– Affaire em concurso do IHAC

 

Recurso encaminhado por Renato Dagnino ao Diretor do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Milton Santos da UFBA referente ao EDITAL Nº 06/2010, nos termos de seu item 4.14 (grifo do editor deste Blog).

Conteúdo

1.      Introdução. 2

2.      Sobre a polissemia do termo “C&T” e a aparente indefinição acerca do perfil do profissional demandado   2

3.      Sobre os pontos do Concurso e a definição do perfil do profissional demandado. 3

4.      Sobre a familiaridade dos responsáveis pelo Concurso com o campo dos Estudos sobre Ciência, Tecnologia e Sociedade   4

5.      Sobre a composição da Comissão Julgadora do Concurso. 6

6.      Sobre a aderência da formação acadêmica dos membros da Comissão Julgadora ao assunto do Concurso   7

7.      Sobre a aderência da experiência dos membros da Comissão Julgadora ao assunto do Concurso   9

8.      Mirando o futuro. 10

Documento encaminhado em 24 de fevereiro de 2011

1.       Introdução

Foi publicado, em 22 de dezembro de 2010, um Edital de Concurso para uma vaga de professor para “área de conhecimento” denominada “Ciência e Tecnologia” (C&T) no – novo, renovador, já multidisciplinar e com vocação interdisciplinar – Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Milton Santos da UFBA (IHAC).

Quem interpõe este Recurso é Renato Dagnino, professor titular do Departamento de Política Científica e Tecnológica da Unicamp, candidato ao referido Concurso e que foi reprovado em sua prova escrita (a primeira e eliminatória) realizada em 16 de fevereiro de 2011.

O objetivo deste Recurso é solicitar a anulação do referido Concurso.

Seu propósito é evitar que o equívoco que este Recurso aponta venha a empanar o brilho desta universidade e a expectativa que um amplo segmento da comunidade acadêmica brasileira deposita no referido Instituto.

A motivação particular do que ora interpõe este Recurso é colaborar com seus pares da comunidade dos professores e pesquisadores brasileiros dos Estudos sobre Ciência Tecnologia e Sociedade para que este campo acadêmico seja considerado como outro qualquer, com suas especificidades, vantagens e limitações, no âmbito do processo hoje em curso de expansão da universidade pública do País.

Seu argumento central é que o Concurso não foi realizado de acordo com a boa prática universitária que dispõe, como norma tácita óbvia e internacionalmente aceita, a necessidade de que os membros da Comissão Julgadora possuam requisitos acadêmicos adequados – substantivos, explícitos e irrefutáveis – para avaliar os candidatos ao cargo. E que, por isso, nada garante que o resultado do trabalho da Comissão seja compatível com a excelência e respeitabilidade que esta universidade alcançou no cenário nacional.

2.       Sobre a polissemia do termo “C&T” e a aparente indefinição acerca do perfil do profissional demandado

São consideráveis a polissemia do termo “C&T” que define a vaga a ser preenchida e a vastidão do tema que ele designa. Não obstante, uma pessoa guiada pelo senso comum pensaria que o Concurso buscava alguém daquelas que se conhece como “ciências duras” (exatas, naturais, biológicas…), incluindo aí os que às levam à pratica (os engenheiros, etc.). E que o que o perfil do profissional que se buscava não era compatível com a área de “Humanidades”.

Já uma pessoa medianamente informada ficaria em dúvida, dado que era possível interpretar “C&T” quase que de qualquer maneira. O que ampliava o escopo do perfil buscado. Sobretudo se ela conhecesse as características e a proposta do IHAC.

3.       Sobre os pontos do Concurso e a definição do perfil do profissional demandado

Mas a análise dos pontos (sete) do Concruso: Educação em C&T, Abordagens Multidisciplinares em C&T, Impactos Sociais da C&T, Fronteiras do Conhecimento e Questões Contemporâneas em C&T, Modelos e Simulações em C&T, Nanotecnologia, Ciência e Tecnologia e Inovação poderia contribuir para dissipar aquela dúvida. Especialmente caso se pudesse contar com um detalhamento dos mesmos que indicasse com alguma precisão o que se pretendia com eles delimitar. Demanda que, aliás, foi encaminhada ao diretor do IHAC no final do mês de janeiro e que foi respondida com a observação de que “os pontos do concurso não podem ser detalhados, isso teria que ser feito por todos os membros da banca (incluindo os suplentes) e para todos os candidatos”. E que “cabe a cada candidato apresentar o que conhece do assunto sorteado, escolhendo evidentemente aspectos a serem mais detalhados, de acordo com o tempo de duração de cada prova”.

Voltando ao que pensaria aquela pessoa medianamente informada, é provável que ela entenderia que o que se buscava não era um físico, engenheiro, químico, etc. Podia até ser, mas desde que ele fosse familiarizado com aspectos e questões que estão no contexto semântico da C&T e que são “olhadas” com visões da área de Humanidades.

Ela depreenderia que os assuntos que relacionam, contextualizam (ou, mais genericamente, se referem a) “C&T”, abarcados pelos pontos, implicavam um perfil profissional bem mais definido.

Significados como os conotados por significantes do tipo “Impactos Sociais”, “Fronteiras do Conhecimento e Questões Contemporâneas”, “Modelos e Simulações” “Educação” – todos eles citados nos pontos – poderiam ser abordados por um profissional das Humanidades, que soubesse como aplicar os enfoques disciplinares em que foi formado – História, Sociologia, Ciência Política, Filosofia, Economia, Administração, etc. – sobre o objeto de análise C&T. mas, também, por outros profissionais com formação em ciências duras que tivessem de maneira autodidata, ou mediante uma formação regular, obtido uma capacitação adequada.

O caso do tema “Ciência e Tecnologia e Inovação” é um pouco diferente, porque aqui os economistas (neoschumpeterianos) são hegemônicos; mas ainda assim há “híbridos” que, percorrendo trajetórias com diferentes pontos de partida, dado que provenientes das ciências duras ou das Humanidades haviam chegado a ter características comuns.

O caso “Nanotecnologia” possui também uma especificidade. Juntamente com a Biotecnologia, a já conhecida Telemática, e as Novas Fontes de Energia (que quiçás também devessem constar do conjunto de pontos), ela integra o “cluster” das “new and emergent S&T”, e porque na nanoescala se desvanecem as fronteiras entre o biótico e o abiótico, ela reivindica um papel integrador destas e de outras tendências que daria origem à convergência entre ela, as TICs, a biotecnologia e as ciências do conhecimento, conhecida pelo acrônimo NBIC.

Mas de qualquer forma, para evidenciar que a Nanotecnologia “pertence” ao conjunto formado pelos demais pontos do Concurso, e que é a partir desse conjunto que ela deveria ser analisada pelos candidatos (e entendida pelos organizadores do Edital), é possível montar uma frase que sintetiza o argumento. A Nanotecnologia é uma das principais “Fronteiras do Conhecimento”, possui “Impactos Sociais” positivos e potencialmente negativos que colocam “Questões Contemporâneas” que demandam rigorosa análise mediante o instrumental que estuda a relação “Ciência e Tecnologia e Inovação” e, também, pela via da elaboração de “Modelos e Simulações”; processos estes que não poderão prescindir de jovens capacitados pela universidade através da “Educação em C&T”.

Até aqui, quase nada de novo. Salvo o fato de que, como é natural que viesse a ocorrer, existe um campo de estudos que vem sendo explorado há mais de 40 anos no exterior e, ainda que mais recentemente, na universidade brasileira, que trata, com as abordagens sugeridas pelos parágrafos anteriores, os temas ali mencionados. Ele se denomina Estudos sobre Ciência, Tecnologia e Sociedade (ECTS) e é também conhecido, grosso modo, como Estudos Sociais da Ciência e da Tecnologia.

4.       Sobre a familiaridade dos responsáveis pelo Concurso com o campo dos Estudos sobre Ciência, Tecnologia e Sociedade

Os responsáveis pelo Concurso (ou os organizadores do Edital que submeteram suas orientações à Congregação do IHAC) seguramente estão familiarizados com o campo CTS.

É verdade que esse campo está ainda em consolidação, mas talvez porque, como o IHAC, ele também é, como acima citado, “novo, renovador, já multidisciplinar e com vocação interdisciplinar”, os professores, por estarem com ele familiarizados (ou por existir ente eles algum(ns) “híbrido(s)” adeptos dos ECTS), tenham considerado conveniente organizar um Edital que permitisse a absorção de um profissional capacitado neste campo (a idéia aqui colocada usando por comodidade o substantivo masculino, como ocorre em outras oportunidades neste Recurso, não implica desconhecimento de que existem mulheres – e que seu número deve crescer – que se enquadram na categoria ou situação a que se faz referência).

O que demonstra uma preocupação saudável ainda que pouco encontradiça no ambiente universitário brasileiro, onde “híbridos” dessa natureza, que vêm tratando de temas como esses, e com esse tipo de orientação, em várias partes o mundo, não são muito bem recebidos.

Esses “híbridos” se situam também em grupos de ensino e pesquisa com vocação disciplinar (História da Ciência, Filosofia da Tecnologia, Economia da Inovação, Ensino de Ciências, etc.) que, por sua vez podem estar situados, como os que tratam o objeto Ciência, Tecnologia e Sociedade (os grupos de ESCT) em unidades universitárias que vão desde Centros de Ciências Sociais até Institutos de Geociências, passando por Faculdades de Administração e Escolas de Engenharia.

No Brasil, como em todo o mundo, os grupos de ESCT, que abrigam “híbridos” já capacitados para passar do multi para o interdisciplinar, são poucos. O mais antigo é o da Unicamp e o mais novo é o da UFSCAR. Entre esses dois, em termos cronológicos, abarcando temas variados com ênfases disciplinares e correntes distintas, e com gêneses diferentes, existem pequenos grupos em praticamente todas as boas universidades do País. Na UFBA, merece destaque o Programa de Pós-Graduação em Ensino, Filosofia e História das Ciências, que opera em conjunto com a UEFS. Mas existem “híbridos” em muitos outros espaços acadêmicos desta universidade: desde a Escola de Administração até a Faculdade de Educação.

Existem também, e aqui a experiência pioneira e mais conhecida é da UFSC, grupos de ECTS de tamanho variado, que oferecem disciplinas versando sobre tópicos de CTS em universidades federais que vão desde o Maranhão até o Rio Grande do Sul.

Até aqui, também, quase nada de novo.

Apesar de bem menor do que a importância que o tema merece numa sociedade crescentemente “tecnologizada” como aquela em que vivemos, e do que o número de estudantes do segundo e terceiro nível que deveríamos formar no País, os ECTS já despertam interesse de grupos como o do IHAC.

5.       Sobre a composição da Comissão Julgadora do Concurso

De fato, a novidade começa quando os responsáveis pelo Concurso esse grupo constituem a Comissão Julgadora da maneira como o fizeram.

Há sobre isso pelo menos três aspectos a salientar:

1.       Não parece ter sido por falta de familiaridade com o campo os ECTS ou por ignorar a significativa identidade existente entre os pontos do Concurso e os temas abordados por este campo o que levou os responsáveis pelo Concurso a não buscarem a assessoria de professores que nele atuam para compor a Comissão;

2.       O mesmo se aplica à não utilização de professores da própria UFBA ou das várias universidade brasileiras que tratam do assunto do concurso para efetuar de modo mais adequado a composição da Comissão;

3.       É surpreendente que as deficiências no processo de composição da Comissão que a seguir se apontam tenham passado despercebidas para os que com ele se envolveram.

Mas como foge ao objetivo do presente Recurso indagar a respeito desses aspectos, ele se limitará a evidenciar as deficiências que o processo apresentou.

O até aqui tratado sugere, dado o que se referiu quando da exposição do objetivo deste Recurso, sobre a noção de que as instituições acatem na sua conduta “… a boa prática universitária que dispõe como norma tácita óbvia e internacionalmente aceita, a necessidade de que os membros da Comissão Julgadora de concursos desta natureza possuam requisitos acadêmicos substantivos e irrefutáveis para avaliar os candidatos ao cargo”, que os responsáveis pelo Concurso deveriam adotar procedimentos para a constituição da Comissão Julgadora coerentes com esta “boa prática”.

Eles deveriam assegurar:

1.       Que fosse definido um conjunto de critérios de pertinência de potenciais membros da Comissão ao assunto do Concurso (aqui suposto, em função do argumentado acima, como aderente ao campo dos ECTS) no que respeita à formação, experiência, produção científica, etc.;

2.       Que, caso não houvesse no IAC pessoas com familiaridade suficiente para tanto, o que seria por várias razões natural e compreensível, se buscasse assessoria, como é feito em qualquer área do conhecimento e em qualquer lugar, junto a professores com competência reconhecida no campo CTS (na UFBA existem quase uma dezena e em outras universidades brasileiras de primeiro nível bem mais de uma centena) para a composição da Comissão;

3.       Que existisse, uma espécie de “double checking procedure” orientada a garantir, face a eventuais contestações de qualquer natureza acerca da aderência da Comissão ao assunto do Concurso, uma evidência disto nos seus currículos

A sessão da Congregação do IAC que aprovou a composição da Comissão Julgadora foi realizada em 26 de janeiro de 2011, 23 dias úteis depois da divulgação do Edital e 14 dias úteis antes do início do Concurso.

6.       Sobre a aderência da formação acadêmica dos membros da Comissão Julgadora ao assunto do Concurso

Como indicado anteriormente, o objetivo deste Recurso é solicitar a anulação do Concurso baseado no fato de que a Comissão Julgadora não reúne os requisitos acadêmicos para avaliar os candidatos ao cargo.

A única maneira de fundamentar essa petição é mediante a análise dos currículos dos seus membros, em particular dos currículos Lattes onde estão apresentadas as publicações, trabalhos de orientação, participação em congressos, disciplinas ministradas, formação acadêmica, etc. dos pesquisadores brasileiros.

Uma primeira incursão na Plataforma Lattes, orientada, ressalte-se, pela reflexão apresentada anteriormente acerca dos “híbridos” que possuem competência no campo CTS em que se insere o assunto do Concurso, permite apontar algumas características profissionais dos membros da Comissão.

Ela pode ser apreciada na tabela que segue que indica a Instituição a que pertencem a as área em que realizaram estudos de Graduação, Mestrado, Doutorado e Pós- Doutorado.

Instituição Graduação Mestrado Doutorado Pós- Doutorado
IAC-UFBA Física Física Engenharia dos Materiais n/c
UNEB – Departamento de Ciências Exatas e da Terra Química Industrial Química Industrial Química Engenharia dos Materiais  
UNEB – Departamento de Ciências Exatas e da Terra Química Química Analítica Química Analítica n/c

É evidente, à luz da reflexão recém aludida que a composição da Comissão apresenta 3 deficiências:

1.       Os currículos de cada um de seus membros não apresentam evidência de que sua formação acadêmica seja coerente com o assunto do Concurso;

2.       Também em relação a cada um de seus membros, há uma notória recorrência nos campos em que realizaram a sua formação (Química no caso de dois dos membros e Física no caso do outro); o que não é aderente com a diversidade de competências (mesmo pensada em termos do espectro das ciências duras) que deveria caracterizar o perfil profissional desejado e, por isto, balizar a avaliação dos candidatos;

3.       Ainda em relação a cada um de seus membros não há evidência de que sua formação acadêmica possua um caráter multi ou interdisciplinar, o que não é aderente com a diversidade de competências (mesmo pensada em termos do espectro das ciências duras) que deveria caracterizar o perfil profissional desejado e, por isto, balizar a avaliação dos candidatos;

4.       Em seu conjunto e ao contrário do que seria desejável, eles apresentam um viés no sentido das ciências duras e excludente em relação às Humanidades também pouco coerente com o perfil do profissional demandado (e, por conseqüência, dos candidatos a serem avaliados) e da própria instituição para a qual estão sendo selecionados os candidatos;

5.       Ainda em seu conjunto e ao contrário do que seria desejável, há uma concentração da Comissão nas áreas de Química e Engenharia dos Materiais; o que, tal como o que é abordado nos tópicos anteriores, também prejudica o processo de avaliação uma vez que o(s) candidato(s) selecionado(s) tenderá(ao) a ser semelhante(s) a quem o(s) avalia.

Ou seja, tendo por base a formação dos membros da Comissão, é possível afirmar que, quer no plano individual, dado que os membros da Comissão estão longe de se assemelharem aos “híbridos” com os quais se deveria contar como avaliadores, quer no coletivo, dado que em seu conjunto não apresentam a complementaridade de formações e a diversidade de “olhares”, o processo de escolha da Comissão foi incompatível com a boa prática acadêmica.

Some-se a isto o fato esdrúxulo de que os dois membros externos da Comissão pertencem não apenas da mesma universidade, o que por si só deveria ser evitado, mas ao mesmo departamento.

7.       Sobre a aderência da experiência dos membros da Comissão Julgadora ao assunto do Concurso

Seguindo procedimento análogo ao anterior, também baseado no único instrumento disponível – os currículos Lattes dos membros da Comissão – é possível avançar na busca de evidências que fundamentem a solicitação em causa. Ele resulta da análise da experiência acadêmica dos membros da Comissão. Isso porque, apesar de não possuir uma formação adequada, como já indicado, cada um deles ou, ao menos, o conjunto por eles formado, poderia ter uma experiência que justificasse sua escolha para compor a Comissão.

Se fosse assim, seus membros, em conjunto, apresentariam nos seus currículos artigos publicados, disciplinas, participação em Congressos, orientação de trabalhos e outros itens que são consignados no currículo Lattes dos professores brasileiros que pudessem ser tomados como evidência de sua capacidade para desempenhar sua tarefa e assegurar a seus pares e à sociedade, que ao fim e ao cabo é quem mantém a universidade pública, que o Concurso teria resultado na escolha do(s) melhor(es) candidato(s).

Um conjunto de informações que indica a pouca familiaridade da Comissão com o assunto do Concurso, ainda que não conclusivo, pode ser por ora apresentado, é o resultado do seguinte exercício. Ele consiste em colocar os três currículos Lattes dos membros da Comissão no mesmo documento e contabilizar a freqüência com que ocorrem expressões relativas àquele assunto e que aparecem no enunciado dos pontos do Concurso, com acepção pertinente. Seu resultado é indicado na tabela que segue.

Expressões Freqüência
Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia Zero
Ciência e Tecnologia e Sociedade Zero
Ciência e Tecnologia 5, referindo-se, p. ex., à Fundação de, ou à área de, mas nenhuma com a acepção pertinente
Sociais 2 referindo-se à “Grande área: Ciências Sociais Aplicadas”, mas nenhuma com a acepção pertinente
Sociedade Várias, referindo-se a Sociedades de profissionais como a de Química, etc., mas nenhuma com a acepção pertinente
Multidisciplinar Zero
Interdisciplinar 12, mas nenhuma com a acepção pertinente; exceção feita a um trabalho de um membro da Comissão, incluído num “Livro de Resumos” de 1996, Intitulado Uma Proposta de Prática , Interdisciplinar para o Ensino de Química, e a uma “Produção artística/cultural” apresentada por outro membro, em 2010 numa Semana de Arte, Cultura e Ciências do IHAC denominada “Projeto Interdisciplinar de Ciência & Tecnologia
Impacto 1, referindo-se ao objetivo de uma Linha de Pesquisa, “evitar o impacto ambiental adverso, decorrente do acúmulo de catalisadores nos pátios das empresas”, mas sem denotar algo semelhante a impacto da C&T ou do desenvolvimento tecnocientífico
Educação Várias, mas nenhuma com a acepção pertinente; exceção feita a uma das 18 Linhas de Pesquisa que desenvolve um membro da Comissão, denominada “Educação & Pedagogia da Matemática”

A tabela, não obstante a precariedade do procedimento que a originou, pode permitir formar uma idéia tentativa a respeito daquela familiaridade do conjunto dos membros da Comissão com o assunto do Concurso. E, por conseqüência, informar a decisão a respeito da consideração do presente Recurso.

8.       Mirando o futuro

Para encerrar o ponto anterior e “mirando o futuro”, cabe assinalar que outro exercício semelhante, mais demorado, mas relativamente simples de fazer para fundamentar ainda mais este Recurso, poderia ser realizado a partir da Plataforma Lattes. Ele implicaria conceber um algoritmo que associasse de forma adequada os termos que aparecem nos 7 pontos do Concurso e, a partir dele, ordenar os pesquisadores inscritos na Plataforma segundo a freqüência com que os termos aparecem em seus currículos. Essa freqüência seria uma proxy de seu grau de aderência ao assunto do Concurso. O resultado do exercício permitiria conhecer o percentil em que se situam os membros da Comissão e, assim, identificar sua aderência relativa ao assunto do Concurso.

Esse exercício poderia servir, diga-se de passagem, para que, caso este Recurso seja aprovado e um novo Concurso venha a ser realizado, a nova Comissão Julgadora venha a ser mais aderente ao assunto por ele coberto.

Passando a outro tema, e para abordá-lo, peço licença para inserir agora um tom mais pessoal a este Recurso.

Quero enfatizar que não gostaria que ele fosse tomado como algo “pessoal”, seja no sentido da minha própria pessoa, seja em relação àquela que o recebe e deve encaminhar. Nem como algo “institucional”, uma vez que uma das razões de sua existência é contribuir para o êxito do processo de consolidação do IHAC, instituição pela qual tenho o maior apreço e, inclusive, expectativa de poder dele participar. Ele pode ser tomado, e é legitimo que assim o seja, como algo “corporativo”, no sentido que pretende, de fato, ser um momento de reflexão dos colegas presentes nas instâncias em que este Recurso vier a ser analisado acerca da importância que já possui o campo dos ECTS na universidade brasileira e da conveniência de que ele seja encarado de forma distinta daquela que caracterizou este Concurso.

Não gostaria de terminar sem antes comunicar por parecer oportuno, porque acredito ser coerente com a gravidade que envolve situações como a aqui apresentada e com a transparência que se deve conferir às ações a ela adstritas, e por entender que esta prática corresponde ao sentimento de lealdade que deve animar a relação entre professores de universidades públicas, que antes de redigir este Recurso, e buscando uma forma de não precisar fazê-lo, tive entrevistas com o Pró-reitor de Graduação e com a Reitora desta universidade.

Esperando as providências cabíveis ao encaminhamento do presente Recurso nas instâncias pertinentes, despeço-me.

Cordialmente,

Renato Dagnino

3 Respostas to “– Affaire em concurso do IHAC”

  1. Menandro Ramos Says:

    Para o Saci, se a Uninova já envelheceu, ou ainda aguenta mais umas duas “meia-solas”, não faz a menor importância. O que não se pode tolerar na Universidade Pública é que não haja transparência nas suas ações.

    Assim, tão logo o meu escrachado amigo recebeu o apelo para divulgar um affaire ocorrido em um concurso do IHAC, não contou conversa: Pimba! Publicou a solicitação na sua Webtribuna e me pediu para divulgar o tal imbróglio na lista.

    E aí, Leitor, já viu, não é! O que é que o Saci me pede chorando que eu não faço sorrindo, hem, hem?

    Uma coisa que me deixou meio chocado foi com o terrorismo que pesa no costado de qualquer insurgente, conforme se manifesta um deles.

    “contrario os q me disseram q, alem de inocua, as acoes de interpor o recurso ou de divulgá-lo eram prejudiciais a mim mesmo.”

    Independente de saber quem está ou não com a razão, esse determinismo – para rimar com eufemismo – “é lenha”, conforme a sabedoria simples – quem sabe, simplória! – do meu amigo Saci…
    ————————————————–

    From: RENATO DAGNINO
    Sent: Saturday, February 26, 2011 9:31 AM
    To: universidadenova-l@listas.ufba.br
    Subject: [Universidadenova-l]
    Fwd: recurso ao concurso

    Car@s colegas,

    com tristeza, mas animado por todos os colegas com quem conversei a respeito, entreguei dia 24, ao diretor do IHAC-UFBA, o recurso ao concurso em q participei.

    tb por sugestao de muitos colegas, inclusive e especialmente da UFBA, o estou encaminhando (anexo) a vcs.

    contrario os q me disseram q, alem de inocua, as acoes de interpor o recurso ou de divulgá-lo eram prejudiciais a mim mesmo.

    mas achei q era um dever faze-lo.

    por um lado, em atencao a muitos de vcs q conhecem a area de Ciencia, Tecnologia e Sociedade na qual trabalho.

    por outro, a todos q, eu sei, gostariam q na universidade publica (pelo menos) nao acontecessem coisas com essa.

    se acharem conveniente, divulguem como quiserem.
    abraço

    Renato Dagnino

  2. Menandro Ramos Says:

    Recebi de um leitor que preferiu não se identificar:
    ———————————————————

    Sobre o recurso-denúncia aludido no post do endereço abaixo, um leitor, que não quis se identificar, me vez as seguintes recomendações:

    1. […] O IHAC está mais endiabrado que o seu Saci, primeiro põe pra correr o Criador e agora reprova um candidato formatado sob medida para a multi-inter-trans-mega-plusdisciplinaridade que eles têm como bandeira!

    2. Em relação à divulgação […], pergunto se seria na lista debates-l da UFBA, pois se não estou delirando, a da APUB, acabou. Acho que não devemos ajudar a encobrir essas bandalheiras [se for o caso], quero dizer é que fatos como esse tem de ser amplamente divulgados.
    3. […] Permita-me uma sugestão: avise aos leitores que ao clicar eles encontrarão o texto integral do recurso-denúncia pois podem pensar que é uma charge.

    Bem, uma parte do item 1 eu não concordo. O Saci não é endiabrado, os outros é que são um inferno para a Universidade Pública. Em relação ao item 2, o leitor não está delirando. Quanto ao item 3, eu estou totalmente de acordo, ou seja, aquilo não é um cachimbo, digo, não é uma charge, mas um recurso-denúncia.

  3. Adriano P. Aguiar Says:

    É o piano precioso do IHAC, soltando suas melodias…
    O que se sabe é que R Dagnino foi reprovado na prova escrita do concurso (eliminatória), justamente por sortear um ponto que não domina (Nanotecnologia). No caminho similiar ao trilhado por ele na procura dos pontos nos Lattes da banca, procurou-se as palavras “Nanociência” ou “Nanotecnologia” no seu currículo e nada foi encontrado. A pergunta que não quer calar é: Por que somente agora que ele foi reprovado é que contesta a banca? Orgulho ferido? Currículo manchado? Se ele tivesse sorteado ponto em que dominava e tivesse sido aprovado, a banca seria contestada? Questões para pensar e para viajar pelo meio acadêmico.

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