 O professor e o Saci

Prof. Francisco José Duarte Santana
Instituto de Física/UFBA

Em resposta ao e-mail do professor Israel Pinheiro.
(Vide https://osaciperere.wordpress.com/o-professor-menandro-e-o-seu-saci-muito-travesso/)


A maior manifestação de respeito a um intelectual é a crítica.
A tentativa de cerceamento da crítica por parte de um intelectual é um desvio fascista.
A  roda da história não volta para atrás ? Não é bem assim. O movimento da história não é linear. Segundo o criador do materialismo histórico, a história se repete, uma vez como tragédia e outra como farsa. É um movimento em espiral, segundo um outro expoente do materialismo histórico. (Achei desnecessário citar os nomes dos autores pois estou respondendo a um professor de um departamento de política).

Voltemos no tempo à Alemanha de 1934:
“Quando morreu Hindenburg em 1934, não foi eleito outro presidente. Hitler acumulou as funções de chanceler e chefe de Estado. Um plebiscito confirmou esta decisão com cerca de 90% dos votos a favor. Estava legalizado o totalitarismo na Alemanha.”

Sem entrar no mérito da circunstância histórica em questão, pode-se afirmar que o movimenta nazista tinha a adesão (ou cooptação) da maioria do povo alemão. Tomando por  base a estatística acima, 90% do povo alemão ficou com a nova universidade, digo, nova Alemanha. Alguns até que poderiam justificar assim:

“É preciso, por exemplo,  trabalhar com o governo Hitler que tem todas as mazelas e compromissos próprios dos governantes alemães, mas tem um projeto de construção social que o diferencia dos anteriores. A expansão da universidade, digo da Alemanha com os seus vários programas de inclusão social das etnias alemães marginalizadas no Mundo, pela primeira vez  é parte deste projeto maior. É preciso cuidar de sua qualidade e não liquidá-lo em nome dela, como querem os comunistas confrades de Menandro, digo, de Rosa de Luxemburgo”.

Mas entre os 10% que não votaram com a chapa oficial, deveriam haver alguns professores Fritz Menandros, que utilizando, não o Saci, mas talvez gnomos as florestas alemães, conseguiram burlar a moderação, digo, a censura da imprensa nazista e emitir algumas críticas contundentes à tentativa de se impor um pensamento único na Alemanha.

É evidente que tais críticas enführerceriam Rudolf  Hesse, Goebels, Goering, o próprio Hitler ou mesmo um simples e apaixonado militante nazista e isso poderia tê-los levado a responder mais ou menos assim:

“Podemos discordar dele (Fritz Menandro)em tudo que escreveu nesta nota, menos  na sinceridade profunda com os seus colegas da UFBA, digo, com seus compatriotas alemães.  Acusou-os de que em sua ?grande maioria? estavam sendo ?irresponsavelmente, covardemente indiferentes em relação ao futuro da universidade?, digo, da Alemanha?. Este ato de intolerância e desrespeito do professor com os seus compatriotas  é deveras preocupante. Se a moda pega vai ser difícil o livre exercício de ideias e posicionamentos  políticos dentro da Alemanha, um lugar, se supõe, o mais adequado para isto”.

Observação 1: Relí cuidadosamente o e-mail do professor Menandro,  “O reencantamento da universidade e o sací” e verifico que o professor Menandro cita de outro professor, sem endossar, como interrogação a frase, ? A grande maioria dos docentes é irresponsavelmente e covardemente indiferente em relação ao futuro da universidade.? O professor Israel interpreta de maneira enfática, afirmativa e errônea: “Acusou-os de que etc.” . Essas acusações não existiram. Não cai bem para um professor e pesquisador da UFBA, não ser fiel a um texto que pretende criticar, há implicações lógicas, éticas e até jurídicas sobre isso; pois o professor Israel baseia-se nessa sua versão para construir todo o seu rosários de ofensas contra o Professor Menandro; e a UFBA abriga em seus muros uma faculdade de Direito, que trata entre outras coisas de código penal, que não são da minha praia mas se ele quiser pode se  instruir com o presidente da APUB, pois é um advogado. E a fidelidade ao texto original é o primeiro requisito de uma crítica inteligente e elegante. Somos, portanto, obrigados a ler agressões infundadas porque o professor Israel leu errado o texto do professor Menandro.

Mas como nosso objetivo é mais provar que a história se repete, continuemos com nossa viagem no tempo, pela Alemanha de 1934. O defensor da nova Alemanha ou da Germanova, poderia ter dito mais:

Ah! Professor, ainda para terminar, duas questões importantes da sua nota. Fazemos festas sim na APUB, digo, na Cervejaria Burgebräukeller de Munich e muita luta política. Foi lá que montamos o Putsch da Cervejaria para tomar o ANDES, digo, o Governo da Baviera. Falhamos, é verdade, mas como já conquistamos o governo federal, digo  a chefia de estado e a reitoria, digo, o Reichstag, vai ser uma questão apenas de nomeação. A outra é que você vai gostar dos velhinhos da Piedade, digo, de Buchenwald.

Observação 2: Buchenwald, foi talvez um dos primeiros campos de concentração nazistas, construído a partir de 1937, tendo já em vista o futuro extermínio de judeus, comunistas, ciganos etc. Se prestarmos atenção à essência do texto do professor Israel Pinheiro, ele pretende a exclusão do professor Menandro da comunidade acadêmica pelo simples fato dele não compactuar com o pensamento único da UNINOVA. É mais arrogante do que Hitler, pois este tinha 90% dos votos de todos os eleitores da Alemanha enquanto o professor Israel é membro de uma chapa que só teve 69% dos votos válidos que por sua vez foi muito menor de que o universo dos professores com direito a voto.

Observação 3: A estratégia que corresponde na prática a uma nomeação pelo governo, do sindicato nacional de professores que passaria a se chamar PROIFES,  passa por um mar de lama dentro do Ministério do Trabalho e Emprego que culminou com a Portaria 186/2008. Paulinho da Força Sindical estava ameaçado de ser cassado e até preso por irregularidades junto ao MTE. Avaliava-se na imprensa que se se aprofundasse a investigação respingaria em Medeiros e no Ministro  do Trabalho. Também se avaliava na imprensa que Lula orientou a tropa de choque do PT para neutralizar a CPI contra Paulinho. Por coincidência, o Ministro do Trabalho, Lupi, atendendo orientação de Paulinho e Medeiros fez a famigerada Portaria 186/2008, inconstitucional (por violação ao artigo 8º, I, e II, da Constituição Federal, entre outros dispositivos da Carta Magna) que permite o desrespeito à unicidade sindical a nível de federações e confederações. É a glória para Lula que não conseguiu acabar com a unicidade com sua reforma trabalhista e Lupi do PDT, que deveria defender a unicidade a todo custo, faz esse serviço sujo (inconstitucional) para êle. E Paulinho foi salvo. Por isso que o pessoal do PROIFES insiste ora em transformar o sindicato nacional em Federação, ora em questionar a existência do ANDES como sindicato nacional, pretendendo uma interpretação jurídica de que ele é de fato uma federação. Como o PESSOAL do PROIFES parece que desistiu de tomar o ANDES  por dentro, é impossível tomá-lo jogando limpo e aí entra o MTE e outras pressões do executivo. A não ser que o ANDES por ser também contra a unicidade não defenda seus direitos na justiça, só na maracutaia é que o PROIFES pode prosperar, pois ele é inconstitucional. Mas direis, o presidente da APUB é defensor da unicidade e não cometeria uma incoerência dessas. Parece que essa não é sua virtude, pois se fosse não filiaria a APUB à CUT que é contra a unicidade sindical e sim à NCST que é a do Movimento Sindical do PDT (seu partido) ou à CGTB, ambas defensoras da unicidade sindical.

Mas, para quem acha banal uma operação jaleco branco dentro de uma universidade, deve também achar normal esses escândalos do governo Lula.

Em resumo, apesar de terem essa boa combinação, governo Lula, Reitoria, APUB, esses nossos colegas do PROIFES se assustam facilmente com as diabruras de um saci e perdem o equilíbrio. Uma prova de que não se sentem seguros de que estão certos. Não faz muito tempo, 10/12/2008, uma colega e por sinal da mesma unidade do professor Menandro se destemperou e fez agressões pessoais ao patrono do saci. O nosso zeloso moderador, que tanto censura mensagens dos seus adversários, lavou as mãos; eu não sou favorável a nenhum tipo de censura, mesmo se tratando de uma mensagem destemperada, mas o moderador é amigo e correligionário (mesma chapa ou corrente PROIFES)  e poderia ter uma conversa preliminar com sua camarada advertindo-a dos constrangimentos que poderia criar inclusive para ela mesma. Hoje, quase três meses depois, outro ataque ao patrono do saci, embora menos emocional, com a mesma essência do outro: tentar calar no grito, descontentes com o pensamento único que se quer impor, não só na universidade mas no país.

O primeiro erro do professor Israel é atribuir autoritarismo a um indivíduo que se coloca em confronto com a máquina de poder. Isso é um absurdo, é surrealismo. Não tem lógica nem respaldo em nenhuma concepção de análise sociológica.
O segundo erro é que ele se apresenta como identificado com a máquina do poder e apresenta esse poder expresso nos cargos como o indicativo de que estão com a verdade e como arma de intimidação.

Publicado em: apubdebates-l-bounces@listas.ufba.br
Enviada em:
sábado, 7/3/2009 22:49
Autor: franssuzer@gmail.com

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