 Sacis e Curupiras

 

 

Francisco Santana
Prof. aposentado da UFBA

 

Era inevitável o surgimento do Saci para salvar a universidade da tirania do Curupira. Aliás, não é somente a  universidade, mas a sociedade toda está sendo vítima dessa tirania. Quem é o Curupira?  Citemos trechos de uma entrevista que o brasileiro Diaí Nambikuára concedeu à jornalista portuguesa, Aurora Matos sobre o Marechal Rondon:

– Estou vendo que o Curupira continua soprando as neblinas do Esquecimento, forma nova de confundir os viajantes… Não só em Portugal, não só na Europa, até mesmo no Brasil…

– Curupira? Mas o que é isso?

– Curupira é o espírito maligno da mata, equivalente ao vosso Diabo. Ser disforme, de grandes orelhas, calvo, com as pernas às avessas, calcanhares para a frente e dedos para trás. Marcha com firmeza do abismo para a vida. Por causa das pegadas invertidas, quem pensa seguir-lhe a pista, acaba por cair no tal abismo ou noutra qualquer arapuca.

– Não me diga que o Rondon também seguiu as pegadas do Curupira…

– Não, nessa não caiu. A vingança do Curupira é agora soprar sobre ele as neblinas do Esquecimento. Sobre ele e sobre os seus antepassados espirituais…

Como se vê o Curupira espalha uma atmosfera ambígua e faz os fracos de espírito criar a ilusão de que se o seguirem se darão bem, mas como ele tem as pegadas invertidas, os que o seguem caem no abismo do inferno.

Alguns poderão retrucar que existem seguidores do Curupira se dando bem a curto prazo. Mas sempre é assim: uma minoria de espertos se dá bem enquanto a maioria que os seguem não usufrui das benesses. Primeiro porque a farinha é pouca e não dá para todo o mundo e segundo, os espertalhões não acreditam no que eles próprios pregam e não seguem as pegadas do curupira cegamente. E depois a longo prazo eles terão que pagar um preço nem que seja à sua própria consciência.

A névoa do esquecimento é evidentemente a falsificação da história, através dos meios de comunicação e dos aparelhos do Estado em geral.  Mas em nível local, os representantes do Curupira estão usando um método muito primário que é a censura de e-mails em listas de debates.

A entrevista completa de Diaí Nambikuára, como é muito longa, pode ser vista numa página sobre Cândido Rondon, (no site “Vidas Lusófonas”), e é muito ilustrativa.

O resumo cronológico inicial de Rondon  pode ser pulado e o leitor pode ir direto para a dita entrevista.

Quando Levi Strauss estudou algumas tribos brasileiras considerou os Nambikuára como os mais atrasados delas. Essa entrevista do Dr. Diaí Nambikuára contrariaria o conceito de “desenvolvimento” de Strauss? Pergunta de um Leigo.

De qualquer forma, a alegoria do Curupira cai como uma luva para estes tempos de Universidade Nova e outros bichos

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