– Eleições

 

Prezado Professor Sérgio e demais Colegas

Tenho todo respeito pela sua opinião, embora não tenha acordo com ela. Mas isso é democrático. Espero que a Universidade continue assegurando a liberdade de expressão neste e noutros espaços.

Pessoalmente, vejo nos programas citados, peças muito bem engendradas de astuciosa engenharia política. FHC deve morder os punhos por não ter tido ideias tão simples e tão eficientes. Reconheço a capacidade de Lula (e de seus Cardeais) em manter o cabresto sob controle. Ninguém, com propósitos de ser justo, pode negar a esperteza singular do ex-dirigente sindical. Seus desafetos não poderão jamais deixar de reconhecer a sua extraordinária capacidade de levar todos – ou quase todos -, no bico, como o fez com sindicalistas e com a própria academia. Claro que não foi sem polpudos agrados para as lideranças. Um olhar atento para as condições financeiras de seus apaniguados – antes e depois de 2003 – certamente não se deixará de compreender “a força da grana que ergue e destrói coisas belas”, nas palavras de um dos mais lúcidos críticos do presidente pernambucano. Grana essa que rolou e continua rolando solta pelos ultra secretos dutos dos “mensalões”, “mensalinhos” e afins.

Para o segmento pouco crítico (infelizmente, incluindo também alguns setores das atuais universidades), talvez mesmo essa capacidade de se esquivar de poderosos golpes contribua para forjar a imagem do heroi exitoso, ainda que com deslizes morais.

Não teria aqui qualquer dificuldade em demonstrar o quanto o atual presidente foi e continua sendo nocivo ao povo brasileiro. Não o faço entretanto, nesta lista, por considerar uma enorme perda de tempo dado o estado letárgico em que a universidade se encontra, encantada, ao que tudo indica, com as correntes que a aprisionam. A própria mensagem do ilustre colega talvez ateste a minha constatação melhor do que qualquer elocução ou esforço comunicativo da minha parte.

Resta-nos, então, aguardar pacientemente e sem desespero, que o próprio tempo se encarregue de esgarçar os tênues fios da cortina que nos impede de enxergar, sem fantasia, os atores da ópera-bufa ora em cartaz.    

Para terminar, perguntaria ao prezado colega como será que a “opinião do povo” é forjada ou, se preferir, “espontaneamente construída”. Acaso existem outros meios de “comunicação”, que o governo faz uso, que não os das mídias de massa? Saberia o colega dizer o quanto o governo Wagner, da mesma corrente do governo Lula, gastou em Educação ou em Segurança Pública e quanto investiu em propaganda pessoal em múltiplas mídias de massa?

Atenciosamente,

Menandro Ramos
FACED/UFBA

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—–Mensagem original—–
De:
debates-l-bounces@listas.ufba.br
[mailto:debates-l-bounces@listas.ufba.br]
Em nome de Sérgio Gorender
Enviada em: terça-feira, 21 de setembro de 2010 16:02
Para: debates-l@listas.ufba.br; apubdebates-l@listas.ufba.br
Assunto: [Debates-l] Eleições

Nas próximas eleições votarei em Dilma para presidente do Brasil e em Wagner para governador da Bahia. Faço estas escolhas com a certeza de ter escolhido o melhor para o Brasil e para a Bahia.

Voto na continuidade do projeto de governo do PT. Este projeto de governo é baseado em um conceito de democracia amplo, que tem como base a democracia política, mas principalmente, a democracia social. E a partir deste conceito de democracia, são construídas políticas de governo com o objetivo de construir uma igualdade, não apenas em termos de representatividade, mas em termos sociais, de vida.

Programas como o Bolsa Família, Luz para Todos, Topa, e outros, possuem um alcance tão amplo, que deixam de ser pontuais, para se transformarem em uma política de governo, política esta que está gerando grandes modificações em nosso país.

E fico feliz em ver que a maioria das pessoas, eleitores, também têm esta percepção, apesar de um forte trabalho da imprensa, em contrário.

Talvez as pessoas estejam de fato mais amadurecidas, e como disse uma repórter da Folha de São Paulo 4 anos atrás, o povo esteja contrário à “opinião pública”.

Sérgio Gorender
LaSiD/DCC/UFBA

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Debates-l@listas.ufba.br
http://www.listas.ufba.br/mailman/listinfo/debates-l

4 Respostas to “– Eleições”

  1. osaciperere Says:

    Circulou na lista “debates-l”, da UFBA:
    ——————–
    Sérgio e demais da lista,

    Concordo com o que você disse, sobretudo com relação ao governo federal.

    Nestes últimos 7 anos e meio o Brasil em todos os aspectos constituiu-se e vem se constituindo um outro País tanto interno quanto externamente. Sou de opinião de que muitas das denúncias e prisões que temos ouvido e visto se devem ao novo tempo histórico que vive o Povo Brasileiro graças ao governo de Lula da Silva.

    E tem mais, apesar das várias mídias que campeiam pelo Brasil o Povo Brasileiro na sua grande maioria não se deixa mais contaminar como dantes. Basta atentar para o alto índice de aprovação do governo Lula.

    É um claro indicador de aprovação de suas principais políticas. Claro que tem muito por fazer ainda, mas estamos indo no sentido de pavimentar essa via de mais realizações de base…

    Fico mais feliz, como brasileiro, em estar vivenciando tamanha mudança ao nível de um Povo que sempre teve (e em muitos aspectos ainda continua tendo!) tudo contra si, várias de suas instituições públicas (sustentadas com o seu trabalho e impostos!), além de suas manifestações culturais e vez por outra até indicações claras de seguir um outro rumo na história. Veja-se, por exemplo, como se comportam rádios, tvs, jornais, blogs, pessoas letradas, escritores famosos(?), etc contra o governo petista -leia-se Lula da Silva- e a candidata Dilma Rousseff.

    Será que máxima das elites está certa? Isto é,
    – O povo não sabe votar, o povo não sabe o que quer?

    Penso que não, porque apesar deles todos o Povo segue em frente, querendo acertar e viver dias mais fraternos, mais solidários… com muito pão, lazer e gozo.

    Parabéns pela sua mensagem!

    abçs.

    JWellington M Aragão
    Faculdade de Educação
    ——————–

    —–Mensagem original—–
    De: debates-l-bounces@listas.ufba.br
    [mailto:debates-l-bounces@listas.ufba.br]
    Em nome de aragao@ufba.br
    Enviada em: terça-feira, 21 de setembro de 2010 18:46
    Para: debates-l@listas.ufba.br
    Assunto: Re: [Debates-l] Eleições

  2. osaciperere Says:

    Circulou na lista “debates-l”, da UFBA:
    ——————–

    Colegas,
    extremamente salutar que se debatam rumos, avanços e retrocessos. Não posso porém deixar de externar minha preocupação com os repetidos ataques à “imprensa”, de modo geral. Falar em “mídias que campeiam pelo Brasil”, deixa transparecer um tipo de crítica que, pela generalização, ataca a própria idéia de liberdade de imprensa. Tenhamos claro: em qualquer situação de liberdade de imprensa, existirão sempre veículos de esquerda, de direita, de centro, ou seja lá quais forem as classificações que se queira dar para as diversas formas de posicionamento. Com as Novas Médias e a consequente potencialização de multivocalidades, esses posicionamentos midiáticos devem se acirrar ainda mais, refletindo as contradições da sociedade. Negativo? Não me parece, em absoluto. Acreditar que a mídia possa ser “neutra, objetiva e responsável” é um mito a ser superado.
    O mito, não a liberdade de expressão.
    Há distorções, veiculação de informações falseadas, interpretações duvidosas? Certamente.
    Devem ser assinaladas e tais posições e apresentadas contraposições? Certamente.
    Mas sempre deixando que continuem a “campear” todas as formas de expressão.
    Não há meio termo. Ou a liberdade de expressão é plena, ou não existe.

    marcos palacios

    ——————–

    De: debates-l-bounces@listas.ufba.br
    [mailto:debates-l-bounces@listas.ufba.br]
    Em nome de Marcos Palacios
    Enviada em: quinta-feira, 23 de setembro de 2010 05:05
    Para: debates-l@listas.ufba.br
    Assunto: Re: [Debates-l] Eleições

  3. osaciperere Says:

    Circulou na lista “debates-l”, da UFBA:
    ——————–

    Colegas
    A manifestação ponderada do colega Marcos Palácios é adequada.
    No entanto, é necessário que se coloquem algumas questões, no que se
    refere à relidade brasileira, mormente nos momentos de disputa
    eleitoral, como om que estamos vivendo. A primeira questão: existe uma
    dita grande imprensa que se une, em bloco, para falsear informações,
    fazendo um jogo nitidamente partidário, sem dar oportunidade do
    contraditório, isto é, tem o direito de escolher, para divulgar, ou
    não, até as mensagens que lhe sejam dirigidas, em forma de
    contestação. A menos que se entre na Justiça, ou melhor, na
    morosidade da Justiça, o tempo passa, e o direito do cidadão leitor ou
    atingido deixa de ser concedido, na prática.
    Segunda questão: tirando o fato de que TVs e Rádios são concessões
    do Estado que, a rigor, podem ser suspensas ao final do prazo da
    concessão, que tipo de comportamento delas mereceria a suspensão da
    concessão? Ou elas podem fazer o que bem entenderem?
    Terceira questão: há os jornais e revistas, que são privados. Tudo
    bem, não seria razoável, mas eles podem ter total liberdade para dizer
    o que quiserem e não dar direito de resposta a ninguém. Porém, o
    saudável mesmo seria que fizessem como fazem os grandes jornais
    americanos: um editorial, dizendo que estão com um ou outro candidato,
    contra ou a favor do governo. Aqui, no entanto, os jornais não
    declaram o seu candidato, e vivem a fazer chantagem com o Governo,com
    base na quantidade de propaganda oficial que lhe é dada.
    Quarta questão: a infovia termina sendo o lugar em que a liberdade
    atinge pode atingir o absoluto, podendo ser usada para a
    desqualificação mais completa do adversário. Para mim, o controle
    disso é automático: o indíviduo ou instituição que desqualifica uma
    instituição ou outro indivíduo, de forma incompetente e mentirosa, por
    esse meio, termina se desqualificando também, e rapidamente.
    Quinta questão, essa colocada por Milton Santos, sobre a distinção
    entre informação e comunicação. Os meios de informação, hoje centrados
    nas grandes agências internacionais de notícias têm o papel exclusivo
    de reforçar o capitalismo que as mantêm, selecionando a notícia que é
    dada e dando a interpretação adequada, no sentido do reforço de sua
    sagrada causa. Mas a comunicação, a verdadeira comunicação social,
    segiundo Milton Santos, faz-se, cada vez mais, através de redes
    sociais que descobrem os caminhos próprios para enfrentar a luta
    anti-hegemônica, no mundo real.
    Daí poderia vir a explicação para a continuidade da populariade de
    Lula, que enfrentou oito anos de massacre, de achincalhamento, de
    preconceito, e termina com a perspectiva de fazer Dilma ganhar a
    eleição no primeiro turno, mesmo que saibamos que não expressa, nem de
    longe, qualquer perspectiva mais avançada de mudança política
    revolucionária, no país. O medo do chavismo é o que faz pelar de medo
    a nossa imprensa golpista.
    Grato
    João Augusto Rocha

    ———————

    —–Mensagem original—–
    De: debates-l-bounces@listas.ufba.br
    [mailto:debates-l-bounces@listas.ufba.br]
    Em nome de joarocha@ufba.br
    Enviada em: quinta-feira, 23 de setembro de 2010 09:56
    Para: Marcos Palacios
    Cc: debates-l@listas.ufba.br
    Assunto: Re: [Debates-l] Eleições

  4. osaciperere Says:

    Circulou na lista “debates-l”, da UFBA:
    ——————–

    Como não participar dessas impressões nesse debate? Gosto do que leio nas mensagens de teor político-eleitoral, quando as leio, porque algumas mensagens de fato são abusivas, caluniosas a terceiros, desrespeitosas, pretensiosas, além de agirem quase como spam em nossas caixas de email…mas não me privo de eliminá-las sem ler seus conteúdos…
    A mensagem de prof. Palácios, a quem muito prezo, me proporciona uma reflexão que me confunde algumas vezes. Neste caso, não me privarei de me expor…
    A liberdade é uma meta na vida, seja de expressão, seja de forma de comunicação, seja de opção sexual, seja lá do que for, desde que não fira ou prejudique a liberdade do outro. Podemos sentirmo-nos livres quando percebemos que o outro nos oferece elementos para pensarmos e procurarmos entender o que é a liberdade. A liberdade é uma sensação. Ateu, considero-me livre de algumas ilusões, mas o crente, o religioso, também se sente livre em deus, certamente com sensação muito maior do que a que sinto com relação ao que penso que seja a liberdade.
    Liberdade de imprensa, em meu entendimento, é uma noção diferente da de liberdade de expressão. O artista verdadeiro, por exemplo, vive a liberdade de expressão, senão há de se tornar refém das galerias e do mercado ávido de arte. O jornalista não é um artista, salvo as exceções que acabam por dar à luz um escritor. Mas escritores não são artistas. Só alguns. Certa vez li um conto de Palácios, o prof. titular da Facom-UFBA, de ação internacional, sim, li o conto, que me emocionou e me fez perceber que ali eu lia o artista em sua mais plena liberdade de expressão.
    Mas quando vejo jornalistas falando em liberdade de expressão, como se o jornalismo fosse uma arte, fico receoso com tal pretensão. A liberdade de imprensa que o jornalista acredita ser liberdade de expressão deve ser pautada pela ética, não a ética do artista, mas a ética que o coloca a serviço do compartilhamento da verdade a qualquer custo (não do falseamento a qualquer custo), senão é risco social, é risco de calúnia, é risco de nos tornarmos reféns do dono do jornal, do dono da empresa de TV, da indústria jornalística, da indústria televisiva, de seus empregados, absorvidos pela sensação de poder, de quarto poder. Expressão exdrúxula e pretensiosa essa…
    Liberdade de imprensa para sempre aos jornalistas (atuantes em impressos, TV, rádios, blogs etc), de qualquer credo, de qualquer posicionamento político e social.
    Liberdade de expressão para sempre para os artistas e para todos que não firam nem coloquem em risco a dignidade do outro.
    À justiça os jornalistas que em nome de uma liberdade de expressão geram *informações falseadas, interpretações duvidosas* que destróem o sentido da liberdade de imprensa, as reputações e dignidades alheias.
    Rubens
    ICI-UFBA

    ——————–
    De: debates-l-bounces@listas.ufba.br
    [mailto:debates-l-bounces@listas.ufba.br]
    Em nome de Rubens Ribeiro Gonçalves da Silva
    Enviada em: quinta-feira, 23 de setembro de 2010 10:01
    Para: debates-l@listas.ufba.br
    Assunto: Re: [Debates-l] Eleições

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