O soldado que derrotou o exército dos EUA

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Menandro Ramos
Prof. da FACED/UFBA

 

 

 

stão dizendo por aí que o  soldado Mike Prysner, jovem veterano de guerra do Iraque, fez o que muitos exércitos do mundo não conseguiram fazer: derrotar a credibilidade (ainda que aos poucos) da maior força militar do Planeta. O  insight que teve, materializado em uma elocução simples e contundente, vem contribuindo para desvelar o papel dos governos dissimulados de todo o mundo, e, em particular, dos governos estadunidenses, que não têm sido outra coisa senão capatazes do sistema capitalista. Na avaliação do Saci, cai por terra, portanto, o mito da “democracia” americana, rui a quimérica construção de “Mundo Civilizado” e do Estado de Direito”, pois as poderosas forças militares dos chamados países desenvolvidos não passam de gangues criminosas que, através de subterfúgios ideológicos praticam a pilhagem internacional e solapam dos países pobres a vida e a seiva da esperança. E isso não é de hoje.

O melhor exemplo disso, segundo o Saci, deu-se com o continente Africano, considerado o solo mais rico, ou dos mais dotados do mundo em metais, pedras preciosas e biodiversidade. O que restou para a maioria dos habitantes daquele continente? Fome, privações, doenças, guerras e desentendimentos internos provocados pela ambição e cobiça do colonizadores.

Contraditoriamente, ainda segundo o meu amigo de gorro vermelho e pito, o antídoto contra o veneno do capitalismo inoculado na contemporaneidade, principalmente pelos Estados Unidos, vem exatamente da reflexão de um ex-soldado estadunidense que corre mundo pelas redes sociais e nos faz pensar. Aos poucos, a semente plantada por Mike Prysner, que testemunhou in loco o despropósito de atrocidades norteadas pela ambição de uma minoria, vai caindo no solo da consciência do povo  norte-americana… Talvez, no futuro, George W. Bush e Barack Obama sejam considerados do grupo de ervas daninhas que se alimentam da mesma seiva de coloração avermelhada, tal qual se alimentaram no passado Adolf Hitler e Benito Mussolini…

O jornalista Luis Nassif escreveu no seu blog sobre o ex-soldado:

Mike Prysner é um jovem veterano da guerra do Iraque. Seu testemunho ganhou o mundo nos últimos meses. Mike faz parte da IVAW (Iraq Veterans Against the War), organização de ex-combatentes contrários à guerra. Ele concorreu a uma vaga no congresso pela Flórida, em 2008, pelo Party for Socialism and Liberation (PSL), tendo perdido para candidatos pró-guerra. Ocasionalmente, ele escreve no blog de Michael Moore (ao contrário do que pode ser encontrado na internet, Mike está vivo e bem de saúde). Para mim, independente do que possa vir a fazer esse rapaz, sempre acharei o referido discurso arrebatador.

A partir da fala do ex-soldado estadunidense, o meu amigo Saci-Pererê toma para si a exortação de um certo barbudo alemão e do seu parceiro de ideias e escritos:

– Fora as armas! Soldados do mundo, uni-vos em favor da paz e do trabalhador!

 

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Uma resposta to “O soldado que derrotou o exército dos EUA”

  1. osaciperere Says:

    Publicamos, abaixo e em negrito, a segunda parte do discurso de Mike Prysner com um breve comentário do enonomista Euclides Mance, especialista em Economia Solidária, consultor da Unesco e assessor do Programa Fome Zero, do governo Lula da Silva.

    ———————————–

    Repassando, e ainda sem palavras…

    Amigos/as

    Circula na Internet, com legendas em português, o discurso original do soldado veterano Mike Prysner que participou da guerra do Iraque: http://www.youtube. com/watch? v=FgztktFkncA . Outra versão, editada, abreviada e com imagens, está também no youtube. Com a experiência da guerra, Prysner tornou-se pacifista. É co-fundador do “March Forward!”, uma organização de veteranos que luta pelo fim das guerras no Afeganistão e Iraque.

    Do ponto de vista ético, cada pessoa é responsável pelo que faz ou pelo que deixou de fazer mas deveria ter feito, independentemente da moral dominante e da política hegemônica, tendo sempre em consideração o inalienável direito de cada pessoa a realizar eticamente sua plena humanidade, a viver eticamente sua liberdade. Em meio à complexidade do que Prysner relata sobre o que viveu nessa guerra, lembrei-me da frase que Emmanuel Lévinas retoma de Dostoiévski, em Os Irmãos Karamazovi, “somos todos culpados de tudo e de todos perante todos, e eu mais do que os outros” – frase que ganha novo sentido em Lévinas mudando-se a noção de culpa pela noção de responsabilidade pelo outro. Afirma Lévinas: “… Eu próprio sou responsável pela responsabilidade de outrem”. Responsabilidade que significa, no limite máximo, substituir-se ao outro.

    O racismo, como mais uma das ideologias da guerra, é um modo de tentar esconder a humanidade do outro. O outro cujo rosto deve ser escondido para ser torturado, como relata Prysner: “eu realmente nunca vi o seu rosto”. Um outro sem face, sem rosto, sem humanidade, negado em sua condição humana como pessoa, negado sua dignidade humana.

    Esse movimento de “substituir- se ao outro”, ferido, agredido e humilhado, leva Prysner a uma atitude e em seguida a uma conclusão: “foi então que percebi que deveria estar a defender a minha unidade deste detido, mas o que eu estava a fazer era defender este detido da minha unidade.”

    Há muito o que refletir sobre o que ele diz. A segunda parte do discurso está transcrita no youtube:
    ————————————-

    “Disseram-nos que lutávamos contra o terrorismo, mas o verdadeiro terrorista era eu e o verdadeiro terrorismo é esta ocupação. Embora essas armas sejam criadas pelo governo, são inofensivas se não houverem pessoas dispostas a utilizá-las. Aqueles que nos enviam para a guerra não têm que apertar um gatilho ou de lançar uma salva de morteiros. Eles não têm que lutar na guerra, só têm de nos vender a guerra. Precisam de um público disposto a enviar e a colocar os seus soldados em perigo. Precisam de soldados dispostos a matar e a ser mortos sem fazer perguntas. Eles podem gastar milhões numa única bomba, mas essa bomba só se torna uma arma quando os militares subordinados se dispõem a seguir as ordens para usá-la. Podem enviar tropas para qualquer lugar da terra, mas só haverá guerra se os soldados estiverem dispostos a combater. A classe dominante, os bilionários que lucram com o sofrimento humano, que apenas se preocupam em aumentar a sua riqueza e controlar a economia mundial, sabem que a sua força reside apenas na sua capacidade de nos convencerem de que a guerra, a opressão e a exploração são do nosso interesse. Eles sabem que a sua riqueza está dependente da sua capacidade de convencerem os cidadãos a morrer para poderem controlar o mercado de outro país. E convencer-nos a morrer e a matar depende da sua capacidade para nos fazerem acreditar que somos de alguma forma superiores. Os soldados, os marinheiros, os fuzileiros e os aviadores nada têm a ganhar com esta guerra. A grande maioria das pessoas que vive nos Estados Unidos não tem nada a ganhar com esta guerra. Na verdade, não só os soldados e os trabalhadores não ganham nada com esta ocupação, como sofrem por causa dela. Somos mutilados, suportamos traumas e damos as nossas vidas. As nossas famílias têm de olhar para os caixões cobertos com a bandeira que descem à terra. Milhões de pessoas neste país sem cuidados de saúde, nem emprego, nem acesso à educação, vêem este governo desperdiçar mais de 400 milhões de dólares por dia nesta ocupação. Os trabalhadores pobres deste país são enviados para matar trabalhadores pobres de outro país, para tornar os ricos ainda mais ricos. Não havendo racismo, os soldados percebem que têm mais em comum com o povo iraquiano do que com os bilionários que nos enviam para a guerra. Eu atirei pessoas das suas casas para a rua no Iraque. Mas quando voltei para casa, encontrei famílias atiradas para a rua por esta crise trágica e desnecessária da execução das hipotecas. Precisamos de acordar e de perceber que os nossos verdadeiros inimigos não estão numa terra distante, que não são pessoas cujos nomes nós não conhecemos e cujas culturas não entendemos. O inimigo é gente que conhecemos bem e que podemos identificar, o inimigo é o sistema que nos manda para a guerra, quando tal é rentável; os inimigos são os administradores que nos expulsam dos empregos quando tal é rentável; são as companhias de seguros que nos negam cuidados de saúde quando tal é rentável; são os bancos que nos tiram as nossas casas quando tal é rentável. Os nossos inimigos não estão a 5.000 milhas de distância. Eles estão aqui em casa, e se nos organizarmos e lutarmos com os nossos irmãos e irmãs, podemos parar esta guerra, podemos parar este governo, e podemos criar um mundo melhor.”

    ————————————————

    Há igualmente muito o que refletir sobre a primeira parte deste discurso que não está transcrita acima, mas legendada no video, em que se destaca o papel do racismo na ideologia da guerra. O que fará Prysner depois de amanhã, não sabemos. Mas seu discurso destaca não apenas uma posição de conflito no interior dos Estados Unidos com respeito às políticas hegemônicas desse país, evidenciando a articulação da guerra com os interesses do capital, como salienta igualmente a necessidade de organização e de luta pacífica para a construção de um mundo melhor. E isso vale para todos nós que desejamos um mundo de rostos e vozes, um mundo interculturalmente dialógico, livre e solidário.

    Abraços

    Euclides Mance

    ————–
    Fonte AQUI.

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