– Nem tudo acaba em pizza!

 

Nem tudo acaba em pizza!

 

Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

Costuma-se dizer que no Brasil tudo acaba em pizza. Pessoalmente, não considero isso uma lei imutável, mas, às vezes, vou no embalo, e também repito o jargão.

Para comemorar o número redondo de 6.000 (seis mil) visitas ao Weblog do Saci-Pererê resolvemos acrescentar uma seção com alguns vídeos inusitados (denominada “Imagens para a História”), que são disponibilizados na rede, sobre momentos de personalidades políticas – nos bastidores ou não. Como não poderia deixar de ser, estreamos com o notabilíssimo presidente do Brasil, reconhecido mundialmente como o Cara, pelo não menos famoso Barack Obama.

Apropriamo-nos de algumas produções alheias e fizemos um audiovisual de exatos 4:48 min que denominamos de “A instituição Sarney”.

Ele (o audiovisual) honra a nossa cultura… Foi feito de fotos, vídeos e um áudio da internet. Tudo começou quando o meu amigo Saci-Pererê me pediu para lhe dar umas aulas de edição. À medida que eu ia baixando imagens e sons da internet, para lhe fazer uma demonstração básica, ele ia sugerindo costuras eletrônicas.

No final, tudo acabou em uma grande pizza, para não quebrar a grande corrente do nosso pizzaiolo maior. Sinceramente, se o vídeo tem algum mérito, o crédito deve ser dado ao pândego do Saci. Eu apenas fui apertando teclas e conduzindo o mouse…

***

Com as últimas notícias transmitidas pela TV sobre o grampo apensado ao telefone do presidente do Senado, a temperatura elevou-se um pouco em Brasília. Mas para alguns analistas, os olhos dos brasileiros estão mesmo cravados é no termômetro que monitora o vírus AH1N1, que o vulgo batizou de gripe suína, essa contagiosa cortina virótica.  Ela vem ajudando a aumentar – por coincidência ou não – o faturamento dos laboratórios farmacêuticos multinacionais e, ao mesmo tempo, contribuindo para diminuir a pressão sobre o nacionalíssimo maranhense.

Para não me deixar inculcado com a minha gripe (ainda sem adjetivo), o Saci me sugeriu ler um pouco mais sobre a blindagem do político maranhense pelo presidente pernambucano. Preferiu não chamar, por enquanto, os pandemiologistas. Ainda bem! Aceitei a sua sugestão, e entre uma crise de tosse e outra, li e assisti o que se segue.

“As lideranças nacionais estão evitando fazer críticas ao presidente Lula. Mas não tem como dizer de outro jeito: esse apoio é uma vergonha”, foi o que disse por telefone, para o UOL Notícias (on-line), o presidente do PT do Maranhão, deputado federal Domingos Dutra. “Temos um presidente com 80% de popularidade. Temos um partido com 30% de preferência, o segundo colocado tem 8%. E aí, depois de sete anos de governo bem avaliado, a gente tem de pedir esmola para o Sarney? Não tem.”

Já o taxista baiano Gilberto Lima foi mais além, no depoimento que deu para a Revista Veja (Também essa revista!… – dirão os lulistas apaixonados e pouco críticos), foi mais enfático: “O Lula fala em causa própria. Eu não me esqueci das denúncias do governo, que foram abafadas. Ao pedir tratamento especial para o Sarney, ele está pedindo isso para ele também”.

Nessa mesma revista (nº 25 de 24/06/2009) o filósofo Roberto Romano, Prof. da Unicamp, parece ter a mesma compreensão do taxista baiano. “Com essa declaração, Lula mostra que não sabe mesmo o que significa ser presidente da República. Por definição, todo cidadão de uma República democrática é um ser comum, independente de ser senador. Mas no fundo, o que o presidente quer sinalizar com essa frase é que há indivíduos que, como ele, estão acima da lei e da República.”

Provavelmente, alguém irá redarguir que as três opiniões acima não refletem os números que apontam o presidente como o Cara. E é verdade. Lula é muito inteligente (para alguns, astucioso até dizer chega!) e tem uma enorme capacidade para dosar o discurso quando percebe que sua sobrevivência política pode sair arranhada. Pelo menos, até agora, conseguiu tirar de letra… ou de verbo! Segundo suas próprias palavras, registradas e publicizadas em vídeo na rede, prefere ser uma metamorfose “ambulande”. Ele é sincero quando afirma isso.

Se num comício diz que

“eu quando vejo na imprensa de São Paulo a pesquisa dizendo que a Roseana [Sarney] é uma governadora aceita pelo povo do Maranhão […] Aí eu fico imaginando por que que (sic) ela aparece bem nas pesquisas. Sabe por que? Porque a Globo é do pai dela! O SBT é de Lobão! Vocês vêem a televisão falando bem deles o tempo inteiro. É por isso que essa gente aparece na pesquisa. Porque passa o tempo inteiro, descaradamente, (grifo nosso) mentindo na televisão”,

por outro lado, três anos depois, ele pode dizer sem a menor cerimônia que “Eu penso que o Sarney tem, no Brasil, história suficiente para que não seja tratado como uma pessoa comum”.

***

Já mais calmo da tosse, sinto um cheiro louco de pizza invadir minha sala.

– Essa vizinha ainda vai lhe matar de pirraça! – protesta meu estômago faminto.

O acurado “paladar” nasal deste que vos escreve identifica logo uma “quatro-queijos” adornada profana e criativamente com real coroa de fatias rubras e rutilantes de calabresa, qual pérolas incrustadas em Via Láctea – divinamente comestível! – fundida e ardente, de incomensurável sabor. Logo ali, do outro lado da parede, no apartamento vizinho.

Corro até a geladeira. Vã esperança. Nadinha no congelador, a não ser uma cuba de gelo semi-vazia.

Mais uma vez, o generoso miojo se deixa quebrar em pequenos pedaços e afaga desfalecido o fundo tórrido da caçarola, após agitado mergulho no borbulhante líquido em ebulição.

Nem tudo acaba em pizza… Verdade seja dita!

5 Respostas to “– Nem tudo acaba em pizza!”

  1. Sérgio Cassal Says:

    Não é mole não, tchê. Depois de tudo iso ele ainda sobe num palanque com o COLLOR! E diz que o cabra é confiável!!!…
    Como dizia o JÔ Soares: ¨Tira o tubo!¨

  2. Maria Inês Marques Says:

    Gênio!!

    Adorei o vídeo também!
    Beijo
    MI

  3. Lícia Beltrão Says:

    muito bem, Mena!!

  4. Clarissa Torres Says:

    Eu fico impressionada como as pessoas são capazes de decepcionar tantas outras ao mesmo tempo! Os fãs de Lula que o digam… Acho que esses paletos que eles usam devem ter alguma substancia estranha na composição!

  5. Cecília de Paula Says:

    Poxa, não foi atoa que Collor, ao ser questionado sobre a sua mudança de uns tempos para cá, ao apoiar Lula, logo respondeu:
    – Que mudança? Quem mudou foi Lula. Nós continuamos defendendo as mesmas bandeiras. E agora, Lula as defende. Portanto, ele é quem mudou…
    Então, prezado Saci, o que estamos assisitindo é nada mais nada menos do que a confirmação do que já denunciávamos há muito, desde o início do governo Lula.
    O maior lamento é que nem todos perceberam isso, ainda… mas isso é questão de tempo. E pelo andar da carruagem e por estas demonstrações, tomara que seja breve.

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