– Cuidado: homens trabalhando!

Francisco J. D. Santana

            A razão da suspensão abrupta das licitações das estradas, ainda não foi devidamente explicada. Ainda mais porque o método de aproximações sucessivas usado pelos porta vozes do governo do PT sempre modifica a primeira declaração de um Ministro aos poucos em função de cada reação da Imprensa, deixando uma ambigüidade no ar.

            A primeira declaração do Ministro revelou uma política recessiva de contenção de despesas, ou seja, de cortes de empregos. Para um governo que prometia emprego e desenvolvimento, é um tremendo estelionato eleitoral.

            Mas através de novas versões rapidamente veiculadas na imprensa a coisa descambou para a moralidade. Moralidade!!! Quantos crimes são cometidos em teu nome!!! As licitações teriam sido suspensas por que nada do governo anterior merecia confiança. O próprio Ministro se entusiasmou e disse que ia destituir todos os funcionários dos órgãos correlatos sem fazer auditoria ou qualquer investigação, pois, já era fato notório pelas divulgações da imprensa no período passado, que eram órgãos viciados. Uma declaração que beira a incompetência e a leviandade, mas como não houve contestação, passa-se a imagem do zeloso administrador.

            Essa imagem é muito fácil de ser vendida a um leigo. Mas, no “métier” de quem entende de relações entre o público e o privado o quadro é outro.

            Segundo um amigo empreiteiro, toda vez que entra novo governo, e licitações em andamento são suspensas sem um motivo específico, concreto, significa no dicionário da linguagem das licitações, o urro dos Porcos Magros chegando, sedentos de propina, mais insaciáveis naturalmente que os Porcos Gordos. Ainda segundo meu amigo, nesse métier tem gente que come de mão, quem come de garfo e quem come de talher. Quem come de mão fica no nível do fiscal de obra, quem come de garfo, do tesoureiro que libera as faturas e quem come de talher se entende direto com o chefe de gabinete do governo. Só uma das licitações é de 3 bilhões. Cardápio para alguns talheres.

            O endereço portanto do convite cifrado para reclamações deveria ser a casa Civil da Presidência, órgão que já foi ocupado pelo ínclito Eduardo Jorge e hoje está com José Dirceu. Assim deve ter sido o entendimento dos especialistas que falam o dialeto Licitês, quando tomaram conhecimento da notícia. Se seria um mal entendido não é o mérito da questão.

            Mas, enquanto nós leigos estávamos na dúvida entre, medida recessiva, medida moralizante ou extorsão de empreiteiras, eis que surge na imprensa uma bomba contra o Ministro. Ele estaria envolvido com uma quadrilha que lesou o município de Iturama – MG. Dado o tamanho do município é escândalo para nenhum Nicolau botar defeito: 32 empresas fantasmas, laranjas, etc…

            Então a suspensão das licitações pode ser atribuída a qualquer razão menos à incompetência do Ministro. Afinal ele é do ramo.

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OBS.: Este artigo eu o escrevi em 2003, primeiro ano de governo do PT, contra o ministro de transporte de Lula, Anderson Adauto do PR, iniciador desse ninho de ratos do PR no DNIT. Denominei-o “De Roubo Ele Entende”. Assim, não me responsabilizo por eufemismos sacizescos.

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