 O artista e o político

 

Artista-X- Político-Menandro Ramos

O Artista X O Político: ambos os instrumentos têm boca, elemento tão importante na comunicação, tanto do cantor, quanto do político e ex-torneiro mecânico. A Arte é do Saci-Pererê.

  

Prezado Prof. Rubens e demais Colegas,

 

 Quando leio a ginástica que alguém faz para defender o Exmo. Sr. Presidente, lembro-me de um amigo que diz com simplicidade:

 

– Essas desqualificações que tentam colar em Lula, não se aplicam. O problema dele é querer acender uma vela a deus e outra ao diabo.

 

Para os seus simpatizantes, isso é ser estadista, conciliador, é, enfim, ter maturidade política e senso de oportunidade. Para os que estão em posição oposta, isso é, simplesmente, oportunismo.

 

Qualquer que seja a posição do colega, assim como da articulista, alguns fatos, entretanto, não podem ser esquecidos. Para o bem ou para o mal. De forma maniqueísta ou não – como diriam Caetano e seus imitadores humoristas (profissionais ou não, mais uma vez).

 

O artista santamarense é exímio compositor, é excelente cantor, é provocador, é polêmico, é contraditório, adora cultuar valores da classe média (muitos jornalistas não usam termos como “burguês” ou “pequeno-burguês”), ama de paixão a cultura estadunidense etc, etc. E quem pode negar?

 

Por sua vez, o presidente garanhuense é inteligente (para seus desafetos é astuto), é determinado, tem presença de espírito, tem discurso envolvente etc, etc. E quem pode negar? Gostando dele ou não, ele tem isso tudo, como qualidade ou defeito.

 

Comer letras ou sílabas não o faz perverso. A norma padrão da língua não dá nem tira o caráter de quem a detém, mas não há ideologia sem linguagem: verbal, não-verbal, culta, inculta, sagrada, profana, da ciência ou do senso comum, da academia ou do bordel (clássico ou adaptado para os novos tempos).

 

Mas ninguém pode negar, também, que ele usou uma bandeira socialista nas suas diversas campanhas (ou teria sido uma leitura equivocada da minha parte?). Ao se eleger, entretanto, tratou logo de afagar os banqueiros – o lucro exorbitante dos bancos confirma o que digo. O conjunto de reformas que ele capitaneou, coincidência ou não, agrada ao FMI e ao Banco Mundial, da mesma forma que o seu superávit primário. Suas reformas trazem apreensões a alguns trabalhadores (não a todos). Coincidência ou não, no seu governo, nos dois mandatos, segmentos tradicionalmente unidos romperam-se de forma significativa: vide CUT/ANDES/APUB/UNE. A bomba que o conservador FHC não conseguiu explodir, Lula o fez com toda tranquilidade do mundo. Ou teria sido isso uma injunção dos elementos naturais, ou mesmo de uma determinação inexorável dos deuses?

 

Ninguém pode negar que o atual presidente deu continuidade a programas iniciados pelo seu antecessor, como o Bolsa Isso/Bolsa Aquilo, que ele um dia chamou de moeda assistencialista, de troca por voto. Desde o Provão de FHC ao “estrategista” Meireles, tudo se manteve. Este último foi até blindado… Claro que algumas outras denominações foram alteradas. Compreensivo e óbvio.

 

Internacionalmente, o Presidente Lula foi reconhecido como o “Cara”. O seu primeiro mandato foi como uma espécie de sabatina para ter o reconhecimento do capital financeiro internacional, a partir de então foi reconhecido como sendo uma pessoa do “bem” (O inferno são os outros, já dizia Sartre). O capital financeiro passou a enxergá-lo como um pessoa chave (apesar de sua amizade por Chaves) para a expansão do deus mercado na América Latina. Um retirante nordestino sentado na cadeira presidencial mostra que a democracia (burguesa?) acolhe a todos. Desde que sejam bem-comportados, claro. O nordestino (ex) pobre fez escola, ainda que não tenha feito universidade.

 

O capital tem mil e uma caras. Assim, agora é a vez dos injustiçados pela sociedade, numa representação simbólica: Obama ocupa a Casa Branca (da mesma forma que Lula ocupa o Palácio da Alvorada). Justamente ele, de fenótipo afro-americano, ainda que de DNA cultural europeu… Alguns indagam, com isso, se a vitória é da democracia sem adjetivos, ou se apenas da democracia burguesa, ou, ainda, se tudo isso é relativo…

 

Para finalizar, Prezado Professor, é bom que falemos um pouquinho sobre a parte que toca a Universidade Pública Brasileira. A “competência” de Lula para formatá-la segundo os cânones ditados por povos de além-mar, por interesses mercantis, extrapolou, de longe, a astúcia de FHC, o presidente-sociólogo. O modelito brasileiro, de olho no bolonhês e no estadunidense é a síntese (ou a pretensão de) que reúne (ou Reuni) uma turma de dentro da universidade disposta a vesti-lo, qualquer que seja o preço. Qual a vantagem dele? Ah! para alguns, há! E não são poucas!!! Não subestimemos a ambição e a vaidade desmesurada de alguns!

 

Houve, certamente, a habilidade de fazer parecer do projeto (com seus desdobramentos) algo proativo. Isso houve. A Uninova é uma dessas habilidades. Talvez com a inabilidade interna conhecida mais como BI. Bobagem institucional ou não, segundo se expressam seus opositores (olhe Caetano mais uma vez colaborando: ou não!), só o tempo dirá. Assim como dirá, também, se o Prouni de fato aproximou o estudante pobre das universidades (públicas ou privadas) ou se estreitou, apenas, os laços entre os empresários da educação e o atual presidente da República e sua fervorosa equipe. Incluem-se aí (por que não?) os pleiteantes.

 

Estadista, conciliador ou maduro politicamente, só o Senhor Tempo confirmará sobre o que alguns entusiastas dizem a respeito do presidente Lula. O difícil é pensar que o capital vai perder nessa queda de braço (desigual) com o trabalho, ainda que algumas bolsas e agrados sejam hoje distribuídos aos trabalhadores mais necessitados, ou mesmo desempregados, como no passado o foram algumas dentaduras…

 

Ninguém, de sã consciência, pode dizer que houve qualquer gesto da parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para barrar a expansão do capital pelas Terras Brazilis. Muito pelo contrário. O capital continua cada vez mais vigoroso por aqui, com ou sem marolinha, caminhando a passos largos, “sem lenço e sem documento”.

 

Se o capital um dia for destronado, em benefício do trabalho, ninguém poderá responsabilizar o ex-metalúrgico e ex-lider sindical pela sua mais modesta contribuição nesse sentido. Muito pelo contrário.

 

Se houvesse inferno, no final dos tempos e da História, uma legião de banqueiros chifrudos certamente intercederiam, perante o Capeta, para que o lugar mais quente fosse reservado ao Sr. Inácio, que não é de Loiola. Pensando bem, talvez ao lado dele – o que é tido como Santo por alguns -, se existisse inferno.

 

Saudações Universitárias,

Menandro Ramos,
Prof. da FACED/UFBA.

 

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De: apubdebates-l-bounces@listas.ufba.br [mailto:apubdebates-l-bounces@listas.ufba.br] Em nome de Rubens Ribeiro Gonçalves da Silva
Enviada em: quinta-feira, 12 de novembro de 2009 09:53
Para: ici-l@listas.ufba.br; arquivologia-l@listas.ufba.br; colarquivo-l@listas.ufba.br; cridi-l@listas.ufba.br; apub-l@listas.ufba.br; apubdebates-l@listas.ufba.br; debates-l@listas.ufba.br; faced-l@listas.ufba.br
Assunto: [Apubdebates-l] Por que Luiz Inácio desagrada Caetano Veloso?, por Marta Peres

 

Caetano também é analfabeto? por Marta Peres

 

Vejam reproduzido aí embaixo um texto bem escrito, sensato, esclarecedor em sua interpretação…é um pouco longo, mas inteligente do princípio ao fim.

 

Rubens Silva

ICI-UFBA

 

____________________________________

 

 

Por que Luiz Inácio desagrada Caetano Veloso?

 

por Marta Peres,
professora da UFRJ

 

Grande artista, não faz falta a Caetano Veloso um diploma de nível superior. Seus recentes comentários injuriosos a respeito do presidente com a maior aprovação da História do Brasil são indiscutivelmente coerentes – com sua visão de mundo, com a visão da classe a que pertence, assim como dos meios de comunicação que as constroem incansavelmente, bloqueando qualquer ensaio de questionamento ao seu insistente pensamento único.

 

Ao se referir a Lula como “analfabeto”, o termo está sendo utilizado de forma equivocada, pois “analfabetismo” significa ?não saber ler nem escrever?. Imagino que ele esteja se remetendo, de maneira exagerada, ao fato de Lula não ter diploma de graduação, coisa que o compositor tampouco possui. Esse tipo de exigência não é nem mesmo cogitada ante outros artistas geniais como Milton, Chico, Cora Coralina… Gilberto Gil, ex-ministro do governo Lula, graduou-se, mas não em música…

 

“Ah, mas eles são artistas…”. E não seria a Política uma arte? Um pouco de Platão e Aristóteles não faz mal a ninguém… Quanto à suposta “cafonice” de nosso presidente, situado na revista americana Newsweek em 18° lugar entre as pessoas mais poderosas do mundo, Pierre Bourdieu (1930-2002) nos traz uma contribuição preciosa.

 

De origem campesina, como Lula, o sociólogo francês criou conceitos que desmoronam o velho chavão do “gosto não se discute”. Para Bourdieu, não só se deve discutir, como estudar, compreender, aquilo que se trata de, mais que uma questão de “classe”, uma questão de “classe social”?. Além do enorme abismo do ponto de vista propriamente econômico, os “gostos diferenciadores”, referentes ao “estilo de vida”, consistem na maior marca de violência simbólica e num fundamental instrumento de legitimação da dominação das classes dominadas pelas dominantes. Não somente é desigual a distribuição de renda numa sociedade dividida em classes, mas também o acesso à educação formal e informal – o hábito de freqüentar museus, espetáculos de teatro, música, dança – à sofisticação do vocabulário, às regras de etiqueta, à constituição da apresentação pessoal, dos “modos” e atitudes corporais. Obviamente, alcançar maior poder aquisitivo não possibilita a aquisição desse “capital cultural” adquirido ao longo de toda uma vida no convívio com ?outras pessoas elegantes?, ou seja, com a “elite”. Uma expressão precisa para designá-las, utilizada corriqueiramente na Zona Sul do Rio, é “gente bonita”- como sinônimo de portadores de determinadas marcas de classe evidentes pelo vestuário, linguajar, cabelos, corpos, modos, atitudes.

 

Bourdieu demonstrou os aspectos, às vezes despercebidos, da “construção social” do gosto, seja o gosto de Caetano, das elites, dos que gostariam de ser elite, pretendendo se distinguir da massa supostamente “inculta”. Em outras palavras, as classes às quais pertencemos determinam, em grande parte, nossos critérios aparentemente inatos do que vem a ser elegância, numa relação de constante imitação, pelos “cafonas”, dos considerados detentores dos critérios de julgamento estético.

 

Lula não segue a corrente dos imitadores: mantém-se fiel à cafonice que o identifica com suas origens populares. Ah, como isso incomoda…

 

Embora seja assistido desde tempos imemoriais, lembrando que Norbert Elias estudou como a nobreza francesa era imitada por suas congêneres do resto da Europa no Ancien Régime, aqui, no Brasil, o fenômeno da distinção alcança as fronteiras do ?nojo?, das reações fisiológicas desagradáveis, diante de tudo que possa remeter a atributos das classes populares, tudo que venha do “povão”.

 

Não é à toa que o REUNI? Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais que tem como objetivo “criar condições para a ampliação do acesso e permanência na educação superior, no nível da graduação, pelo melhor aproveitamento da estrutura física e de recursos humanos existentes nas Universidades Federais”? seja alvo de críticas ferrenhas, apesar de vir ao encontro de demandas por mais vagas já presentes nos protestos estudantis da França e do Brasil há quarenta anos, os quais, aqui, jamais sequer haviam sido objeto de atenção pelos governos. A demanda por cidadania e não por privilégios restritos é assunto que dá nojo, dá “gastura”, como se fala no interior do Brasil. Mas isso são outros quinhentos…

 

Embora o acesso universal à educação deva ser uma meta, podemos questionar? como muitos eminentes acadêmicos questionam? que a universidade seja a única fonte de conhecimento legítimo, sob o risco de repetirmos, em outros moldes, o papel de detentora do saber exercido pela Igreja Católica Medieval. O que seria de nós sem a contribuição inestimável de tantos notáveis que por ela não passaram?

 

Pode-se argumentar, contudo, que o referido compositor não tem preconceito de classe ou contra a falta de diploma, pois pretende votar em Marina Silva que, como Caetano, não possui graduação, e que, como Lula, tem origem humilde. (O curioso é que, sendo a candidata à sucessão de Lula uma economista, dessa vez, a mesma é cobrada por não possuir mestrado e acusada de ter lutado contra a ditadura militar: sempre inventarão motivos contrários a políticas públicas que ferem ideais de distinção de classe). Ao contrário do que parece, os atributos de Marina caem como uma luva para nossa conservadora classe média leitora do Globo e da Veja e que jamais se assumirá preconceituosa: portar a nobre e indignada bandeira da causa verde faz disparar sua pontuação no quesito “elegância”. Os que se preocupam ardentemente com a possibilidade de vida de seus netos e bisnetos são tocados em seu íntimo pelas questões ligadas à salvação das florestas.

 

Só que, mais uma vez, como a História sempre ajuda a enxergar, o buraco? na camada de ozônio ? é mais embaixo: a destruição do planeta é a consequência inexorável de um sistema perverso que nele vem se instalando há alguns séculos. Ao longo de suas notáveis transformações, atingiu um ponto em que passou a se dar conta de seu próprio potencial de destruição e de identificar na preocupação com a natureza uma boa ? e quem sabe, lucrativa – causa.

 

Do ponto de vista das chamadas “Gerações” de Direitos Humanos, ao longo dos desdobramentos do capitalismo, a causa ecológica nasceu como a terceira filha. Enquanto a primeira, a segunda e a terceira gerações são identificadas com os ideais da Revolução Francesa – Liberdade, Igualdade e Fraternidade – a quarta, mais recente, relaciona-se a questões da Bioética e aos movimentos de segmentos minoritários ou discriminados da sociedade. A liberdade refere-se aos direitos civis e políticos, chamados de “direitos negativos”, pois limitam o poder exorbitante do Estado, que deve deixar o indivíduo viver e atuar politicamente. A igualdade consiste na luta pelos direitos sociais, culturais, econômicos, e demandam uma atuação “positiva” do Estado no sentido de realizar ações que proporcionem condições de acesso de todos os indivíduos à educação, saúde, moradia, assistência social, dignidade no trabalho. Finalmente, a fraternidade esta ligada à ecologia, à preocupação com o destino da humanidade, irmanada por sua condição de habitante do planeta Terra.

 

Como se situaria o Brasil nessa História? Não vivemos mais no tempo de Marx, das jornadas de trabalho de 18 horas que não poupavam mulheres e crianças caindo mortas de fome ao redor das grandes máquinas sujas das fábricas. Hoje, longos tentáculos buscam mão de obra barata como a planta se dirige à luz do sol e os dejetos ? da poluição e os seres humanos excluídos da participação em suas benesses – são escondidos do campo de visão dos que têm “bom gosto”. Depois de destruir suas próprias florestas, os países ricos se preocupam e ditam regras da etiqueta politicamente correta aos pobres, abraçando a “causa ecológica” com a mesma eloqüência que ontem defenderam que a “mão invisível do mercado”? traria a felicidade geral. Hoje, uma mão visível segura imponente a bandeira do orgulho verde. Porém, o corpo do qual faz parte constitui-se de fome, miséria, doença, condições abaixo de qualquer noção de dignidade da pessoa humana. A bandeira parece ser de um médico, mas o sujeito que a segura é um “elegante” monstro. Chega a ser apelativo falar em salvar o planeta tirando de contexto uma causa que ninguém ousará contestar. Mas que tal pesquisar casos concretos de vínculos incontestáveis entre partidos verdes de diferentes países com os setores mais conservadores das respectivas sociedades? Visualizando a imagem do monstro, de braços dados com uma chiquérrima Brigitte Bardot salvando animais, faz todo sentido. A Bela e a Fera…

 

De modo algum defendo qualquer teleologia e que tenhamos que passar por fases que os outros já passaram. Nem que os sete anos de Governo Lula tenham se proposto a enfrentar bravamente, contra tudo e contra todos, o capitalismo que domina quase toda a superfície do planeta.

 

Ninguém falou em Revolução, aliás, não era esse o combinado. Apenas assisto a um esforço hercúleo de instaurar políticas que ferem o coração desses mecanismos de violência, real e simbólica, que o julgamento do que é ou não cafona só vem a perpetuar, no sentido de minimizar o enorme fosso que separa os que têm e os que não têm acesso a conquistas históricas impreteríveis do Ocidente, independentemente de obediência a qualquer cronologia, identificadas com os direitos humanos: combate à fome à miséria, acesso universal à educação, à energia elétrica, diminuição da desigualdade ímpar que nos assola.

 

Fraternidade, também quero, mas junto com a Liberdade, e principalmente, o que mais nos falta, Igualdade! Não igualdade no sentido anatômico, igualdade de condições, junto com a quarta geração.

 

Não indignar-se com a miséria, agarrar-se ferrenhamente a seus privilégios, assim como espernear diante de sinais de mudança, faz parte do aprendizado de cegueira, inércia e arrogância por que passam nossas elites com seu gosto sofisticado. Mas ao contrário de um regime de concordância geral, o ideal de democracia é caracterizado justamente pela coexistência de opiniões diversas a respeito das políticas do governo. À insatisfação proveniente de certo campo ideológico correspondem, certamente, avanços jamais assistidos na História do Brasil. Com vínculos ideológicos resumidos na figura de ACM, nutridora de uma ordem social desigual desde 1500, existe uma indiscutivelmente sincera elite baiana à qual, desagradar, é sinal de que Lula está no caminho certo!

 

—– Final da mensagem encaminhada —–

—————————————————————-

Universidade Federal da Bahia – http://www.portal.ufba.br

Uma resposta to “ O artista e o político”

  1. Menandro Ramos Says:

    Prezados Leitores,

    Resolvi socializar as mensagens que troquei com o Prof. Rubens Silva, do ICI/UFBA.

    At.
    Menandro

    ——————————-

    Prezado Professor Rubens,

    Obrigado pela sua atenção.

    Não duvido da sua sinceridade, ainda que não possa dizer o mesmo da sinceridade do atual governo. Embora alguns o defendam, os fatos e a História confirmarão ou não o meu juízo.

    Continuemos, enquanto isso, – cada um a seu modo – a torcer pelo Brasil e pela UFBA. Da minha parte, mais pelo Brasil do trabalho do que da especulação financeira, das commodities, dos banqueiros etc. De qualquer forma, acredito que, pelo diálogo e pelo respeito ao direito de todos se manifestarem livremente, e não apenas aos do nosso grupo, poderemos nos encontrar numa curva qualquer do futuro. Quem sabe o senhor não me dará razão!…

    Da minha parte, também, professor, trabalho muito, ainda que alguns acreditem que as atividades carimbadas como verdadeiramente “acadêmicas” sejam mais importantes que quaisquer outras cujos paradigmas não tenham o mesmo azimute “oficial”… Quase todos os textos que escrevo, com o propósito de defender a Universidade Pública e o Trabalho, em detrimento do capital, eu o faço às madrugadas. E sem ganhar pró-labore, comissão, caixinha ou pontuação para concorrer com colegas que fizeram opções legítimas por outras atividades laborais e disputam, talvez, o título de pesquisador do mês no portal da UFBA, como os atendentes das empresas McDonald’s, espalhadas pelo mundo afora. Respeito o trabalho dos valorosos colegas da UFBA, que felizmente não são poucos. Sei da contribuição que estão dando para que a UFBA se torne mais respeitada, e nunca duvidei disso. O que lamento é que muitos esquecem de que a decisão de usar ou não o microscópio ficará prejudicada se a Universidade Pública for perdendo cada vez mais sua autonomia, como vem acontecendo, e se as empresas capitalistas, provedoras dos recursos da pesquisa, passarem a dizer o que deve ser pesquisado. Pelo visto, aliás, parece que não estamos longe disso, não é mesmo?

    Atenciosamente,
    Menandro Ramos

    ——————————-

    De: debates-l-bounces@listas.ufba.br [mailto:debates-l-bounces@listas.ufba.br] Em nome de Rubens Ribeiro Gonçalves da Silva
    Enviada em: sexta-feira, 13 de novembro de 2009 14:14
    Para: ici-l@listas.ufba.br; arquivologia-l@listas.ufba.br; colarquivo-l@listas.ufba.br; cridi-l@listas.ufba.br; apub-l@listas.ufba.br; apubdebates-l@listas.ufba.br; debates-l@listas.ufba.br; faced-l@listas.ufba.br; docentes-l@listas.ufba.br; tavares-neto@uol.com.br; taffarel@ufba.br; dep2@grupos.com.br; dirceum@ufba.br

    Assunto: Re: [Debates-l] RES: [Apubdebates-l] Por que Luiz Inácio desagrada Caetano Veloso?, por Marta Peres

    Muito interessantes seus pontos de vista, caro prof. Menandro, mas discordo da quase totalidade deles. Não costumo ler textos de email que sejam tão longos, mas o fiz em consideração à sua manifestação a uma mensagem de três linhas que enviei, mas que levava anexo um documento de texto longo, e portanto só me resta agradecer que tenha aceito este convite à reflexão, que felizmente não é única, é múltipla, como sóe acontecer numa democracia, e especilamente numa Universidade, e mais especialmene, neste momento, a UFBA, que inova na educação superior do país, segundo entendo, neste final de década do século XXI.

    Infelizmente — por estar liderando um grupo de pesquisa em consolidação, com mais de uma dezena de membros, atuando na vice-direção de uma unidade, organizando uma publicação complexa de um livro, dando aulas na graduação, dando aulas na pós-graduação, orientando quatro bolsistas de iniciação científica, dois de trabalho de conclusão de curso, três mestrandos, participando de reuniões sobre dois novos importantes projetos institucionais, entre outras coisas — não tenho tempo disponível (especialmente em meados de novembro) para comentar uma a uma as suas opiniões, e nem mesmo isso seria necessário ou relevante. O tempo que estou agora a investir neste email, já me é muito caro…Ao decidir compartilhar o texto que enviei, a intenção era apenas a de compartlihar um email… (trata-se apenas de um email). Vale dizer que Caetano está entre os artistas que produzem obras musicais das que mais admiro, está entre os maiores compositores de meu agrado. Tenho sua obra em Long Play e em CD na sua quase totalidade.

    Mas o que vejo e penso sobre o Governo Federal atual é tão diferente, mas tão diferente, do que seus olhos vêem e seu pensamento manifesta na forma escrita, que não há a menor possibilidade de tentarmos argumentar contrariamente. Por sinal, para os que não conseguem ver uma ação sequer de qualidade nos últimos sete anos no País, não há mesmo porque eu tentar manter qualquer argumentação contrária. O que vejo de suas manifestações pessoais nas listas da UFBA, e de mais alguns poucos outros docentes, me levam a esta decisão.
    De qualquer forma, agradeço sua mensagem. E faço votos de que o País continue evoluindo nos aspectos sociais, como vem acontecendo mais recentemente, nos últimos sete anos.

    Atenciosamente,
    Rubens Silva

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