Os rumos dos Indignados da Porta do Sol

Maria Ines Correa Marques
Profa. da FACED/UFBA
e correspondente do Blog do Saci nas Oropas

Comentava com um amigo, que o movimento dos indignados poderia significar bem mais que jovens instigados por um livro. Por outro lado, ainda não tinha visto posicionamento mais contundente contra as instituições. Parecia que falavam ao vento, com muitas palavras de ordem sem que apontassem contra o que lutam. Mudança, na vida em sociedade requer mexer nas instituições, eles queriam distância de políticos, partidos etc. Agora se insurgem contra eles, é sobre esta mudança de rumos que quero abordar.

Desde o ano passado, a Espanha está discutindo uma reforma da legislação trabalhista, construída há 38 anos, fizeram uma greve geral contra ela, chegaram a um acordo para contemplar os reclames dos trabalhadores. Pelo calendário acordado, agora seria a hora de aprová-la.  A Espanha precisa adequar sua legislação para o mundo da competitividade capitalista, este porém, não é um movimento espontâneo do governo, é uma exigência da União Europeia para cumprimento de seus objetivos. Parece então que os indignados encontraram um foco, agora querem impedir a aprovação da reforma.

Em meio ao encerramento da fase de acampadas, que gerou muitas discussões nas assembléias realizadas nas ruas, com a livre participação de todos os interesados, foi convocada uma manifestação em direção aos parlamentares. O mecanismo foi o de sempre, chamada pela Internet e as ruas se encheram, em direção ao Congresso  dos Deputados. Tratava-se de uma Marcha contra a Reforma Trabalhista. Em frente ao Congresso um cordão de isolamento de policiais enquanto eles gritavam em unísono palavras de ordem, que constavam dos cartazes que carregaram e de uma carta aberta com o lema: Penso, logo resisto”. Permaneceram gritando por seis horas.

Prometeram lutar contra a reforma e ameaçaram acampar na frente do Congresso, como a acampamento da Praça está previsto para existir até domingo, marcharam de volta em direção à Porta do Sol. No retorno ainda se viam os cartazes dizendo: “Violência é não chegar ao fim do mês”, “Reforma laboral é patronal”, “Não falta dinheiro, sobram ladrões”, “Recorte aos ricos primeiro”.

A União Europeia atualizou seus planos econômicos para cada um dos 27 países, para os próximos 12-18 meses, incluiu a participação da juventude e pretende modificar a situação dos empregos dos jovens. Com a livre circulação de bens, mercadoria, serviços e trabalhadores, esperam mudar o quadro de alta taxa de desemprego na faixa etária mais jovem. Agora que os indignados apontam para um alvo concreto, vamos ver seus desdobramentos, disseram que vão convocar greve geral, sem contar com sindicato algum.

O Pepino é convencer os indignados das boas intenções existentes na reforma que retira direitos, flexibiliza ao máximo as negociações pro patrões. Entendo que vivendo dentro do mais avançado capitalismo, eles querem alterar seu funcionamento, das instituições ditas democráticas. Discursam contra suas características excludentes, elitistas, em que os representantes do povo, representam em realidade as elites econômicas e seus interesses.

Entre os cartazes um chamou minha atenção: “Reforma trabalhista para os políticos”. O curioso, é que neste mesmo dia, o presidente do Congresso propos a diminuição das sessões de trabalho  parlamentar e o fez daquela forma muito conhecida nossa, com rapidez disse: aqueles que concordam com a proposta permaneçam como estão. Apanhados de surpresa, todos ficaram paralisados e a proposta de experimentar a redução do trabalho foi aprovada.

Os indignados se espalham pelo mundo e marcaram para o dia 15 de outubro uma manifestação mundial. Será que teremos indignados no Brasil?

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