– Felippe Serpa e as greves

Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

A greve dos servidores técnico-administrativos já vai entrando pela segunda semana. O movimento grevista ainda não conseguiu se reunir com o Ministério do Planejamento para que as negociações sejam retomadas. A depender da interlocução com o governo federal, o calendário universitário sofrerá alterações inevitáveis. Os servidores reivindicam um reajuste em pelo menos três salários mínimos, além de exigirem a abertura de concursos públicos para os cargos ocupados atualmente pelos terceirizados.

Recentemente, a APUB proifense veio a público esclarecer, de forma embaraçada e nada solidária a uma entidade congênere, que a greve não era dos profesores. Como se precisasse dizer… Ela, a associação docente, hoje recreativa, que cada vez mais tem se especializado em festejos e desaprendido o sentido da greve numa sociedade que se pretende democrática…

O Prof. Felippe Serpa, ex-reitor da UFBA, professor da Faculdade de Educação (FACED) e um dos diretores da última gestão democrática e autônoma da APUB-SSind/ANDES-SN, manifestou-se em defesa das greves que, segundo ele, impediram, até então, a derrocada da Universidade Pública. Numa entrevista que gravei com ele, menos de dois meses antes da sua morte, para a pesquisa de doutorado da Profa. Inês Marques, da FACED/UFBA, o ex-reitor tratou desse tema, entre outros. Confira o vídeo abaixo:

Os oito anos de governo do presidente Lula foram de muita letargia e a categoria docente, através da APUB (segundo o meu amigo Saci-Pererê, de “namorico com a oficialidade”) passou a exorcizar qualquer movimento grevista ou mesmo manifestação de um simples protesto, em defesa da Universidade Pública. Também a ASSUFBA não se sentiu confortável, no mesmo período, para tecer maiores críticas ao governo privatista de plantão, por conta das forças hegemônicas sindicais terem fortes ligações com o PT e PC do B, ambos os partido da base aliada governista. No âmbito da administração central do reitorado anterior, só para ilustrar o estado de ânimo debilitado da entidade sindical, faltou-lhe a energia de outrora para cobrar do Conselho Universitário da UFBA um novo marco regulatório com bases na participação coletiva pela via da Estatuinte.  

Parece que os ventos, entretanto, vão soprando em outras direções. À letargia, esboçam-se incômodos gestos de descontentamento e de decepção, sobretudo com o silêncio de algumas lideranças, salvo melhor juízo, em relação aos ataques que a UFBA vem sofrendo, talvez mais preocupadas com o seu próprio umbigo e a preservação dos seus mandatos políticos… Quem sabe a rebeldia em defesa da UFBA autônoma não retoma seu vigor do passado, descolada do produtivismo, conforme advogava o Prof. Felippe Serpa?… Quem sabe se a Universidade Pública não é mesmo indestrutível como queria o Pajé, quem sabe?

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2 Respostas to “– Felippe Serpa e as greves”

  1. osaciperere Says:

    É bom que se diga que o Prof. Felippe Serpa foi o único ex-reitor que, ao deixar o cargo, entrou para o movimento sindical. Coincidentemente, ele foi da última diretoria da APUB-SSind que assumiu o slogan “Sindicato é pra lutar”.

    Depois dessa diretoria autônoma e democrática, os professores só fazem dançar. Vide a precarização galopante do trabalho docente…

  2. Carlos Patrocinio Says:

    Com relação ao texto:
    “Os servidores reivindicam um reajuste em pelo menos três salários mínimos, além de exigirem a abertura de concursos públicos para os cargos ocupados atualmente pelos terceirizados.”

    Os servidores Técnicos Administrativos, reivindicam um piso de 3 salários mínimos (o menor piso do serviço público federal) e a retirada do PL que congela os salários e concursos públicos por 10 anos (Projeto de Lei Complementar 549/2010, já aprovado na Câmara).

    Acrescento que o último aumento salario foi em função da greve de 2007 e que os professores também foram beneficiados pelo acordo pois também são servidores das universidades. Talvez seja isso, como da última vez, nós fazemos a greve e os professores também ganham, triste sina.

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