– Carta de um pai contra o BI

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Salvador, 06 de fevereiro de 2012.

MEDICINA DE “MÃO BEIJADA”

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Dirijo esta carta aos membros dos egrégios Conselhos Superiores da UFBA no intuito de me certificar que os mesmos estão conscientes (e talvez coniventes) de um fato que passou a ocorrer em 2012, no âmbito do processo seletivo de ingresso nos seus cursos de graduação.

A saída da primeira turma de egressos dos Bacharelados Interdisciplinares (BI) da UFBA, em 2011, está sendo festejada como uma vitória da inovação acadêmica sobre uma tradição universitária, classificada por esses mesmos promotores da inovação, como ultrapassada, esclerosada, incompatível com as demandas do mundo contemporâneo.

Não custa lembrar, que o diferencial desses Bacharelados Interdisciplinares, para os quais foi criada uma nova Unidade Universitária, o IHAC, seria a ênfase numa formação geral abrangente, envolvendo os grandes campos do saber, que ocuparia a primeira metade do curso – de 3 anos de duração – à qual se seguiria uma área de concentração focada num campo específico e de caráter introdutório a um curso de formação profissional (denominados a partir de então de CPL- Curso de Progressão Linear) para aqueles que desejassem o prosseguimento dos estudos, ficando definida uma reserva de 20% de vagas em cada CPL.

Como não houve uma adesão de todas as Unidades Universitárias a esse projeto inovador, inclusive, por parte de muitas Unidades verificou-se resistência e oposição, os BI, ao longo desses três anos, contaram com poucas áreas de concentração estruturadas, com currículos definidos, a exemplo dos Estudos Jurídicos, para os aspirantes ao curso de Direito, e dos Estudos do Comportamento e da Subjetividade, para os que pretendem o curso de Psicologia.

A maior parte dos CPL ficou assim desfalcada de áreas de concentração direcionadas para eles, e os seus aspirantes, durante a segunda metade do curso cursaram disciplinas oferecidas pelo próprio IHAC ou por outras Unidades, que se caracterizam pelo caráter lúdico e pela falta de rigor nos conteúdos e nas avaliações. Os que têm mais de 35 anos se lembram das famosas eletivas cursadas por exigência curricular e sempre escolhidas a partir dos critérios de pouco esforço intelectual e algum entretenimento.

Outro aspecto que merece destaque no funcionamento do IHAC é a supremacia absoluta do H e do A em relação ao C, ou seja, pouca ciência, pouquíssima tecnologia, e essa precária C&T sempre travestida de tratamento humanístico e artístico, amplamente justificado pelos propósitos inter/transdisciplinares do Projeto. A precocidade da escolha da carreira foi evitada e substituída pela prematuridade do cruzamento dos saberes, misturando-se o que ainda não se conhece.

Como o objetivo dessa carta não é avaliar as inovações acadêmicas da UFBA e sua eficácia, mas denunciar uma grave distorção, volto o foco da minha análise para o acesso ao curso que é o Grand Prix de todas as Instituições Superiores de Ensino (IES) e chego então ao ponto: o ingresso no curso de Medicina, o campeão absoluto da disputa do Vestibular, com 50 candidatos para cada vaga em 2012. Na UNEB a relação chegou a 200 por vaga.

E o que tem o BI a ver com isso? Tem tudo, já que uma injustiça foi cometida pela UFBA ao conceder, de “mão beijada”, 32 vagas de Medicina aos egressos do BI depois de passarem três anos se divertindo com amenidades do tipo: Campo da Saúde: Saberes e Práticas; História do Cinema I; História da Gastronomia; Educação Ambiental; Saúde, Drogas e Trabalho; Sexualidade, Subjetividade e Cultura; Saúde, Educação e Trabalho, entre outras do mesmo teor.

Não pretendo questionar aspectos epistemológicos ou pedagógicos dos cursos do IHAC, e sim, a legitimidade dessa generosa oferta de vagas, visto que este fato se constitui, obviamente, num atropelo ao princípio do mérito acadêmico e, sobretudo, das próprias regras do jogo da disputa por vagas. Vale ressaltar que essa situação se repete em menor escala para outros cursos concorridos, como as Engenharias. Onde os seus aspirantes estudaram Matemática, Física e Química se essas Unidades não participam do Consórcio do BI?

A adoção pela UFBA, em 2005, de cotas para a rede pública provocou muita celeuma na ocasião mas, nesse caso, não somente havia uma justificativa do tipo “justiça social”, como na prática, não houve atropelo do mérito acadêmico, desde quando essas preciosas e disputadas vagas vêm sendo ocupadas pela elite das escolas públicas que ensinam de verdade: o Colégio Militar do Exército, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFBA) e os Colégios da Polícia Militar. Os egressos das deficitárias redes estadual e municipais só têm acesso aos cursos de baixa concorrência, como já ocorria antes das cotas. A UFBA optou por não divulgar esse fato.

Considero leviano e injusto, uma Universidade, usar pesos e medidas diferentes, para o acesso aos seus cursos de alta concorrência, seja pela via Vestibular, seja pela via Vagas Residuais (transferência de alunos de outras instituições que são submetidos a um rigoroso exame dos conteúdos dos primeiros semestres, com baixíssimos índices de aprovação), ao subtrair vagas de estudantes que cumpriram as regras do jogo, estudando exaustivamente, concedendo um bom quinhão dessas vagas a quem passou três anos divertindo-se com as generalidades e amenidades de um curso de ?cultura geral?. É pertinente perguntar qual a lógica de garantir a um egresso do BI o livre acesso aos cursos tradicionais, se os egressos de qualquer outro curso, numa mesma área, não têm essa garantia? Voltando ao caso da Medicina, por que enfermeiros, farmacêuticos, dentistas e nutricionistas, se quiserem se tornar médicos, deverão se submeter à dura disputa pelo ingresso, enquanto as portas se escancaram para o BI de Saúde que adota um currículo, para dizer o mínimo, tão pouco ortodoxo?

Resta assim, aos preteridos pelos alegres e privilegiados bacharéis interdisciplinares, a opção de pagar de 3 a 4 mil reais mensais pela Medicina nas IES privadas ou incentivarem os seus filhos a pegarem o atalho do BI, na estrada real para os cursos de alta concorrência.

Saudações Universitárias

Renato Albuquerque
E-mail: renatoalbuquerque7@gmail.com

Pai de uma candidata não aprovada em Medicina, que passou dois anos estudando e teve sua vaga ocupada por um egresso da Disney World da UFBA. Com pleno direito ao ressentimento.

Ps: Por favor, divulguem em suas listas de discussão.

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Prezado Senhor, Prof. Renato Albuquerque,

Enquanto Cidadão e ex-Diretor da Faculdade de Medicina da Bahia (FMB)/UFBA, li com muita atenção a carta de Vossa Senhoria, a qual tem algumas conclusões semelhantes àquelas deliberações da Congregação da FMB-UFBA, durante o nosso mandato (2010) e na atual gestão (2011), da Profa. Lorene L. Silva Pinto – ambos os pareces da Congregação seguem como anexos desta mensagem.

Por ocasião da deliberação da Congregação de 2010, o parecer anexo foi encaminhado para vários Jornalistas atuantes no Estado da Bahia, Membros dos Conselhos Superiores da UFBA (CONSUNI e CONSEPE) e também para os dirigentes dos principais cursos secundários e de pré-vestibular (públicos e particulares). Infelizmente, até quanto sei, foi nula a mobilização da comunidade e o voto (2010) da Congregação da FMB-UFBA só teve impacto entre alguns Membros do CONSUNI, com a permanência da discussão e a introdução na pauta do CONSEPE, fundamento do segundo (2011) parecer da Congregação. Sobre o andamento dessa nova etapa, não tenho atuais informações.

Saudações Acadêmicas Bicentenárias,

José Tavares-Neto
Médico do Complexo Hospitalar Universitário Prof. Edgard Santos

Professor Associado da Faculdade de Medicina da Bahia (FMB)
Universidade Federal da Bahia (UFBA)
http://lattes.cnpq.br/6901204321244736

17 Respostas to “– Carta de um pai contra o BI”

  1. Menandro Ramos Says:

    Recebida por e-mail:
    ———————–

    Recebemos uma carta acima, dirigida à sociedade baiana. Trata-se do protesto de um pai contra o BI da UFBA. Sabemos que é um desabafo, talvez sem maiores repercussões, uma vez que fomos picados pela mosca da indiferença, segundo o meu amigo Saci. Às vezes, quero contestá-lo, mas abate-me um desânimo para lutar sozinho. E sou obrigado a dar-lhe razão.

    Lembro-me dos “democratas” da UFBa que não moveram uma palha sequer para barrar o marco regulatório biônico que temos hoje. A nossa insistência para a instalação de uma Estatuinte não teve a menor repercussão. Nem me lembro mais qual a desculpa que a APUB e a ASSUFBA deram para justificar a omissão de ambas.

    Dessa forma, creio que o fruto ainda se encontra verde para exigir
    qualquer reação da sociedade. Talvez, um dia, ele amadureça e as vozes críticas e insurgentes se farão ouvir…

  2. osaciperere Says:

    Circulou na “debates-l”:
    —————————————

    Prezados,

    A Era é da Mediocridade, mas o futuro cobrará muito elevado preço.

    Na FMB-UFBA, felizmente, nenhuma disciplina do tal BI tem serventia ao currículo médico e a entrada “pela janela” servirá tão só ao começo pelo tempo zero; não obstante, essa entrada irá furtar várias vagas de jovens talentosos e em seleção ainda mais competitiva.

    Saudações Acadêmicas Bicentenárias,

    José Tavares-Neto
    Médico do Complexo Hospitalar Universitário Prof. Edgard Santos

    Professor Associado da Faculdade de Medicina da Bahia (FMB)
    Universidade Federal da Bahia (UFBA)
    http://lattes.cnpq.br/6901204321244736

    ————————————————–
    Em 10/02/2012 17:36, Renato Albuquerque escreveu:
    ————————————————–

    Caro Jorge Maurício,

    Lamentavelmente essa brincadeira com o dinheiro público, que é o IHAC, conta com o aval da grande maioria dos membros dos Conselhos Superiores da UFBA. No caso das cotas, minha leitura é de que os conselheiros queriam ser politicamente corretos, mas no caso do BI não dá para entender tanto apoio aos caprichos e à vaidade do ex-reitor Naomar e suas propostas esdrúxulas de adotar modelos importados e deturpados de ensino superior.

    Embora eu tenha, retoricamente, me dirigido aos Conselhos não tenho a menor intenção de protocolar um recurso pois sei, de antemão, que não será aprovado e talvez nem mesmo apreciado.

    Digo isso porque o Prof. Tavares Neto, ex-diretor da Faculdade de Medicina, me enviou dois pareceres da Congregação sobre essa reserva abusiva de vagas para o BI, ambos muito bem elaborados e f undamentados e que foram derrotados no CONSUNI. Vou remetê-los para você.

    Apesar de tudo que sei, fiquei surpreso com o ‘orgulho assumido da inferioridade’, por parte dos professores que lhe mandam buscar mérito nas universidades do sul/sudeste. Com essa política de popularização da formação universitária, o próximo passo talvez seja instituir cotas para deficientes mentais.

    Cordiais saudações,
    Renato

    ————————————————–

    Em 10 de fevereiro de 2012 15:37, Jorge Mauricio David escreveu:
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    Prezado Sr. Renato

    Li sua carta de indgnação endereçada aos conselhos superiores da UFBA. Sou professor da UFBA e meu filho também prestou medicina. Ficou em 82 lugar depois de um ano e meio de estudos árduos. Se nao tivesse as cotas ou o BI ele estaria aprovado. Portanto sou solidário com sua indignação.
    Nao tem sentido reservar vagas para colegio militar e cefet. Um aluno do colegio militar que passou em ultimo lugar em medicina estava no lugar 260!!!! Quanto ao BI é uma escrescencia. Os alunos nao sabem dizer para que serve. Perguntei a alguns alunos e eles me disseram que serve para fazer pos-graduação (mas nao sabem qual o programa que aprovaria o ingresso) ou para prestar concurso (mas nao conseguem dizer qual o concurso público cmo exigencia de nível que poderiam concorrer).

    Eu e minha esposa estamos muito descontentes. Nao sabemos o que fazer, se entrar na justiça, se tentar o ministério público ou fazer nada e esperar (torcer) que meu filho passe na Baiana no meio do ano.

    O Prof. Menandro divulgou vossa carta no blog dele com uma chamada na lista de discussao da ufba. Se quiser posso copiar e divulgar novamente na lista debates. Tente protocolar na secretaria dos conselhos superiores da ufba. Mas adianto que não vai adiantar pois a maioria dos meus colegas não estão interessados em mérito acadêmico. Quando questiono dizem que quem quer mérito vá tentar a UFMG, USP, UNICAMP ou UFRGS, pois sao universidades elitistas….

    Atenciosamente
    Jorge M. David

  3. Menandro Ramos Says:

    Recebida por e-mail:

    ——————–

    PREZADO RENATO

    Compartilho de suas preocupações.

    Minha posição foi contra a proposta de rebaixamento da formação acadêmica.

    Infelizmente fui voto vencido e não tivemos a capacidade de mobilizar pelo menos 50% dos dois mil e seiscentos docentes da UFBA e dos 40 mil estudantes e quatro mil funcionário.

    Sua voz clama no deserto, como a minha.

    Mas não podemos abrir mãos da luta, da mobilização e da organização, em defesa da educação pública de qualidade.

    Precisamos avançar e isto significa defender o investimento público na universidade pública ampliando vagas, inclusive na medicina.

    Precisamos de bons médicos em todo o país.

    Precisamos avançar nos currículos, nas reformulações.

    Atenta aos seus reclamos, vou levar sua carta para fóruns onde atuo como docente e militante

    Atenciosamente

    Celi Zulke Taffarel

    Professora Dra. Titular UFBA.

    ————————————–

    De: Taffarel [mailto:taffarel@ufba.br]
    Enviada em: segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012 13:42
    Para: ‘renatoalbuquerque7@gmail.com’
    Assunto: A luta continua e é para vencer

  4. CidadãoDoMundo Says:

    kkkkkk, burguês brigando é tão engraçado. kkkkkkkkk.

    “Poxa, meu filho estudou em escola particular, dei tudo de melhor pra ele, coloquei ele na melhor escola da cidade, ele aprendeu direitinho a ser esnobe e a usufruir sem preocupações dos prazeres da vida, agora chega na universidade pública (PÚBLICA) e não pode ditar a regra que a burguesia quer?, poxa, que chato isso, não é problema meu se meu filho não quer passar 3 anos estudando antes de entrar no CPL, poxa, que chato ter que estudar matérias como BIOMATERIAIS E BIOTECNOLOGIA, ENGENHARIA BIOMÉDICA E CLÍNICA, MICROSCOPIA, NANOCIÊNCIA E NANOTECNOLOGIA, ou matérias como ÉTICA, pra meu filho ter que pensar e talvez criar uma consciência mais humanitária? deixa isso pros pobres miseráveis que não tem oportunidades, nós burgueses precisamos manter o nariz pra cima e dar de ombros ao que não for render dinheiro, mesmo que não seja da melhor forma.”

    Pra mim, universidade pública, deveria ser pra quem veio de escola pública e ponto final, quem pode durante a vida toda pagar escolas caríssimas para seus filhos, não deveria ter direito a cursar universidade pública, e deixar o pobre sem estudo, quem está tirando as vagas de quem merece são vocês, burgueses esnobes e miseráveis, cheios de si, sem nada na cabeça, sem consciência, bando de massa manipulável, sem escrúpulos e desumanos.

    • Gezilda Borges de Souza Says:

      Parabéns! Concordo plenamente com você! Universidade Pública é para quem sai de uma escola pública falida e, com muito esforço e ousadia consegue entrar em universidade pública.
      Quem ja sai da maternidade diretamente para as escolinhas/berçário privados e passa sua vida estudantil nas melhores escolas e colégios carrissimos, têm que buscar as universidades elitistas pagas ou até as públicas. Olha lá! Ainda tem que estudar muito, pois tem pobre que sai de escola pública entrando por lá também!
      Se “um filhinho de papai rico” estudou 2 anos a mais e não conseguiu entrar na UFBA ou em outra pública, é simples, continue estudando com afinco, quem sabe um dia chega lá!
      Medicina na UFBA agora tem pobre e negro com o BI ou sem ele. Sou testemunha!

    • Larissa Says:

      Comentário perfeito. Assino embaixo. Foi justamente isso que pensei quando li os comentários dos papais insatisfeitos. Que querem ver seus filho médicos com os bolsos cheios de dinheiro, mas sem humanidade com seus pacientes e alheios a responsabilidade social

  5. Camila Says:

    Acredito que o BI deveria ser reformulado para inibir este “mal uso”, de maneira que houvesse a integração entre as diversas área de saber nos primeiros semestres, mas que as várias disciplinas livres/optativas fossem mais restritas a área do futuro curso e que o peso destas disciplinas no cálculo do coeficiente de rendimento fosse muito maior do que quando o aluno optasse por cursar matérias de outras áreas mais fáceis (para os alunos que cursam estas matérias sem o real interesse no aprendizado mas só para aumentar seu coeficiente de rendimento).

    Não estou disposta a passar 3 anos estudando matérias que não serão aproveitadas no meu futuro curso… só para ter meu coeficiente alto e ser classificada. É uma pena ver alunos se submetendo a isto, quando poderiam estar cursando outras disciplinas que realmente agregariam valor a sua futura profissão.

    Conhecimento sempre é bom, mas é preciso foco.

    Concordo que o curso deve ser reavaliado.

  6. Claudinéia Says:

    O grande incomodo da elite, é saber que os menos favorecidos economicamente estão em ascensão nas grandes universidades, sobretudo Federais, e que o lugar o qual era majoritariamente ocupados por tais, agora é de direito de todos! Até quando vocês deixaram a arrogância, o status, a hipocrisia e tantas outras coisas falarem por vocês? Preconceito é antes de tudo uma opinião formada sobre algo, o qual não se tem conhecimento. Os bacharéis interdisciplinares em saúde, muito ao contrário do que foi relatado nesta página, são pessoas em sua maioria, dedicadas, que precisam de ter um bom escore por sinal para ingressar no curso de medicina. Como em todos os outros cursos, existem sim pessoas desinteressadas e sem foco, isso não é uma peculiaridade somente do Bi. Em outra perspectiva, é importante destacar que as vagas para o egressos do Bi no curso de medicina, são tão concorridas quanto á forma tradicional. Reitero que sob meu ponto de vista, é ainda mais concorrido, visto que os bacharéis precisam de um bom desenvolvimento no curso durante 3 anos, mantendo como já foi mencionado, bons escores para no final, concorrer as vagas. Falar que são vagas dadas de mão beijada, é pura ignorância de quem não tem conhecimento sobre o que se fala, e isso é gravíssimo! Nem todos que desejam o curso de medicina através do Bi de saúde, conseguem. É incomodo para vocês saberem que a grande massa popular , pode e devem por direito ocupar determinados cargos na sociedade, antes ocupados somente por uma minoria da elite. Concordo que precisamos de médicos cada vez mais qualificados e que a ampliação de vagas nas Universidades devem ser ampliadas. No entanto, dizer que fulano ou beltrano não consegui passar em medicina por que a vaga está sendo dada de mão beijada para os egressos do Bi de saúde, é no mínimo ignorância. Já que a elite pode ter acesso as melhores escolas e uma educação de qualidade, vossos filhos deveriam ter passado em primeiro lugar ou deveriam estudar medicina em uma escola particular!! Visão crítica, mentes pensantes, humanização, igualdade, inclusão social, é o que precisamos. Enxergar o indivíduo e toda a sua complexidade para além da biologia e do modelo biomédico e cartesiano , é o que focamos enquanto bacharéis interdisciplinares e futuros profissionais de saúde, independentemente da área que desejemos atuar. Outro ponto importante destacar é que logicamente quem tem oportunidade de uma educação melhor,, sem a necessidade de ter que trabalhar enquanto estuda pois tem os pais para bancar escolas particulares, com acesso á todos os materiais necessários, sem ter que trabalhar ao mesmo tempo, terá lógico vantagem em detrimento da maioria que não dispõe desses recursos. Isso explica a questão do curso de medicina ser tão elitista “outrora”. Tratar os desiguais de maneira desigual, na medida de suas desigualdades, chama-se: EQUIDADE! Se os filhos de vocês fossem melhores que os outros passariam logo em primeiro lugar. Ampliem os horizontes antes de falarem palavras carregadas de preconceito e discriminação. Iremos continuar incomodando essa burguesia que se intitula de melhores e donos da verdade. A sociedade necessita de profissionais que dialoguem com seus pacientes, o considerem em sua totalidade, respeite suas crenças e os ajudem da melhor forma, de modo que estes, sintam- se acolhidos e vistos com dignidade.

    Atenciosamente: Claudinéia Silva, graduanda do Bacharelado Interdisciplinar em Saúde. (UFBA).

    • Lucas Says:

      Claudinéia você fala por todos nós COTISTAS,jovens cujo sonhos muitas vezes foram adiados ou trocados simplesmente por que tiveram que trabalhar ou vieram de um ensino alienante e fraco.Eu mesmo sou de escola estadual,desde os 14 anos trabalho em um turno e estudo em outro,paguei meu cursinho do próprio bolso,prestei para medicina por 2 anos,infelizmente não passei,mas fui aprovado em ENGENHARIA ELÉTRICA e mesmo não sendo MEDICINA posso comprovar que a maioria das pessoas de minha sala estudaram em particulares ou vieram de IF´s ou CPM´s.Não desisti do meu sonho de medicina,esse ano prestarei de novo e com certeza vou passar e ao ver esses “protestos burgueses” me sinto mais inspirado a estudar e entrar no curso.Não se preocupe papais de “antonios vieiras,sartres” ano que vem vou estar estudando com seus filhos rsrs…aliás se eles passarem né!

      • Gezilda Borges de Souza Says:

        Parabéns! Concordo plenamente com você! Universidade Pública é para quem sai de uma escola pública falida e, com muito esforço e ousadia consegue entrar em universidade pública.
        Quem ja sai da maternidade diretamente para as escolinhas/berçário privados e passa sua vida estudantil nas melhores escolas e colégios carrissimos, têm que buscar as universidades elitistas pagas ou até as públicas. Olha lá! Ainda tem que estudar muito, pois tem pobre que sai de escola pública entrando por lá também!
        Se “um filhinho de papai rico” estudou 2 anos a mais e não conseguiu entrar na UFBA ou em outra pública, é simples, continue estudando com afinco, quem sabe um dia chega lá!
        Medicina na UFBA agora tem pobre e negro com o BI ou sem ele. Sou testemunha!

    • Gezilda Borges de Souza Says:

      Parabéns, Claudinéia! Sou, como você, a favor da inclusão! Se esta for por meio do BI ou por políticas públicas, não importa. O importante é que na Faculdade de Medicina da UFBA, atualmente, tem pobre estudando e levando o curso com seriedade

  7. milaitala Says:

    Exatamente! Estou aqui para incomodar também, percebi que o que mais incomoda nos BI’s, é a entrada para o curso de medicina, né? Estou entendendo claro, profissão elitizada só pode entrar elite né? Eu entendo como deve ser difícil para o Sr. Renato Albuquerque que a vaga do seu filho seja “ocupada” por um Santos, Silva, Souza, Pereira, Oliveira…
    Mas enfim, preferi outra área, mas também peguei muitas disciplinas com os “filhos abençoados da Ufba”, disciplinas mais fáceis, disciplinas mais difíceis, e como o Sr, está bem informado deve saber que não pegamos apenas as disciplinas do BI, que o Sr. sem o devido conhecimento as intitulam de fáceis, mas pegamos também disciplinas em outras áreas como no meu caso, eng.civil, eng.ambiental, geologia, geofísica, e posso te afirmar que mesmo trabalhando, me saí melhor que muita gente que entrou direto no CPL.
    E quanto aos Srs. Professores incomodados, lembrem que pela mesma forma que vocês entraram para lecionar na UFBA, os professores dos Bacharelados também entraram.
    E sinceramente Sr, Renato? Tomara que seu filho não passe nunca, pois com um pai como o Sr. com certeza ele será mais um daqueles médicos que não respondem nem um bom dia aos pacientes.
    Att,
    Mila Santos
    Formanda 2014.2, em Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia

  8. Leide Mota Says:

    Prezado senhores indignados

    Sou Bacharela recém formada no BI de Humanidades, e não fiz meu curso brincando, como é o caso de alguns filhinhos de papai que vão para a Faculdade brincar de estudante. Foram 3 anos de dureza, sem vida social, noites em claro, para concluir com louvor meu curso. Também sou mãe, eduquei o meu filho em escola pública, quando ele fez o vestibular não era com notas do Enem não, era somente a prova da UFBA e ele (o meu filho) oriundo de escola pública passou no mesmo ano em Farmácia na UNEB, foi 1º colocado do Prouni, recebendo bolsa integral em Biologia na UCSAL e passou também em Medicina na UFBA, escolheu cursar Medicina é claro! Não seria o caso dos filhos de vocês se esforçarem mais um pouquinho? Se dois anos não foram suficiente quem sabe mais um ano com dedicação total não dará a eles essa oportunidade de concorrer com os que realmente estão estudando e conseguiram passar?

    Leide Mota, Bacharela em BI Humanidades.

  9. Fábio Lima Says:

    Prezado Renato,

    saiba que o seu discurso desrespeita todos aqueles que se esforçam para uma mudança ética e cultural no ensino superior público e ignora o trabalho realizado por profissionais competentíssimos do IHAC.
    Entenda que suas palavras dirigidas ao instituto refletem sua posição nesta sociedade soteropolitana. O seu lugar não é o lugar daqueles pais e mães que sobrevivem arduamente para (quase) morrerem de alegria e orgulho quando seus filhos(as) passam no vestibular – principalmente no referente a uma universidade pública. A sua posição é hiper minoritária.
    Por conta disso, seu discurso reproduz a sua posição. Poderia não fazer isso, mas faz. Palavras como “(…) três anos se divertindo com amenidades”, a chacota com a “cultura geral”, o IHAC como “brincadeira com o dinheiro público” e “Disney World da UFBA”, e demais, são pareceres inaceitáveis.

    Rogo para que o Sr. deixe de emitir essas barbaridades. Quanto à sua filha, as possibilidades já foram disponibilizadas no seu texto. Aposto que o Sr. saberá muito bem como investir nela. Ou seja, o caminho dela será o seu.

    Lá no IHAC, ninguém está brincando.

    Att,
    Fábio Lima
    Bacharel em Humanidades (IHAC, UFBA); Graduando em Direito (UFBA).

  10. José Raimundo dos Reis Júnior Says:

    Tenho uma dúvida e peço ajuda de todos. O egresso do B.I ao entrar em CPL não elimina nenhuma matéria? No caso, por exemplo, de medicina, o egresso estudou 3 anos e irá estudar mais 6?

  11. Joel Santos Says:

    PARA QUEM QUER SE TORNAR APENAS PEÇAS DE REPOSIÇÃO AO MERCADO QUE SEJA. OS BI GARANTEM A HUMANIZAÇÃO TÃO PRECONIZADA NOS URROS SOCIAIS

  12. Leonardo Says:

    Quanto conflito….. Até quando vamos viver assim?
    Entendo a situação do pai, mas não compreendo a necessidade da ofensa como forma de defesa…. Talvez informação seja a melhor forma de combater isso tudo… Aos professores que se manifestaram contrários ao BI, lamento muito, pois são docentes, respeitados em suas áreas e não refletiram tal situação a luz da desigualdade que leva nossa sociedade ao caos.
    Esquecem que nós, alunos do Bi não somos páginas em branco.
    Existem só na minha turma uma multiplicidade de experiências. Estudo com Engenheiros químicos, biomédicos, odontólogos, psicólogos e vários outros profissionais que resolveram voltar a Universidade para contribuir com um mundo melhor e mais justo.
    Respeito é algo que em todos os discursos deve fazer parte.
    A dor de ter um filho que fracassou em um determinado momento, não deve ser sobreposta a vitória do outro, pois se for para ser assim, qual a sociedade vamos construir….
    Sei que o novo assusta, mas se lessem um pouco mais sobre as mudanças dos paradigmas científicos, saberia que essa construção linear da própria ciência já esta em falência desde a década de 70…
    Vamos evoluir para criar uma consciência planetária e parar de evocar tempos memoráveis que nos conduziram até essa realidade difícil que vivenciamos…

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