– Poema para Tati

 

  Poema para Tati - Menandro Ramos

Menandro Ramos (*)

 

Ah, Tati,
Essas tuas contas negras misteriosas
E os pequenos brilhos que delas emanam…

Teus olhos espelham as noites do ontem
Em que o sangue do teu povo
Tingiu de vermelho o solo tão amado
Que ainda hoje lateja rubro.

Mas teus olhos, Tati,
Também colhem do sol o fulgor
E refletem a centelha da esperança
Para emoldurar o amanhã.

E o que é o amanhã senão
Uma sucessão de luas e sóis,
E tu mais guapa a celebrar,
Com o teu povo,
A vitória da solidariedade humana?

O verde da tua tiara e do teu saiote
Quem sabe, já sinaliza um futuro melhor,
Logo ali, depois da curva,
Rente ao horizonte
E no limite do céu.

Coragem, guerreira da paz.
Seja forte e continue a contemplar o infinito
Canta, dança, sonha.
Não temas enfeitar os teus cabelos
Com a flor mimosa da murta –
Ela fará tua pugna mais bela.

Segue, pois, com os passos firmes
E não fraqueja.
O porvir é o alento dos que padecem,
Mas que não entregam os pontos
E vão à luta!

———————————–

(*) TATI era, na época em que o poema foi escrito, uma pequena índia da Aldeia Kiriri, município de Banzaê, a 350 Km de Salvador, sentido norte. Enquanto a fotografava, na minha primeira viagem à sua tribo, impressionou-me o seu olhar.  Este poema foi  criado já em Salvador, ao ver as fotos reveladas. (Veja a FONTE)

POVOS RESISTENTES

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3 Respostas to “– Poema para Tati”

  1. Menandro Ramos Says:

    Todo dia é Dia do Índio…

    Eles que foram espezinhados, surripiados, violentados, trucidados –
    resistiram e estão reconstruindo a cultura dos seus ancestrais como
    podem. Coragem não lhes falta.

    Este Blog presta uma homenagem aos primeiros habitantes
    das Américas e do subcontinente americano. O poema e o vídeo falam de
    esperança e de resistência que são a marca dos Povos Indígenas.

    Todo dia é Dia do Índio!

  2. Mary Arapiraca Says:

    Menandro,
    Este é o poema que eu gostaria de ter escrito.
    Mary

  3. marcelo papini de frança cajueiro Says:

    É salutar que, de quando em quando, sejamos sacudidos e voltemos a atenção para certas questões que, espontanea ou deliberadamente, são omitidas nas histórias triunfantes da Nação.

    Esse poema atende a esse mister.

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