 Saúde sindical exige anulação do PH ácido – et ali

 

Ao ler o texto do Prof. Paulo Henrique, lembrei-me de Noel Rosas:

“Quem é você que não sabe o que diz? Meu Deus do Céu, que palpite infeliz…”

Tem também aquela música de carnaval de Chico Alves:

“Palpite, palpite, nasceu do cérebro de quem teve meningite…”

Mas aí eu me lembrei de palpites pretéritos do nobre Professor.

Ele se notabilizou no SEMARX, por ter afirmado que se Marx, fosse vivo, apoiaria as invasões americanas do Iraque e do Afeganistão. (NEM TODOS OS PAÍSES IMPERIALISTAS APOIARAM a ultima do Iraque).

 Num seminário do IRAE, ele se notabilizou também por fazer a apologia do sistema aeroviário brasileiro no que diz respeito aos truques de aumentar o lucro pelo sacrifício (chamam isso otimização; veremos adiante que se trata de pessimização) dos custos em pessoal e investimento de infra-estrutura. Dois anos depois a crise do setor aéreo botou por terra todo esse esquema.

Portanto não jogue no bicho com o palpite do professor, pois pode dar bode.

A sorte do referido professor foi que o Prof. Câmara levou a sério seu texto e numa paciência bíblica de Jó, resolveu tecer alguns comentários sobre o dito, valorizando-o além da medida.

Coisas enroladas desse tipo não se desatam. Faz-se como Alexandre, que cortou o nó górdio com a espada. Ou como Hércules ao limpar as estrebarias do Rei Áugias. A estrumeira de palpites do  Prof. Paulo Henrique, merece igual tratamento.

O estilo do Prof. Paulo Henrique é repetitivo e manjado, é uma imitação fajuta dos sofistas. O grande sofista Górgias se dava ao luxo de com sofismas, provar aos Gregos, que a adúltera Helena, responsável pela guerra de Tróia era inocente. O Prof. Paulo Henrique quer provar que a adúltera APUB, responsável por essa crise institucional sindical é inocente, mas é um Górgias sem talento.

Mas para não dizer que sou intransigente, vou fazer uma concessão e examinar só dois aspectos.

Um é classificar o ANDES-SN como monstro burocrático por, entre outras coisas,  ter 83 diretores. Como mal sofista já entra em contradição com o título,… O ANDES-SN É POUCO. Primeiro, é um desconhecimento da realidade sindical brasileira; a maioria dos sindicatos baianos que praticamente só atuam em Salvador ou Camaçari, filiados à CUT  ou à FS, tem um número de diretores na faixa de 50 a 80. Ora o ANDES TEM 50.000 filiados e atua num território de 8.000.000 de quilômetros quadrados.

Também como mal sofista levanta uma lebre perigosa: o dinheiro gastos pelo ANDES nos seus congressos e EVENTOS. Pelo menos é um dinheiro que se sabe a origem  e afinalidade; vejam o link abaixo

http://www.andes.org.br/tesouraria/arquivo/default_documentos.asp
Que transparência.Que prestação de contas.

O mesmo não se pode dizer do dinheiro do PROIFES. Cliquemos o link abaixo:

http://www.proifes.org.br/tesouraria.php

O que vemos lá?

Documentos:

28/05/2007

Aprovação das Contas de 2004/2005/2006

 

O Conselho Fiscal, manifestou-se pela aprovação das contas do PROIFES relativas ao período de 2004, 2005 e 2007.
E se clicarmos quaisquer desses itens, veremos a mesma coisa, apenas menos resumida.

Só isso? Alguém que tenha juízo jamais chegaria perto de uma organização dessas como o PROIFES; salvo se tiver algum interesse inconfessável. Eu aconselho os professores da UFBA a tirarem a venda dos olhos e visitarem periodicamente os sites do ANDES e do PROIFES E TIRAREM AS SUAS PRÓPRIAS CONCLUSÕES.

Mas não é pelo número que se define se é ou não burocrática uma entidade, mas pela sua eficiência. Nesse aspecto, o sistema de prestação de contas do ANDES em congressos é uma lição para o mundo. Preguiçoso ou turista não deve se candidatar a  delegado de congresso do ANDES ou poderá ter dificuldade de se explicar se sua base for muito exigente.

Recentemente fui à APUB ATRÁS DA ATA que convocou esse PLEBISCITO. Não tinha. Só tinha uma minuta sem ser aprovada e nem assinada. Eu vou ao site do ANDES e lá acho não ATAS, mas grossos relatórios de todos os Congressos do ANDES.

A diferença é da água para o vinho. Essa é a prova. Visitem o site de sua Entidade.

O outro aspecto é acusar o ANDES de stalinista. A prova agora é visual, com fotografias. Cliquem o link abaixo e vejam esse espetáculo dantesco que o PROIFES E as associações que o apoiam nos proporcionaram.

http://www.andes.org.br/imprensa/album/default.asp?start=11
Tirem as vendas dos olhos e olhem essas fotos e vejam que stalin, Al Capone, Comando Vermelho e PCC, são fichinhas diante da CUT e do PROIFES.
O Prof. Paulo Henrique NÃO TERÁ VISTO AINDA ESSAS FOTOS? Fala Noel Rosas:

Eu já levei você p’ra ver, você não viu!
Quem é você que não sabe o que diz.

Francisco Santana

2009/6/12 <cmiranda@ufba.br>

Texto de Paulo Henrique de Almeida

PORQUE A ANDES NÃO É DEMOCRÁTICA

OU PORQUE SOMOS MUITOS E

A ANDES É POUCO!

TESE: o movimento docente brasileiro criou um monstro, um aparelho
burocrático, do qual precisa se livrar. Não se trata de um fenômeno
novo, mas de algo recorrente na luta mundial dos trabalhadores por sua
emancipação. É preciso assegurar a reconstrução do Movimento Docente
brasileiro a partir do princípio da livre associação.

O uso da Máquina nas pré-campanhas eleitorais

O Artigo 32 do estatuto da ANDES determina que uma Diretoria seja
composta por 83 (oitenta e três pessoas) distribuídas por 12 (doze)
regiões do País. Não é impossível para uma chapa de oposição se
organizar nessa escala. É dificíl, mas não impraticável. O que é
completamente impossível é concorrer com os recursos da situação. A
situação faz propaganda o ano inteiro com nossas contribuições. A
situação viaja e faz reuniões em 12 regiões, do Amapá ao Rio Grande do
Sul, com recursos de todos os associados durante dois anos; as
oposições só com os delas e apenas durante o período eleitoral. O
correto seria que as campanhas das oposições também fossem bancadas
com recursos do sindicato. Imagine. Nem pensar.

Delegados para os Congressos: o vácuo representando o vazio

Assembléias esvaziadas escolhem delegados esvaziados.
Sistematicamente. O recorde foi batido em uma grande universidade
federal. Uma assembléia escolheu uma representação de delegados com
número de integrantes superior ao de participantes da assembléia. Ôps!
Isso é que é vanguarda! Imobilizável, mas revolucionária!

Nos Congressos da ANDES, um professor da UFBA vale a metade (ou menos)
de um professor da Faculdade X

O Artigo 17 do estatuto da Andes determina que os delegados aos
Congressos sejam eleitos na ?seguinte proporção cumulativa?:
   1.      Até 500 sindicalizados, 1 delegado para cada 100;
   2.      De 501 a 1000, um delegado para cada 250;
   3.      A partir do milésimo sindicalizado, 1 para cada 500.

Democrático, não? Imaginem esse método aplicado ao Congresso
Nacional… Ôps! É a realidade da ?democracia burguesa? no Brasil! Êpa
é o mundo real, da democracia tupiniquim! O voto de um acreano valendo
mais que o do baiano, que vale mais do que o do operário paulista…

Um exemplo. Na UFBA, existem cerca de 2.500 filiados. Logo, 12
delegados. Na Faculdade X, 400 filiados, ou seja, 4 delegados. Na
UFBA, um delegado para cada 208 professores; na Faculdade X, um para
cada 100!

O Prêmio Stalin de organização de congressos vai para…

O Artigo 10 do Regimento do Congresso da ANDES, que prevê no seu
inciso V que cabe à Comissão Diretora ?organizar a composição dos
Grupos Mistos? que debatem as teses apresentadas e determinam pelo seu
encaminhamento ou não à plenária. Palmas! Nem o próprio Stalin faria
melhor! A situação escolhe e distribui a composição de cada grupo de
modo que nunca – nunca! – fique em situação minoritária em qualquer um
deles. Bravo!

En passant: Fui testemunha de uma situação extraordinária e
constrangedora no Congresso de Curitiba (2005). O grupo do qual
participava ameaçou tomar uma posição própria sobre uma questiúncula.
Ameaçou. A maioria, como se viu na seqüência, estava garantida.
Sussurros. Contatos no corredor. Intervenção rápida de diretores
?volantes? (eles têm direito a intervir quando necessário). Paz
refeita. De cemitérios. Centralismo democrático oblige.

A democracia exigiria para a constituição dos grupos algum critério
lógico, ou, quem sabe, algo como um sorteio. Imagine. Sorteio?
Delirou? Nem pensar.

Controle total das comissões eleitorais

O artigo 52 do estatuto da ANDES prevê que o congresso eleja a
comissão eleitoral. Como o Congresso é antidemocrático, a comissão
eleitoral escolhida e preenchida pela situação o é por extensão. Ela
põe e dispõe. E só reage à força de liminares da justiça ?burguesa?.

Divide et Impera

A atual direção da ANDES e seus aliados têm se esmerado na tarefa de
construir micro-associações pelo interior do país. Existe associação
com 14 membros! No caso da UFBA, procuram abertamente divorciar os
novos campi avançados da APUB – a Associação dos Professores
Universitários da Bahia. A máquina em Brasília, pesada, continua sendo
sustentada com os recursos das grandes associações. As pequenas
contribuem modestamente ou com nada. Financeiramente, é claro. Do
ponto de vista político elas são essenciais. Representam algumas
dezenas de professores, mas têm poder multiplicado não apenas no
Congresso, mas também no Conad, o Conselho que valida a política da
eterna situação entre os Congressos.

É o que a ANDES vem tentando na UFRB, na Bahia. Felizmente, sem êxito.

CONAD ou como controlar uma eventual Maioria

O conselho da ANDES – CONAD – é formado por um delegado de cada
associação e de representantes das secretarias regionais da Associação
Nacional. Em teoria, desempenha funções de executor das deliberações
do Congresso. Na prática, constitui-se em poder antidemocrático,
exercido em vários momentos, haja vista que, no CONAD, uma associação
de 30 professores tem o mesmo peso político que uma de 3.000.

Na hipótese de uma chapa de oposição organizada a partir das grandes
universidades do país vencer uma eleição, ela teria de conviver com o
CONAD. A democracia direta teria que se curvar à ?democracia
indireta?. Esperto, não?

A situação diz que não é bem assim, que o CONAD teve o poder reduzido
etc. Não vale a pena testar.

A ANDES, contra o Movimento Negro e os pobres em geral

A ANDES se posicionou sistematicamente contra as bandeiras do
movimento negro e contra as políticas de ações afirmativas nas dezenas
de Universidades brasileiras que adotaram tais medidas. Como disse uma
estudante carioca:

?O problema da ANDES é que os pobres e os negros querem entrar na
Universidade antes da Revolução?.

Disse tudo. COTAS NELES!

A primeira gota d’água

Um Congresso da ANDES decidiu associar nosso ?sindicato nacional? a um
aparelho de pesudo-extremíssima-extrema-esquerda chamado ?Conlutas?.
Adeus Central Única dos Trabalhadores, adeus presença no MOVIMENTO
REAL. Para muitos, foi o limite, a gota d’água.

Quando o copo transbordou de vez: ocupações contra o REUNI

Um CONAD (atenção, não foi um Congresso) decidiu utilizar os recursos
das contribuições pagas pelas Associações filiadas para financiar a
ocupação de reitorias por segmentos do movimento estudantil. Isso,
mesmo quando a maioria – esmagadora – dos professores filiados das
universidades em questão se posicionaram CONTRA as ocupações.

Há limite para tudo. Inclusive para o esquerdismo vulgar da pseudo
extrema-esquerda da burocracia da ANDES.

Foi o caso da UFBA. A esmagadora maioria dos professores apoiou o
Reuni – como a maioria dos colegas na maioria das federais em todo o
Brasil. A entidade nacional, à revelia do posicionamento majoritário,
utilizou as nossas mensalidades para financiar a ocupação da reitoria
pelas suas tendências políticas.

A isso se chama, em bom português, aparelhamento.

Uma Associação Aparelhada que se pretende ?Nacional?

Como sucessivas decisões dos tribunais superiores do país têm
comprovado; como a realidade cotidiana mostra e como a experiência da
maioria dos professores de faculdades privadas que recorreram ao
?sindicato? reafirma, a ANDES NÃO É UMA ASSOCIAÇÂO DOS PROFESSORES
UNIVERSITÁRIOS BRASILEIROS.

Ela representa e mal, setores do professorado das federais e
estaduais. É uma organização de funcionários públicos. Não tem
qualquer significado para os professores das faculdades particulares.
As verdadeiras vítimas.

Segundo o MEC (INEP), existiam, em 2006, 316.882 professores de ensino
superior no Brasil, 106.999 nas universidades públicas e 209.883 nas
instituições privadas. A base sindical da ANDES gira em torno de 70
mil professores, porque a ANDES nunca conseguiu se implantar, de fato,
no setor privado. Este é o primeiro problema. A superexploração e as
piores condições de trabalho estão nas instituições privadas; mas o
“sindicato nacional” só tem presença nas federais e estaduais. Essa
situação levou ao choque entre a ANDES e a Confederação dos
Trabalhadores em Educação de Ensino (CONTEE), que, por meio dos
SINPROs (sindicatos de professores), passaram anos questionando na
justiça e no MT a representatividade da primeira.

Nas eleições para o biênio 2004/2006, última com participação das
oposições, foram às urnas 23.099 professores. Ou seja: 32,6% da base.
Concorreram três chapas. A situação teve 11.413 votos (16,1%) e a
Chapa 2, 10.537 (14,9%).

A partir daí, iniciado o primeiro Governo Lula, o choque entre os dois
blocos foi se radicalizando. As oposições começaram a abandonar a
Associação, que haviam ajudado a construir. A Direção, por sua vez,
rompeu com a CUT e se associou ao CONLUTAS.

Nas eleições para o biênio 2006/2008, houve chapa única. Compareceram
13.094 professores (18,7% da base). 11.093 votaram na Chapa 1 (15,8%).
Alguns companheiros tentaram montar uma chapa de oposição, mas esta
foi impugnada; segundo a Diretoria da ANDES, por fraude.

Nas eleições para o biênio 2008/2010, nova chapa única. Compareceram
13.866 docentes (20% da base). 12.134 votos para a Chapa 1 (17,5%).

A Direção da ANDES cantou vitória. Mas há controvérsia. Primeiro: a
derrota na justiça dificulta ainda mais as chances da inexistente
presença da ANDES no setor privado. Sua oposição ao PROUNI é prego no
caixão. Segundo: apesar da rápida expansão do ensino superior no país,
sua base está estagnada: de 70.755 professores em 2004 para 69.395 em
2008, com forte concentração nas federais e nas estaduais paulistas.
Terceiro: nas federais, a saída de entidades e professores prossegue.
Quarto, as derrotas políticas estão aí: REUNI implantado em 100% das
federais, acordo salarial fechado apesar dela, vitória da CONTEE nos
tribunais superiores.

Em tempo 1: reconhecendo a inexistência de ANDES nas faculdades
privadas, o Ministério do Trabalho aceitou agora, em junho de 2009, e
provisoriamente, apenas sua representação de professores das IES
públicas. A ANDES comemorou mais esta derrota em nome do princípio
fascista da ?unicidade? imposto pela Constituição de 1937 e oposto à
Convenção 87 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), organismo
ligado à Organização das Nações Unidas (ONU).

?A Convenção 87 da OIT prevê a liberdade de organização dos
trabalhadores, e a interpretação [internacional] dominante considera
restrição a esta liberdade a determinação de territorialidade e a
proibição da coexistência de 2 entidades sindicais para uma mesma base?.

Em tempo 2: a participação nos congressos, evidentemente, também vem
declinando. O maior congresso da ANDES ocorreu em 1999, com 489
presentes (391 delegados e 98 observadores). O congresso de 2008
reuniu 274 representantes (250 delegados e 24 observadores). O
Congresso Extraordinário desse mesmo ano – a crise da entidade exige
esse tipo de coisa – contou com a presença de 281 delegados e 14
observadores

Resultado final: eles são poucos, pero sectários!

O fato é que o apoio direto de apenas 3,8% (três vírgula oito por
cento) do professorado universitário brasileiro é algo que a atual
diretoria deveria lamentar. Façam a conta!

Mas ela não lamenta. Presa a uma concepção à la 1917 de tomada do
poder, ela acredita num futuro de vanguarda iluminada a liderar massas
inconscientes de sua própria escravidão. Ou nem isso. Talvez sejam
apenas burocratas defendendo seus carimbos e uma nova sede legal em
Brasília. E compará-los aos revolucionários de 1917 talvez seja uma
ofensa aos bolcheviques. Trata-se de uma pseudo-extrema esquerda,
ultra-sectária, descolada do movimento real e do seu próprio tempo.

A verdade é que a Andes não dá conta da diversidade e da pluralidade
do movimento. A verdade é que queremos intervir, enquanto a Andes se
recusa ao debate, não propõe nada concreto, significativo ou factível
e é apenas contra. A verdade é que somos muitos e a Andes não é.

PELA LIBERDADE DE ORGANIZAÇÃO SINDICAL!

Paulo Henrique Almeida – Faculdade de Economia da UFBA

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