– Antônio Câmara: diálogo com a base

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Cara colega Elza Peixoto e demais companheiros do APUB-luta,

O meu texto é interpretativo, ou seja, não estava me referindo a cada linha da sua comunicação, mas buscando entender a conjuntura e as conseqüências dos atos da APUB-luta. Por isso continuo acreditando que essa discussão de base/liderança, implica sim na teorização da acumulação de forças (não necessariamente aparece em seu texto, mas a encontramos em manifestações de vários colegas). Parece-me que temos em comum o fato de partimos da dialética e pensarmos na contradição trabalho/capital. Mas afora isso discordamos bastante sobre as organizações, base, encaminhamento da luta, PROIFES/APUB, ANDES-SN-Secções sindicais. Se a história tem mostrado a necessidade da unidade da classe contra as ofensivas do capital, creio que ela também mostra as contradições internas da classe trabalhadora, sobretudo em momentos que amplos setores “dirigentes” da classe aderem ao capital, aos governos, às direções estatais e tornam-se auxiliares da dominação. Se de fato pensarmos dialeticamente, não podemos admitir a existência de nenhuma organização permanente, todas elas são fruto da lutas classes trabalhadoras (ou de contra-movimentos da ordem burguesa) e podem sim perecer, seja por conta de tornarem-se historicamente anacrônicas ou devido ao apodrecimento interno de suas estruturas completamente alteradas em função da adesão ao capital.

No caso do PROIFES, a coisa ainda é mais grave, pois se trata de um organismo construído com apoio do governo para destruir o sindicato (esse sim) construído pela base. Logo, não me parece adequado considerar este órgão de governo, esta cunha no seio do movimento docente, como organismo de classe. Já no caso da APUB, reconhecemos que tem uma longa história de luta, mas nos últimos oito anos, as sucessivas direções traíram a luta, modificaram a estrutura do sindicato, tornando-o um aparelho impeditivo da luta docente. A UFRB sabiamente compreendeu isto e criou a secção sindical do ANDES-SN. A UFBA precisa sim livrar-se deste entulho, ou deixá-lo como uma entidade lítero-recreativa e construir um novo instrumento de luta.

Repito, dialeticamente nenhuma estrutura é permanente, todas são transitórias, da mesma forma que não existe classe definitiva todas serão superadas pela história, inclusive a classe trabalhadora. Se fosse correta essa posição de estruturas permanentes, o movimento operário não teria conhecido quatro internacionais distintas, produto da ruptura com estruturas arcaicas e comprometidas com o capital material e ideologicamente, o movimento social também não teria criado os sovietes (URSS) que não obedeciam às estruturas partidárias e sindicais, como também não veríamos o explodir de movimentos sociais na contemporaneidade e até mesmo o surgimento da CUT “hoje comprometida até a medula com o Estado” (todos essas novas estruturas não respeitarem as ?estruturas permanentes?) e não estaríamos nos dias de hoje pondo em cheque as próprias estruturas partidárias que se dizem representar a classe operária. Entendo que a unidade que precisamos,no âmbito da Universidade, é a dos docentes para enfrentar o arrocho salarial e a crise atual, isso não implica em respeito aos aparelhos sindicais. No limite acredito que se o ANDES-SN tivesse postura semelhante à da APUB/PROIFES devêramos avançar o sentido de não respeitá-lo enquanto representante da categoria, no entanto, é patente que o ANDES-SN é única entidade que dá continuidade à luta histórica dos professores universitários. A APUB abandonou o ANDES-SN, em função de manobras de gabinete, fraudes, pressão da instituição sobre os docentes etc. De fato (na prática) a APUB não guarda mais relação nem com sua história, nem com o ANDES-SN, e não devemos apostar na justiça burguesa para reaver o estatuto anterior da APUB.

Logo, pregar a unidade dos docentes contando com a participação dos aparelhos é, sim, equivocado. Como vc destaca a unidade deve ser pela ?base?, logo devemos convocá-la com os meios que dispomos (regional do ANDES-SN ou mesmo um grupo de docentes), fazer a discussão franca e aberta, sermos coerentes, o que implica em dizermos abertamente só haverá greve na UFBA se não respeitarmos o aparelho da APUB/PROIFES, se não nos submetermo-nos a fóruns viciados e atrelados à administração pública, se construirmos um espaço independente de discussão e deliberação.

Por fim, insisto, a estratégia utilizada até agora, desconhece que os docentes estão bastante insatisfeitos, predispostos à mobilização, é preciso atentar para os sinais que vem da Universidade, como, por exemplo o dia de paralisação convocado pelo ANDES-SN, na UFBA muitos docentes pararam mesmo sem nenhuma deliberação local, o que indica, queiramos ou não, respeito ao ANDES-SN. Ao apontar como caminho as AG´S da APUB, a APUB-luta represa esta energia, e fortalece (novamente informo que se trata de minha interpretação) o aparelho sindical pró-estatal, não contribuindo, apesar de todas as boas intenções, para reerguer o movimento docente na UFBA e fortalecer o sindicato de luta (O ANDES-SN).

Fraternamente,

Antônio da Silva Câmara

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— Em sáb, 26/5/12,
Elza Peixoto elza.peixoto@yahoo.com.br
escreveu:

1) Em nenhum lugar da minha mensagem há qualquer referência a “Acumular forças para fortalecer a diretoria da APUB”. Estamos com a categoria desmobilizada na UFBA. Há esforço de um coletivo para viabilizar a mobilização, e é a este esforço que estou me referindo e aliando;
 
2) A história tem demonstrado que dividir é a melhor forma de governar, estamos em momento histórico que pede unidade na luta;
 
3) Não confundo diretoria (provisória) e entidade (permanente, que expressa um patrimônio pelo qual a categoria deve lutar: a unidade e a organização). Estou defendendo luta pela base, com fortalecimento da organização da base para – democraticamente – decidir como quer lutar e a quais entidades deseja se filiar (CUT, ANDES, PROIFES);
 
4) No meu entendimento, o encaminhamento a tomar agora é, na assembléia do Sindicato APUB que representa os professores da UFBA, pautar e votar a adesão à greve nacional dos professores das IFES, que já conta com 43 Universidades em luta. Na Assembléia de Professores da UFBA, uma maioria que defende a luta unificada, deve pressionar a Diretoria da APUB e ao PROIFES ao encaminhamento da unidade com a categoria em todo o Brasil em defesa dos salários, da carreira e das condições de trabalho;
 
5) Com a categoria organizada, mobilizada, fortalecida, eu quero participar da discussão sobre o fim da divisão da categoria docente em PROIFES/ANDES, pela Unidade na luta contra a destruição da Universidade. Nós não precisamos, em momento histórico de acirramento da luta de classes, de torcidas organizadas pelas ENTIDADES, que perdem o foco no fato de que a partida principal é entre CAPITAL e TRABALHO, e que as entidades existem para organizar a categoria para a luta pelos direitos mediatos e históricos. 
 
Elza Peixoto

5 Respostas to “– Antônio Câmara: diálogo com a base”

  1. osaciperere Says:

    Circulou nas listas da UFBA:

    —————————————

    NOTA AOS ASSOCIADOS MUDANÇA DE DATA DA ASSEMBLEIA GERAL

    A Diretoria da Apub Sindicato ? filiado ao Proifes Federação, reunida no dia 23 de maio de 2012, deliberou pelo adiamento da assembleia geral, formalmente convocada para o dia 25 de maio (sexta feira, às 16h, no auditório I PAF 1-UFBA), transferindo-a para o dia 29 do corrente mês, terça-feira, no mesmo horário e local, pelas seguintes razões:

    1. O Proifes Federação, ao qual a Apub Sindicato é filiado, continua à mesa de negociação com o governo, já tendo conseguido a edição da Medida Provisória 568/2012, que garantiu a correção salarial de 4% e a incorporação ao salário da GEMAS (Gratificação Especial do Magistério Superior) e da GEDBT (Gratificação Específica de Atividade Docente do Ensino Básico Técnico e Tecnológico);

    2. No próximo dia 28/05, ocorrerá reunião, prevista no calendário, entre as entidades representativas dos docentes e do governo federal, para a conclusão do processo de negociação referente à carreira docente. Assim, a assembleia geral do dia 29 próximo, cujo ponto central de pauta é a NEGOCIAÇÃO DA CARREIRA COM O GOVERNO, terá efetivamente a oportunidade de conhecer, apreciar e deliberar sobre a proposta oficial do Governo, a respeito da carreira docente;

    3. Os demais pontos da pauta não sofrerão prejuízos quanto ao adiamento da assembleia.

    ASSEMBLEIA GERAL DA APUB ? SINDICATO

    DATA: 29 DE MAIO, TERÇA-FEIRA, ÀS 16h, NO AUDITÓRIO 1 DO PAF 1/UFBA, ONDINA

  2. osaciperere Says:

    Circulou nas listas da UFBA:
    ————————————–

    Câmara, Zacarias e demais,

    Dado o adiamento da AG da APUB, penso que a participação na reunião da APUB luta na próxima quinta-feira (24/05), às 17h, na Faculdade de Direito, se converte em momento igualmente importante para pautar à ANDES a realização de uma Assemebléia Geral UFBA, nos termos propostos por Câmara e reforçados por Zacarias. Pois na reunião com os colegas na faculdade de direito teríamos que discutir não só a questão da carreira docente, ponto que pauta esse encontro, mas a posição dos professores da ufba acerca da greve nacional que abarca hoje a grande maioria das universidades federais cerca de 41 mais 3 Institutos Federais, perfazendo um total de 44 instituições paralisadas até o momento, cuja pauta é mais ampla e inclui condições de trabalho, a alteração dos valores pagos de insalubridade e periculosidade, reposição salarial.

    Quanto à reunião em São Lázaro na próxima segunda-feira, às 09h, pergunto aos coleg as se não seria o caso de transferir o horário para as 14h no mesmo local(PASL). Assim, poderíamos, quem sabe, ter a participação de outros colegas que ficaram impedidos de participar do último encontro porque estavam ministrando aula as 09h.

    abraços,
    jair

    • osaciperere Says:

      Circulou nas listas da UFBA:
      —————————————

      Caros Câmara, Jair e Demais Colegas,

      compartilho das questões colocadas por Câmara, embora tenha discordado pontualmente de alguns aspectos na nossa reunião da última segunda-feira (quanto a questão de participarmos ou não da AG da APUB na sexta). Como não haverá AG esta semana, a questão está parcialmente vencida. Precisamos exigir do ANDES que convoque uma Assembleia na UFBA para discutirmos a greve que nesta altura alcança mais de 40 IFES pelo Brasil. E como não posso comemorar os 4% “concedidos” pelo governo em agosto, e como não sou muito paciente para esperar alcançar a classe de Associado, e como sou sabedor que o salário dos colegas das outras 40 IFES é igual ao nosso, e como venho de uma experiêcia de 10 anos de militância ativa no MD das UEBAs (oque não pretendo repetir na UFBA), acho que não posso me furtar de convidar os colegas e companheiros para discutir o grave momento que atravessamos. Creio que o importante agora é tanto nos f azermos presentes na reunião da APUB Luta na quinta-feira, para discutir com os companheiros os encaminhamentos que vem sendo tomados pela oposição, quanto convocarmos uma outra reunião, desta vez mais ampliada, na FFCH. Indicamos uma nova reunião para segunda-feira às 9h no PASL. Espero que esteja mantida. Estarei lá e estenderei o convite aos colegas do Departamento de História.

      Abraços,

      Zacarias

  3. osaciperere Says:

    Circulou nas listas da UFBA:
    ————————————–

    Prezados,

    Em apoio à posição e à análise extremamente pontual e realista do Professor Antônio Câmara, trago a apreciação do Professor Joviniano, cientista político e professor aposentado da UFBA, sobre o atual racha dos sindicados dos rodoviários da Bahia:

    Afirma o emérito professor ao Jornal A Tarde:

    “a Justiça está agindo de forma apressada em nome de garantir a normalidade, e termina dificultando os movimentos grevistas. Na medida que essa dificuldade ultrapassa a capacidade de absorção da categoria, a categoria não cumpre. Se você toma posições para quebrar um ato, para dobrar um ato, você perde a condição de ser vista como isenta”.

    Vale lembrar que o professor Joviniano fez parte do processo de desmantelamento da APUB, transformando-a no atual centro recreativo.

    Saudações,

    Profª Lídia Cardel (FFCH)

  4. rosa maria perpetua dos santos Says:

    com esse trabalho eu ganhei 10 foi o melhor da sala
    esse trabalho é muito legalllllllllllllll……

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