– A destituição da diretoria da APUB – A.Câmara

A AG deliberou Assembléia com pauta única para destituir a diretoria da APUB

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Antônio da Silva Câmara
Prof. Associado III
Departamento de Sociologia/UFBA

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atual diretoria da APUB não tem mais condições morais de dirigir o sindicato, pois além  de só ter reconhecido a greve um mês após a sua deflagração, encetou medidas contra a  categoria ao longo de todo este período.   A sua obediência cega ao proifes e ao governo,  implicou no desrespeito absoluto às deliberações de sua própria base. Acumulam-se escândalos políticos como a convocação de um plebiscito para deslegitimar a greve; a participação em fóruns nacionais aprovando posições contrárias às aprovadas em Assembléias e, a participação em manobras nacionais da federação pelega que ao arrepio das bases, curvou-se às exigências do governo. Simulando negociar aceitou as imposições do governo. De má fé fingiu que a pauta da federação pelega foi atendida, que não existem mais pendências quanto à carreira docente, que as perdas foram minimizadas, que a situação dos aposentados será corrigida com um GT do governo, que o abismo salarial que separa associados de adjuntos foi resolvido, enfim que existe perspectiva de tirar as Universidades Federais do caos no qual elas se encontram após a implementação do REUNI.

Uma análise simples das pautas nacionais, do desembolso pretendido pelo governo e da nova carreira proposta mostra que as medidas unilaterais do governo apenas agravam as distorções da carreira, não atendendo as reivindicações docentes. Se isso é verdade, então porque defender o governo contra a categoria? Isso só pode ser explicado pelo fato dos servidores públicos reagirem ao neo-peleguismo e construírem uma greve forte contra o governo Dilma. O governo, a qualquer custo, quer encerrar a greve das IFES para impedir o alastramento da insatisfação. Parece que agora é tarde para isso, pois são mais de 30 categorias em greve realizando manifestações nacionais e obrigando o governo a prometer negociações. A atitude da diretoria da APUB vai, portanto, na direção de desmobilizar os docentes para facilitar a vida do governo, conseguindo, com isto, ir mais longe do que o antigo peleguismo na época da ditadura.

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ANTONIO-CAMARA

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Esse comprometimento da autonomia e independência do movimento docente em prol dos interesses do poder político de plantão, tem sido instituído na UFBA desde 2004, quando um grupo político aproveitou-se da desmobilização da categoria para destruir o sindicalismo combativo, transformando a APUB em um aparelho alinhado com a reitoria e o governo federal. Os dirigentes da APUB têm se alternado entre os postos de direção da Universidade (diretores, assessores, conselheiros de órgãos colegiados, ou até mesmo cargos no Estado) e a direção sindical. Alteraram a noção de sindicato enquanto entidade independente e de luta dos interesses da categoria, implementaram o servil bordão de sindicato como auxiliar dos governos e das reitorias. Por isso, não reagiram a expansão sem princípios imposta pelo REUNI, adotaram a noção de Universidade Nova, implementaram o sindicalismo virtual (com consulta apenas pela Internet), criaram e se filiaram ao aparelho pró-governamental (Proifes).

No entanto, nada disso foi tão grave quanto o absoluto desrespeito às decisões das AG´S de greve. Para a diretoria da APUB, acostumada a realizar festa, congraçamentos e toda  espécie de rapapés junto ao poder, nada parece mais horrível do que o atual levante  dos professores, que reconstroem pela base, o que vilmente foi destruído. Por isso, seus próceres tratam os colegas docentes como ?turba?, massa que provoca “arrastões”, inconscientes e inconseqüentes. Por isso, não tem cumprido as deliberações, obstaculiza o financiamento da greve (pois entende que os recursos da entidade são privativos das diretorias), desrespeitam o Comando Local de Greve privando-o de condições mínimas de trabalho e não divulgando suas atividades e, por fim, votando no Proifes posição contrária à deliberada pela base, chegando ao absurdo de convocar AG com o ponto de pauta Encerramento da Greve. Tal AG convocada em um fim de semana, surpreendentemente contou  com participação maciça de professores, que rejeitaram a pauta, exigiram uma composição de mesa com o Comando de Greve, e repudiaram o fato da diretoria, repetindo prática deletéria da sua federação nacional, ter posto seguranças na Assembléia e ter convidado representantes do Ministério Público e da Justiça do Trabalho para fiscalizá-la.

Não se trata, portanto, de discordâncias políticas quanto à oportunidade ou não da greve, e sim, de absoluto desrespeito à democracia sindical e ao seu fórum máximo a Assembléia Geral da Categoria (reconhecido até mesmo pela Constituição Federal e pelo Ministério do Trabalho). O mais adequado seria essa diretoria reconhecer que não tem mais condições morais de dirigir a APUB e renunciar a seu cargo. Infelizmente, o peleguismo entranhou-se de tal forma na alma destes dirigentes, que mesmo diante da rejeição de uma Assembléia com mais de trezentos professores, eles ainda se consideram em condições de manter seus cargos, escudando-se na sombra dos gabinetes, ressuscitando a direita universitária, e praticando manobras eletrônicas e jurídicas para impedir a ação da categoria. Em época de mensalão, vangloriam-se por não sofrerem a acusação de peculato e formação de quadrilha, esquecem que estes crimes também podem ser cometidos politicamente, quando pessoas eleitas para defender a categoria, tergiversam, abandonam suas reivindicações, aliam-se ao poder em todas as escalas, enfim cometem crime de alta traição. As sanções a estes crimes não advêm do Estado, mais da categoria mobilizada.

Diante da absoluta perda de legitimidade da diretoria da APUB só nos resta ir à Assembléia da próxima quarta-feira para deliberar por sua destituição e pela desfiliação do nosso sindicato da instancia governista (Proifes).

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Uma resposta to “– A destituição da diretoria da APUB – A.Câmara”

  1. altino Says:

    Curto e direto!
    aos que tinham dúvidas, explicações claras e concisas!
    Todos à assembléia como sujeitos sociais cumprir ação política de fundamental importância: resgatar o histórico e princípios políticos e éticos da APUB de luta intransigente em defesa dos interesses da categoria e por uma universidade pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada.
    Na luta, altino.

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