– A tecnologia a serviço dos Indignados

O Massacre de Pinheirinho:
A verdade não mora ao lado

 

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O vídeo acima, intitulado “O massacre de Pinheirinho: a verdade não mora ao lado“, produzido pelo Coletivo de Comunicadores Populares, é o registro de mais uma aberração da ordem burguesa – contra a cidadania, flagrante atentado aos direitos humanos -, e o testemunho imagético do pleno exercício da truculência e covardia contra pessoas indefesas. É o triunfo da república dos amigos endinheirados. Nas imagens exibidas, constrange ver a presença da força policial/guarda municipal, oriunda do povo, treinada – como cães ferozes! -, para cravar seus dentes nas carnes do próprio povo!

A produção videográfica sobre a ocupação do Pinheirinho, localidade  situada no município paulista de São José dos Campos, terra da tecnologia, segundo mencionou o governador Alckmin,   trava a mandíbula, dá um nó na garganta, embrulha o estômago, comove ao extremo, mas faz pensar, conduz à reflexão sobre a “Pátria amada, idolatrada” em que vivemos “um sonho intenso, um raio vívido de amor e de esperança”.

Está nas mãos dos brasileiros – e brasileiras! – mudar esta paisagem.

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A tecnologia a serviço dos Indignados

Menandro Ramos
Prof. de Educação e Tecnologias Contemporâneas,
FACED/UFBA

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“Quando o poder é tirânico, a revolta é um dever”
(inscrição no vídeo sobre o massacre)

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incontestável que a razão instrumental tem sido cultivada pacientemente pela classe dominante, ao longo dos séculos, com objetivo de domínio ou exercício de poder. Não é possível desconhecer esse fato. É inegável que o conhecimento, historicamente produzido, tenha assegurado inúmeras formas de exploração de uma classe social sobre outra, garantindo-lhe privilégios, impunidades e acumulação de riquezas sob o manto das mais astuciosas justificativas e racionalizações matreiras. Tudo isso é fato, e pode ser largamente confrontado com a realidade objetiva, independente de interpretações e subjetividades das quais todos somos passíveis. Inclusive o o meu amigo Saci, um ente mitológico que absorveu, por osmose, as virtudes e misérias humanas…

“Mas a batata dos exploradores já está quente, ou quase isso”, como o pilantrinha de gorro vermelho e pito costuma dizer. Aqui e alhures; na ocupação de Pinheirinho ou no extremo da Cochinchina, de simbólica lonjura de onde estamos; no local do sacrifício do jovem Bouazizi, na Tunísia, e na praça Tahir, no Cairo; no centro de Santiago do Chile, e na praça do Sol, em Madri, passando pela praça Zuccotti, no coração financeiro de Wall Street, em Nova York. Os jovens estadunidenses integrantes do movimento Ocupe Wall Street, criadores do slogan “We are the 99%” (Nós somos os 99%) – alusão à maioria da população explorada por 1% dos que controlam a economia do mundo -, muito aprenderam com os espanhóis da praça do Sol e de outras praças do planeta. E isso se deu, por ironia, através da rede dos computadores, concebida pelos EUA nos tempos da Guerra Fria, quando andavam às turras com a finada URSS, objetivando preservar as informações militares da maior potência capitalista do globo…

Pelo menos isso é o que o Saci vem conjuminando nos seus incansáveis serões filosóficos, motivados pelo material que me chega através da internet, o qual compartilho com ele, e ele comigo. Numa dessas suas tertúlias cognitivas, ele me indicou um vídeo sobre o massacre de Pinheirinho, disponibilizado na rede, que mostra mais uma barbárie ocorrida no estado de São Paulo, não sem antes filosofar:

– Chefia, tenho pensado umas coisas aqui nesta velha cachola… – e bateu várias vezes com o dedo indicador direito no próprio coco – creio que, ainda tendo a tecnologia assegurado historicamente a espoliação de uma classe sobre outra, do capital sobre o trabalho, dialéticamente, essa mesma tecnologia vem sendo apropriada no sentido inverso pelos movimentos sociais e pelos oprimidos de um modo geral, no sentido de acumular indignações. São milhares, (talvez milhões!), de produções audiovisuais armazenadas nos repositórios de imagens espalhados pela rede mundial de computadores, adubando a sementinha da insurgência, nutrindo-a a cada dia com a seiva da indignação… Uma coisa é ouvir falar do malfeito, e a outra é vê-lo com os próprios olhos que um dia irão reintegrar-se à terra! O caminho natural disso tudo, se assistido e debatido cuidadosamente, é o de levar o público a indagar  o porquê dessa balança desequilibrada na economia do mundo, ontem e hoje, seja na Grécia, onde nasceu a ideia da Democracia, seja no Brasil ou em cada Estado da federação, ou em cada município,  e inquirir sobre as consequências advindas desse desequilíbrio: uns moram em palácios ou mansões suntuosas sustentadas e ornadas por colunas jônicas; outros não têm sequer o direito de  abrigar-se das intempéries – quais cão sem dono –, e quando o fazem precariamente, são expulsos a cassetetadas,  a bala, a bombas de gás lacrimogênio; outros encontram na excelência do tratamento de saúde, em hospitais e clínicas seletas (como o Sírio-Libanês e o Albert Einstein, por exemplo), o alento para pensar numa vida renovada e com a qualidade que a dignidade humana exige; outros, sequer conseguem divisar a fila do SUS…  E por aí vai o rosário de iniquidades… Por falar em ir, eu aproveito e vou também por aí!… Fui! Mas a luta continua!

***

Saci de uma figa! Provocou-me e foi-se, escafedeu-se, tirou o corpo. Agora era a minha vez de refletir, fustigado por ele…

De fato, creio que o meu amigo estripulento tem razão em relação ao que falou sobre o uso dialético da tecnologia. E em relação à luta também… De fato, ela continua, pois não conhece trégua. É de sol a sol, de inverno a inverno. Não foi à-toa que um certo barbudo alemão e seu inseparável amigo concluíram que a história da humanidade tem sido a história da luta de classes. Nada mais vero. Na lógica da acumulação capitalista, alguém sempre está querendo explorar alguém, mas, felizmente, tem sempre alguém disposto a espernear para não ser explorado. O poema libertário é a resposta à elocução domesticadora, da mesma forma que a charge é o escárnio ao decreto-lei…

De um lado, computadores, supercomputadores, ordenadores criptográficos de segredos de guerra, calculadores e corretores de rotas de mísseis, bússolas contemporânea das viagens espaciais, redes facilitadoras da circulação e da transferência do capital sem pátria, concentração de riquezas e da integração do comércio virtual global a distância – em tempo de desregulamentação do trabalho; do outro, microcomputadores, desktops, notebooks, laptops, palmtops, tablets, câmeras fotográficas e de vídeo, telefones móveis, pendrives, e-mails, repositórios de imagens, redes sociais, possibilidades mil de realizar downloads e uploads em banda larga, de armazenar arquivos digitais de múltiplas extensões, de falar, de ver e ouvir em tempo real, em tecnologia síncrona e assíncrona… Possibilidade, enfim, de roubar o fogo de Zeus!…

Tudo isso estimula a pensar tanto os hardwares quanto os softwares em sintonia fina com o ideário do “laissez faire, laissez aller, laissez passer” (“deixai fazer, deixai ir, deixai passar”) tão caro ao pensamento liberal, “liberalidade” essa, entenda-se, para o capital fazer e acontecer – como, aliás, vem fazendo e acontecendo nas nações amigas e parceiras – livre, leve e solto, totalmente sem peias e sem limites éticos.

Mas estimula também a pensar nos hardwares e softwares que vêm construindo o contraditório, ou seja, combatendo a tal “liberalidade” que ocasionou a morte de milhões e milhões de pessoas nas inúmeras guerras mundo afora, fomentadas para dar vazão à produção da indústria bélica, só para citar uma única maldade e deixando de lado outras mazelas também gravíssimas provocadas pelo ideário da economia liberal, como a fome espalhada pelo mundo, ainda que os armazens estejam abarrotados de alimentos; o envenenamento dos rios e solos pelos agrotóxicos e pesticidas, mesmo a ciência já conhecendo os efeitos das substâncias químicas utilizadas nos adubos, etc.

Nesse caso, a proposta do “laissez faire”, enganadora por natureza, dá lugar a uma outra de fato relevante para os povos (leia-se, trabalhadores) do mundo e em benefício da Paz, do Trabalho, da Justiça Social, da Liberdade, da Democracia e da Solidariedade entre as nações:

– Blogueiros, orkuteiros, twiteiros, “faceiros” do mundo  –  univos!

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