 A sociedade do bem viver – Altino Bomfim

A SOCIEDADE DO BEM VIVER![1]

 

O megaevento Fórum Social Mundial (FSM) conseguiu a proeza de reunir 100 mil pessoas, de 150 países, em Belém (Pará), de 27 de janeiro a 1º de fevereiro, para problematizar a vida no planeta e buscar soluções alternativas às ações dominantes que ao longo dos séculos tem provocado dores, sofrimentos, exclusão: enfim, vida ruim para a maioria da população mundial. Daí o Fórum não limitar-se a discutir o conjuntural, a exemplo da atual crise cíclica do capital provocada por agentes econômicos com o beneplácito de Estados e governos, mas a própria estrutura e o funcionamento da sociedade atual que se quer moderna mas que adentra cada vez mais na barbárie.  

 

Tendo como norte a busca de um outro tipo de sociedade o Fórum Social extrapola os limites que querem lhe impor de ser, tão somente, um contraponto ao Fórum Econômico de Davos, na Suíça. Enquanto iniciativa da sociedade civil, já ultrapassou esses limites constituindo-se em um megaespaço de expressão de insatisfações e inconformidades com os desatinos provocados por governos e agentes econômicos mas também espaço único no planeta de encontro multicultural de povos e credos para comunhão, reflexão e troca de experiências mis que vêm se desenvolvendo mundo afora. Inúmeras manifestações sobre os mais diversos temas e milhares de participantes com trajes típicos simbolizaram não só a pluralidade de identidades mas também a liberdade de expressão e manifestação sócio-culturais que se quer alcançar.

 

Em 2.400 atividades temáticas inscritas por 5.176 organizações e agrupadas em dez objetivos, os participantes mostraram formas concretas de sociabilidade e companheirismo com autonomia e independência em contraponto, aí sim, ao consumismo, individualismo e acirrada competição existente na sociedade moderna. No contraponto a Davos, ao deus mercado, o Fórum Social privilegiou o ser humano, a qualidade de vida, a dignidade e a proteção e harmonia com a natureza.

 

Uma das leituras sobre a presença e reunião dos presidentes do Brasil, Bolívia, Equador, Paraguai e Venezuela com representantes do Fórum é o reconhecimento de que este expressa algo diferente, incomum no mundo, em termos de ação social. 

 

Em Belém, o Fórum se consolidou como espaço mundial de expressão de possibilidades de outros tipos de viver que não aqueles condicionados pelo mercado, pelo consumo e por formas individualistas.

 

A proposta de índio peruano para que se pense o mundo além do econômico, incorporando a dimensão filosófica, renovou em todos os presentes a energia para lutar pela utopia de formas justas, solidárias e igualitárias de viver na terra. Enfim, a luta diuturna por uma sociedade do bem viver!


[1] Altino Bomfim é professor associado, doutor, da UFBA

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