 Jornal APUB: um mau começo – Cláudio Lira

 

Cláudio Lira
Professor da FACED/UFBA

Recebi hoje o Jornal da APUB – edição especial – que versa sobre “Rumos do movimento docente”. Não li todas as matérias ainda mas já de saída fiquei indignado.

Pelo bem da democracia sempre que vamos fazer um debate – que servirá de base a uma decisão importante – no meio sindical ou em outro qualquer  as partes conflitantes devem ter as mesmas chances e condições de expressar suas posições para garantir que os principios da Isonomia e da Isegoria. O equilibrio no conjunto das informações que deverão – junto com outras coisas, claro – fundamentar ou ampliar a compreensão de um certo problema para uma posterior tomada de decisão é fundamental para a legitimidade do processo, para que ninguém diga que foi um processo tendencioso, que houve deslealdade, que foi um processo contaminado, ou para ser mais claro que trata-se de um faz-de-conta democrático do tipo “vamos discutir o que de antemão já está decidido”.

Pois bem, abri o jornal e constatei lá o profundo desequilibrio na organização das posições além de um texto do professor Gil Vicente da UFSCarlos, presidente do PROIFES com duas páginas. Ora a Diretoria da APUB havia delimitado em 5000 caracteres os textos para compor o jornal, não era para todos? Se encomendou um texto ao presidente do PROIFES e o debate é para decidir a filiação ao ANDES não seria correto encomendar ao presidente do ANDES um texto de mesmo tamanho? 

São ao todo 15 textos, fora o editorial. Destes 10 são pro PROIFES e isso tem que dizer algo que uma diretoria que inclusive tece críticas a verve autoritária do ANDES. Na mesma moeda? Autoritarismo combatido com autoritarismo? Então o que é mesmo que a base de professores da APUB vai escolher? Entre o autoritarismo do ANDES e o autoritarismo do PROIFES? Não há escolha neste jogo de soma zero e quem sai perdendo é a base da categoria e a democracia sindical.

Triste papel o que esta diretoria desempenhou neste início formal do debate (sim porque o debate mesmo já começou a pelo menos 20 anos). 

Porque isto diz do que é capaz para que sua posição seja vitoriosa na contenda. Talvez por isso tenha tanto receio de decidir os rumos do movimento docente na UFBA num Congresso de professores com tudo que envolve – período para escrever teses ao congresso, delegados por unidade (o que implica mandato/representação e discussão nas bases) e congresso com tempo e espaço para decisões desta magnitude. 

Plebiscito, ainda que antecedido de uma (e não mais que uma) edição especial do Jornal e um debate em cada seção filiada a APUB (um na UFBA + um na UFRB + um no IFBA). A postura assumida na coordenação da edição especial do jornal parece anunciar os rumos do debate.

Não tenho acordo com a posição do ANDES/SN ter saído da CUT, não tenho acordo com o processo de estrangulamento das forças democráticas no interior do aparato sindical, mas tampouco posso ter acordo de se usar as mesmas táticas daqueles que se crítica e, infinitamente não tenho acordo com quem age em causa própria e destrói o sindicato com este tipo de expediente.

 

Neste episódio lamentável a manchar já o processo quem perde é a base da categoria – tenha ela a posição que for com relação ao imbróglio. E aprendi que são posições como esta que estragulam as possibilidades de diálogo entre os diferentes setores de uma mesma categoria e entre diferentes setores da classe. São posições como esta que colocam em questão a credibilidade do processo político regido por regras não claras ou modificadas sem se consultar niguém.  Se no últimos congressos do ANDES em que fui, denfendi sempre minha posição contra a maioria dos congressistas e em Cuiabá contra todos com relação ao equívoco que era sair da CUT, se afastar da classe, sinto que não posso me calar aqui.

Tenho que dizer pelas vias que puder, quantas vezes se fizer necessário, que não tem o meu acordo este tipo de postura assumida pela direção da APUB, o jornal tinha tudo para ser uma excelente possibilidade de travar um debate civilizado e honesto. Por isso termino como comecei: Recebi hoje o Jornal da APUB – edição especial – que versa sobre “Rumos do movimento docente”. Não li todas as matérias ainda mas já de saída fiquei indignado.

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Uma resposta to “ Jornal APUB: um mau começo – Cláudio Lira”

  1. Saci-Pererê Says:

    Caro Cláudio Lira e demais colegas

    Assim como você, também estou indignado. Creio que existam muitos indignados, muitos nem se dignam a exporem-se na lista, mas muitos estão indignados.

    Confesso que já preparei minha carta de (des)filiação desde do inicio do ano passado e a cada momento tenho mais um motivo para isso, mas ainda creio (pois tenho fé) em uma mudança aceitável e a um desatrelamento e verdadeira autonomia sindical, por isso ela está arquivada.

    O desequilíbrio neste debate e a possível INTERNETIZAÇÃO desta decisão, deixam-me muito preocupado, pois a APATIA que se abateu sobre os docentes, torna qualquer decisão indecente. E é no ápice desta apatia que estas propostas de alinhamento geral e irrestrito do pseudo-sindicalismo ganham cada vez mais força.

    No momento é só uma constatação.

    Att.

    Marco Antonio Tomasoni
    IGEO-UFBA

    (Comentário publicado na lista Apubdebates-l, sobre o texto supra, dia 22/5/2009 às 16:02h.

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