– O problema é sindical

Maria Inês Marques
Profa. da FACED/UFBA

Este título resume tudo o que está acontecendo conosco na UFBA, em termos de vida acadêmica e funcional. A relação é direta, sem canais de comunicação coletiva da categoria, pela via sindical, estamos ao vento. Assim, cada qual cuida de si. Um sindicato tem como uma das funções, promover encontros reflexivos sobre as necessidades da categoria e transformar as decisões em agenda de luta, para a superar os problemas. De outra parte, um sindicato pode permanecer inerte, caso não haja pressão da categoria para sua ativação. Diante do medo do que pode produzir um encontro de docentes, foi disseminada a idéia de que assembléia não presta para nada. Com a longa jornada de trabalho e sem tempo para poder conviver, vamos aceitando esta imposição sindical da atualidade, que tem outros mecanismos de afastamento dos pares para a luta. Um exemplo a mais é o exercício do direito de voto, secreto e direto, que tende a ser substituído pelo voto  eletrônico, devassado.  A convivência se extingue, pelo medo do encontro, enquanto estamos com nossas forças dispersas,  as decisões escapam de nossas mãos.

         Pensar em um esquema cooperativo para adiantar o lado dos docentes no desenvolvimento e administração de pesquisas, faria parte do projeto de Universidade? Em que medida a enorme carga horária docente influi em sua capacidade de formar estudantes? Que qualidades ajudamos a formar nos estudantes? Destaco aqui a cruel situação de rodízio de substitutos para o ensino. Está previsto o ingresso de inúmeros e necessários substitutos temporários, a legislação abriu um grande leque de situações, que agora serão cobertas por substitutos.  Tudo bem, vamos às perguntas: Quando teremos vagas efetivas e concursos públicos? O rodízio incessante de professores substitutos ajuda na qualidade da formação universitária?  De que maneira efetivamos a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão na Universidade? Que projetos temos para a sociedade? Na relação da pós-graduação e graduação, o professor teria a obrigação de trabalhar nos dois níveis? E as condições para isto, se ele tem que produzir em grande volume? Onde está o sindicato? Deveria defender nossas posições? Quando foi a última vez que tomamos decisões juntos?

         Às vésperas de sair de licença para o pós-doc, discutimos na rede, a situação da carga horária docente e sua distribuição em termos regimentais,  que repercutiu e gerou resposta institucional. Nesta oportunidade, as discussões, sugestões vieram pela rede e as lideranças levaram para diferentes instâncias, este movimento acabou forçando a suspensão temporária deste item do regimento.  Antes de retomar minhas atividades acadêmicas, no processo de programação de disciplinas, constatei que a suspensão permanecia. Foi então que  recordei-me de tudo isto. Ainda não conheci a proposta que será decidida. Temos conselheiros da categoria no Consuni, e aí? Vamos só tomar conhecimento ou decidir coletiva e presencialmente?

         Então colegas,  carregamos um potencial para solucionar as situações no coletivo, que até pode começar pela rede, mas deveria ser decidido na discussão presencial coletiva, esta prática, estamos perdendo. O espaço de decisão sobre nossa vida funcional, teria que ser garantido por nós, temos autonomia para nos juntarmos, para entender e modificar o nosso contexto de trabalho… Isto inclui desenvolver, definir objetivos, ter um projeto de luta e uma agenda colaborativa entre instituição e docentes, para mudar o quadro atual. Pode surgir de uma ação coletiva, autônoma e democrática, um espaço onde no mínimo possamos reconhecer nossas debilidades e fortalezas, depende de quanto estejamos interessados em mudar o quadro.

Saudações na luta!

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