente no país.

É o próprio autor que, no prefácio da primeira edição brasileira, publicada em 1945 pela Livraria Martins Editora, narra a história do livro: “Traduções para outras línguas foram feitas sobre a tradução espanhola; no Brasil, além dos exemplares daquela edição vendidos clandestinamente, por vezes por preços absurdos, apareceram cópias datilografadas e até em fac-símile fotográfico… Os exemplares aqui vendidos nunca chegaram a ser propriedade individual de alguém, viveram sempre de mãoem mão. Opovo se referia a este livro com os mais diversos nomes: Vida de São Luís, Vida do rei Luís, Travessuras de Luisinho etc. Depois também sua edição na Argentina foi proibida e queimadaem Buenos Aires, por ordem do governo Perón. Valorizaram-se ainda mais os exemplares que circulavam no Brasil. Houve quem vivesse do aluguel de exemplares”.

Adiante, Jorge Amado destaca: “Na luta pela anistia, pela democracia e contra o Estado Novo, mas principalmente contra o fascismo, este livro foi uma arma”. Indiscutivelmente esse foi o grande papel desempenhado pela obra do famoso escritor brasileiro. Ele recorda: “Junta-se a tudo isso a emoção que ele [o livro] despertou na América espanhola, onde quebrou recordes de venda, e pode-se imaginar quanto não me envaideço dele, quanto não me orgulho de ser o seu autor”. Efetivamente, durante meses a fio, a edição espanhola foi o livro mais vendido na América Latina.

Para escrever a obra, Jorge Amado correspondeu-se com Leocadia e Lygia Prestes, no México, e consultou amigos e correligionários do biografado. A edição Argentina continha apêndice com documentos sobre diversos momentos da vida de Prestes, um mapa do Brasil com o traçado da Coluna Prestes e algumas fotos de Prestes, de seus familiares e de combatentes da Coluna. Adotando estilo semelhante ao empregado na biografia de Castro Alves, escrita um ano antes, o autor se dirige permanentemente a uma leitora imaginária, a quem chama de “amiga” e também de “negra”, com o intuito de falar diretamente ao povo brasileiro, apelando aos leitores para que assumam posição na luta pela democracia e pela liberdade.

Jorge Amado escreve que “este não é nem pretende ser um livro frio”, mas uma obra escrita “com paixão, sobre uma pessoa amada”. Trata-se, pois, de uma biografia romanceada do Cavaleiro da Esperança, que como tal deve ser hoje apreciada e inserida, portanto, no momento histórico em que foi produzida.

No Brasil, o livro só pôde ser publicado após a decretação da anistia aos presos políticos em abril de 1945. Pessoalmente, tive o privilégio de, aos oito anos de idade, ser presenteada pelo autor com o exemplar número 1 dessa edição histórica, valorizada por dedicatóriaem que Jorge Amadome recomendava a “aprender na vida do [meu] Pai um exemplo de dignidade humana”. A edição brasileira continha um belo e original retrato de Prestes, obra do artista plástico Clóvis Graciano, assim como fotos e documentos que, em alguns casos, não haviam sido incluídos na edição Argentina.

Até o golpe militar de 1964, o livro teve várias reedições no Brasil. Na nona edição, publicada em 1956 pela Editorial Vitória, pertencente ao Partido Comunista Brasileiro, a capa foi ilustrada por expressiva gravura alusiva à Coluna Prestes, de autoria do artista rio-grandense Vasco Prado. Nessa edição foi incluído posfácio do autor, no qual é lembrado que, após a primeira edição brasileira, sucederam-se rapidamente outras seis edições. Assinalava-se ainda que a obra já havia sido até então traduzida para cerca de vinte idiomas diferentes e também adaptada para o rádio. Com o golpe reacionário de 1964, o livro desapareceu das livrarias, só voltando a ser publicado em 1979.

Sou testemunha de que várias gerações de jovens brasileiros, e também estrangeiros, tornaram-se revolucionários e aderiram ao comunismo, ingressando muitas vezes nos partidos comunistas dos seus países, sob o impacto provocado pela leitura da biografia de Luiz Carlos Prestes escrita por Jorge Amado. Em Portugal, durante a ditadura de Salazar, ele era leitura obrigatória dos militantes do Partido Comunista Português, para os quais a vida do Cavaleiro da Esperança – sua coragem, dignidade humana e dedicação sem limites à causa revolucionária – tornara-se um exemplo a ser seguido por todo comunista.

Na qualidade de historiadora, mas também de filha de Luiz Carlos Prestes, tenho me empenhado em pesquisar e escrever sobre a vida desse grande brasileiro, ainda pouco conhecido inclusive por seus compatriotas. Prestes foi um patriota, um revolucionário e um comunista convicto. Pablo Neruda escreveu a seu respeito: “Nenhum dirigente comunista da América Latina teve uma vida tão trágica e portentosa quanto Luiz Carlos Prestes”.

Como foi sempre coerente consigo mesmo e com os ideais revolucionários a que dedicou sua vida, sem jamais se dobrar diante de interesses menores ou de caráter pessoal, Prestes despertou o ódio dos donos do poder, que sempre procuraram criar uma história oficial cuja tônica tem sido a falsificação tanto de sua trajetória política como da história brasileira contemporânea. Entretanto, para o historiador comprometido com as lutas populares, com os interesses dos explorados e dos oprimidos, a meta deve ser outra: contribuir para a elaboração de outra história, comprometida não só com a evidência, mas também com o imperativo de construir um futuro de justiça social e liberdade para o nosso povo.

Para o historiador empenhado na elaboração de uma História do Brasil, para quem valoriza o papel destacado de Luiz Carlos Prestes nas lutas populares do século XX em nosso país, “O Cavaleiro da Esperança: Vida de Luiz Carlos Prestes” é um livro indispensável. Sua reedição é uma contribuição importante para compreender melhor uma época de nossa história, para que, aprofundando o conhecimento de nosso passado, as novas gerações de brasileiros possam transformar o presente, construindo o futuro ao qual Prestes dedicou sua vida.

FONTE: AMADO, Jorge. O Cavaleiro da Esperança:
vida de Luís Carlos Prestes. Posfácio de Anita
Leocadia Prestes. São Paulo: Companhia das Letras, 2011

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