– Saramago e a cebola

O Saci, após dar Três Vivas ao recém falecido Escritor Português, - com iniciais maiúsculas -, observou que as intermitências da morte convertem até carolas convictos ao Evagelho Segundo Saramago. Ou seria o contrário?... (Clique na arte para ampliá-la).

.


Meu Caro Roque,

Ao ler o finalzinho da sua mensagem, os olhos do Saci marejaram… Depois de limpar disfarçadamente suas doces lagriminhas, ele me olhou piedoso e comentou:

– Puxa chefia, quão generoso é perdoar! É uma arte que precisa ser exercitada diuturnamenste, pois nem sempre ocorre de maneira espontânea… E não é fácil! Por exemplo, como perdoar os oito anos que o Magnífico Reitor teve para cuidar da UFBA, e nada fez, a não ser naoliberalizá-la; como esquecer que Lula deu continuidade, por também oito anos, aos projetos liberais de FHC, que por sua vez regou a sementinha que Collor plantou; como olvidar que, da gang do Mensalão, só o Arruda pegou mau-olhado; como não adoecer, ao considerar que a atual presidência da APUB escangalhou com o Plano de Saúde e ainda quer assinar as carteirinhas da Associação Chapa Branca proifiana (sem falar na sua tesoura vil exercitada ferozmente na APUBDEBATES-L)???…

Tentei impedir que ele continuasse falando, mas o escrachado não me ouviu.

– Por fim, e para não me alongar mais, como perdoar os que vertem lágrimas de cebola por Saramago, apóstolos que são do neoliberalismo praticado no templo do Deus Mercado? Certamente, se os visse, Saramago riria dos seus afetados farisaísmos, que a ninguém mais engana. Aliás…

***

Ah! Caro Roque! Se eu não tapo a boca do pilantra, até agora, quase duas horas depois, ele ainda estaria matracando. Você precisava ver o olhar rancoroso que ele me encarou antes de se mandar para o bambuzal da FACED… Depois dessa, ele pode até perdoar os que contribuíram, e contribuem, para precarizar as relações de trabalho… Pelo visto, até que pode relevar essas coisas, mas quanto a me perdoar… Hum! Sei não, viu!

Grande abraço,
Menandro Ramos


*************************

—–Mensagem original—– De: debates-l-bounces@listas.ufba.br
[mailto:debates-l-bounces@listas.ufba.br]
Em nome de joromota@ufba.br
Enviada em: terça-feira, 22 de junho de 2010 10:16
Para: debates-l@listas.ufba.br
Cc: joromota@ufba.ufba.br
Assunto: Re: [Debates-l] JOSÉ SARAMAGO

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Prezado Prof. João Augusto de Lima Rocha:

Parabéns pelo artigo. Fiz manisfestaçao contra o que publicou o Vaticano após a morte de José Saramago:

[adaptação a partir da Folha de São Paulo/Uol.com.br]
JOSÉ ROQUE MOTA CARVALHO em 21/06/2010

I. O VATICANO NA CONTRA-MÃO: Ainda, no olho do vendaval das denúncias contra a pedofilia existente em setores do clero católico, o Vaticano ataca quem não pode mais se defender. [Com o título “O grande (suposto) poder do narrador”, o órgão oficial do Vaticano critica com virulência o Prêmio Nobel de Literatura, que era marxista e ateu. O “LOsservatore Romano” o definiu como “um ideólogo anti-religioso, um homem e um intelectual que não admitia metafísica alguma, aprisionado até o fim em sua confiança profunda no materialismo histórico, o marxismo”. O jornal considera ainda, que o escritor “colocou-se com lucidez ao lado das ervas daninhas no trigal do Evangelho”. “Ele dizia que perdia o sono só de pensar nas Cruzadas ou na Inquisição, esquecendo-se dos gulags, das perseguições, dos genocídios e dos samizdat (relatos de dissidentes da época soviética) culturais e religiosos”, indica ainda o jornal do Vaticano em seu editorial]. Cadê o tão falado perdão? Jesus Perdoou.

Segue em II.

II. Fomos e somos a cada dia, INSTRUÍDOS a perdoa a quem nos ofende. No caso Saramago, parece que a Igreja não aprendeu a perdoar, mesmo que o desafeto já tenha morrido. Claro que Jesus Cristo já o perdoou. Quem perdoou Paulo de Tarso, perdoar Saramago é muito fácil. [O “LOsservatore Romano” considera Saramago como “um populista extremista”, que se referia “de forma muito cômoda” a “um Deus no qual jamais acreditou por se considerar todo-poderoso e onisciente”. Saramago provocou a ira do Vaticano e da Igreja Católica em 1992 com sua obra “O Evangelho segundo Jesus Cristo” no qual considerava que Jesus perdeu a sua virgindade com Maria Madalena].

Pergunto: Será que a Igreja que prega o perdão mútuo, só se aplica aos demais e nunca à própria Igreja. A velha Igreja precisa, rapidamente, aprender a perdoar ou estará na contra-mão do princípio básico que ela propriamente apregoa: perdoar os nossos pecados assim como nós perdoamos a quem nos ofende.

Feliz São João p/ todos com muita paz, sem ódio.

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Citando joarocha@ufba.br:

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MORREU JOSÉ SARAMAGO. VIVA JOSÉ SARAMAGO!

João Augusto de Lima Rocha
Diretor Acadêmico da APUB-Sindicato

Aos 87 anos de idade, morre o grande escritor português José  Saramago, em Lanzarote, Ilhas Canárias, Espanha, ao lado de sua  mulher Pilar Del Rio. É importante destacar que, mesmo já  reconhecido, sua projeção internacional aumenta bastante a partir do  momento em que ambos se encontraram, em 1986. Segundo ele próprio,  deve-se a Pilar sua grande produção e divulgação organizada da obra.

Muitos de seus livros, certamente, iriam ficar na gaveta, caso tal encontro não acontecesse. A identificação entre ambos começa a partir da paixão por Fernando Pessoa, cujo túmulo visitaram juntos, logo após terem se conhecido e, depois, a identidade ainda mais se reforça, por conta de posições políticas comuns, marxistas e > comunistas que eram. O noticiário costuma ressaltar a grande importância do escritor, único Prêmio Nobel de Literatura em língua portuguesa. No entanto, lembro-me de um editorial raivoso da revista Time cheio de poréns, tentando desqualificá-lo por todos os lados, logo após ter recebido o prêmio, em 1998. Suas posições a favor de Cuba, contra o boicote econômico americano, e sobre a religião nunca foram digeridas pela velha imprensa e, mesmo agora, ao noticiar sua morte, aparece a intenção velada de lançar-lhe a pecha de inconveniente. A força de sua de sua incessante produção literária, no entanto, tem sido capaz de neutralizar tudo isso.

Saramago, tal como Machado de Assis, teve origem muito humilde. Seus avós eram analfabetos, criadores de porcos, e sua mãe, também analfabeta, trabalhava como doméstica, horista, limpando chão e lavando roupa. Seu pai era guarda civil, e o único irmão morreu aos quatro anos de idade. O escritor não gostava de falar nisso, por conta de acreditar que poderia estar querendo ressaltar a si próprio, como se fora produto de um milagre ou mérito excepcional, ele que detestava milagres, principalmente a comercialização de milagres, com a qual se enriquecem muitas das religiões.

De fato, Saramago foi o resultado de uma autoconstrução, produzida a partir de uma consciência muito aguçada, colada na realidade da vida e do mundo. Precisamos, a partir de agora, ter muito cuidado com a conhecida fórmula atribuída a Machado, isto é, “morreu; podemos elogiá-lo”,  que é uma espécie de consolo para muitos que prefeririam, mesmo, é que ele nunca tivesse nascido. Aliás, a morte nunca foi problema para ele; só se preocupava com ela, tal como dizia uma de suas avós, e ele gostava de repetir, porque o mundo, sendo tão bonito, é muito triste ser-se, bruscamente, privado de apreciá-lo…

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5 Respostas to “– Saramago e a cebola”

  1. Menandro Ramos Says:

    Mensagem trocada com o Prof. José Roque Mota –

    Prezados Menandros e Saci:

    A resposta deve ser enviada para o Vaticano. Ele é que prega o perdão eterno. Eu apenas questionei a agressão do jornal do Vacicano ao já falecido Saramago.
    Nada mais. Sei que perdoar é difícil. Eu não estou preocupado com Lula, com o Reitor, com FHC, com Collor, com APUB. Já dei a minha contribuição. Isso é um problema do povo brasileiro. Repito: nada em uma nação se modifica com a revolta dos computadores. É preciso voltar às ruas. Apesar de Caitité ser um berço do Vaticano, formador de futuros sacerdotes, apesar de ter formaçãao cristã-católica-apostólica romana, Araci, não morro de amores pelo Vaticano.

    Oremos.

    jRMC.

    ———————————–

    Grande Roque!
    O Saci e eu entendemos o que vc coloca. Não só entendemos como concordamos. O que não conseguimos sacar é Saramago, velho comunista, ateu, humanista sendo pranteado por pessoas que há muito (ou nunca, quem sabe!…) não comungam com o ideário do genial escritor português. Seria uma conversão post mortem do infeliz leitor?

    É como se eu – não comparando mal – escrevesse algo tecendo loas a Carlos Marighella ou ao Che, citado por vc, e, ao mesmo tempo, defendesse a política econômica do presidente Lula. No mínimo, falta coerência. Ou, para sair do personalismo, é como se eu defendesse o Reuni e, ao mesmo tempo, afiasse o verbo em favor da autonomia da Universidade Pública. São posições inconciliáveis. É como se quisesse diluir água em óleo. E que me corrija – já que é sua praia – se uso inadequadamente o exemplo do universo da Química, da qual me apartei ainda nos idos de 1970, no velho e querido Colégio Central…

    Assim, volta e meia, estou lendo, nos meus e-mails, elogios póstumos ao autor de Ensaio sobre a Cegueira… O curioso é que tenho identificado justamente alguns missivistas cujos olhos não são muito abertos para a realidade político-econômica… E aí, não tenho como concluir de maneira diferente: ou são muito ingênuos esses tais ou são bastante maliciosos…

    Um feliz São João – aqui ou em Araci – regado a finíssimo licor de Jenipapo, devidamente acompanhado das iguarias clássicas da nossa gloriosa cultura nordestina.

    Abração,

    Menandro

  2. Fernanda Gonçalves Says:

    Caro amigo Mena e demais comentaristas,

    Gostaria de me agregar a esse diálogo sobre o nosso escritor Saramago.
    É complicado encontrar palavras para descrevê-lo e à sua obra.; poderia tentar expressá-las adjetivando-os como magnificamente honestas e de uma poesia extrema.

    Estou relendo, pela enésima vez, Levantados do chão, em que ele narra a saga de três gerações de camponeses de Portugal – a Família Mau-Tempo – que, como em qualquer outro lugar, experimentam a usura dos proprietários de terra, que lhes suga a vida.

    Nessa atitude vampiresca, o patrão tem todo o apoio da Igreja, como se deu também em todos os lugares.

    Não creio que seja o caso de estranharmos o Vaticano não perdoar Saramago, pois ele se comportou mais cristamente que o catolicismo.

    Concordei com ele, quando manifestou-se contra o atual papa, em minúsculas mesmo, que, como a maioria, corresponde à classificação dada por Saramago: CÍNICO!

    Pessoalmente, como a “autoridade” de leitora desse grande escritor, não quero que a Igreja o perdoe. Ele não merece tal incoerência, tal indignidade.

    Como diriam os portugueses: Ela que “vá às favas!” Juntamente com todos aqueles que o perseguiram, forçando-o a sair de Portugal, através de um Voto de Censura, concedido pelo parlamento luso, exatamente porque ele desnudava o teatro da usura, a liturgia dos poderosos na fabricação da exploração e da miséria do povo português.

    A luta dele era por Justiça, independentemente do local. Lembro o quanto ele lutou junto ao MST e às Mães da Praça de Maio.

    Então, não devemos esperar nem desejar que eles o perdoem, mas temos que nos comprometer a seguir adiante, seja desnudando ideologias, e abrindo os olhos dos que estão alienados. Ele tem uma frase emblemática sobre o magnífico personagem “A mulher do médico”, no Ensaio sobre a cegueira, falando da: “responsabilidade dos que enxergam, quando os outros estão cegos”.

    Meu abraço para vocês,

    Fernanda

  3. Cecília de Paula Says:

    Oi Saci e demais,

    Também considero incoerente a Igreja o perdoar. Por dois motivos, pelo menos:
    1- Ele não fez nada que tenha necessidade do perdão da Igreja;
    2- Ele nem acredita nela, quanto mais em seu perdão.

    O que os seus escritos fez e, certamente continuarão fazendo é denunciar a sagacidade do capital ao utilizar de meios outros para se perpetuar, sejam eles ligados a religiosidade do povo, apelando para a sua fé, sejam eles ligados a alegria do povo, apelando para o esporte como agora, para a copa de futebol e no futuro breve para os jogos olímpicos.

    Gosto sempre de me lembrar de Saramago e da sua lucidez brilhante para além das janelas da alma, como a sua fé no ser humano e na humanidade, o seu declarado apoio ao comunismo e à luta pela transformação social, a sua acidez ao falar dos embustes e dos motivos parcos que nos cegam cotidianamente, de sua coragem para embelezar a vida com seu olhar atento, ateu, comunista.

    Assim, nos resta lembrá-lo todos os dias, com os pés no chão e luta no caminhar e os olhos atentos ao mundo, e não aos céus, pois até Deus perdeu a esperança no homem que vive a saga do capital e da propriedade privada. deus já veio, inclusive, buscar seu filho, conforme anuncia Saramago em seu texto introdutório de Terra (1997:13):
    “O Cristo do Corcovado desapareceu, levou-o Deus quando se retirou para a eternidade, porque não tinha servido de nada pô-lo ali. Agora, no lugar dele, fala-se em colocar quatro enormes painéis virados às quatro direcções do Brasil e do mundo, e todos, em grande letras, dizendo o mesmo: UM DIREITO QUE RESPEITE, UMA JUSTIÇA QUE CUMPRA”.

    Isso após assistir, talvez com desespero, tanta injustiça economica e social no mundo explicitada aqui no Brasil, pelas desigualdade entre a quantidade de terras que tem e a distribuição da mesma, “povoando dramaticamente esta paisagem e esta realidade social e econômica, vagando entro o sonho e o desespero, existem 4 800 000 famílias de rurais sem terras. A terra está ali, diante dos olhos e dos braços, uma imensa metade de um pais imenso, mas aqula gente (quantas pessoas ao todo? 15 milhões? mais ainda?) não pode lá entrar para trabalhar, para viver com a dignidade simples que só o trabalho pode conferir, porque os voracíssimos descendentes daqueles homens que primeiro haviam dito: “esta terra é minha”, e encontraram semelhantes seus bastante ingênuos lpara acreditar que era suficiente tê-lo dito, esses rodearam a terra de leis que os protegem, de polícias que os guardam, de governos que os representam e defendem, de pistoleiros pagos para matar”, conforme registrado neste seu texto.

    É isso, o anuncio de Saramago é claro. Amar os seres humanos, respeitá-los e viver plenamente a vida que é para todos. Por isso ele viveu sendo comunista e ateu. Por isso, não há necessidade nenhuma dessa Igreja o perdoar.

    Um abraço a tod@s que se lembram das palavras de Saramago e as fazem valer e continuar, na sua vida, na sua luta diária, nas posturas assumidas e, em especial, na Fernanda, que sempre leitora atenta nos brinda com sua poética.
    Cecília de Paula

  4. osaciperere Says:

    O Prof. Francisco Santana postou para as listas UFBA/APUB:
    ——————–

    JOSÉ SARAMAGO

    A grande contribuição de Saramago, além do enriquecimento da literatura portuguesa, foi recolocar na ordem do dia das discussões filosóficas ou políticas, a afirmação do ateísmo, do materialismo, laicismo, anticlericalismo e até mesmo da blasfêmia. É bem forte no final de seu livro, O EVANGELHO SEGUNDO JESUS CRISTO, a cena descrita de Cristo na cruz pedindo à turba que perdoasse DEUS pelo seu desatino (a maluquice de crucificar seu próprio filho): “…E subindo-lhe à lembrança o rio de sangue e de sofrimento que do seu lado irá nascer e alagar toda a terra, clamou para o céu aberto onde Deus sorria, HOMENS, PERDOAI-LHE, PORQUE ELE NÃO SABE O QUE FEZ”. Saramago, blasfêmico e herético, inverteu a exclamação bíblica. No diálogo de Cristo com Deus sob o testemunho do Diabo (que era contra a crucificação de Cristo), Deus então explica sua estratégia de assassinar Cristo de maneira cruel para com o seu martírio ampliar o número de fiéis que naquele momento se resumia a um povinho insignificante com a justificativa de que os deuses não brigam entre si, têm o homem para fazer isso por eles. Então o poder de Deus é fictício, o poder de fato emana do povo que o atribui a quem ele quer, sem ter consciência disso. O pior é que esse defeito da humanidade leva o homem a brigar também por time de futebol, político corrupto ou qualquer canalha produzido pela mídia. E além da morte de Cristo que não seria suficiente para universalizar seu poder, Jeová promete rios e rios de sangue pro futuro depois de Cristo. Quanto aos milagres e fatos sensacionais da bíblia, Saramago os reduz à sua insignificância, com explicações simples racionais, donde se deduz que a mídia aprendeu com a bíblia, a sofisticação da irrelevância. Mas o pior é a explicação da paternidade de Cristo. Saramago afirma claramente que no plano material, José penetrou e verteu dentro de Maria na madrugada da noite controvertida. Mas no plano psíquico e no dos mistérios religiosos aconteceram eventos entre a noite anterior ao coito de José e depois no dia que Maria soube que estava grávida, que levaram os anciões do conselho local(ou sacerdotes) a concluir depois de um grande inquérito, que restava a dúvida. Aqueles eventos ou eram artes do demônio, ou segredos de Deus ou mentiras de mulher infiel. Além disso, pelos capítulos seguintes, Cristo foi, no plano afetivo, mais ligado ao Diabo do que a Deus que só o observava à distância. Se essa é a mensagem de Saramago (a dúvida da paternidade), então para ele, Deus (Jeová) foi triplamente mau caráter com o assassinato de Cristo. Assumiu a paternidade de um filho que talvez não fosse seu, expondo S. José ao vexame de ter uma mulher adúltera, só para roubar os fiéis de outras religiões para si e de lambuja se vingar do seu rival, o Diabo, matando Cristo que na dúvida poderia ser seu filho (do Diabo).

    Evidentemente, o livro de Saramago não se reduz a blasfêmias e heresias, mas esse é o aspecto mais importante político, pois a afirmação do materialismo sofreu um hiato (desde 1964 no Brasil) pois os marxistas que detinham o monopólio da defesa do materialismo, se acovardaram (no Brasil a partir de 1964) e se esconderam em baixo de batinas de clérigos (Garaudy virou muçulmano e no Brasil a batina preferida foi a D. Helder Câmara). Tanto que Saramago é um dos poucos de origem marxista ou comunista que levantam essa questão. Esse fenômeno está surgindo mais a partir da ateístas não vinculados ao pensamento marxista, como Daniel C. Dennett (Quebrando o Encanto) ou Richard Dawkins (Deus, um delírio) e no Brasil já tem sites e listas de debates patrocinadas por positivistas e ateístas de diversas origens. É esse o debate que vale a pena. A crítica marxista cede lugar à crítica Voltaireana e Saramago assume Voltaire.

    Francisco Santana

  5. ANTONIO DE SOUZA BATISTA Says:

    Prezados “Saramagonianos” como eu: (Invento este neologismo para sentir-me inserido na benéfica discussão).

    Sou completamente contra e acho também incoerência dar um poder a Igreja, que ela não tem. Perdoar alguém e mesmo a si própria é algo que nunca poderá. Muito menos SARAMAGO.
    Acho imensa a contribuição de Saramago, como diz Chico Santana “além do enriquecimento da literatura portuguesa, foi recolocar na ordem do dia das discussões filosóficas ou políticas, a afirmação do ateísmo, do materialismo, laicismo, anticlericalismo e até mesmo da blasfêmia”.

    Expresso minha admiração pelo grande escritor irmão nosso na ideoligia.

    ODE À SARAMAGO
    Autor: Antonio de S. Batista.
    ACRÓSTICO:

    S ara as mentes que foram secularmente
    A aprisionadas pela esperteza dos sabidos que, certamente,
    R iem de todos os que acreditam piamente no que eles disseram e dizem.
    A inda que não experimentem, concretamente, nada do que dizem,
    M assificam idéias, impõem uma fé estática, fazem-nos
    A bnegarem a renovação da crença que paralisa e pensam que
    G ostam da prisão sem grades imposta às suas mentes. Então, com
    O s instrumentos da “midiotização”, obrigam a pensar que terão um lugar
    num céu que está acima da verdade!
    A. Batista

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