1034 – A UFBA crítica está mal de morte?

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GANGORRA

Para o Saci, a divulgação do crescimento do candidato da Chapa 1, no “Ibope”, vai colocar este Blog na condição de “Amigo do Rei”, o que pode nos assegurar, futuramente, um cargo na Casa Grande…

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Menandro Ramos
FACED/UFBA

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S.

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ei muito bem que o modelo crítico de uma Universidade Pública, e a serviço da sociedade como um todo, não é universal. Já me surpreendi inúmeras vezes ouvindo, de interlocutores diversos, insinuações que me levaram a crer que acreditam na possibilidade de que um quantitativo elevado de universidades, automaticamente, salvará o país de todos os males presentes e futuros que as afligem. Mutatis mutandis, é como diz o Prof. José Paulo Neto, muitos creem que o marxismo sozinho livrará a sociedade de todas as mazelas, desde unha encravada até caspa…

Há quem diga que a universidade foi criada para que os filhos da burguesia pudessem dominar os trabalhadores com instrumentos não físicos seguros. O Saci costuma dizer que a universidade será o que homens e mulheres quiserem o que ela seja. O pilantrinha está me lembrando sempre que muitas das descobertas obtidas através das pesquisas acadêmicas são repassadas à iniciativa privada e ao mercado capitalista voraz. Vide os fármacos comercializados pelos olhos da cara e sem qualquer vantagem para o trabalhador. Concordo com ele. É mais do que vero. E quem há de negar?

A todo momento estamos assistindo formas diversificadas e criativas de privatização do espaço público. Que não me deixem mentir as fundações da UFBA… Alguém ainda se lembra do rombo que uma fundação deu ao Hospital das Clínicas? Quem sabe me informar se a UFBA conseguiu receber os milhões de reais que lhe eram devidos? Numa da gravações que fiz em vídeo com o Prof. Felippe Serpa (vide abaixo),  para a pesquisa de doutorado da Prof. Maria Inês Marques, da FACED, o ex-reitor falou de uma Comissão que ele criou, no CONSUNI, para levantar as fundações existentes na nossa Universidade. Um ano depois, os ilustres conselheiros jogaram a toalha. Não se falou mais no assunto. Tudo indica que, como diz o meu amigo de gorro vermelho e pito, se nesse mato tem coelho, ninguém quer levantar uma única coelhinha sequer…

Anos atrás, assisti a um belo casamento no Museu de Arte Sacra. Com pompas e circunstâncias. Como eu sempre soube que o museu pertence à UFBA, quis saber como os familiares dos noivos conseguiram a proeza de realizar aquela celebração no espaço público. Soube, então, que não houvera qualquer dificuldade. Fiquei sabendo, também, que qualquer mortal podia alugar aquele belíssimo espaço e para o que quisesse. Contanto que pudesse pagar. E caro, diga-se de passagem.  Concluí, na época, que os endinheirados não tinham a menor dificuldade para se apropriar do espaço público.

Confesso que na ocasião aquilo me incomodou bastante. Percebi, entretanto, que as pessoas com as quais eu conversava sobre o assunto não pareciam se incomodar muito. Até justificavam o aluguel e louvavam o espírito empreendedor de quem teve a “brilhante” ideia de mercantilização do espaço público. Achavam perfeitamente natural o expediente de a UFBA gerar e estimular a geração de receitas próprias, como achavam natural preparar jovens empreendedores tão somente para o mercado, através do expediente da Empresa Júnior. Já que o MEC ou o Estado brasileiro não assumia suas responsabilidades constitucionais, o campo estava livre para o empreendedorismo acadêmico.

Entendi, a partir de então, que o silêncio da UFBA  sobre algumas questões que me chocavam era deliberado e racionalmente projetado.

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Recentemente, tive a mesma sensação que tivera anos atrás. O silêncio de alguns colegas quando eu comecei a cobrar dos candidatos algumas salvaguardas para a UFBA, indicava que as posições críticas não eram vistas com bons olhos. Certifiquei-me disso quando o querido colega e companheiro de lutas pretéritas, o Prof. Antônio Câmara, encaminhou-me uma mensagem em defesa do seu candidato, o Prof. João Salles. Expliquei-lhe pacientemente os meus temores, sem desqualificar quem quer que fosse. Na oportunidade e posteriormente, reafirmei a minha admiração e respeito pelo ex-presidente da APUB.

Quando julgava que tudo estava esclarecido, eis que recebo um telefonema de uma colega e ex-companheira de militância sindical, também respeitada e admirada por mim, da mesma forma que o Prof. Câmara. Dessa vez, de forma muito delicada, como é próprio dela, eu senti, em suas palavras, que me acusava de ter sido injusto com o Prof. Antônio Câmara. Falei-lhe que, a bem da verdade, nem considerava o mencionado companheiro como adversário, muito menos um inimigo, uma vez que, em nenhum momento, lancei contra o seu candidato  palavras que pudessem desaboná-lo moral ou intelectualmente, ou o apontasse como um potencial opositor. O que eu insistia era em ter dos candidatos as salvaguardas necessárias para não manter a UFBA como correia de transmissão de partidos políticos, quaisquer que fossem, sob pena de jogar no ralo a sua autonomia acadêmica e política.

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Lembrei-me de uma conversa rápida que tive, no mês passado, com o candidato a reitor da UFBA da Chapa 4, o Prof. Dirceu Martins, por ocasião do primeiro debate organizado pela Oposição APUB. Ao cumprimentá-lo, falou-me de forma risonha e bem humorada na “polarização” que eu havia criado entre o Prof. João Salles e o Prof. Nelson Pretto. Assegurei-lhe que eu não a havia criado. Minha assertiva advinha da pesquisa de intenção de votos encabeçada pelo Prof. Altino Bonfim, com “urna” de papelão e cédula de votação tradicional, durante o debate da Oposição Apub, e mais a enquete virtual realizada neste Blog. Falei-lhe também que estava empenhado em não favorecer quem quer que fosse. Brinquei, ainda, dizendo-lhe que a característica do meu signo era a de ter empenho em evitar, ao máximo, cometer injustiça contra quem quer que fosse. Para concluir, disse-lhe não ter inimigos, muito menos na UFBA.

Diante da sua reação de surpresa e diante da sua estrondosa risada, tive um tardio insight, corrigindo-me a tempo:

– Bom professor, pelo menos não considero os colegas da UFBA como inimigos. Se eles me consideram como tal, são outros quinhentos… Infelizmente, não posso fazer nada.

Continuamos conversando. Lá para as tantas, surgiu, na conversa, o nome do ex-reitor Prof. Naomar Almeida, ao qual fiz reiteradas críticas durante o seu reitorado. Falou-me o Prof. Dirceu que o então reitor tentou se comunicar comigo, e eu pude confirmar que isso acontecera, através da então diretora da FACED, Profa. Celi Taffarel e da Chefia de Gabinete do Reitor. Confesso que escorreguei como quiabo de um possível encontro com o Prof. Naomar. E a razão era muito simples: o meu amigo e oráculo Saci via (e ainda vê) o simpático ex-reitor como um grande sedutor. Sabia que se me encontrasse com o tal, podia correr o risco de ele me colocar num sapato alto… E aí, baubau autonomia para exercer a crítica. De fato, sei que corria o imaginado risco. Aprendi com o Prof. Milton Santos, a meu ver um dos maiores intelectuais brasileiros, que o intelectual (ou quem  exerce algum vislumbre de intelectualidade, como é o meu caso), não pode se prender a partidos políticos, a crenças ou dogmas, sob pena de ter que abrir mão de sua autonomia intelectual.

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Ao buscar o ombro amigo do meu debochado confidente de gorro vermelho e pito para chorar minhas mágoas, ele, piedosamente, me saiu com essa:

– Disso tudo,  chefia, posso concluir que, a ninguém é dado o direito de sair incólume da Caverna de Platão. Mormente você que sua miopia beirava à cegueira! De toda sorte, não enxergar a luz e ver apenas o cineminha de sombras pode ser altamente rentável…

Conformado, pensei com meus botões: mui amigo esse sacripanta!

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Veja o resultado da II Enquete (AQUI).

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Veja o que o Prof. Felippe Serpa falou a respeitos da privatizações internas da UFBA e o que pensava sobre o PT light:

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