 Neopeleguismo na APUB-BA – Altino Bonfim

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Altino Bomfim – filiado a APUB-BA


“Sindicato é pra lutar”! Essa é uma bandeira política que orienta os trabalhadores organizados de todo mundo na defesa de seus interesses e direitos face os patrões (seja o Estado ou empresários). Nessa linha pautou-se organismos como o ANDES/SN e filiados de todo o país com a clareza de que os trabalhadores não obtêm benesses dos patrões e que só conseguem conquistar algo, na luta diuturna, sistemática e organizada.


Como soe acontecer, historicamente, registra-se trabalhadores e entidades que abdicam da identidade, da autonomia e independência tornando-se colaboradores dos patrões, correia de transmissão, os conhecidos pelegos.


Até final dos anos 1900 a APUB-BA se caracterizava no seio do MD como um sindicato de luta, combativo, ombreando com outras entidades na defesa intransigente de princípios como a autonomia e independência de partidos e governos, com seus membros unidos em defesa de direitos.


Observa-se que, a partir de meados da década de 1990, com o governo FHC começa a haver divisões, com segmentos levantando idéias de colaboracionismo e questionando instrumentos de luta como a greve. Essa situação se agrava com a chegada ao poder do PT e outros partidos tidos como de esquerda, historicamente vinculados com os movimentos sociais e sindicais, a partir de ação de cooptação de lideranças, e mesmo de organismos como sindicatos e centrais. Se de um lado o governo atuou de forma a subordinar, cindindo e emasculando as entidades, de outro lideranças com tendências colaboracionistas se aproveitaram da situação para atrelar as entidades em troca de cargos e/ou benesses diversas.


Cabe ressaltar que a cooptação e a colaboração além de serem atos de mão dupla contam com o aval da base social da categoria nos sindicatos.


Com o governo do PT e Lula difunde-se o discurso ideológico da negociação boa e civilizada com o Estado-patrão em contraponto com os dinossauros e esquerdistas que não distinguem as características “democráticas” desse governo.


Esse quadro político criou as condições para a ascensão de segmentos conservadores ao poder em sindicatos, avalizados pelas bases cada vez mais omissas e desmobilizadas, bem como no plano nacional com a criação do organismo oficial denominado PROIFES.


Coincidindo com o movimento político nacional, há duas gestões a APUB muda radicalmente sua postura passando a abominar a luta por direitos e o respeito a princípios advogando a ampla, geral e irrestrita colaboração com governos seja da universidade, do Estado ou federal, o rompimento com o Andes-SN – considerado radical e esquerdista – e capitaneando o apoio ao PROIFES.


No presente, na Bahia, não mais se distingue a UFBA da APUB em termos de identidade política e funcional. A fórmula foi simples e tradicional: dirigentes atuais e ex foram empregados no reitorado, complementando salários. A situação é tão esdrúxula e inusitada que, em algumas assembléias imaginava-se estar em reunião oficial.


Essa promiscuidade atende aos interesses políticos de professores e lideranças que se locupletam com o poder e também ao poder na UFBA que deixa de ter oposição, de contar com resistências a seus projetos (antes liderados pela entidade independente e autônoma) a exemplo da chamada “universidade nova” e de programas oficiais federais como o Reuni.


A situação de entregação da APUB-Ba coloca uma situação de vida ou morte pela manutenção do aparelho sindical pelo grupo oficial não só para calar resistências, desmobilizar a categoria mas também porque funciona como base para assegurar lugar junto ao poder seja na UFBA seja no Estado ou mesmo no governo federal.


Daí se entender fatos como a presença de não docentes, com camisetas partidárias, estarem a fazer boca de urna quando da última eleição da entidade, no último mês de novembro. Daí se entender o intenso uso da máquina do sindicato e da universidade para ganhar as eleições. Entende-se, portanto, que a perda da APUB para a oposição representaria muito mais que a perda da direção do sindicato mas os espaços junto ao poder.


Recebido em 15/12/2008 01:12

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