– Triste UFBA!

Para o Saci, dureza mesmo é quando a exceção passa a ser argumento de racionalidade, com  o propósitos de legitimar o arbítrio e assegurar o golpe contra os trabalhadores da educação superior… Melhor e mais justo, para alguém razoável, seria tratar os eventuais casos isolados, evidentemente, de maneira isolada.

.

Car@,

A direita sempre buscou as exceções para justificar o arbítrio. Quem tem mais de cinco décadas conheceu bem as manhas e artimanhas dos plantonistas do poder…

Hoje, os tempos são outros, e o poder mudou de mão, mas as justificativas para o arbítrio continuam perversas e esfarrapadas. E os administradores coloniais de alto e baixo cotuseis se multiplicam como cogumelos venenosos após a borrasca de final de governo.

É lamentável  ver trabalhador contra trabalhador; é melancólico testemunhar os interesses mesquinhos de porta-vozes das aves de rapina, de cá e de alhures, travestidos de zelosos pelo bem público, apontando – armados de critérios maliciosos e perversos –  os que, a seus juízos traiçoeiros, trabalham menos do que poderiam. A quem pretendem enganar?

Triste Brasil, triste Bahia, triste UFBA!

Tudo indica que já foi dada a largada pelos cargos…

***

Enquanto isso, longe de todas as mumunhas acadêmicas, o meu amigo e angelical Saci interrompe a minha melancolia para me perguntar distraído:

– Chefia, o que vem a ser delação premiada?

Como se eu entendesse dos porões da carceragem!…

Atenciosamente,

Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

—————————————-

—–Mensagem original—–
De: debates-l-bounces@listas.ufba.br
[mailto:debates-l-bounces@listas.ufba.br]
Em nome de jalbert@ufba.br
Enviada em: quinta-feira, 29 de abril de 2010 18:32
Para: debates-l@listas.ufba.br
Assunto: Re: [Debates-l] Texto

Sou de opinião que 3 turmas seria pouco para muitos professores e muito pesado  para outros. Conheço muitos docentes com 40 horas com 3 turmas na UFBA e com 3, 4 ou 5 turmas em outras instituições (algumas particulares) onde mantêm  contratos por lá de 20 hs. Há casos de professores com 40 hs na UFBA e o sujeito é diretor de escola particular. Advinhem onde ele cumpre o contrato dele de 40 hs?  Em vários casos o professor não tem outra atividade que não dar aulas. Há casos de docentes que só aparecem na universidade federal da Bahia no dia de suas aulas, de suas poucas turmas; os alunos não sabem onde ficam suas salas e quando sabem, nunca os encontram. Alguns respondem que estão fazendo pesquisas e não se encontra nada em seus currículos sobre estas atividades ou comunicações relatando os resultados. Nossa universidade é um cemitério dia de sexta-feira ! Chega ser um escárnio ser acusado de produtivo ou produtivista, sobretudo, de uma legião “caymista” que supõe que quanto menos alunos por turma, quanto menos turma, quanto menos se comparece ao trabalho, quanto menos se dedica as suas atividades, melhor é a qualidade social, mais referenciada é nossa instituição.  Nem vou tratar dos delicados casos de DE!

Ressalto que não estou incluindo nesta categoria os debatedores desta questão, até porque os conheço e sei bem que se trata de professores e pesquisadores da maior qualidade, produção, compromisso e dedicação.

Vejam que não estou generalizando. Eu penso que grande parte do problema da sobrecarga está na Pós-Graduação e, ainda assim, para aqueles docentes que coordenam pesquisas financiadas, são pareceristas de periódicos e de agências, membros de comissões de auto-avaliação, orientadores de 6 a 8 pós-graduandos, iniciandos, coordenadores e membros de colegiados, docentes presentes e comprometidos. Nestes casos, eu considero 3 turmas desumano. Por que não computar orietnação como encargo? Por exemplo, para cada 4 orientações,corresponderia um encargo de uma disciplina/atividade de 4 hs semanais? Defendo que devemos atribuir crédito/encargos para as orientações e outras atividades, como forma de não penalizar os que mais trabalham e não premiar os que menos trabalham.

jose albertino, faculdade de educação

——————–

Quoting Antonio Virgilio Bastos <antoniovirgiliobastos@gmail.com>:

> Caro Marcelo,

>

> Você vai precisar traduzir tudo isto para a nossa linguagem cotidiana.

> Não tive condições de ler o texto e duvido que consiga entender aquele

conjunto

> de fórmulas, especialmente quando se sai do nível institucional para o

nível

> individual, de cada docente.

> Gostaria muito se saber em que medida a legislação da Ufba sobre

> encargos docentes aprovada se apoiou neste conjunto de indicadores que

> você levanta no artigo. Pelo que pude perceber, não.

> Seria muito interessante podermos contar com uma apresentação sua

> deste trabalho para discutirmos em profundidade os impactos sobre a

> pesquisa, extensão e pós-graduação da nova forma de avaliar os encargos docentes.

Que

> tal uma reunião com docentes da pós-graduação ou com pesquisadores

bolsistas

> do CNPq para conversarmos sobre isto?

> Minhas dúvidas permanecem, embora reconheça que elas nascem da análise

> do meu caso particular.

>

> Abraço,

> Virgílio

>

> Em 28 de abril de 2010 22:25, Marcelo Embiruçu <embirucu@ufba.br>

escreveu:

>

>>  João, Virgílio e demais colegas,

>> Segue em anexo um texto que pode ajudar nesta discussão. Certamente

>> os colegas menos habituados à linguagem matemática podem achar a

>> proposta complexa. Porém, me parece que uma questão complexa e

>> multi-facetada como esta não poderá ter uma solução simplista ou simplória como satisfatória.

A

>> proposta em anexo procura dar conta de praticamente todas as questões

>> que têm sido colocadas, e é aderente ao Reuni. Portanto, procura

>> conciliar os interesses institucionais e docentes. Penso que pode ser

>> um ponto de

partida

>> se a UFBA quiser discutir esta questão com profundidade.

>>

>> abs, Marcelo

>>

>> —– Original Message —–

>> *From:* João Reis <jjreis@ufba.br>

>> *To:* Antonio Virgilio Bastos <antoniovirgiliobastos@gmail.com>

>> *Cc:* edvaldo@ufba.br ; debates-l@listas.ufba.br

>> *Sent:* Tuesday, April 27, 2010 10:29 AM

>> *Subject:* Re: [Debates-l] Texto

>>

>> Concordo com você Virgilio, e acrescente-se o que observa

>> certeiramente Nubia. A causa é o Reuni, claro. Mas aumentar o número

>> de horas/ aula, e assim penalizar a pesquisa ainda mais, não é um bom

>> jeito – ou devemos

dizer

>> “jeitinho” – de expandir o número de vagas e de cursos na UFBa. Que

>> os gestores da universidade se mobilizem para conseguir mais

>> concursos, como outras universidades estão a fazer – e na área de

>> História impressiona! – sem mexer dessa forma deletéria no regime de

>> trabalho docente. Esse

estatuto

>> precisa ser rediscutido e, pelo que soube do debate em S Lázaro,

>> todos os candidatos se comprometeram a fazê-lo no ponto em pauta.

>> Espero que não

seja

>> mais uma promessa eleitoral que a vitória fará esquecer.

>> Saudações

>> João Reis

>>

>> —– Original Message —–

>> *From:* Antonio Virgilio Bastos <antoniovirgiliobastos@gmail.com>

>> *To:* João Reis <jjreis@ufba.br>

>> *Cc:* edvaldo@ufba.br ; debates-l@listas.ufba.br

>> *Sent:* Tuesday, April 27, 2010 9:31 AM

>> *Subject:* Re: [Debates-l] Texto

>>

>> Prezado João,

>>

>> Faltou uma coisa, pelo menos, na sua lista. Os

>> professores/pesquisadores que, além de tudo isto que já fazem, se

>> aventurarem a ser coordenadores

de

>> órgãos complementares (de pesquisa e extensão) não terão direito a

qualquer

>> diminuição dos seus encargos de ensino pois não têm DAS nem FGs. Será

>> um trabalho voluntário que será subtraído da sua carga horária para a

pesquisa.

>> Mais um golpe mortal nos nascentes órgão complementares, em princípio

locus

>> para a pesquisa e extensão na universidade. E temos órgãos com

>> estrutura, projetos, pessoas e processos de trabalho que são talvez

>> equivalentes a algumas unidades acadêmicas. E, certamente, a maioria

>> deles, como um

volume

>> de trabalho administrativo maior que a gestão de um programa, de um

>> colegiado ou de um departamento. Nesta exclusão também está implícita

>> a pouca atenção dada pela legislação à atividade de pesquisa e

>> extensão na UFBA.

>>

>> No entanto, eu insisto no problema conceitual subjacente ao artigo do

>> Regimento que define estes encargos docentes. Não considero que

>> turmas de orientação presencial de estágio não sejam aulas

>> presenciais e não

considero

>> pertinente entender que uma orientação específica a um aluno seja uma

>> atividade menos exigente do que a exposição de um assunto para um

>> grupo

de

>> alunos. Da mesma forma, não entendo que uma disciplina ministrada à

>> distância, com aulas transmitidas on line, não seja uma aula

>> presencial,

se

>> o professor passar x horas diante de um equipamento fazendo alguma

>> exposição.

>>

>> Além disto, de qualquer forma, 10 horas significa assumir três

disciplinas

>> de 3h semanais (fica faltando 1 hora) ou duas disciplinas de 4 horas

>> e metade de outra. O problema, portanto, não é apenas a carga

>> horária, é quantidade de disciplinas a ministrar, programas a

>> elaborar, textos para ler, de alunos a orientar, corrigir trabalhos,

>> corrigir provas, atender

em

>> horários fora de sala, orientar tralhos práticos finais etc. A

>> ampliação

de

>> uma disciplina implica o acréscimo de um volume de trabalho que não

>> se restringe às duas horas registradas. Ou será que o ensino foi

>> entendido

como

>> limitado ao tempo do professor na sala de aula?

>>

>> Como Marilena sugere, creio que os professores que participaram desta

>> decisão nas instâncias superiores da universidade, poderiam se

>> manifestar esclarecendo os possíveis enganos, trazendo as

>> justificativas e a lógica subjacente a esta mudança que, mesmo

>> reduzindo para 10 horas, certamente

nos

>> afasta daquelas Universidades realmente voltadas para a produção de

>> conhecimento.

>>

>> Saudações,

>>

>> Virgílio

>>

>>

>>

>>

>> Em 26 de abril de 2010 18:08, João Reis <jjreis@ufba.br> escreveu:

>>

>>>  Car@s colegas,

>>> permitam que corrija a tabela abaixo enviada. O nosso novo estatuto

exige

>>> 12 horas semanais de atividades de ensino (que inclui, por exemplo,

>>> orientação), das quais 10h de aula presencial. Em outras palavras,

>>> fomos das atuais 8 para 10 horas. Então estamos mais pra UFAM e UFRB

>>> do que

pra

>>> UFTO. Um alívio! Em lugar de quatro cursos anuais, podemos doravante

>>> dar cinco, e não seis.  É realmente menor pela metade o dano que

>>> imaginávamos afetar as atividades de orientação, pesquisa, escrita,

>>> editoria, congressos, palestras, pareceres para revistas, para cnpq,

capes,

>>> fapesb e instituições internacionais, participação em comitês de

>>> orgãos

de

>>> fomento, bancas de dissertação, tese e concurso público. Não sei por

>>> que tenho a impressão de haver esquecido algo… Nada, porém, que

>>> impeça a introdução de mais um curso na nossa agenda anual. Ora,

>>> ironia à parte,

é

>>> óbvio que as atividades de pesquisa em suas várias dimensões – que é

>>> a razão de toda essa discussão – serão prejudicadas pelo aumento da

>>> carga horária de “aula presencial”, seja ela aumentada em quatro ou

>>> em duas horas

semanais.

>>> Saudações,

>>> João Reis

>>>

>>>  —– Original Message —–

>>> *From:* João Reis <jjreis@ufba.br>

>>> *To:* edvaldo@ufba.br ; debates-l@listas.ufba.br

>>> *Sent:* Monday, April 26, 2010 10:07 AM

>>> *Subject:* Re: [Debates-l] Texto

>>>

>>>  Car@s,

>>> para não deixar morrer pelo silêncio dos candidatos à reitoria o

>>> debate aberto pelo texto do Prof. Caio Castilho, fiz uma pequena

>>> enquete entre colegas de departamentos de História em algumas

>>> universidades públicas

do

>>> país. A pergunta foi: segundo o estatuto de sua universidade, qual a

carga

>>> horária miníma semanal de aula presencial do professor/pesquisador

>>> em regime de DE? As respostas:

>>>

>>> USP: 6 horas (três disciplinas/ano)

>>>

>>> UFF: 6 a 8 (três disciplinas/ano quando se tem seis ou mais

>>> orientandos)

>>>

>>> UFRJ: 8 (mas conta como disciplina reunião semanal com orientandos).

>>>

>>> UNB: 8

>>>

>>> UFSC: 8

>>>

>>>  UFPR: 8

>>>

>>> UNIFESP: 8

>>>

>>> UFCE: 8

>>>

>>>  UFRN: 8

>>>

>>> UERJ: 8

>>>

>>> UEFS: 8

>>>

>>> UFAM: 8 a 12 (12 se é docente apenas de graduação; 8 se combina

graduação

>>> com pós)

>>>

>>> UFRB: 10

>>>

>>> UFBA: 10

>>>

>>> UFTO: 12

>>>

>>> Vejam o ranking. Matéria para reflexão….

>>>

>>> Saudações,

>>> João Reis

>>>

>>>

>>>

>>>

>>>

>>>

>>> —– Original Message —–

>>>  From: <edvaldo@ufba.br>

>>> To: <debates-l@listas.ufba.br>

>>> Sent: Tuesday, April 20, 2010 4:26 PM

>>> Subject: Re: [Debates-l] Texto

>>>

>>> Citando alemos@ufba.br:

>>>

>>> Colegas,

>>>

>>> Também manifesto meu total apoio ao texto do prof. Caio. Essa

>>> discussão precisa ser feita em grande escala na universidade.

>>>

>>> Edvaldo Couto

>>> Prof. Associado na FACED/UFBA

>>> Pesquisador 1B do CNPQ.

>>>

>>> > Colegas,

>>> >

>>> > Concordo plenamente com a colocação do prof. Caio Castilho e

>>> > compartilho a mesma preocupação do prof. João Reis. Esse debate

>>> > tem que entrar na ordem do dia,

>>> >

>>> > Saudações

>>> >

>>> > André Lemos

>>> > Professor Associado da Facom/UFBa

>>> > Pesquisador 1B do CNPq, membro titular do CA/AC

>>> >

>>> > Citando João Reis <jjreis@ufba.br>:

>>> >

>>> >> Prezad@s

>>> >> como tenho precupações semelhantes a muitas daquelas lucidamente

>>> >> delineadas pelo professor Caio Castilho, solicito que não só os

>>> >> candidatos à reitoria, mas tb a atual direção da UFBa, se

>>> >> manifestem  a respeito do que ali se trata, ponto por ponto.

>>> >> João José Reis

>>> >> Professor Titular, Departamento de História da FFCH Pesquisador

>>> >> 1A e membro do CA de História do CNPq

>>> >>  —– Original Message —–

>>> >>  From: caio

>>> >>  To: debates-l@listas.ufba.br

>>> >>  Sent: Monday, April 19, 2010 4:56 PM

>>> >>  Subject: [Debates-l] Texto

>>> >>

>>> >>

>>> >>  Prezado Senhor,

>>> >>

>>> >>  Solicito a ampla divulgação do texto abaixo. O mesmo visa

>>> >> contribuir para com as discussões sobre a Universidade Federal da

>>> >> Bahia, neste momento que antecede a escolha dos próximos Digentes

>>> >> Máximos da Instituição.

>>> >>

>>> >>  Cordialmente agradecido,

>>> >>

>>> >>  Caio Castilho

>>> >>

>>> >>

>>> >>

>>> >>

>>>

++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++

+++++++++++++++++++++

>>> >>

>>> >>

>>> >>  Atividade de Pesquisa na Universidade Federal da Bahia: Sob Ameaça?

>>> >>

>>> >>

>>> >>

>>> >>       Caio Mário Castro de Castilho

>>> >>

>>> >>  Algum tempo atrás, não faz muito, um ilustre pesquisador da

>>> >> Universidade Federal da Bahia (UFBA) afirmava, em tom de lamento:

>>> >> “A  atividade de pesquisa na UFBA é uma questão de foro íntimo”. Na

>>> >>   primeira vez em que ouvi esta frase achei estranho. Afinal de

>>> >> contas, não seria de se esperar que a pesquisa fosse uma das

>>> >> atividades essenciais de uma Universidade Contemporânea? Por que,

>>> >> então, entre nós, a pesquisa tornou-se uma questão colocada em

>>> >> termos individuais? Seria uma atividade exercida apenas a partir de

>>> >>   um desejo individual? Não institucionalizada? No momento em que

>>> >> seis  docentes apresentam-se à comunidade acadêmica como

>>> >> candidatos  aos  cargos de reitor e de vice-reitor desta

>>> >> Universidade, é essencial  uma reflexão sobre a situação em que

>>> >> se encontra a atividade de  pesquisa na UFBA e o que podem

>>> >> esperar pesquisadores e grupos de  pesquisa dos candidatos à nova gestão.

>>> >>

>>> >>  O tempo passou e, cada vez mais, com relutância, percebo-me

>>> >> rendendo-me à força dos fatos, das circunstâncias e dos métodos.

>>> >> Reconheço, enfim, a urgência de que uma institucionalização da

>>> >> pesquisa venha a ser, de fato, buscada pelos próximos gestores.

>>> >>

>>> >>  A UFBA aprovou, muito recentemente, um novo regimento, em que há

>>> >> significativo aumento na carga didática docente. A carga mínima

>>> >> de

>>> >>  12 horas, para docentes em regime de Dedicação Exclusiva (DE),

>>> >> certamente não é elevada para docentes não envolvidos em pesquisa e

>>> >>   pós-graduação. No entanto, para um docente vinculado a uma

>>> >> pós-graduação, com atividade regular na formação de Doutores, de

>>> >> Mestres e com alunos de Iniciação Científica, esta carga

>>> >> didática,  em sendo, de fato, adotada, como se ameaça, constitui mais que uma

>>> >>   ameaça: é uma sentença de morte. Mas esta é apenas uma primeira

>>> >> ameaça. Existem outras.

>>> >>

>>> >>  Relacionadas ainda às alterações recentes na legislação da UFBA

>>> >> estão as mudanças que órgãos específicos de pesquisa já sofreram

>>> >> e  ainda outras, constituindo ameaça, as quais não se sabe a que

>>> >> destino hão de chegar. Neste caso encontram-se, por exemplo, o

>>> >> Centro de Recursos Humanos (CRH), o Núcleo de Estudos

>>> >> Interdisciplinares da Mulher (NEIM), o Centro de Pesquisa em

>>> >> Geofísica e Geologia (CPGG), o Centro de Estudos Interdisciplinares

>>> >>   em Energia e Ambiente (CIENAM), entre outros. Estes

>>> >> Centros/Núcleos,  de distintas formas, pois não possuem

>>> >> características idênticas,  justamente consequência das suas

>>> >> particularidades, inclusive  temáticas, foram vitimados por uma

>>> >> postura ao mesmo tempo  centralizadora e renunciatária das

>>> >> instâncias centrais da  Universidade. Perderam ou podem perder

>>> >> boa parte dos meios  administrativos mínimos requeridos para

>>> >> terem uma vida acadêmica  saudável e não sujeita à pura, simples

>>> >> e implacável  lógica do  mercado, ou a transformações

>>> >> institucionais adaptativas  que alteram  a sua vocação precípua à pesquisa.

>>> >>

>>> >>  Outra ameaça, tão forte quanto as anteriores, mesmo que ainda

>>> >> não  tão bem explicitada, materializa-se no requisito determinante,

>>> >> para   a captação de recursos de pesquisa, que torna necessário o

>>> >> Nihil   obstat de um órgão colegiado, como Departamento,

>>> >> Congregacão ou   Conselho Superior. A instituição universitária

>>> >> progrediu pouco   quando, ao longo da História, ficou sujeita ao

>>> >> centralismo  dogmático  do poder clerical. O exercício da

>>> >> “Liberdade Acadêmica”,  tema das  aulas inaugurais do presente

>>> >> ano letivo na UFBA, resulta  seriamente  ameaçado quando sujeito

>>> >> à mordaça de maiorias. O  progresso  científico, a criação, a

>>> >> invenção e o produzir do novo  requerem o  oxigênio da liberdade

>>> >> de exercício do trabalho e de  livre expressão,  garantida às

>>> >> minorias. E que não se pense ser  esta consideração de  ameaça um

>>> >> exercício meramente intelectual. É  possível a  exemplificação

>>> >> concreta de fatos onde a qualidade  científica  resultou

>>> >> prejudicada por requisitos deste tipo. É fato  conhecido, a

>>> >> enorme influência que Dirigentes exercem sobre os

>>> >> correspondentes  órgãos co legiados. E, vale observar, muitos

>>> >> destes dirigentes não  exercem uma atividade regular de pesquisa,

>>> >> nem atuam nos cursos de pós-graduação. As atividades de

>>> >> Pesquisador e de Dirigente, ao tempo  em que não sejam mutuamente

>>> >> excludentes, também não constituem  sinônimo. Assim, a atividade

>>> >> de pesquisa resulta objetivamente  ameaçada pelo exercício do

>>> >> poder de maioria nestes órgãos  colegiados. É ilustrativo lembrar

>>> >> a resposta dada por um Diretor do  Instituto Butantã, quando

>>> >> questionado sobre o “segredo”

>>> >>  do sucesso  daquela instituição: “Liberdade Acadêmica – o

>>> >> pesquisador é livre  para pesquisar o que quiser e submeter suas

>>> >> idéias e projetos às  agências de financiamento”.

>>> >>

>>> >>  Outro aspecto danoso ao Professor, que também é pesquisador, se

>>> >> refere especificamente aos bolsistas de produtividade em pesquisa

>>> >> do  CNPq. Estes colegas são avaliados periodicamente por seus

>>> >> pares  e  devem apresentar indicadores que reflitam a excelência

>>> >> na formação  de recursos humanos altamente qualificados, bem como

>>> >> resultados  relevantes na pesquisa básica, aplicada e/ou inovação.

>>> >> Um dos  critérios de avaliação das IES, por varias instituições,

>>> >> tem sido o  número (e o nível no CNPq) dos seus cientistas! Esta

>>> >> condição, a de  bolsista daquela agência nacional, obedece a

>>> >> critérios claros,  objetivos, com Edital específico, à qual se

>>> >> candidatam  espontaneamente os pesquisadores, num processo

>>> >> competitivo. Se as  regras, aqui ou ali, carecem de

>>> >> aperfeiçoamento, constituem outro  assunto. Não custa lembrar que

>>> >> estas regras, satisfatórias ou  inadequadas, segundo o critério

>>> >> de cada um, foram estabelecidas  justamente por pesquisadores,

>>> >> tendo, portanto, características tidas  pela maioria dos seus

>>> >> pares como minimamente satisfatória s. No caso  da UFBA, em

>>> >> várias unidades, estes colegas cientistas além de não  receberem

>>> >> qualquer reconhecimento pela contribuição para a  excelência

>>> >> acadêmica agregada à nossa instituição, UFBA, são  perseguidos

>>> >> e/ou estigmatizados!

>>> >>

>>> >>  Uma Universidade competente tem um bom ensino e interage com a

>>> >> sociedade que a financia, derramando sobre a mesma os resultados da

>>> >>   sua pesquisa e do seu ensino. Todavia, só inova quem faz

>>> >> pesquisa.   Inovação aqui num sentido lato, o sentido de produzir o

>>> >> novo, de   inventar, de descobrir, de conceber, de reinventar, de

>>> >> estabelecer   modelos visando compreender aquilo que ainda não se

>>> >> entende, enfim,   de pesquisar. Não custa verificar que as melhores

>>> >> universidades do   mundo, que mais claramente se notabilizam, têm

>>> >> este conceito de   excelência justamente como resultado da

>>> >> qualidade da pesquisa que   realizam. E, porque a fazem bem,

>>> >> ensinam bem e se relacionam   proficuamente com a sociedade,

>>> >> beneficiando-a por consequência.

>>> >>

>>> >>  A Universidade Federal da Bahia vive um momento que levará à

>>> >> escolha de um novo Reitor. É de grande relevância, para a

>>> >> universidade, que os candidatos ultrapassassem o simples

>>> >> compromisso  de “defender uma universidade pública, democrática e

>>> >> de qualidade”,  e assumam compromissos objetivos, concretos,

>>> >> claros  e de natureza  prática, que contemplem a atividade de

>>> >> pesquisa, superando com isto  a ameaça de que a UFBA venha a se

>>> >> tornar exclusivamente um local de  ensino. Só a implementação

>>> >> efetiva de ações institucionais que  favoreçam a atitude

>>> >> investigativa evitará  que a pesquisa continue a  ser, ao final,

>>> >> “uma questão de foro íntimo”.

>>> >>

>>> >>                                              Caio Castilho é

>>> >> Professor Associado do Instituto de Física da UFBA.

>>> >>

>>> >>

>>> >>

>>> >>  Prof. Dr. Caio Mário Castro de Castilho  Professor Associado II

>>> >> Grupo de Física de Superfícies e Materiais  Instituto de Física,

>>> >> Universidade Federal da Bahia  Rua Barão de Jeremoabo, s. n.

>>> >> Campus Universitário da Federação

>>> >>  40170-115 Salvador, Bahia, Brasil  Tel. + 55 71 3283 6660  Fax +

>>> >> 55 71 3283 6606

>>> >>

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