 Eleições para reitor

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Eu, Francisco Santana, professor aposentado pelo I. de Física da UFBA, venho tecer considerações e declarar meu apoio ao candidato a Reitor que  melhor traduz a luta contra o fascismo que avança no Estado Brasileiro e o qual combatemos (Vide declaração do então (2005) Presidente do STJ: “Não seria demais admitir que estamos a largos passos de um Estado nazista. O que eu vejo de mais perigoso é que esse totalitarismo já escapou ao controle do próprio Estado.”).

Não represento nesse momento o meu partido, o PDT, embora seja Presidente do Movimento Sindical do PDT – MSPDT e da Corrente Sindical Nacionalista – CSN. Esse esclarecimento é necessário porque farei referência ao sindicalista Roque Silva como meu correligionário.

Em primeiro lugar critico o critério nessas eleições de se excluir os aposentados como eleitores. Ora, o correto seria até estender para a sociedade em que está inserida a Universidade o direito de votar. Em todos os países civilizados, os ex-alunos e ex-professores são um dos pilares para manter viva a universidade. São eles que têm na memória uma boa parte da história da Universidade. Sem perceber as pessoas estão absorvendo pelo subconsciente uma das facetas do fascismo que é o desprezo pelo passado e adoção exacerbada da novidade (Collor foi eleito assim).

Em segundo lugar quero parabenizar o trabalhador e sindicalista autêntico, Roque Silva, nosso correligionário, que desde o início escolheu a CHAPA  2 como a melhor opção nessa conjuntura política, que nós só agora, antes tarde do que nunca, viemos lhe dar o reconhecimento e apoio público. Roque Silva deveria servir de exemplo aos demais trabalhadores e sindicalizados, pois agiu com sua intuição correta de trabalhador em defesa de sua categoria e de seu interesse como membro dessa categoria. Eu não entendo que trabalhadores que tiveram suas horas cortadas possam votar em candidatos que eram da base aliada dos que cortaram seus salários. Mas infelizmente muitos funcionários públicos agem alienadamente como ovelhas que vão para o matadouro, seguindo ordens de falsas lideranças que por sua vez recebem  ordens de interesses espúrios e externos aos da categoria, como táticas de poder de seus partidos ou de cargos no aparelhamento do estado. A Deputada Alice Portugal por exemplo, tinha em 2003, um mandato federal e poderia ter votado contra a reforma da previdência e defender os direitos dos funcionários públicos, mas não teve a coragem nem a coerência que tiveram, Heloísa Helena, Babá, Luciana Genro, João Fontes ou o próprio Sérgio Miranda (do PCdoB) que preferiram ser expulsos de seus partidos a traírem os trabalhadores. E depois se apresentou como vítima (de seu partido onde está até hoje) e o impressionante: muitos funcionários públicos acreditaram. O então presidente da CUT, Luiz Marinho, reuniu uma assembléia da CUT em S. Bernardo, para apoiar a reforma da previdência dizendo abertamente que a CUT só representava os celetistas e incitando os trabalhadores privados contra os trabalhadores de empregos públicos. O mesmo Luiz Marinho, quando Ministro da Previdência, repetiu a proeza do truculento Nilo Coelho, mandando o seu motorista  oficial jogar o carro contra aposentados que protestavam na saída da garagem do ministério; pelo menos três aposentados tiveram que ser socorridos no hospital. E fiquem boquiabertos, uma grande massa de funcionários ainda bradam pela CUT e pela sua franquia CTB. Essa também é uma faceta do fascismo: a vítima é hipnotizada pelo predador.

Vemos portanto que o movimento sindical na UFBA está contaminado por esta faceta fascista, não se trata de um simples peleguismo. Os trabalhadores reagem não por seus interesses prejudicados, mas obedecendo ordens de chefetes e chefes, como ovelhas que se deixam guiar por lobos.  Assim como vemos boquiabertos, estudantes como cabos eleitorais do candidato que declarou publicamente que era a favor de usar a violência policial contra movimentos de estudantes.

O fascismo é difícil de ser reconhecido, porque é proibido divulgar a sua essência além de raros autores como Palmiro Togliatti terem diagnosticado com clareza essa essência. Mas no debate na Reitoria foi possível testar os candidatos com uma ação primária fascista cometida pela administração atual: “O uso da Polícia Federal para reprimir estudantes dentro da Universidade.” Dos três candidatos inquiridos, apenas um, o Prof. João Augusto se declarou favorável ao uso dessa violência contra estudantes. Estranho, pois seu partido já ocupou ilegalmente a Reitoria quando sua candidata a Reitora não foi a escolhida. É uma candidatura curiosa, parece que surgiu do nada como a do Rogério Vargens, por coincidência ambos professores da Escola Polítécnica, onde evidencia-se um certo vácuo político. O Rogério Vargens associou-se a forças políticas externas, no caso ACM. E o professor João Augusto? Pelos seus cabos eleitorais da ASSUFBA e do DCE, tudo indica que é uma candidatura do PCdoB. E como o PCdoB tem grande poder de barganha junto ao Planalto e o dito professor alegou desculpas infantis para não assinar um termo de compromisso de que não participará da lista sêxtupla caso não seja o mais votado, isso nos deixa muito preocupados. Lembremos quando Rogério Vargens foi escolhido para Reitor por Sarney sendo o quinto mais votado. Na época apoiamos a invasão da Reitoria por coerência com o critério do indicado ser o mais votado. Mas se recordarmos o passado veremos que Rogério Vargens não foi o único oportunista. As regras da eleição foram estabelecidas livremente tanto pela APUB como pela ASSUFBA com o apoio do Reitor Tabacof; não haviam ainda regras para eleição de reitores. Nós do I. de Física (hoje não tenho mais prazer ao usar esta expressão), lutamos obstinadamente na assembléia da APUB para que a eleição fosse por chapa, o que impediria o candidato de carona. Não entendíamos a insistência da lideranças dos partidos PT e PCdoB  de defenderem a eleição nominal e que prevaleceu.  E graças a ela prevalecia quem tivesse mais poder junto ao planalto. Hoje entendemos melhor o que aconteceu pelo itinerário que percorreram tanto o PT como o PCdoB; a votação nominal não era uma questão de princípio mas uma manobra oportunista pois ambos não abriam mão de emplacar o seu candidato. O candidato do PCdoB que ficou em segundo lugar manteve seu nome na lista sêxtupla, o que o igualava a Rogério Vargens e dava a este mais ainda legitimidade.

Quanto a candidata Dora não temos nada contra a sua pessoa, mas a sua base de apoio deixa muito a desejar. Não atribuímos ao Reitor Naomar a responsabilidade exclusiva por males acontecidos em sua gestão, embora seja o principal ator, mas a todo um esquema de fascistização do qual a parte da UFBA é apenas uma metástase de uma facistização septicêmica cujos focos se encontram além dos muros da UFBA. Segundo alguns, o tumor principal se encontra na Wall Street (Vide o escritor e jornalista americano Greg Palast). E uma parte dessa metástase está com a candidata. E o pior é que essa metástase adquiriu uma nova ramificação proveniente do que se podia convencionar como oposição ou de esquerda. Isso foi mais danoso ainda, pois além de aumentar a infecção diminuiu a parte sã do tecido universitário. Pela história do fascismo sempre os adesistas de última hora se tornavam piores do que os anteriores pois queriam crescer. Essa manobra em que um candidato supostamente da esquerda surgiria numa manobra cupulista num consenso com um suposto apoio de Naomar, não só foi espúria como ingênua, pois um político como Naomar jamais alçaria ao poder um político mais ambicioso do que ele. Essa adesão portanto pesou mais negativamente ainda na nossa avaliação da Chapa 3.

Quanto a chapa 2, é realmente a chapa mais apoiada por professores que vêm denunciando de longa data essa administração do ponto de vista da ética e da transparência que é uma das armas de se frear  o fascismo. E não há vestígios nela de alinhamentos, pelo menos no presente com essa metástase nem seus prolongamentos fora da UFBA.

Apoiamos portanto o trabalho feito por nosso correligionário, Roque Silva, desde o início da campanha, em prol da Chapa 2.

Francisco Santana

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