– A sopa sem sustância do Proifes

Para o Saci, Raulzito não morreu... (clique na arte para visualizá-la melhor, mas tape o nariz).

Achamos pertinente registrar alguns diálogos entre docentes da UFBA, especialmente entre os professores Tomsoni do IGEO e de Maria Inês da FACED. Os dois referidos no corpo deste post, e os demais no espaço dos comentários.

———————

Caro professor Tomasoni,

Estamos órfãos de sindicato, silentes e passivos. Em nível nacional, as seções sindicais do Andes, definiram um plano de carreira, em congressos e Conads, estão lutando contra o governo e Proifes por sua implantação, o que sabemos nós sobre esta discussão? O que nos aguarda?

O senhor descreveu muito bem o cenário de trabalho, as insanas lutas para progredir e também, quando aborda o papel de nossos representantes nas instâncias decisórias. Eles votam com base em suas perspectivas.

Não tenho dúvidas que parte de nossos problemas decorre do nosso isolamento sindical nacional. O Proifes, que insiste em dizer que nos representa, é um parasita sindical. A Associação de Docentes da UFMG, que é deste grupo, por meio de uma denúncia de um dos seus diretores, nos mostra como eles agem para se sustentar financeiramente e como atuam politicamente. O denunciante afirmou que o grupo recebe financiamento do governo, de forma legal, claro. O Andes denunciou verbas recebidas por um de seus membros na justiça.

O Proifes têm a função precípua de dividir a categoria ao defender as propostas governamentais e combater o Andes, apoiados pelos docentes das associações que representam. Deste modo, criam um vazio de reivindicações, descaracterizando o movimento docente. A ação deles é realizada contra nós, dizendo que nos defendem. Na democracia, eles encontram apoio de uma maioria e estão aí, fazendo diário oficial e lançando dardos de sono.

Para encerrar, falando em moscas, lembrei do Raul Seixas: “Eu sou a mosca que pousou na sua sopa…”

Saudações

MI

______________________________________________________

Caros e Caras

O debate está bom, muitos colegas tem opinado de forma bastante providencial. Creio que muitos colegas ficam observando de longe o debate e com vontade de opinar.

Muitas das questões que nos afligem são de ordem geral, fruto de uma escala política mais ampla e outras questões de âmbito interno mesmo, que são decididas nos conselhos.

Nós docentes, vivemos em um momento de profunda orfandade e isolamento, sem representação adequada e qualificada que possa dar conta de nossas demandas salariais e institucionais. Parece que o que resta, é uma disputa de poder e um poder sem projeto de UFBA, uma UFBA órfã. No cenário de abandono os docentes se vêem cada vez mais acuados em seus afazeres individuais. Cada vez mais mergulhados em insanas tarefas para dar conta de uma meritocracia vazia de sentido, esvaziada em ensino, pois a cada passo caminhamos para uma mera fábrica de excedentes quantitativos de egressos com “diploma” de nível superior, cada vez mais distanciada de seu entorno ou de uma política de Extensão efetiva, pois não provém de recursos (financeiros – físicos e humanos) para a ação extra muros.

Esvazia-se em um estatuto e um regimento que propõe centralização e burocratização.

Quando perdemos um vasto tempo buscando comprovações para alcançarmos as pífias progressões horizontais, ou quando corremos ensandecidos por apoio “participação” o efetiva (trabalhos, conferências, etc) em congressos, encontros, simpósios, ou outros e na maioria das vezes recebemos não.

Precisamos “de uma associação” docente que busque organizar os docentes e sintonizar-se com a esfera nacional e assim buscarmos força para resolução de nossos problemas, entre eles os salariais.

A disposição para o enfrentamento de questões para além do indivíduo é algo a ser pensado, mas parece que H. Viana estava certo “… nossa indignação como uma mosca sem asas, não ultrapassa as janelas de nossas casas..”

Tomasoni

Anúncios

5 Respostas to “– A sopa sem sustância do Proifes”

  1. osaciperere Says:

    Registrando para a memória da UFBA:
    —————————————

    Prezados/Prezadas:

    Respondendo pela última vez:

    1. mas não podemos esquecer que nossas intervenções nesta lista, enquanto docentes, sequer repercutem no âmbito do poder central. NÃO REPERCUTIAM QUANDO NÓS ÍAMOS ÀS RUAS imaginem “santa ingenuidade” se o poder central irá colocar alguém para ler discursos vazios. Vamos sim, repercutir no poder central fazendo greve e ocupando as ruas….

    2. acaba inviabilizando a discussão e qualquer possibilidade de ação, no âmbito de nossa atuação efetiva. ATUAÇÃO EFETIVA? AONDE? COMO? ALGUÉM VIU?

    3. Precisamos é de uma associação docente que busque organizar os docentes e
    sintonizar-se com a esfera nacional e assim buscar-mos força para resolução de nossos problemas, entre eles os salariais. UM PASSADO QUE NÃO VOLTARÁ JAMAIS.

    4. É ILUSÃO, É INGENUIDADE, É COISA DE INTELECTUAL, IMAGINAR RESOLVER GRAVES PROBLEMAS SENTADO DIANTE DE UM COMPUTADOR, PELO CONTRÁRIO PERDE O POUCO TEMPO QUE TEM PARA FAZER PESQUISA.

    José Roque Mota Carvalho – dqoiqufba.

    ————————-

    Prezados colegas,

    Concordo com a ideia de que não devemos reduzir nossos problemas a velhas queixas ou a pequenas providências burocráticas, mas não podemos esquecer que nossas intervenções nesta lista, enquanto docentes, sequer repercutem no âmbito do poder central. Portanto, colocar a questão em termos muito polarizados e abrangentes acaba inviabilizando a discussão e qualquer possibilidade de ação, no âmbito de nossa atuação efetiva.

    Defendo, pois, que o debate que vem sendo feito aqui não seja simplesmente abandonado, mas que também não se perca em minudências ou generalidades. Dessa forma, mantendo igual distância das questões técnico-administrativas e das questões de Estado, proponho que nossa atenção se volte para as condições e injunções que interferem diretamente no exercício de nossas funções, ENQUANTO SERVIDORES PÚBLICOS DA ÁREA DA EDUCAÇÃO (com todos os seus desdobramentos em pesquisa, extensão, publicação, produção cultural e formação de opinião).

    Acredito que os problemas mencionados nas diversas intervenções no atual debate (falta de infraestrutura centralizada para a pesquisa; ausência de regulação nas relações entre ensino, pesquisa, extensão…e gestão; redundância e inoperância nos processos de progressão profissional; precariedade dos processos de avaliação, em todos os níveis), remetem, em última instância, a um crescente descontentamento do corpo docente e a uma demanda cada vez maior de INSTITUCIONALIDADE, PROFISSIONALIZAÇÃO e COMPROMISSO PÚBLICO, por parte de todos os setores que compõem a Universidade.

    Temos sido levados a fazer concessões em todas as frentes, para não contrariar estratégias que atendem mais a razões de governo e a conveniências partidárias ou mesmo pessoais do que a imperativos técnicos, pedagógicos ou sociais. Temos sido submetidos a um verdadeiro rolo compressor, constrangidos a aprovar, em várias instâncias, o que é definido por instâncias superiores, sempre em função da suposta necessidade de urgência nos processos decisórios. Vivemos correndo de um lado para outro, tentando cumprir prazos e determinações com as quais nem sempre concordamos, preenchendo PITs, RITs e outros instrumentos burocráticos redundantes, quando talvez devêssemos simplesmente ignorá-los, enquanto as promessas de assegurar condições de trabalho e pesquisa não forem cumpridas.

    Precisamos simplesmente parar de fingir que não está acontecendo nada.

    Cordialmente,
    Monclar Valverde.

    ———————

    Citando Telésforo:

    ———————

    Prezados Colegas,
    Não é novidade que uma mega quadrilha se apoderou do estado brasileiro e para continuar no poder roubando o dinheiro público os bandidos adotam várias estratégias. Uma delas é o uso das universidades públicas. Com ações como prouni, enem, reuni, cotas raciais, criação de cursos inúteis etc, o governo inunda as
    universidades de alunos de escolas públicas com objetivo meramente eleitoreiro. Como se sabe, trata-se de um público despreparado, muitos semi-analfabetos e sem aptidão para estudos acadêmicos. Com isto o nível da universidade tem caido assustadoramente. Por outro lado, as associações de docentes, discentes e funcionários, geralmente no bolso do governo, são coniventes com esta política.

    A maioria dos professores e dirigentes, preocupada com seus projetos e interesses pessoais, é indiferente a situação. Assim, não existe controle de qualidade, a avaliação é frouxa e após 05 ou 06 anos de curso, entregamos à sociedade subprofissionais que muito pouco ou quase nada acrescentam ao país. A degradação que fizeram com o ensino público fundamental e médio estão fazendo com o terceiro grau. Sem reagir, estamos comprometendo o futuro da juventude. E o que é pior, o indutor da roubalheira e da degradação do ensino público superior, o
    ex-presidente Lula, brevemente será doutor honoris causa pela Ufba. Deste modo, com todo respeito, acreditamos que existam coisas mais importantes para serem discutidas, além de legislação, burocracia e carga horária.

    Telésforo

    ———————

    Prezados,

    o mínimo que se espera de alguém contratado por 40 horas semanais, é que trabalhe 40 horas semanais; o mínimo que se espera de um professor universitário é que trabalhe com seriedade e competência; o mínimo que se espera de uma instituição que contrata professores é que ofereça as condições para o trabalho dos seus contratados.

    A discussão sobre ensino, pesquisa e extensão é importante; importantíssima. Mas antes de mais nada temos que enfrentar essa questão do mínimo esperado de contratados e contratantes. Quando uma parte dos contratados não trabalha as horas do contrato ou não o faz com seriedade, e quando o contratante não dá as condições de trabalho para os que trabalham as horas de contrato (ou frequentemente mais do que isso), o ensino, a pesquisa, a extensão e a universidade estão em perigo.

    Uma instituição que não avalia rigorosamente NADA, só pode ter bom ensino, boa pesquisa e boa extensão em nichos minúsculos que funcionam pela exclusiva vontade (ou será devoção?) de um grupo muito pequeno de pessoas que adoram fazer seriamente ensino, pesquisa e extensão.

    Quem enrola no ensino, enrola na pesquisa e na extensão, quem enrola na pesquisa, enrola no ensino…etc.

    E não digam que a pesquisa é avaliada pelo sistema CAPES/CNPQ. É como dizer que o ensino é avaliado pelo ENADE!

    O mínimo que se espera de uma Universidade é produção de conhecimento: no ensino, na pesquisa e na extensão.

    Na falsa disputa (“BA-VI”) entre pesquisar e dar aulas, saem ganhando os que não fazem nem uma nem outra coisa.

    Cordialmente

    ch.

    p.s. torço pelo YPIRANGA

    ———————

    —– Original Message —– From:
    To: ; “caio”
    Cc: “Jorge M. David” ; charbel@ufba.br>; “‘Sergio Ferreira'” ; “Alberto Cordiviola” ; ‘SilvioD. Cunha'” ; prppg@ufba.br>proprppg@ufba.br>

    Sent: Tuesday, July 26, 2011 5:12 PM
    Subject: [docentes-l] Mais tempo para a Educação.

    ———————

    Prezado professor Caio Castilho,

    Agradeço por suas palavras e pelos reparos às minhas colocações. Como já ficou claro, o texto sobre o suicídio da Universidade não é sobre você ou qualquer outro colega, individualmente, mas sobre uma atmosfera dominante entre nós (ou “nós”, ou ainda,como diz Chango). Assim como você o desconhecia, também não tive acesso a suas
    manifestações anteriores, mas fico feliz por saber que tenho boa companhia, na crítica à postura das agências.

    Concordo que a burocracia seja necessária, numa sociedade complexa,mas tem atuado de forma anti-republicana, como você reconhece,conferindo a figuras nebulosas um poder sem autoridade, que eles sabem utilizar sem nenhum escrúpulo (como o próprio Chango colocou muito bem, em outra intervenção neste debate). Só que, em seu texto anterior, não é esta conduta deplorável que você destaca, mas o equívoco de certos “documentos legais”, produzidos ou implementados pela administração central. Para mim, o problema essencial é e será sempre o dos usos “ad hoc” que se faz desses documentos, beneficiando uns e marginalizando outros.

    Já quanto ao “BA-VI” entre Ensino e Pesquisa, acho a coisa mais complicada, pois a discussão desta lista tem mostrado, inclusive em manifestações recentíssimas, que muitos colegas prefeririam ver a Universidade cheia de laboratórios (e cobaias) do que vê-la com mais salas de aula. A mim, preocupa mais o fato de que estas salas também possam estar cheias de cobaias, ainda que de outro tipo… De todo
    modo, o início de seu último parágrafo pode alimentar esta postura, mesmo que não seja a sua intenção (“O número de horas de aula previsto como mínimo para PESQUISADORES, sem uma correspondente definição de quem é ou quem deixa de ser pesquisador, sob que critérios objetivos, está apenas em suspenso…”).

    Já o defendi algumas vezes (sem precisar consultá-lo sobre isso ou mesmo comunicar-lhe minha atitude), quando ouvi algum colega chamá-lo de “elitista”, por privilegiar a pesquisa. Sei que o termo é uma grande injúria, no jargão da esquerda inculta, mas insisto em defender a idéia de que a Universidade tem enorme responsabilidade na crítica das elites estabelecidas (especialmente, nos planos cultural, político e econômico) e na formação das novas elites (especialmente, nos planos intelectual, moral e profissional).

    Sempre achei admirável a idéia de que a Universidade se sustenta sobre este tripé: ensino/pesquisa/extensão. Mas sempre considerei leviana a suposição de que cada um de nós (…) queira, deva ou mesmo possa se dividir igualmente entre esses três aspectos. As diferenças de talento, de formação, de disposição e até mesmo de área de
    conhecimento deveriam justificar uma dedicação diferenciada e, assim, não teríamos que fingir tratá-las igualmente, sob pena de sermos taxados disso ou daquilo.

    Contudo, estou cansado de ouvir professores que pesquisam afirmarem que não podem “perder tempo” ensinando na graduação, por exemplo, justamente por se considerarem parte de uma elite acadêmica. Em grandes Universidades, é comum encontrar um pesquisador “sênior” que ministra aulas de Introdução ao seu campo, sentindo-se honrado com a oportunidade de apresentar sua área aos mais jovens, com o duplo desafio de não afugentá-los e não tratá-los como débeis mentais. Mas há quem defenda que esse papel introdutório deva caber aos “substitutos”, em geral, recém-formados.

    Quando todos são obrigados a pesquisar, muitos transformam em objeto de pesquisa sua própria condição social, suas características étnicas ou sua opção sexual, sem maiores mediações epistemológicas (as quais, de resto, raramente são cobradas).

    Quando todos são obrigados a ensinar, muitos transformam suas disciplinas em exibição de filmes ou realização de eventos, dispensando-se de elaborar um programa consistente e uma forma pertinente de avaliação, pois, na verdade, sequer conhecem os alunos.

    Quando todos são obrigados a fazer projetos de extensão, muitos entendem isso como estímulo ao assistencialismo e preferem se dedicar às comunidades carentes, esquecendo-se do papel dessa atividade para o próprio público universitário, pois tal opção não lhes renderia os esperados dividendos políticos.

    Tudo isso me desestimula e me assusta, pois já foi naturalizado e até mesmo banalizado por rotinas que ninguém mais sabe como foram implantadas. Por isso, nunca entendi o frenesi que existe hoje, diante do imperativo de “inovação” científica, institucional ou pedagógica (que parece ter sido importado da esfera do mercado). Na minha opinião, não precisamos de uma Universidade “nova”, mas de uma
    Universidade SÉRIA, mais comprometida com seus verdadeiros fins e menos preocupada em acenar para a mídia e atender a comandos que ignoram sua autonomia.

    Fraternalmene,
    Monclar Valverde.

    Quoting caio :

    Prezado Monclar,

    De início parabenizo-o pelo seu texto. No seu encaminhamento há uma sugestão de que o mesmo foi produzido algum tempo atrás. Ainda que a divulgação, como você mesmo sugere, possa ter ocorrido de um modo restrito, lamento não ter tido conhecimento antes.

    O fato de, do conteúdo do seu texto discordar, em alguns pontos, constitui importância menor. Trata-se de elemento nutricional para nós, como acadêmicos, a divergência e, quanto a mim em particular, folgo com o contraditório inteligente, como no caso do seu texto, ainda que lamentando não serem características tão comuns em algumas manifestações outras.

    Move-me, no entanto, a obrigação de observar, vez que texto tornado público, sobre alguns aspectos da sua manifestação que, inadvertidamente, você inadequadamente me atribui como sendo a minha opinião ou talvez convicção. Senão vejamos…

    Você observa que, no meu argumento, “que o inimigo da pesquisa na Universidade mora bem ao lado”. Se, como presumo, você está a se referir à UFBA, discordo. Não mora ao lado – está dentro de casa. Basta ler o que dispõe o novo Estatuto da UFBA.

    Frase contínua você menciona, com referência à minha observação: “mas pareceu isentar as agências de fomento, como se elas estivessem acima de qualquer suspeita, e os próprios pesquisadores, como se estes fossem apenas vítimas da burocracia ou como se as atividades de ensino constituíssem um obstáculo à
    pesquisa”. Aí, queira desculpar-me a sinceridade, você erra, e erra muito. E erra em dose tripla! Certamente um momento infeliz, considerando a sua arguta inteligência.

    Em primeiro lugar não atribuo às agências, nacionais ou estaduais, nenhuma imunidade ao erro. Muito pelo contrário. Em distintas ocasiões manifestei-me, inclusive por escrito e publicamente, sobre a minha discordância a respeito de algumas políticas ou decisões. Assim, este “alinhamento” que você, provavelmente sem querer, sugere como sendo a minha prática e/ou opinião, não procede.

    Em segundo lugar, não creio que os pesquisadores sejam essencialmente vítimas da burocracia, num sentido amplo. A burocracia, de fato uma necessidade para o ordenamento e funcionamento social, em distintos planos, pode, e não só pode, mas tem sido (e como tem sido!) utilizada por poderosos de ocasião para perseguir, tolher, emascular e buscar destruir vozes discordantes. Vivemos já o suficiente, você e eu, para podermos exemplificar tais práticas, em distintos planos e distintos momentos. E, pelo menos no que se refere a mim, superei de há muito o maniqueísmo associado aos conceitos de autoritarismo e de ditadura justos (ou justificáveis) e injustos. O que disse, é que há exemplos concretos desta distorção autoritária, em que dispositivos legais da UFBA tem sido utilizados, no seu sentido mais rasteiro, qual seja o de bloquear iniciativas a partir de minudências burocráticas, desconectadas de avaliação de mérito acadêmico.

    Em terceiro lugar, a aventada hipótese de que as atividades de ensino prejudicariam as atividades de pesquisa, prefiro atribuir a uma infelicidade involuntária do seu texto. Ainda que entenda que você não estaria a se referir especificamente à minha atitude,confesso que, como regra, não consigo detectar na UFBA esta atitude.

    Esperando com isto ter talvez esclarecido melhor o que disse, e o que não disse, cordialmente:

    Caio Castilho

  2. osaciperere Says:

    Recebida por e-mail de fora da UFBA:
    ____________________

    Proifes pelo Proifes, Carta Aberta da APUBH

    Oi pessoal, em anexo estou encaminhando uma carta aberta da diretoria da APUBH (UFMG) dirigida aos professores que tem relacionamento com o Proifes. A importância dessa carta, além das irregularidades apontadas na forma como o Proifes se estrutura, é que sua autoria é de uma das entidades pioneira no rompimento com o ANDES-SN, supostamente em busca de novas formas de reestruturação e de organização sindical, e fundadora do Fórum.

    Pelo que se depreende do documento, a falta de democracia, de transparência e de lisura no trato com as finanças por parte da diretoria do Proifes, revela uma entidade que se caracteriza por práticas há muito rejeitadas pelo Movimento Docente e inúmeras vezes denunciadas, e, repito, dito agora não por quem lhe faz oposição, mas por alguém que pertence intrinsecamente, desde os primeiros momentos, à sua base de sustentação.

    Adianto alguns pontos que se pode inferir e que chamam atenção na carta:

    – O Proifes-SN tem pouquíssimos afiliados e, portanto, é insustentável financeiramente;
    – Uma relação promíscua entre Proifes Fórum e Proifes-SN, já que os dirigentes são os mesmos e, pelo sugerido na carta, ou o Fórum sustenta o sindicato ou este recebe apoio financeiro externo;
    – O Proifes-SN só consegue se reunir por meio de artifícios (“espertos”), recebendo apoio financeiro das AD que pertencem ao Fórum como se fosse uma pequena AD.
    – Despesas de grande vulto do sindicato são feitas sem serem aprovadas sequer pelo pleno da diretoria;
    – A federação que querem criar, ainda segundo a carta, será uma federação fantasma com sindicatos fantasmas, pois, com exceção da Adurgs, nenhuma outra entidade ligada ao Proifes possui registro sindical;
    – Ao colocar que “O Proifes – Fórum está encontrando grandes dificuldades para crescer” os autores citam a Apufsc, agora sindicato, mas que não aderiu ao Proifes;
    – Não há reciclagem nos diretores do Proifes Fórum (o presidente está a sete anos no cargo).

    A carta deixa claro que o grupo dirigente do proifes pretende se perpetuar no poder, o que evidencia, mais uma vez, que esse grupo sempre quis o poder pelo poder e que, ao ser derrotado numa eleição para a diretoria do ANDES-SN, correram a fundar outra entidade onde teriam cargos vitalícios.

    Um abraço,
    Almir Menezes Filho.

    ———————————-
    Obs: A Carta Aberta em PDF (AQUI)

  3. osaciperere Says:

    Recebido via lista:
    ————————————–

    Caros e caras

    A saudade é a morte da esperança. Ninguém está propondo viver ou voltar ao passado que não existe e talvez nunca existiu (não sei!?). Apenas ter um mínimo de articulação é pedir demais??

    Respostas fortes na frente de um mundo virtual de PC, são bem fáceis de se dar, mas transformar a realidade e as relações é outra coisa bem diferente.

    A letargia em nossa capacidade de reação frente ao oportunismo governamental transformado em “politicas educacionais” em todas as escalas é assustadora, bem como a falta de visão de que aprovamos dia a dia um conjunto de imbecilidades que tornam nossa vida muito mais improdutiva e sacrificante…só não vê quem não quer.

    Tomasoni
    ——————————————
    Prof.Marco Antonio Tomasoni
    Universidade Federal da Bahia – UFBA
    Instituto de Geociências – IGEO
    Dept° Geografia-IGEO/UFBA – Programa de Pós-Graduação em Geografia
    Laboratório de Estudos Ambientais e Gestão do Território- LEAGET
    Av. Barão de Geremoabo, s/n. – Campus Ondina
    40170-290 Salvador, Bahia, Brasil
    Tel: +55(71)3283-8535
    Fax: +55(71)9112-9482
    —————————
    Em resposta:
    —————————

    Prezados,

    exatamente um mês atrás, Marcos Palácios encaminhou um artigo: “Mais tempo para pesquisa” que, literalmente, detonou esta série de manifestações, inquietações e queixas da nossa universidade. Nesse período tivemos uma rica visão crítica da nossa UFBA, o que é absolutamente necessário. Mas temo que esquecemos um pouco a questão central: “mais tempo para pesquisa” que terminou evoluindo em “mais tempo para o nosso trabalho: ensino, pesquisa, extensão, etc.”

    Sei que esta questão está longe, senão definitivamente eliminada, da pauta das nossas “representações”, sejam as representações institucionais, sejam as representações sindicais. Não adianta retomar, por enquanto, a discussão das razões. Mas é bom lembrar que o sistema de financiamento à pesquisa, a estrutura do ensino e a forma em que se realiza a extensão, tendem a uma atomização das atividades e isolamento dos docentes que parece encontrar superação somente “na frente de um mundo virtual de PC” onde, concordo, é bem fácil fazer discursos fortes.

    Acho oportuno o momento para constituir um “forum” independente (independente da estrutura institucional e/ou sindical, tão semelhantes atualmente!) com pautas razoavelmente concretas para trabalhar algumas das questões levantadas nesse mês de trocas na internet; as pequenas e as grandes. Virtual ou presencial, mas com pauta e temática definidas e objetivos – próximos e distantes – explícitos.

    Acho que é fácil e divertido explorar as nossas divergências, mas isso só se torna útil se for para encontrar as nossas convergências e construir em função delas.

    Saudações
    chango

  4. osaciperere Says:

    Mais mensagens trocadas na “debates-l” da UFBA:
    ——————————————————————

    Bela fala Professor!
    Concordo com tudo o que foi escrito.

    O desafio da Universidade, creio, é apresentar uma contribuição que seja de fato emancipatória, já que certas “verdades” já foram desveladas sobre brancos, doutores, lideranças acadêmicas e prestidigitadores… Resta saber se todos daqui e de fora têm ciência disso.

    A julgar pela confusão que é feita, pelo país afora, entre distribuição de renda e criação de bolsas-esmola, receio que muitos esclarecimentos ainda precisam ser feitos.

    No mais, não creio que o virtual deva ser descartado, assim como o discurso, o simbólico, as metáforas. Universidade é isso também, na minha modesta compreensão…

    Saudações,

    Menandro Ramos
    FACED/UFBA

    —————————-

    Quoting Alberto Cordiviola:

    Prezado Professor,

    é que alguém, mais de dois milênios atrás, percebeu que é necessário “dividir para reinar”. E os detentores do poder desenvolveram essa técnica sutilmente. Criando a ilusão de que uns são melhores do que outros, que brancos são melhores do que negros, que homens são melhores do que mulheres, que doutores são melhores do que mestres e estes melhores do que graduados. E explorando falsas contradições entre eles.

    E daí, alguns de nossos semelhantes “ainda têm dificuldade de entender esse princípio de enfrentamento”.

    Saudações
    chango
    —————————————–
    —– Original Message —– From:
    To: “Alberto Cordiviola” Cc:
    Sent: Wednesday, August 10, 2011 8:48 AM
    Subject: Re: [Debates-l] [docentes-l] Em defesa dainstituição
    universitária(cont)

    —————————————–

    Prezados Colegas,

    Nossos ancestrais, no tempo em que viviam nas cavernas, ou um pouco depois, intuíram que o coletivo enfrentava melhor os animais ferozes. Milênios depois, alguns dos nosso semelhantes ainda têm dificuldade de entender esse princípio do enfrentamento…

    Saudações,

    Menandro Ramos
    FACED/UFBA

    Quoting Alberto Cordiviola :

    Prezados,

    exatamente um mês atrás, Marcos Palácios encaminhou um artigo: “Mais tempo para pesquisa” que, literalmente, detonou esta série de manifestações, inquietações e queixas da nossa universidade. Nesse período tivemos uma rica visão crítica da nossa UFBA, o que ésolutamente necessário. Mas temo que esquecemos um pouco a questão central: “mais tempo para pesquisa” que terminou evoluindo em “mais tempo para o nosso trabalho: ensino, pesquisa, extensão, etc.”

    Sei que esta questão está longe, senão definitivamente eliminada, da pauta das nossas “representações”, sejam as representações institucionais, sejam as representações sindicais. Não adianta retomar, por enquanto, a discussão das razões. Mas é bom lembrar que o sistema de financiamento à pesquisa, a estrutura do ensino e a forma em que se realiza a extensão, tendem a uma atomização das atividades e isolamento dos docentes que parece encontrar superação somente “na frente de um mundo virtual de PC” onde, concordo, é
    bem fácil fazer discursos fortes.

    Acho oportuno o momento para constituir um “forum” independente (independente da estrutura institucional e/ou sindical, tão semelhantes atualmente!) com pautas razoavelmente concretas para trabalhar algumas das questões levantadas nesse mês de trocas na internet; as pequenas e as grandes. Virtual ou presencial, mas com pauta e temática definidas e objetivos – próximos e distantes – explícitos.

    Acho que é fácil e divertido explorar as nossas divergências, mas isso só se torna útil se for para encontrar as nossas convergências e construir em função delas.

    Saudações
    chango

  5. osaciperere Says:

    Prezados colegas,

    Gostaria de comentar a proposta de Forum, apresentada aqui.

    Procurando ser o mais sintético possível, direi inicialmente que a considero um passo muito importante (especialmente, se for presencial e “independente da estrutura institucional e/ou sindical”), mas concordo que “o virtual (não) deva ser descartado”.

    Por outro lado, não tenho certeza de que a proposta seja oportuna, em grande medida, pelas razões expostas abaixo. Não gostaria de me reunir, na próxima semana, com meia dúzia de pessoas, para formar mais um grupelho, mesmo que seja para criticar os grupelhos que entravam e desvirtuam o caráter republicano de nossa atuação na Universidade.

    Enfim, proponho continuarmos a trocar ideias sobre as questões que formariam a pauta da primeira reunião do Forum (vários aspectos já forma mencionados aqui), mas dando um prazo maior (um mês ou dois “que tal o simbólico dia dos mestres”) para que outros colegas se manifestem, a começar pelos que iniciaram o presente debate, mas não apenas eles.

    Nossa discussão tomou rumos muito interessantes e começa a prenunciar efeitos talvez inéditos, com a proposta de Chango. Mas tudo pode se perder muito rapidamente, se não tivermos algumas cautelas. Portanto, peço a serenidade e a paciência de todos para considerarmos uma questão (de natureza metalinguística…) que, segundo minha opinião, precisa ser colocada aqui.

    Gostaria de partir de uma frase, aparentemente secundária, formulada pelo professor Tomasoni, mas que, para mim, aponta algo essencial. Diz ele: “creio que muitos colegas ficam observando de longe o debate e com vontade de opinar”. Esta é também a minha impressão, mas a pergunta que se impõe é justamente a seguinte: por que outras pessoas (novas, especialmente) não entram no debate?

    Permitam-me falar em primeira pessoa: estive durante anos recebendo os e-mails destas listas (debates e docentes), sentindo-me muitas vezes provocado por algumas colocações, mas só muito recentemente resolvi fazer uso da palavra. Por que? Pelo fato de ter observado inúmeras vezes uma dinâmica de diluição temática e um processo autofágico, que inviabilizam o prosseguimento das discussões.

    Explicito esses dois aspectos: a) a cada vez que a discussão ultrapassa os temas particulares e começa a ficar mais crítica, as pessoas que são ou foram comprometidas com a gestão universitária tentam desviar a atenção para temas mais neutros; neste momento, a velha guarda dos sindicalistas “revolucionários” se manifesta inviabilizando qualquer discussão “secundária” e, no fundo, qualquer discussão; b) ao mesmo tempo, há, em algumas intervenções, uma grande intolerância da parte de certos colegas, que se traduz em ironia, sarcasmo e até mesmo numa agressividade que, além de improdutiva, certamente induz muitos a manterem o silêncio. Antes de rompê-lo, estes pensarão, duas vezes, se vale a pena se manifestar e ser tratado como um ingênuo que “imagina resolver graves problemas sentado diante de um computador”.

    Portanto, reitero a solicitação para que tenhamos um pouco mais de cuidado com o tom das manifestações, procurando favorecer as convergências possíveis e evitando a multiplicação das divergências insuperáveis. Como diz o colega Chango, “é fácil e divertido explorar as nossas divergências, mas isso só se torna útil se for para encontrar as nossas convergências e construir (algo positivo) em função delas”.

    Um abraço esperançoso a todos,
    Monclar Valverde.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: