 Democracia, Independência e Autonomia versus subordinação dócil ao aparelho de Estado – Antônio Câmara

Antônio Camara
Prof. da FFCH/UFBA

O Professor Paulo Henrique, que ocupa atualmente cargo de confiança no governo do Estado da Bahia conseguiu uma folga na sua vida atribulada para intervir no debate defendendo a destruição do ANDES-SN. O colega considera que o ANDES-SN é um monstro burocrático que não contribui para a emancipação dos trabalhadores e de forma falaciosa atribui ao ANDES-SN práticas stalinistas. Afirmamos falaciosa, pois para comprovar sua tese discorre longamente contra a forma de organização do sindicato: assembléias de base, Congresso, CONAD; e contra os estatutos do sindicato. Em seguida, de forma oportunista, pinça “posições” que atribui ao ANDES que o colocam contra os movimentos sociais; terminando sua investida dando razão ao governo na perseguição ao sindicato e defendendo a pulverização sindical dos docentes.

 Por absoluta falta de tempo não temos condições de responder a tão minuciosa comunicação, mas novamente gostaríamos de reestabelcer alguns princípios omitidos pelo colega. A APUB-SSind e todas as demais Associações docentes filiadas ao ANDES-SN construíram ao longo de mais de vinte anos o Estatuto agora rejeitado pelo colega e, como aqui na Bahia as gestões daqueles que defendem o ANDES-SN neste momento restringiu-se a apenas três mandatos (seis anos), logo se conclui que todas as gestões da APUB (em um tempo onde prevalecia a discussão democrática nas Assembléias) foram responsáveis pelo Estatuto que agora está sendo rasgado.

 Não se trata de defender o Estatuto, mas apenas de informar ao colega que este passa por discussões e reformulações nos Congresso com a presença de delgados de todas as entidades docentes de Ensino Superior filiadas ao ANDES, inclusive aquelas que estão situadas em território baiano. Em segundo lugar o colega afirma que é antidemocrático as deliberações de Assembléias de base, amplamente convocadas em todo o país, talvez mais democrático seja suspendê-las, como faz a direção da APUB aqui na Bahia, e deliberar quase absolutamente tudo no âmbito das diretorias, ou através de consultas eletrônicas como o pratica a Associação governista que pretende dividir a categoria docente.

Talvez pelo mesmo motivo, entende democracia como exclusão de Unidades de ensino menores, e deliberação democrática como decorrente de interesses regionais, em suma pensa os professores de modo provinciano, defendendo interesses bem particulares que não cabem em uma pauta unificada construídas por toso os congressistas. Não aceita que um sindicato possa utopicamente desejar um ensino publico, gratuito, laico e de qualidade, mas ao mesmo tempo incorporar a bandeira  de defesa de todos os docentes de nível superior contra a exploração, por salários dignos e isonômicos.

O colega defende representações gigantescas para as grandes Universidades públicas e a redução da representatividade das pequenas e médias instituições universitárias no Congresso do ANDES-SN e no seu CONAD (democraticamente o professor poderia defender essa proposta na APUB e no Congresso e aceitar a deliberação deste, no entanto isso não é possível, pois ele não considera democrático o fórum congressual. Parece que considera que o Congresso Nacional corrompido e escandaloso dirigido pelas velhas oligarquias é mais democrático). 

Curiosamente o colega não se refere à estrutura da CUT, Central que apoiou a reforma da previdência contra os servidores públicos e abriu mão de representar os trabalhadores para ajudar o governo a governar. Curiosamente o colega não percebeu que a CUT, hoje, perfila-se ao lado da Força Sindical, da CGT, Federações, Confederações, políticos corrompidos etc. Não percebeu que o PROIFES com aval da CUT usou da força para impedir o acesso de professores ao seu Congresso, e que deliberou a criação de seu sindicato através de voto por PROCURAÇÃO. (Truculência, adesismo, oportunismo e peleguismo não são atributos da verdadeira burocracia sindical?)

O colega acusa o ANDES-SN de não permitir isonomia em campanhas eleitorais, considerando que a gestão de dois anos já é em si uma campanha permanente. Omite que afora os componentes da diretoria do sindicato todos os demais participantes dos eventos são eleitos em suas bases e financiados por suas entidades de base. Esquece que em nenhuma AD eles foram enviados para as atividades do ANDES-SN sem deliberação de base. Esquece que, ao contrário disso, é pratica recorrente do PROIFES fazer reuniões com delegados não eleitos em nenhuma Assembléia de base, como foi o caso da própria APUB que enviou representantes com direito a voto para o seu Congresso, sem que estes tivessem sido escolhidos em Assembléia de base ou mesmo que a categoria fosse consultada por qualquer meio pós-moderno tão defendido pelos colegas. O colega acusa o ANDES-SN de práticas que são efetivamente realizadas pelos partidários do PROIFES e, infelizmente, até pelas ultimas diretorias da APUB-SSind. Mas caberia pergunta ao insigne colega, membro do governo petista: porque ataca o ANDES-SN com as mesmas armas que a direita (PSDB e DEM) usa para atacar o governo Lula? Segundo eles o governo está permanentemente em campanha política no Brasil e exterior. Até o presente momento, mesmo com posição distinta do atual governo jamais fiz coro à maledicência da direita, porque utilizas contra seu Sindicato nacional esta arma torpe que a direita usa contra o governo?

Por fim, gostaria de comentar o último ataque do colega ao ANDES-SN. O governo retirou o registro Do ANDES-SN, agora reestabelecido, aceitando do SINPRO, não porque este não consegue dar conta das demandas dos colegas das IPES (Instituições Particulares de Ensino) e sim porque o ANDES-SN incomoda. Incomoda o governo atual por manter-se independente. Incomodou os anteriores e até a própria ditadura. Mas jamais foi tão cerceado como na época atual, quando os “companheiros” consideram que toda crítica deve ser punida, sobretudo quando parte de entidades e indivíduos independentes.

Talvez se Paulo Henrique fizesse um exercício de memória conseguisse lembrar que esta prática sim é stalinista, e foi usada para domesticar os sindicatos, movimentos e partidos na União Soviética. As práticas de burocratização são acompanhadas pelo oficialismo e alinhamento automático a governos e reitorias, e não pelo comportamento crítico, o debate, a autonomia e a independência de organismos sindicais.

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