– Entre Serra e Dilma, não existe abismo!

Caros companheiros e companheiras,

Prometo que essa segunda mensagem que envio, será também a última acerca do tema segundo turno.

Se eu não fosse um Marxista, e fosse um pragmático de esquerda, diria o seguinte: com a composição do próximo Congresso Nacional, voto em Serra, pois a força de reação às reformas vindouras serão maiores. Se por acaso for a Dilma, as reformas (universitária, trabalhista, política, etc…) passarão como mais facilidade, haja vista sua maioria no poder Legislativo.

Bom, mas eu sou Marxista e me esforço para enxergar a realidade para além, e aquém, daquilo que se apresenta como pseudoconcreticidade (Kosik).

O que vejo: o PT e o PSDB, representam o mesmo projeto, que não é novo (desenvolvimentismo), ao ponto das questões de diferenças ideológicas nem aparecerem nos debates, simplesmente porque elas não existem.
Na época da reeleição de Lula, FHC declarou em reportagem, que as diferenças entre o PT e PSDB se configuravam apenas em uma disputa pelo poder, já que as bases da política econômica eram as mesmas. E nessa análise ele estava certo, acho, inclusive, que o projeto neoliberal foi levado com mais competência nos ultimos 8 anos, ele amadureceu e ganhou lançou raizes mais profundas.

Ora, então não se trata de votar em Serra ou em Dilma, mas de defender um projeto diametralmente oposto ao apresentado por eles. Enquanto a mídia discute qual dos dois é favorável ao aborto, apresentando deslises de discurso em cada um, a burguesia, feliz da vida, já tem a certeza de que seu projeto está garantido (claro, existem frações dentro de uma mesma classe que tendem para um dos lados, mas de maneira geral, tanto faz quem vai levar a faixa verde amarela e posar para foto oficial!).

Às vezes parece que damos importância demasiada ao sufrágio, como se ele próprio não fosse um instrumento de dominação!

As nossas únicas certezas são: a continuidade do sonho de uma sociedade sem classes e a luta! Luta que não espera a eleição do próximo representante da classe dominante, luta que se configura no agora!

Um forte abraço,
André Feitosa
(Professor da UFF)

Anúncios

Uma resposta to “– Entre Serra e Dilma, não existe abismo!”

  1. Francisco Santana Says:

    1) Eu desconfio de pessoas que se declaram marxistas. Primeiro por ser muita pretensão; segundo por ser um indício de religiosidade; o próprio Marx repudiava essa idéia como ele próprio declarou: “Eu não sou marxista”.

    2) O professor confunde prático com pragmático. Devemos ser práticos mas não pragmáticos. O pragmatismo implica num amoralismo. Como o ditado americano utilizado por Marta Suplicy: “Se o estupro é inevitável, relaxe e goze”. O exemplo que o professor deu como de esquerda pragmática é na realidade o exemplo de praticidade com bom senso. Há nesse caso um comprometimento de assumir a responsabilidade pelas conseqüências de seus atos. No pragmatismo há em geral um descomprometimento. Por esse aspecto o voto nulo pode significar e no seu caso significa uma atitude pragmática. A não ser que já estivessem ressoando os sons de trombetas revolucionárias anunciando o assalto da classe operária ao castelo. E creio que nem o professor está ouvindo esse som.

    3) O professor disse:
    “Bom, mas eu sou Marxista e me esforço para enxergar a realidade para além, e aquém, daquilo que se apresenta como pseudoconcreticidade (Kosik).”

    Em Marx a realidade não está nem além nem aquém do que o professor chama de pseudoconcreticidade, mas dentro dela. Tanto Marx como Hegel a chamariam de abstração; seus epígonos preferem chamar de realidade sensível. Ela é o ponto de partida e o ponto de chegada reconstruida no pensamento como síntese de múltiplas determinações. Ela é inclusive o critério de verdade do novo concreto construído. Ela não pode ser desprezada mas reconstruida a partir de seus elementos obtidos pelo primeiro processo de análise.

    4) Alguns afirmam que seguir Marx é fazer a análise concreta da realidade concreta. Há também o cuidado, pois tanto Hegel como Marx empregam abstrato e concreto com dois sentidos opostos.

    Essas eleições brasileiras são uma realidade concreta. Por incompetência nossa ou por competência do imperialismo não está colocada na ordem do dia a ilegitimidade dessas eleições embora alguns setores de maneira incipiente a tenham tentado.

    Alguns talvez a encarem a nível de uma primeira aproximação como uma mera abstração, mas outros com certeza a anlisaram historicamente e chegaram a ela como o verdadeiro concreto.

    Elas serão realizadas indiscutivelmente. Nós servidores públicos teremos que votar ou então viajar justificando ou então não receberemos nossos salários. E o nosso voto ou nosso ato influenciarão nosso futuro e o da humanidade.

    Qualquer outra opção terá que ser construída após o término dessas eleições.

    F. Santana

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: